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Uma (ou duas) música(s) por dia: Cole e Dulli

DIA 28: “Uma música – ou duas – de um artista que você ama a voz”

Amo a voz de Lloyd Cole desde os tempos do Commotions, e amo também suas covers.

Na minha LastFM, “The Young Idealists”, de sua carreira solo (uma canção que começa com a frase “Eu sei que disse que era a favor de uma resolução pacífica” e, pouco depois, fala em “sinergia”, essa palavra odiada), é a música que mais ouvi dele.

Logo depois vem as versões de “Chelsea Hotel No. 2” (olha o Cohen novamente na área), seguida de “Si Tu Dois Partir” (uma canção de Dylan de 1965 chamada “If You Gotta Go, Go” que ele nunca registrou em seus álbuns oficiais, mas foi resgatada nas “The Bootleg Series Volumes 1–3”, de 1991 – a versão em francês foi lançada pelo Fairport Convention em 1968, e essa do Lloyd apareceu primeiro na deliciosa coletânea “Pop Romantique”, de 1999, que ainda traz Luna, The Apples In Stereo, Air e Magnetic Fields, todos gravando “French Pop Classics”) e de sua cover para “I Just Don’t Know What to Do with Myself”. Só na quinta posição aparece “Perfect Skin”.

“People Ain’t No Good” é uma canção – de partir o coração – que Nick Cave compôs e lançou na obra prima “The Boatman’s Call”, de 1997. Lloyd Cole a registrou no álbum “Music in a Foreign Language”, de 2003, mas aqui ela aparece também numa bela versão ao vivo.

“People Ain’t No Good”
Nick Cave & The Bad Seeds

People just ain’t no good
I think that’s well understood
You can see it everywhere you look
People just ain’t no good

We were married under cherry trees
Under blossom we made our vows
All the blossoms come sailing down
Through the streets and through the playgrounds

The sun would stream on the sheets
Awoken by the morning bird
We’d buy the Sunday newspapers
And never read a single word

People, they ain’t no good
People, they ain’t no good
People, they ain’t no good

Seasons came, seasons went
The winter stripped the blossoms bare
A different tree now lines the streets
Shaking its fists in the air

The winter slammed us like a fist
The windows rattlin’ in the gales
To which she drew the curtains
Made out of her wedding veils

People, they ain’t no good
People, they ain’t no good
People, they ain’t no good at all

To our love, send a dozen white lilies
To our love, send a coffin of wood
To our love, let all the pink-eyed pigeons coo
That people, they just ain’t no good

To our love, send back all the letters
To our love, a valentine of blood
To our love, let all the jilted lovers cry
That people, they just ain’t no good

It ain’t that in their hearts they’re bad
They can comfort you, some even try
They nurse you when you’re ill of health
They bury you when you go and die

It ain’t that in their hearts they’re bad
They’d stick by you if they could
Ah, but that’s just bullshit, baby
People just ain’t no good

People, they ain’t no good
People, they ain’t no good
People, they ain’t no good at all

 

Ps. Lloyd Cole não era a minha primeira opção nessa “tarefa”, mas ele merece muito estar aqui. Porém, vou quebrar o protocolo e postar, na sequencia, outra música de um outro artista que eu amo a voz..

Na verdade, a voz de Greg Dulli deveria ser a “parte 1”, pois foi a primeira que pensei, mas Lloyd Cole também é uma escolha especial.

Porém, meu blog, meu “desafio de música em 30 dias”, minhas regras.

Então bora de Afghan Whigs também, outra banda de covers fodas. “Miss World”, por exemplo, é uma canção do Hole, de Courtney Love, presente em “Live Through This”.

Greg Dulli e seus comparsas subvertem o arranjo numa versão dolorida, jazzy, de arrepiar, que saiu como b-side do single “Somethin’ Hot”, e depois apareceu na reedição dupla em vinil do álbum “1965” lançada em 2013..

Um clássico.

***

“Miss World”, do Hole, com Afghan Whigs

I’m Miss World
Somebody kill me
Kill me pills
No one cares, my friend
My friend

I’m Miss World
Watch me break
And watch me burn
Nobody’s listening, my friends
Yeah

I made my bed, I’ll lie in it
I made my bed, I’ll die in it
I made my bed, I’ll lie in it
I made my bed, I’ll die…

Kill girls watch
When I eat ether
Suck me under
Maybe forever, my friend
Yeah
My friends
Yeah

I made my bed, I’ll lie in it
I made my bed, I’ll die in it
I made my bed, I’ll lie in it
Made my bed, I’ll die in it

UMA MÚSICA POR DIA

 

maio 7, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Hallelujah

DIA 27: “Uma música que machuca o seu coração”

Vixi, são tantas.

