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Dylan com café, dia 59: Another Selfie

Dylan com café, dia 59: Quando todos os fãs de Dylan imaginavam que 2013 passaria batido sem nenhum lançamento, a Columbia Records surpreendeu a todos com duas belíssimas novidades. A primeira delas foi o 10º volume das Bootleg Series que trazia como nome “Another Self Portrait (1969–1971)” e cobria o período de gestação dos dois discos lançados em 1970: o odiado “Self Portrait” (junho) e o familiar “New Morning” (outubro) somando duas demos de “Nashville Skyline” (1969). Você se lembra, certo? “Self Portrait” foi o disco (terrível) em que Dylan rompeu com seu público, após o (disfarce do) acidente de moto em julho de 1966, que interrompeu sua turnê mundial (ele só voltaria a fazer uma grande turnê em 1974), o afastou dos estúdios (1968 não viu nenhum disco de Dylan), mas não da Big Pink, a casa que a The Band alugou para morar e ensaiar enquanto Dylan se recuperava (e que irá gerar as “Basement Tapes“.

Nesse processo todo de desconstrução, “Self Portrait” é tido como o pior álbum da carreira de Dylan (“Dylan”, de 1973, é uma sacanagem da gravadora e não deve ser levado à sério) e ficou tão famoso quanto a abertura da resenha de Greil Marcus na Rolling Stone em 1970: “Que merda é essa?”. Mais de 40 anos depois, Dylan e Greil Marcus estão de volta (o jornalista assina o texto – desta vez comportado – do livreto) em versões cruas e emocionais, demos interessantes que valorizam “Self Portrait” (ainda que não o salve do purgatório) ao mesmo em tempo em que colocam certa nuvem nublada sobre o clima solar de “New Morning”. Despidas dos arranjos exagerados da época, “All the Tired Horses”, “Little Sadie”, “Wigwam”, “Days of 49” e “In Search of Little Sadie” soam adoráveis. Já “It’s Not For You” perde o apelo pop e ganha em drama numa versão piano e violino. A versão “Time Passes Slowly #1” soa mais “New Morning” do que a versão que foi para o álbum (há ainda uma terceira, daquelas de boteco fechando as 5 da manhã).

Entre as 35 canções da edição dupla, diversas faixas inéditas na voz de Dylan, como a pungente versão de “Pretty Saro”, a dramática “Spanish Is the Loving Tongue” e as rancheiras “Thirsty Boots” e “Tattle O’Day”, coisas finas que, do jeito cru em que se encontram, se conectam com a dobradinha de álbuns de covers caipiras que Dylan gravou nos anos 90, “Good As I Been To You” e “World Gone Wrong“. Além dessa versão dupla saiu uma outra com dois discos bônus trazendo, de extras, o dispensável “Self Portrait” original remasterizado em um disco e o famoso show de Dylan com a The Band no Festival da Ilha de Wight, em 1969, no outro, formando um pacote que ilumina de maneira encantadora um período escuro da carreira de Dylan, que ressurge aqui muito mais interessante.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 26, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 58: Tempest

Bob Dylan com café, dia 58: Chegamos a um momento da trajetória de Bob que qualquer coisa que ele lance de material inédito é amplamente aclamado pela crítica, e “Tempest”, seu quatro álbum de inéditas no novo século e 35º na carreira, não fugiu a regra. Lançado em setembro de 2012, “Tempest” quebrou a hegemonia de números 1 de Dylan nos últimos anos (os três álbuns anteriores haviam sido número 1 nos EUA, dois deles número 1 no Reino Unido) batendo na 3ª posição, mas os elogios foram tantos que o crítico do Guardian se incomodou: “O novo álbum de Bob Dylan chega e – como se tornou tradicional – você dificilmente conseguirá ouvir o velho devido ao barulho de avaliações de cinco estrelas sendo arremessadas à mesa”. A rigor, defende Alexis Petridis (que deu “apenas” quatro estrelas) com certa razão, Dylan vem fazendo absolutamente a mesma coisa desde “Love and Theft” (2001), o primeiro disco em que ele se jogou na produção, e o resultado positivo o fez assumir os botões também em “Modern Times” (2006), “Together Through Life” (2009) e “Christmas in the Heart” (2009). O nível, claro, é alto, mas Dylan joga na zona de conforto mantendo as mesmas inspirações: “Woody Guthrie, murder ballads, Muddy Waters, Jimmie Rodgers, jazz e folk do início dos anos 60”, resume a crítica da Billboard.

