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Fique ao lado dos oprimidos, sempre!

“Lavar as mãos no conflito entre poderosos e despossuídos não significa ser neutro, mas colocar-se ao lado dos poderosos.”

Essas palavras de Paulo Freire ficavam penduradas atrás da porta de entrada da Positive Force House. Durante mais de uma década, cada visitante da nossa “comuna punk” era confrontado por esse pôster ao entrar – e aqueles que moravam na casa viram essa frase tantas vezes que o seu significado deve ter sido absorvido por nossa corrente sanguínea. Na minha opinião, ela é talvez a melhor expressão daquilo que a “política punk” deveria ser: ficar ao lado dos oprimidos, para que juntos possamos encontrar o poder. Afinal, a palavra “punk” sempre referiu-se ao oprimido, ao excluído, às pessoas descartáveis, àqueles que foram esquecidos. Aqueles que assumem esse rótulo devem definitivamente tomar partido dessas pessoas, na sua própria comunidade, em qualquer lugar do mundo. Isso também demonstra que ideias como o punk são globais em sua relevância. Assim, estou muito feliz de saber que a história da cena punk de DC significa bastante para tantas pessoas não apenas no Brasil, mas na América Latina como um todo. Claro, eu sei que o Brasil tem a sua própria história no punk, iniciada nos anos 1970, e que diversas vezes incluiu as ideias do straight edge, do riot grrrl, do “faça você mesmo” e ações políticas que também foram absolutamente centrais na comunidade de DC. Ao descrever as palavras de Paulo Freire como palavras “punk”, estou fazendo uma dupla reivindicação. Primeiro, que o punk aprende com todas as outras formas de resistência, absorvendo essas ideias e criando as suas próprias, expressando-as de modo único… e devemos muito a esses precursores. Em segundo lugar, que o espírito e a atitude que poderíamos chamar de “punk” não é uma propriedade exclusiva dos amantes do rock, com piercings, tatuagens ou quaisquer outras características estereotipadas do movimento. Não, “punk” é apenas mais um rótulo para a criatividade, a indignação e a compaixão que têm alimentado cada componente do progresso humano desde tempos imemoriais. Dessa forma, temos que buscar aliados em lugares inesperados, estabelecendo conexões com comunidades diferentes para construirmos um movimento que tenha a força para mudar de fato o nosso mundo, ou seja, para fazer a revolução. Isso significa que, ao mesmo tempo em que pago tributo para tudo aquilo que as bandas brasileiras e a comunidade punk latino-americana já conquistaram (e conquistaram muito), outras vozes punks também me inspiraram – e continuam me inspirando. “Quando dou comida aos pobres, chamam-me de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista.” Essas palavras saíram da boca de um bispo brasileiro – Dom Hélder Câmara –, mas como elas poderiam ser mais punk? Ou então a ação direta de movimentos como o MST, lutando no mais puro esquema “faça você mesmo” por necessidades vitais, por direitos humanos? Ou mesmo Leonardo Boff, desafiando toda a estrutura da hierarquia católica para viver de acordo com a sua própria prática revolucionária encontrada no livro Igreja: carisma e poder? Aqueles que estão protestando contra a corrupção ou contra a brutalidade policial não são também “punks” no melhor sentido da palavra? Não deveríamos desafiar um “partido dos trabalhadores” a ficar do lado dos trabalhadores, e não ser governado pelo deus-dinheiro? Ou lutar para ver os assassinos uniformizados de Eduardo de Jesus (e tantos outros como ele) enfrentarem a justiça? Se pararmos para analisar, vamos descobrir que o punk está em todos os lugares, muitas vezes nos mais inesperados, fazendo aliados incomuns – mas essenciais. Isso ainda sugere que a energia e o idealismo que alimentam nossos movimentos do underground também precisam ser deslocados das margens para o centro, para construir um mundo que tenha lugar para todos, no qual todas as pessoas sejam importantes e ninguém seja esquecido. Nós começamos no underground, fazendo tudo o que podemos com aquilo que temos, onde quer que estejamos… mas não paramos por aqui. Esta é uma missão de vida, e o poder do punk é eternamente relevante em todos os momentos, em todos os lugares. Eu já disse antes que o “agora” é sempre mais importante do que o “passado”. Se for assim, eu espero que essa história de garotos-tornando-se-adultos enquanto tentam se manter fiéis aos seus princípios seja o combustível para todos vocês em suas próprias jornadas, em suas próprias aventuras. Que este livro (e todas as diversas esperanças e sonhos que ele contém) seja uma inspiração para você ir além, da sua própria maneira, para fazer aquilo que ainda não foi feito, transformando “o que é” em “o que pode ser”. De todo modo, obrigado por reservar um tempo para ler essas palavras sobre a saga punk de DC – não existem palavras mais importantes nesse mundo para mim. Essa história contém o melhor de muitas vidas, e agora é parte da sua também, se você quiser.