Que tal uma playlist?

– “Atmosphere”, Joy Division
– “L’Avventura”, Legião Urbana
– “Forgiven”, Echo and The Bunnymen
– “Por Favor, Mente”, Tom Bloch
– “Broken Heart”, Spiritualized
– “Dizem”, OAEOZ
– “Lady Stardust (Demo)”, David Bowie
– “O Teatro dos Vampiros (Acústico MTV)”, Legião Urbana
– “No Surprises”, Radiohead
– “Tudo Vai Ficar Bem” / “Agridoce”, Pato Fu
– “Canción para mi Muerte”, Sui Generis
– “Um jeito especial de dar errado”, Lestics
– “Los dinosaurios”, Charly García

Mas para cumprir essa “tarefa” vou com uma canção que até já ganhou um filme! Quantas canções você conhece que receberam a honraria de ter uma cinebiografia?

“Hallelujah”, de Leonard Cohen, permanece até hoje sendo um mistério que o próprio autor nunca conseguiu decifrar: “Se eu soubesse de onde vêm as músicas, eu iria lá com mais frequência”, diz ele em “Hallelujah: Leonard Cohen, a Journey, a Song”, de Dan Geller e Dayna Goldfine (2022).

Na ótima biografia escrita por Sylvie Simmons, “I’m Your Man”, ela conta: “‘Hallelujah’ levou quatro anos para ser composta. Quando Larry ‘Ratso’ Sloman o entrevistou em 1984, Leonard mostrou uma pilha de cadernos, ‘livro atrás de livro cheios de versos para a canção que ele na época chamava de ‘The Other Hallelujah’”.

Leonard guardou 80 versos e descartou outros tantos. Mesmo após a edição final, Leonard tinha dois finais diferentes para ‘Hallelujah’”.

O fracasso do álbum, que a gravadora não quis lançar nos EUA, e acabou saindo tempos depois por um selo microscópico, fez com que Leonard Cohen experimentasse versos diferentes (e ainda mais densos) nos shows posteriores, criando uma segunda versão.

Quando o tributo “I’m Your Fan” (com Pixies, R.E.M., Nick Cave e muitos outros cantando canções de Cohen) começou a ser produzido, John Cale (Velvet Underground) pediu versos diferentes à Cohen para criar sua própria versão, que anos depois alcançaria Jeff Buckley, que colocaria essa terceira versão da música no Olimpo pop.

Escolho ela lembrando esse video que fiz de Cohen em 2008: não consegui filmar e enxugar as lágrimas ao mesmo tempo…

UMA MÚSICA POR DIA

maio 6, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Odio El Amor

DIA 26: “Uma música que te dá vontade de se apaixonar”

A paixão tem algo de encantador, mas também de insano, quase doentio, pois apaixonar-se é um estado de caos que é muito divertido durante um tempo, mas perde um pouco de sua “beleza” quando se aprende a amar. E, pra mim, uma das canções que melhor resume essa sensação de estar apaixonado é “Odio El Amor”, que o argentino Rubin lançou em seu primeiro EP, “Viva La Vida”, de 2004 (muito antes do Coldplay), e a escolheu para abrir seu pungente primeiro disco, “Esperando El Fin Del Mundo” (2006).

Rubin desenha com extrema destreza essa sensação maluca de estar apaixonado e… odiar o amor, esse espaço de tempo enlouquecedor entre a paixão se materializar na gente sem que o outro, muitas vezes, saiba, e o romance se concretizar (ou não, tive uma cota acentuada de platonismos). Esse fragmento de tempo em que “mudamos” de opinião em questão de segundos (“odeio as canções do Paul e andar de mãos dadas junto ao mar MAS se vocè está aqui, não tenho tempo para perder em solidão” – risos). Apaixonar-se é um delicioso delírio incrível… mas amar é melhor :~

*****
“Odio el amor”, Rubin

Odio el amor
la primavera y el sol
la luna y todo lo demás

Odio el calor.
y las canciones de Paul
Ir de la mano junto al mar

Pero si estás
no tengo tiempo de más
para perder en soledad
No es tan difícil dejarme llevar
pero me pierdo si no estás

Odio el ayer
y lo que vino después
que no me deja respirar

Odio a mis ex
y a cada amor de mis ex
Ir a tu casa y esperar

Pero si estás
Todo parece cambiar
y el viento deja de soplar.
No es tan difícil dejarme llevar
pero me pierdo si no estás.