Ou seja, um furação pode dizimar a Terra ou banqueiros podem quebrar o país, que Dylan continuará num tempo espaço próprio, uma coisa pré-rock and roll, até pré-Bob Dylan. Não à toa, “Tempest” traz uma canção inspirada no Titanic (os 14 minutos e 50 versos da ótima faixa título citam até Leonardo Di Caprio; o crítico do Guardian se incomodou porque alguém comparo-a a “Desolation Row”… pela extensão. “Menos”, escreveu), outra na morte de John Lennon (a fraquinha “Rollo n John”) e uma terceira, um bluezaço furioso sobre “Early Roman Kings”. Além do bom primeiro single, “Duquesne Whistle” (aparentemente uma sobra do disco anterior, já que é a única do álbum em que Dylan divide a autoria com Robert Hunter), destaques para o rockabilly envenenado “Narrow Way”, que ameaça: “Se eu não puder trabalhar com você, um dia você irá trabalhar para mim”. A coisa fica feia em “Pay In Blood”, em que o refrão avisa: “Eu pago com sangue, mas não o meu”, e a letra segue sacaneando políticos, observando o amor num beijo assoprado por um mendigo raivoso e questionando: “Seu filho da puta, você acha que eu respeito você?”. No fim das contas, “Tempest” é sim outro grande álbum de Dylan, ainda que mais do mesmo. Será possível se recriar aos 50 anos de carreira? Talvez seja melhor cantar standarts de jazz… e isso é assunto para outro café.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 24, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 57: Anistia 50 anos

 

Bob Dylan com café, dia 57: A Anistia Internacional é uma organização não governamental fundada em 1961 que defende os direitos humanos. Com sede em Londres, a ONG conta com mais de 3 milhões de membros e apoiantes em todo o mundo. O objetivo declarado da organização é “realizar pesquisas e gerar ações para prevenir e acabar com graves abusos contra os direitos humanos e exigir justiça para aqueles cujos direitos foram violados”. Em 2011/2012, visando comemorar os 50 anos da organização e os 50 anos de carreira de Bob Dylan, a Anistia promoveu a produção de um álbum quadruplo com 76 artistas revendo, de maneira inédita, canções de Bob.

Lançado em janeiro de 2012, “Chimes of Freedom: The Songs of Bob Dylan Honoring 50 Years of Amnesty International” remete ao texto do crítico do Guardian na época do lançamento do disco natalino de Dylan (que tinha renda total revertida para sem tetos ao redor do mundo): “Costumava haver um consenso civilizado entre jornalistas – talvez ainda haja, em alguns setores das artes – que obras em benefício de caridade estivessem isentas do processo normal de crítica”. Desta forma, poderia se olhar com mais carinho para os possíveis baixos de um disco com 76 versões, mas mesmo Miley Cyrus (com “You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go”, de “Blood on The Tracks”), Kesha (a capella e sem autotune em “Don’t Think Twice, It’s All Right”, de “Freewheelin”) e Maroon 5 (com o single “I Shall Be Released”) honram as originais.

Entre os destaques, uma bela versão do trio Carolina Chocolate Drops para a poderosa “Political World” (de “Oh Mercy”), Lucinda Willians toda sertaneja emocionando em “Tryin’ To Get To Heaven” (de “Time Out of Mind”), Eric Burdon sacolejando ao som de “Gotta Serve Somebody” (de “Slow Train Coming”), Johnny Cash deliciosamente acompanhado pelos Avett Brothers em “One Too Many Mornings” (de “The Times They Are a-Changin’), Patti Smith recuperando “Drifter’s Escape” (de “John Wesley Harding”) e Diana Krall ao piano arrancando lágrimas com “Simple Twist of Fate” (outra de “Blood on The Tracks”).

Há mais: The Gaslight Anthem entorpece de guitarras “Changing of the Guards” (de “Street Legal”) enquanto o Silversun Pickups recria de maneira espacial “Not Dark Yet” (de “Time Out Mind”) e o QOTSA leva “Outlaw Blues” (de “Bringing It All Back Home”) para o bluegrass stoner. Os punks Flogging Molly e Bad Religion aceleram “The Times They Are a-Changin'” e “It’s All Over Now, Baby Blue”, respectivamente, enquanto Sinead O’Connor faz as pazes com Dylan em “Property of Jesus” (de “Shot of Love”). Há, ainda, Billy Bragg, Elvis Costello, Cage the Elephant, Pete Townshend, Ziggy Marley, Sting, Mark Knopfler, Steve Earle, Lenny Kravitz, My Chemical Romance, Carly Simon, Bryan Ferry, Joan Baez e Adele num álbum que, musicalmente, mais surpreende do que decepciona. Tanto a Anistia quanto Bob foram muito bem homenageados.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 23, 2018   Encha o copo