“So I say to the youth right now/don’t sway to the unjust/no matter what they say/ never give in/never give in!” (“Então eu digo para os jovens agora/Não vacile perante os injustos/Não importa o que eles dizem/Nunca desista/Nunca desista!”) – Bad Brains, 1980

Com amor, Mark Andersen. 23 de maio de 2015.

Introdução à edição brasileira de “Dance of Days: duas décadas de punk na capital dos EUA”, de Mark Andersen e Mark Jennis. Leia resenha aqui

outubro 2, 2018   Encha o copo

Textos mais lidos de setembro 2018

TOP 10 SETEMBRO 2018
01) Vote certo nas próximas eleições, por CEL (aqui)
02) Entrevista: Barral Lima, por Bruno Lisboa (aqui)
03) Balanço: a 5ª edição do Coala Festival, por Mac (aqui)
04) Faixa faixa: “A Soulful Tribute To Nirvana’s In Utero” (aqui)
05) Mark Lanegan ao vivo em SP, por Janaina Azevedo (aqui)
06) Adriana Calcanhoto ao vivo em SP, por Renan Guerra (aqui)
07) Entrevista: Duda Beat, por Renan Guerra (aqui)
08) Download: Selo Scream & Yell lança Os Cleggs (aqui)
09) News: Interpol, QOTSA, Julia Holter, Cinnamon Tapes (aqui)
10) Três CDs: Malli, Musa Híbrida e Qinho, por Renan Guerra (aqui)

DOWNLOAD
01) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank -> 14º link (aqui)
02) Download: Somos Todos Latinos -> 62º link (aqui)
03) Download: Tributo a Walter Franco -> 67º link (aqui)

TAGS
01) Dez Vídeos-> 11º link direto mais clicado (aqui)
02) Bob Dylan com Café -> 70º link direto mais clicado (aqui)
03) Original vs Versão -> 100º link direto mais clicado (aqui)

VIA GOOGLE
01) Três filmes: “Extraordinário”, “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Os Meyerowitz”, por Mac (aqui)
02) Original vs Versão: “The Passenger”, por Mac (aqui)
03) Entrevista: Humberto Gessinger, por Fernando Cesarotti (aqui)

TOP 10 2018 – PARCIAL (NOVE MESES)
01) Melhores de 2017: Votação Scream & Yell (aqui)
02) Radiohead ao vivo em SP, por Mac (aqui)
03) O rock nacional no mercado de raridades, por Mac (aqui)
04) Balanço: Festival Psicodália 2018, por Rafael Donadio (aqui)
05) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank  (aqui)
06) Top 5: Discos produzidos por Carlos Eduardo Miranda (aqui)
07) Balanção Lollapalooza 2018, por Mac (aqui)
08) Melhores Músicas do Radiohead, por Bruno Capelas (aqui)
09) Download: “Um Grito Que Se Espalha”, Tributo a Walter Franco (aqui)
10) 11 points de cerveja artesanal em Buenos Aires, por Mac (aqui)

O EDITOR RECOMENDA
01) Entrevista: Sofia Federico e Tatti Carvalho, por João Paulo Barreto (aqui)
02) Entrevista: Circa Survive, por Bruno Lisboa (aqui)
03) Ao vivo: Edgard Scandurra no Sesc Pompeia, por Mac (aqui)

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

outubro 1, 2018   Encha o copo

10 excelentes filmes políticos

Me pediram uma lista com 10 grandes filmes políticos, e na correria do dia-a-dia foi deixando, deixando, deixando até… hoje. A que segue abaixo é uma lista de memória, ou seja, tem muita coisa clássica que ficou de fora (Charles Chaplin e Stanley Kubrick, por exemplo), mas preferi mesclar filmes importantes e quase seculares (que, casualmente, revi recentemente como “O Encouraçado Potemkin” e “Metrópolis”) com obras mais novas. A lista no final ficou assim:

– “O Encouraçado Potemkin” (1925), de Serguei Eisenstein
– “Metrópolis” (1927), de Fritz Lang
– “O Anjo Exterminador” (1962), de Luis Buñuel
– “Z” (1969), Costa-Gavras
– “Todos os Homens do Presidente” (1976), de Sidney Lumet
– “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado
– “Trabalho Interno” (2010), de Charles H. Ferguson
– “No” (2012), de Pablo Larraín
– “Leviathan” (2014), de Andrey Zvyagintsev
– “Chatô, o Rei do Brasil” (2015), de Guilherme Fontes

setembro 30, 2018   Encha o copo

1963: Bob Dylan e os comunistas

Bem, eu estava sentindo triste e na fossa
Eu não sabia o que diabos eu iria fazer
Os comunistas estavam vindo
Eles estavam no ar, eles estavam no chão
Eles não deixariam em paz

Então eu corri o mais rápido possível
E me juntei a Sociedade de John Birch
Eu ganhei um cartão de membro secreto
E comecei a andar pela estrada
Yee-hoo, Eu sou um verdadeiro John Bircher agora!
Vejam comunistas!

Agora todos nós concordamos com a visão de Hitler
Apesar que ele matou seis milhões de judeus
Não importa tanto se ele era um fascista
Pelo menos não pode dizer que ele era comunista!
Isso é como dizer que se você ficar com frio, você deve tomar uma dose de malária!

Bem, eu estava procurando pelos malditos comunistas
Eu levantei de manhã e olhei debaixo da minha cama
Olhei na pia, atrás da porta
Olhei no porta-luvas do meu carro
Não consegui encontrá-los

Eu estava procurando pelos Reds em todo o lugar
Eu estava olhando na pia e por baixo da cadeira
Eu olhei dentro do buraco da chaminé
Eu até olhei no fundo da minha privada
Eles escaparam

Bem, eu estava sentado em casa sozinho e comecei a suar
Eu imaginei que eles estivessem na minha TV
Espiei atrás do quadro de imagem
Tomei um choque no pé que bateu direto no cérebro
Os comunistas fizeram isso!
Eu sei que eles fizeram, os cascas-grossas

Ora, eu me demiti do meu trabalho para que pudesse trabalhar sozinho
Então mudei meu nome para Sherlock Holmes
Segui algumas pistas da minha mochila de detetive
E descobri que tinha listras vermelhas na bandeira americana!
Aquela velha Betty Ross!

Bem, eu investiguei todos os livros da biblioteca
90% deles foram queimados
Eu investiguei todas as pessoas que conheço
98% delas tem que ir
Os outros dois porcentos são colegas Birchers, assim como eu

Agora Eisenhower é um espião russo
Lincoln, Jefferson e aquele cara do Roosevelt
Para mim só tem um homem
Que é um verdadeiro americano: George Lincoln Rockwell
E sei que de fato odeia comunas porque ele vetou o filme “Exôdus”

Ora, eu comecei a pensar direito
Quando eu fiquei sem coisas para investigar
Não conseguia imaginar fazendo qualquer outra coisa
Então agora eu tô sentado em casa investigando a mim mesmo!
Espero que eu não descubra nada, hmm, bom Deus!

setembro 24, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 85: Copyright Collection

Os últimos quatro cafés lidavam com material raro de Bob do inicio dos anos 60, grande parte dele ou pirateada na cara de pau por um mercado paralelo que existe desde o final dos anos 60 buscando saciar fãs insaciáveis ou ainda recentemente lançados de maneira oficial (pero no mucho) numa brecha da lei de direitos autorais da Inglaterra. As Bootleg Series surgiram para dar vazão a esse material raro disputado por fãs no mercado paralelo, mas muita coisa ainda estava engavetada, e para tentar driblar a Lei de Direitos Autorais europeia, a Columbia Records decidiu oficializar o material de 1962 que estava prestes a completar 50 anos em 2012 (e entrar em domínio público) lançando-o numa tiragem limitadíssima de 100 cópias (um conjunto de quatro CDRs) apenas para registro de lançamento e de computo de direitos autorais, repetindo a artimanha em 2013 (com o material de 1963), 2014 (1964), 2015 (1965) e 2016, único ano que teve amplo lançamento com todos os shows de Dylan no período reunidos em um box com 36 CDs (tema de um café futuro).