Ella pasó, vino y se fue
¿Qué debo hacer
para que quiera volver?

Pero si estás
no tengo tiempo de más
para perder en soledad
No es tan difícil dejarme llevar
pero me pierdo si no estás
(Siempre) me pierdo si no estás

UMA MÚSICA POR DIA

maio 5, 2026   Encha o copo

Top 10 Abril de 2026 no Scream & Yell

TOP 10 TEXTOS MAIS LIDOS – ABRIL DE 2026
01) Cinema: “Pânico 7”, por Leandro Luz (aqui)
02) “Andar Na Pedra: A História dos Raimundos”, por Davi Caro (aqui)
03) 10 canções de Alvin L, por Marcelo Costa (aqui)
04) O baile da saudade punk do PIL, por Marcelo Costa (aqui)
05) Série: “Anos Novos”, por Manoel Magalhães (aqui)
06) Bad Religion ao vivo em SP, por Marcelo Costa (aqui)
07) Entrevista: Steve Von Till (Neurosis), por Luiz Mazetto (aqui)
08) Entrevista: Romulo Froes, por Fabio Machado (aqui)
09) Mac DeMarco ao vivo em SP, por Alexandre Lopes (aqui)
10) 1º No Hope Fest SP: por Fabio Machado (aqui)

VIA GOOGLE:
01) Matérias Antológicas: The Clash por Lester Bangs (aqui)
02) Entrevista: Alvin L, por Ananda Zambi (aqui)
03) As 30 músicas mais tocadas de Aldir Blanc (aqui)

MAIS LIDAS POR TEMPO MÉDIO
01) Entrevista: Manual do Jornalismo Musical (aqui)
02) Wilco ao vivo sem Nels Cline, por Bruno Capelas (aqui)
03) Cinema: “mother!”, de Darren Aronofsky, por Mac  (aqui)

O EDITOR RECOMENDA: MARÇO
01) Entrevista: Steve Gunn, por Heberton Barreira (aqui)
02) Entrevista: Fernando Catatau, por Fabio Machado (aqui)
03) Entrevista: Rita Braga, por Pedro Salgado (aqui)

TOP 10: Apenas textos de 2026 (quatro meses)
01) Melhores do Ano Scream & Yell 2025 (aqui)
02) Andar Na Pedra: A História dos Raimundos”, por Davi Caro (aqui)
03) Cinema: “Pânico 7”, por Leandro Luz (aqui)
04) APCA lista os 100 melhores discos de 2025 (aqui)
05) Cinema: “A Única Saída”, por Heloisa Lisboa (aqui)
06) 10 canções de Alvin L, por Marcelo Costa (aqui)
07) Make-up Is a Lie”, de Morrissey, por Marco Barbosa (aqui)
08) Test e Mr. Bungle em SP, por Fabio Machado (aqui)
09) 12 shows do Lollapalooza Brasil 2026, por Bruno Capelas (aqui)
10) Faixa a faixa: “Interdimensional”, por Guilherme Arantes (aqui)

TOP 10 – Sem textos publicados em 2026
01) O sexo no cinema brasileiro, por Renan Guerra (aqui) 2016
02) Top 100 cenas de nudez no cinema (aqui) 2009
03) Cinema: “Amores à Parte”, por Leandro Luz (aqui) 2025
04) Matérias Antológicas: The Clash por Lester Bangs (aqui) 2019
05) Cinema: “O Agente Secreto”, por João Paulo Barreto (aqui) 2025
07) Os 10 filmes de Wong Kar-Wai, por Marcelo Costa (aqui)  2022
08) Discografia comentada: Gal Costa, por Renan Guerra (aqui) 2020
09) Cinema: “O Agente Secreto”, por Leandro Luz (aqui)
10) Cinema: “Tipos de Gentileza”, por Marcelo Costa (aqui) 2024