Scream & Yell Vídeos: Programa 81

Na edição número 81 do programa Scream & Yell Vídeos, um trio de dicas punk rock: um livro (“Música ao Fundo, Poucos Acordes, Uma Voz Rouco”, de Lenildo Gomes), um DVD (“The Clash: The Joe Strummer History”) e um disco (“Acorde! Acorde! Acorde!“, do Cólera) . Assista abaixo!

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Maio 22, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 56: Minneapolis Tape 1

Bob Dylan com café, dia 56: A oficialização de dezenas de bootlegs de Dylan em alta qualidade pela Columbia Records não diminuiu o interesse de fãs pelo vasto material raro deixado de lado por Bob durante sua carreira. Entre estes, destaque para duas fitas caseiras que Bob gravou em Minnesota, 1961, antes ainda de lançar seu primeiro disco. A primeira delas (conhecida hoje como “The Minneapolis Party Tape”) foi gravada em maio, há meio que um consenso sobre isso, mas o local permanece obscuro.

Alguns apostam num café, outros no apartamento de Bonnie Beecher, uma garota que Bob conheceu no colégio (e que inspirou a canção “Girl from the North Country”), e que certamente abrigou a segunda sessão em dezembro, conhecida como “Minnesota Hotel Tape”, e que, entre outras coisas, traz o quarteto de covers de Woody Guthrie “VD Blues”, “VD Waltz”, “VD City” e “VD Gunner’s Blues”, cujo tema central é doença venérea (VD) – em 1949, quando Guthrie escreveu o quarteto VD, estimava-se que mais de 3 milhões de norte-americanos tivessem sífilis e o problema era mais uma questão social do que médica, explica Fred Balls neste excelente texto. Trechos destas duas fitas circulam desde o final dos anos 60 entre fãs com os nomes mais variados como “Great White Wonder” (1969) e “Blind Boy Grunt” (1972). Ouça abaixo um dos primeiros bootlegs de Dylan!

De olho nisso, o selo britânico Smokin’ Production aproveitou que no Reino Unido os direitos autorais se esgotam após 50 anos e “oficializou” as duas famosas sessões de Dylan em Minneapolis, 1961. Na primeira delas, “The Minneapolis Party Tape” (o café de hoje), Dylan já estava rondando bares no Greenwich Village havia cinco meses quando baixou na cidade numa pausa a caminho de Hibbing, para ver seus pais. Como conta o livreto que acompanha esse relançamento, “essas incursões a Minneapolis permitiram a Dylan usar um gravador de amigos para capturar o progresso que ele havia feito musicalmente durante seu tempo em Nova York. Ansioso para demonstrar o quanto aprendeu enquanto vivia na Big Apple, ele se apresentou em várias ocasiões para seus velhos amigos, e o chamado Minnesota Party Tape é o resultado combinado de duas ou, mais provavelmente, três dessas sessões de maio”.

Bob tinha apenas 20 anos e a base do repertório são canções de Woody Guthrie (10 das 25 canções são dele, incluindo “This Land Is Your Land”), mas há também canções tradicionais e números de Reverend Gary Davis, McKinley Morganfield, Jesse Fuller e Bess Lomax Hawes. De inédito, “Bonnie, Why’d You Cut My Hair?”, uma brincadeira sobre os caminhos de rato que Bonnie deixou na cabeça de Dylan quando ele pediu a ela para dar um jeito no seu visual e cortar seu cabelo para que ele não chegasse à casa dos pais de cabelo comprido, costeleta e visual desleixado. Mais um documento histórico que flagra Dylan poucos meses antes de entrar em estúdio para gravar o primeiro álbum pela Columbia (em novembro) e ser lançado (em março de 1962). Agora de fácil acesso (tem CDs e vinis na Amazon e você encontra em streaming no Spotify, Deezer, Google Play e mais). Vá atrás.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 21, 2018   Encha o copo

Cinco fotos: Samsung J5 #NoFilter


Café na Chácara


Lili no Parque


Marielle na Paulista


Nascer do Sol na Estrada


A Banda no Boteco

Veja mais imagens no link “cinco fotos” (aqui)