TOP 10 GERAL 2026
01) Melhores do Ano Scream & Yell 2025 (aqui)
02) Andar Na Pedra: A História dos Raimundos”, por Davi Caro (aqui)
03) O sexo no cinema brasileiro, por Renan Guerra (aqui)
04) Top 100 cenas de nudez no cinema (aqui)
05) Cinema: “Pânico 7”, por Leandro Luz (aqui)
06) APCA lista os 100 melhores discos de 2025 (aqui)
07) Cinema: “A Única Saída”, por Heloisa Lisboa (aqui)
08) Cinema: “Amores à Parte”, por Leandro Luz (aqui)
09) 10 canções de Alvin L, por Marcelo Costa (aqui)
10) Make-up Is a Lie”, de Morrissey, por Marco Barbosa (aqui)

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

maio 4, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: “Queen of Denmark”

DIA 25: “Uma música de um artista que já morreu”

“Queen of Denmark” é a faixa título do primeiro álbum solo do músico John Grant, ex-vocalista do The Czars, lançado em 2010.

Dois anos depois, Sinéad O’Connor tomou “Queen of Denmark” pra si numa versão de estúdio poderosa registrada em seu penúltimo álbum, “How About I Be Me (and You Be You)?”, de 2012.

Eles chegaram a interpretá-la ao vivo juntos, e colaboraram em outras canções.

Sinéad nos deixou em 2023, aos 56 anos.

Essa é minha interpretação favorita de Sinéad. Como eu queria ter tido a oportunidade de ter visto ela cantar essa (e tantas outras) ao vivo.

*
“Queen of Denmark”, Sinéad O’Connor

I wanted to change the world
But I could not even change my underwear
And when the shit got really really out of hand
I had it all the way up to my hairline

Which keeps receding like my self-confidence
As if I ever had any of that stuff anyway
I hope I didn’t destroy your celebration
Or your Bar Mitzvah, birthday party or your Christmas

You put me in this cage and threw away the key
It was this ‘us and them’ shit that did me in
You tell me that my life is based upon a lie
I casually mention that I pissed in your coffee

I hope you know that all I want from you is sex
To be with someone that looks smashing in athletic wear
And if your haircut isn’t right you’ll be dismissed
Get your walking papers and you can leave now

Don’t know what to want from this world
I really don’t know what to want from this world
I don’t know what it is you wanna want from me
You have no right to want anything from me at all

Why don’t you take it out on somebody else?
Why don’t you bore the shit out of somebody else?
Why don’t you tell somebody else that they’re selfish?
A weakling, coward, a pathetic fraud

Who’s gonna be the one to save me from myself?
You’d better bring your stun gun and perhaps a crowbar
You’d better pack a lunch and get up really early
And you should probably get down on your knees and pray

It’s really fun to look embarrassed all the time
Like you could never cut the mustard with the big boys
I really don’t know who the fuck you think you are
Can I please see your license and your registration?

Don’t know what to want from this world
I really don’t know what to want from this world
I don’t know what it is you wanna want from me
You have no right to want anything from me at all

Why don’t you take it out on somebody else?
Why don’t you bore the shit out of somebody else?
Why don’t you tell somebody else that they’re selfish?
A weakling, coward, a pathetic fraud

So Jesus hasn’t come in here to pick you up
You’ll still be sitting right there ten years from now
You’re just a sucker but we’ll see who gets the last laugh
Who knows, maybe you’ll be the next Queen of Denmark

UMA MÚSICA POR DIA

maio 4, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Electrolite

DIA 24: “Uma música de uma banda que você gostaria que ainda estivesse junta”

Ps. Eu estou nesse show do video abaixo (com a luz do celular ligada) no Rock Werchter, na Belgica!

****
“Electrolite”, R.E.M.
do álbum “New Adventures in Hi-Fi”, de 1996

Your eyes are burning holes through me
I’m gasoline
I’m burnin’ clean

Twentieth century, go to sleep
You’re Pleistocene
That is obscene
That is obscene

You are the star tonight
Your sun electric, outta sight
Your light eclipsed the moon tonight
Electrolite
You’re outta sight

If I ever want to fly
Mulholland Drive
I am alive

Hollywood is under me
I’m Martin Sheen
I’m Steve McQueen
I’m Jimmy Dean

You are the star tonight
Your sun electric, outta sight
Your light eclipsed the moon tonight
Electrolite
You’re outta sight

If you ever want to fly
Mulholland Drive
Up in the sky

Stand on a cliff and look down there
Don’t be scared, you are alive
You are alive