Maio 19, 2018   Encha o copo

Três novas cervejas da Adnams no Brasil

De Southwold, Suffolk, mais três novidades da inglesa Adnams, duas delas colaborativas, chegaram ao Brasil nesta semana via importação da Get Trade, braço da Get – Cervejas Especiais, dando continuidade a série de lançamentos da cervejaria inglesa no Brasil – só neste ano já baixaram por aqui cinco cervejas da linha Jack Brand (Flat White Porter, Crystal Rye IPA, Ease Up IPA, Mosaic Pale Ale e Clementine Pale Ale) mais a Wild Hop Amber Beer e a Blackshore Stout. Desta vez estão chegando a Two Bays Oak Pale Ale (colab com a Cigar City), a White Lies (colab com a Yeastie Boys) e a Satsuma Witbier.

Para apresentar o trio de novidades, a Get Trade reuniu a imprensa cervejeira no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, numa segunda-feira (14/05) de tempo ameno na tarde, e friozinho noturno. Para abrir a degustação foi escolhida uma cerveja da Adnams que a Get já vem trazendo há alguns anos, mas que agora retorna ao país em latão de 500 ml e preço especial para o consumidor final, entre R$ 15 e R$ 17. Uma bela Bitter inglesa (tem texto sobre ela no Scream & Yell).

No território das novidades, a primeira foi a Adnams Jack Beand Satsuma, uma Witbier com suco da tangerina oriental Satsuma, cravo e noz moscada (na fervura) mais os lúpulos Huel Mellon e Mandarina Bavaria. Uma boa Witbier que está mais para Blue Moon do que para Hoegaarden. Bem interessante. R$ 21 a garrafa de 330 ml. Na sequencia, Two Bays, colab Adnams com a mítica Cigar City Brewing, de Tampa, nos EUA. Trata-se de uma English Pale Ale com lupulagem caprichada (Citra, Cashmere, Lemondrop, Enigma e Calipso) e acréscimo de chips de carvalho, que traz, de maneira sutil, baunilha e coco. São 1000 garrafas para o Brasil! Preço de R$ 30 a garrafa de 330 ml.

Fechando o trio, outra colaborativa: White Lies, feita em parceria com os cervejeiros da Yeastie Boys, da Nova Zelândia, uma White Stout de corpo leve e aroma intenso de… chocolate branco e pão doce no paladar. Curiosa. Essa está chegando por R$ 26 a garrafa de 330 ml. Encerrando o passeio, a tradicional combinação de Adnams Broadside, uma English Strong Ale caprichada (leia sobre ela no Scream & Yell) que sempre nos lançamentos da Adnams no EAP surge acompanhada de uma incrível Lamb Broadside Pie, uma torta de carne moída de cordeiro cozida na cerveja Broadside. Uma delícia que deveria figurar no cardápio oficial da casa.

Maio 18, 2018   Encha o copo

Leffe, onde tudo começou (para mim)

Na aventura de gravar a série Scream & Yell Vídeos com a ajuda do amigo Tiago Trigo, da produtora Casa Inflamável (façam projetos com ele!), muitas pessoas próximas me cobravam sobre falar de algo que se tornou rotina nas minhas redes sociais: cerveja. E… ok, vocês venceram (risos). Para começar a falar do tema, no Scream & Yell Vídeos de número 80, decidi voltar 10 anos no tempo e relembrar a cerveja que foi o turning point para mim, a marca que me fez olhar para todas as outras cervejas de uma maneira diferente. Havia um contexto especial: era o meu primeiro dia da minha primeira vez na Europa, e eu me apaixonei pela belga Leffe. Abaixo eu conto um pouco dessa história.

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Maio 16, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 55: Witmark

Bob Dylan com café, dia 55: Lançado em outubro de 2010, “The Bootleg Series Vol. 9: The Witmark Demos: 1962–1964” havia sido antecipado como tema na edição deluxe do álbum “Together Through Life”, de abril de 2009, que trazia uma longa entrevista com Roy Silver, primeiro manager de Dylan (ainda que ele o defina como um picareta enquanto Silver, por sua vez, diga que “Bob era fácil de manipular, porque não dava a mínima e só queria fazer música”), descartada do filme “No Direction Home”. Foi Roy Silver que levou Dylan para a agência M. Witmark & Sons, fundada por imigrantes prussianos em 1885 em Nova York, “oito anos depois de Thomas Edison ter patenteado o fonógrafo, mas vários anos antes que alguém achasse que você poderia fazer negócios com discos”, observa Colin Escott no livreto educativo que acompanha o lançamento. “Em outubro de 1927, Jack e Harry Warner perceberam que suas novas imagens faladas criariam uma demanda insaciável por música, e era melhor possuí-la do que licenciá-la. Harry Warner fez uma oferta para comprar a Witmark & Sons e o negócio foi fechado em janeiro de 1929. Naquele verão, os Warner compraram mais sete editoras para formar uma holding própria”, conta Escott.

No livreto, Colin explica que a publicação de música é o grande segredo da indústria da música: “É onde está o dinheiro”. Ele divide a maneira de arrecadar dinheiro com música (na época) em quatro ramos: “fólios, direitos de composição, direitos de execução e sincronização (filmes)”. Fólios é a publicação em revistas e livros de partituras, que só tinham grande alcance se a canção fosse sucesso, o que também afeta os próximos itens. Já sincronização, apesar de ser um grande negócio, era muito mais raro na época (hoje é apontada por muitos como o futuro da indústria). Sobrava então os direitos de composição e execução, e o negócio era o seguinte: um manager (como Roy Silver) fazia a ponte com uma editora, que oferecia as canções de determinado artista para que o maior número de artistas o gravassem. A taxa nos anos 60 era de US$ 0,02 centavos por música (permaneceu assim até 1977, hoje é de cerca de US$ 0,09 centavos), o que quer dizer que se a canção alcançasse a marca de 1 milhão de cópias vendidas, lucraria US$ 20 mil em royalties mecânicos, geralmente divididos em 50/50 entre o compositor e a editora musical. Ficou fácil de entender o negócio, certo? Dai você pega Bob, que havia lançado um álbum de estreia em 1962 que havia vendido menos de 5 mil cópias. Uma das saídas do empresário Albert Grossman foi oferecê-lo a editoras, já que tanto ele quanto a Columbia Records acreditavam nas canções do jovem rapaz, e Dylan então assinou com a Witmark & Sons: “Ouvi ‘Blowin’ in the Wind’ e disse: ‘Ok, é isso. Quero você. Vou te dar um adiantamento de mil dólares”, relembra Artie Mogull, antes de saber que Dylan havia assinado com a Leeds Music um pouco antes. “Então dei a ele mais mil dólares para ver se conseguia sair do outro contrato. E, acredite ou não, o cara da Leeds Music aceitou. Era julho de 1962, seis meses depois que a Decca Records, na Inglaterra, fez um teste com Beatles e Brian Poole, e decidiu que Poole era a melhor aposta”.

Entre fevereiro de 1962 (quando Dylan fez a primeira sessão com oito canções para a Leeds Music) e junho de 1964, Bob fez 11 sessões mostrando de maneira crua canções como “Blowin’ in the Wind”, “A Hard Rain’s a-Gonna Fall”, “Masters of War”, “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “The Times They Are a-Changin'” e “Mr. Tambourine Man”, todas presentes entre as 47 faixas oferecidas por Dylan a outros artistas (15 delas até então inéditas) e resgatadas em “The Bootleg Series Vol. 9: The Witmark Demos: 1962–1964”. Segundo o All Music, “em essência, essas demos são o som de Dylan se tornando Bob Dylan, e é uma evolução fascinante”. Já Rob Sheffield, da Rolling Stone, explica que não importa o quão você tenha decorado as versões definitivas oficiais, essas “demos trazem surpresas, como ‘Boots of Spanish Leather’, em que Dylan nunca soou tão derrotado quanto aqui ao perceber que lutou para convencer aquela garota a ficar, e agora gostaria de deixa-la partir para Barcelona”. Pitchfork (“Um resumo perfeito de como este conjunto revela a profundidade histórica da educação musical de Dylan”) e BBC (“Qualquer ouvinte ficará impressionado”) também caíram de quatro diante deste relançamento, que mostra a evolução de Dylan nos primeiros anos. Sean Egan, da BBC, resume: “São canções com pouco polimento de produção e compromisso emocional zero. Dylan tosse regularmente. Numa faixa, é possível ouvir uma porta fechando. Em outra, ele encerra a canção abruptamente porque, explica ao engenheiro de gravação, está entediado com a música”. E, ainda assim, muitas dessas canções se tornaram clássicos do cancioneiro mundial. A primeira tiragem de “The Bootleg Series Vol. 9: The Witmark Demos: 1962–1964” ainda trouxe, de bônus, “In Concert – Brandeis University 1963”, sete canções de dois sets de Dylan ao vivo em um festival folk numa universidade do Massachusetts. Relíquias.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 15, 2018   Encha o copo

Levi’s promove shows na Casa de Francisca

Todas as fotos de Tracey Panek

Para comemorar os 145 anos da Levi’s 501®, um dos modelos mais icônicos da história do jeans mudial, a Levi’s® preparou o #Geração501, um projeto que reúne um time de peso do cenário da música independente brasileira. Nos dois primeiros fins de semana de maio (11, 12, 18 e 20/5), a marca arma um grande evento gratuito na Casa de Francisca com uma programação que envolve moda e música, chamando o público para o debate de causas atuais.