You are the star tonight
Your sun electric, outta sight
Your light eclipsed the moon tonight
Electrolite
You’re outta sight

Twentieth century, go to sleep
Really deep
We won’t blink

Your eyes are burning holes through me
I’m not scared
I’m outta here
I’m not scared
I’m outta here

UMA MÚSICA POR DIA

 

maio 3, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Mobral

DIA 23: “Uma música que todo mundo deveria escutar”

“Mobral”, Herbert Vianna
do álbum “Ê Batumaré” (1992)

Do que adiantam?
Placas, Bulas, instruções…

Do que adiantam?
Letras impressas das canções…

Do que adiantam?
Gestos educados, convenções…

Do que adiantam?
Emendas, constituições

Se o teto da escola caiu
Se a parede da escola sumiu
Sem dente o professor sorriu
Calado recebeu dez mil

E depois assistiu na TV
Em cadeia para todo Brasil
O projeto, a tal salvação
Prestou atenção e no entanto não viu

A merenda, que é só o que atrai
A cadeia para qual o rico vai
Despachantes, guichês, hospitais
E os letreiros de frente pra trás
Aos olhos de quem
Só aprendeu o bê-á-bá
Pra tirar carteira de trabalho

E não entendeu Zé Ramalho cantar:
“Vida de gado
Povo marcado
Povo feliz”

UMA MÚSICA POR DIA

maio 2, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Like I Used To

DIA 22:  “”Uma música que te coloca pra cima”

Precisei de um tempinho para continuar a sequência porque os últimos dias não foram fáceis. Fiquei bastante “sentimental” com a partida de Alvin L, entristecido com o fechamento de um dos bares mais legais do mundo (o Kulminator, na Antuérpia) e feliz com a demissão do técnico do Corinthians, ainda que quase três semanas atrasadas (ou seja, não tem muito o que comemorar e partiu loucura).

E, então, a “tarefa” do dia 22 me soa ainda mais deslocada, pois sou um cara que ama canções tristes, e são elas que me fazem feliz. Colocam pra cima? De certa forma. Se eu entrasse em um bar e Christina Hendricks (o que seria motivo de sobra pra sorrir) estivesse tocando “Broken Heart”, do Spiritualized (como fez dias atrás em San Diego), facilmente eu abriria um sorriso e começaria a sussurar a letra junto: “And I’m crying all the time / I have to keep it covered up with a smile”…

Isso também aconteceria se “Sadness is Blessing”, de Lykke Li, começasse a soar no ambiente, o que explica um tanto.

Paralelamente, há as canções “cinicas” e/ou engraçadinhas, que sempre me trazem leveza. Tipo “Samba do Grande Amor’, do Chico (um samba nunca falha nessa hora).

E existem várias canções que me fazem ter vontade de chacoalhar o corpo (o que não dá pra chamar de “dançar’, embora seja), mas são queixosas tipo “Can’t Stand Me Now” (que até soa uma canção de amor, mas é Carl reclamando de Pete enquanto lhe oferece mais uma chance), aquele tipo de energia positiva surgida de algo negativo (mas que canção!!!).

Poderia ser “Any Day Will Be Fine”, do Mojave 3, talvez a melhor canção para se começar o dia: “I love the sun and the highlights in your hair / They turn me on and if you wanna go / Just go we’ll run away / ‘Cause I don’t mind / ‘Cause any day will be fine…”. Bem, deveria ser essa.

Mas dai cheguei em “Shut Up and Kiss Me”, de Angel Olsen, e dali fui para “Like I Used To”, a canção mais Bruce Springsteen que Bruce Springsteen não escreveu nesta década (os teclados na versão original são pura homenagem). Então fica sendo essa:

“Like I Used To”, Angel Olsen e Sharon Van Etten ‧(2021)

Will the marker stain the skin?
Stole the dress I saw you in
Now nothing comes to mind

Saw a life as override
One more session overdrive
The ceiling is the roof

Change address and draw a line
Show my friends the silver line
Call my family just to know they’re there

Sleeping in late like I used to
Crossing my fingers like I used to
Waiting inside like I used to
Avoiding big crowds like I used to

Crawl the field and lеt you in
Brand my heart I found you in
To say nothing’s more apart

Will my lover bе there, stay
Follow them to less the pain
The ceiling must be wrong

Well, my head’s gone today
Sell my past for a way
To sing and have something left to say

Pray my hands, pray my voice
Give the reason, take away
Make believe an order for to stay

Lighting one up like I used to
Dancing all alone like I used to
Giving it up like I used to
Falling in love I like I used to

Open my heart like I used to
Making out long like I used to
Holding hands openly, rights to
Taking what’s mine like I used to

Like I used to (like I used to)
Like I used to (like I used to)

UMA MÚSICA POR DIA

maio 1, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: Maquiável para Crianças

DIA 21: “Uma música que tenha o nome de alguém no título”

Julia?
Anna Julia?
Suzanne?
Melissa?
Pocahontas?
Rosa?
Lucy?
Janaina?
Michelle?
Veronica?
Maria Augusta?
Freddie (Freeloader)?
(Visions of) Johanna?
(Sweet) Jane?
(Carta Pra) Amy?
Jorge (Maravilha)?
Eleanor (Put Your Boots On)?
Cira, Regina e Nana?

Tantos nomes, tantas canções, mas hoje irei de… Maquiável!

****
“Maquiavel para Crianças”, de Meia Dúzia de 3 ou 4
do álbum “Tem Muito Disso Que Cê Tá Falando” (2014)

Estava eu tomando umas biritas
no bar do seu Antônio Santos, no Peri
boteco igual eu nunca vi!

Um torresminho, caipirinha
muita cerveja e mais branquinha
e de repente, surge num traje garboso
moleque misterioso
me abordou dizendo assim:
– Desenha-me um carneiro?

Fiquei tocado, achei que o caso era de fome
chamei o seu Antonio e pedi ligeiro:
– ô, seu Antonio traz pra nós uma perninha de carneiro!

Servido o prato bem preparado
mas o garoto dissimulado
ficou ali parado, impávido colosso!
Eu comi, chupei o osso
e ele então sentenciou:
– desenha-me um carneiro?

Não entendi nada
tocava um CD, Premeditando o Breque
– o que deseja esse moleque?

Tive um rompante
e utilizando a inteligência lógica
chamei depressa o Grilo Falante
pra fazer um jogo na “loto zoológica”

– Ô Grilo?! faz aí um milharzinho no carneiro!
– Que número?
– Vinte e cinco e vinte e sete, na cabeça!
– Tá feito!

Passei o jogo pro garoto, convencido
que o enigma da esfinge tava resolvido
– desenha-me um carneiro?”

Num guardanapo, caneta bic
fiz um esboço meio Naif
dei-lhe o carneiro feito ali de improviso
aprovou, deu-me um sorriso
num adeus profetizou:
– tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!

Pegou pesado!
Lembrei da minha vida ao lado da Rosa
aquela cobra venenosa
pra quem fiz tudo
mas me trocou por um piloto de avião
anda dizendo que eu não dou no couro
ai, que desaforo, ainda quer pensão!

“tu te tornas eternament….”

Mudei de vida a partir daquele dia
contei a minha história misturando fantasia
Lancei um livro, ganhei dinheiro
fiquei famoso no mundo inteiro

E ainda sem título, um branco no papel
desisti, tudo se torna, reciclei Maquiavel

UMA MÚSICA POR DIA

abril 30, 2026   Encha o copo

Uma música por dia: El Loco

DIA 20: “Uma música com vários significados”

“El Loco”, do Babasónicos
do álbum “Jessico”, de 2001

Soy víctima de un dios
frágil, temperamental
Que en vez de rezar por mí,
se fue a bailar
Se fue a la disco del lugar

Quiso mi disfraz
vivir como un mortal
Como no logró matarme
me regaló
Una visión particular

Volutas de humo,
titilo a su encuentro,
oh-uoh-oh
Siento el fulgor y quiero entrar

Soy víctima de un dios
díscolo y muy singular
Que a su antojo fiel
me arrebató a mi mujer
Y la internó en un lupanar

Que él administró
como chulo, gran señor
Y llegó hasta el fin de confundir
su impunidad
Se creyó omnisciente

Volutas de humo
titilo a su encuentro,
oh-uoh-oh

Siento el fulgor y quiero entrar
Lo regalado es mío y se acabó
No lo devuelvo

Soy víctima de un dios frágil, temperamental
Que en vez de rezar por mí, se fue a bailar
A la disco del lugar

UMA MÚSICA POR DIA

abril 29, 2026   Encha o copo