Em um dos melhores palcos da cidade, o projeto #Geração50 traz na programação diária as apresentações de duas bandas entre as selecionadas pelo selo Lab Fantasma, na terceira edição do Original’s Studio. Neste ano, o selo paulistano apontou como destaque na nova cena musical os trabalhos de 2DE1, Abstrato+LadoB, Cigana, Danilo Moralles, Danna Lisboa, Desa Pauline, Helen Nzinga e Thiago El Niño.

Entre os pockets da nova geração, o projeto recebe convidados e abre o palco com microfone aberto para debates, que abordarão temas atuais como as diferentes identidades de gênero, orientação sexual e liberdade de expressão (11/5), direitos igualitários (12/5) e consumo sustentável e o uso dos espaços públicos (18/5).

Para finalizar cada noite, apresentações musicais gratuitas de artistas com discursos poderosos como Linn da Quebrada (11/5), As Bahias e a Cozinha Mineira (Trio Bixa) (12/5) e Francisco el Hombre (18/5). E para comemorar a noite dos 145 anos da Levi’s 501® as atrações são Filipe Catto, Rico Dalasam com Danna Lisboa, Felipe Cordeiro, Fióti com Drik Barbosa e Karol Conká (20/5), em meio a Virada Cultural de São Paulo, com os artistas se apresentando para a rua (a expectativa é de que 3 mil pessoas confiram os shows na esquina da r. Quintino Bocaiúva, centro de SP).

“Nós acreditamos na música como um grande catalisador. Ela reúne, agrega, inclui. Fala abertamente de amor, política, diversidade, comunidades, política e comportamento. Só a música consegue unir pessoas de diferentes idades, localidades, condições sociais e ideologias em um mesmo espaço. E por apostar na música como elo de inclusão, criamos esse projeto aberto ao público para debater, ouvir, falar e, claro, comemorar os 145 anos da Levi’s® 501®”, comenta Marina Kadooka, gerente de marketing da Levi’s®

Confira a programação completa:

11/5 – sexta-feira
20:30 Original’s Studio | Thiago Elniño (20min)
21:00 Palco Aberto | (40min)
21:40 Original’s Studio | 2DE1 (20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Linn Da Quebrada (50 min)

12/5 – sábado
20:30 Original’s Studio | Desa (20min)
21:00 Palco Aberto | (40min)
21:40 Original’s Studio | Helen Nzinga (20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Trio Bixa (As Bahias e a Cozinha Mineira) – (50 min)

18/5 – sexta-feira
20:30 Original’s Studio | Cigana (20min)
21:00 Palco Aberto |
21:40 Original’s Studio | Abstrato + Lado B ( 20min)
22h15/22h30 Studio 501 | Francisco, El Hombre – (50 min)

20/5 – domingo
501 Day
11:00 – 12:00 Dj Luis Franco
12:00 – 13:15 Felipe Cordeiro (75 min)
13:15 – 14:15 Filipe Catto (60 min)
14:15 – 14:30 Dj Luis * Troca de palco, intervalo (15 min)
14:30 – 14:50 Danna Lisboa (20min) * Precisa sair as 16
14:50 – 15:50 Rico Dalassam part.Danna Lisboa (60 min)
15:50 – 16:30 Fióti convida Drik Barbosa (40 min)
16:30 – 17:30 Show Karol Conka (60 min)
17h30 – 18h – Dj Luis Franco

serviço:

Geração 501®
(11, 12, 18 e 20/5)
Entrada gratuita – só chegar chegando! (sujeita à lotação)
Das 19h30 (abertura da casa) às 00h30
501 Day – 20/5 – das 11 às 18 hs
Classificação livre
Capacidade – 170 lugares
Casa de Francisca – r. Quintino Bocaiúva, 22 – Sé

Maio 8, 2018   Encha o copo