A “The 50th Anniversary Collection: The Copyright Extension Collection, Volume 1”, que mapeia as raridades de 1962, mergulha nas sessões de “The Freewheelin’ Bob Dylan” com mais de 50 gravações inéditas e ainda oficializa as Mackensie Home Tapes, o set na Gerde’s Folk City e o famoso show no Finjan Club, em Montreal (um dos bootlegs mais famosos do período). Há ainda seis faixas no Gaslight Café que ficaram de fora do álbum lançado em parceria com a Starbucks. Imperdível. No “Volume 2”, que mapeia o material raro de 1963 de posse da gravadora, Dylan já caminhou quilômetros e está com um domínio incomparável de sua arte (basta colocar lado a lado a sessão de 1962 no Gerde’s Folk City com a de 1963 para perceber a evolução). Muito do material que abastece diversos bootlegs (o “Many Faces of Bob Dylan” incluso) batem ponto aqui como a sessão imperdível no Studs Terkel Wax Museum, em Chicago, e o registro potente no Town Hall, que nunca foi registrado oficialmente porque, aparentemente, o microfone do violão está muito próximo e Bob o toca diversas vezes, prejudicando o registro. O terceiro volume da coleção (lançado em nove vinis em 2014 mapeando o ano de 1964) reúne material de um show na TV em Toronto, a fita Eric Von Schmidt’s House (outro bootleg famoso finalmente oficializado) e shows em Londres, Filadélfia, São José e São Francisco (alguns de baixa qualidade) além de registros das sessões do álbum “Another Side Of Bob Dylan”.

O quarto volume lançado da série (2015) lança luz sobre material de 1965, e mapeia a turnê acústica em material geralmente de qualidade bem baixa, mas vale atenção ao concerto (em excelente qualidade) no Free Trade Hall, em Manchester (um ano antes da revolução sônica que rendeu o grito de Judas em 1966), e também ao show da BBC. Após 149 músicas ouvindo Bob ao violão acompanhado de sua gaita, o registro ensandecido de “It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry” com banda (e Michael Bloomfield solando loucamente) no Newport Festival 65 talvez dê uma pequena ideia da loucura que foi essa reviravolta no mesmo evento que o levou às massas nos anos anteriores. E essa é a canção que divide as fases neste volume das “The Copyright Extension Collection”: a partir daqui, registros no Hollywood Bowl, em Forest Hills e em Berkeley trazem os shows metade acústico, metade elétrico, para desespero dos puristas. Lançados de maneira limitada, os quatro boxes estão obviamente esgotados e os poucos disponíveis em sites de revenda custam pequenas fortunas que podem ir de R$ 1500 até R$ 10 mil. Itens raros, mas que valem muito a audição. Porém, para quem não conseguiu pegar os boxes ou acha um exagero todo esse material, a Columbia lançou em larga escala em 2018 o CD duplo “Live 1962 – 1966: Rare Performances from The Copyright Collections”, um best of com 26 canções retiradas da coleção. É uma boa introdução a esse material imperdível.

Especial Bob Dylan com Café

setembro 19, 2018   Encha o copo

Sour e NE da Adnams chegam ao Brasil

A importação mais recente de cervejas da britânica Adnams feita pela Get Trade, empresa por trás da distribuidora Get – Cervejas Especiais, acaba de trazer para ao país quatro novidades, sendo que duas são de estilos que a Adnams ainda não tinha trabalhado, uma terceira é colaborativa e a quarta é o lote anual de uma clássica Barley Wine.

A primeira que chama a atenção é a novidade da linha Jack Brand (antecipada em entrevista ao Scream & Yell), que nasceu de conversas da cervejaria britânica com os importadores sul-americanos: Cucumelon Sour, a primeira Sour (uma Kettle Sour, na verdade) desta badalada cervejaria britânica. A receita traz adição de extrato de pepino e uso do lúpulo alemão Huell Melon. Ou seja, pepino e melão e um sour bem levezinha e saborosa. R$ 23 a lata de 330 ml em média.

Seguindo com novos estilos, a cervejaria Adnams também mergulhou na onda das novas IPAs norte-americnas em outro lançamento da linha Jack Brand, a Adnams Jack Brand New England IPA, que exibe a pegada tradicional do estilo puxando para o floral (devido ao lúpulo Mandarina Bavaria), cor turva e aquele sabor e frescor caprichado das NEs. Uma boa surpresa! Esta chegando por R$ 26 em média (a lata de 330 ml).

No território das colabs, após produzir receitas com a Yeastie Boys e a Cigar City Brewing, agora a Adnams se junta à norte-americana Harpoon, parceria que rendeu a Arabella Special Bitter, que combina maltes da região “anglo saxônica” com um blend de lúpulos ingleses herbais e um dry hopping do popular lúpulo (made in USA Cascade) para dar um caráter frutado especial ao estilo. Delicinha! Chega em lata de 330 ml por R$ 23 em média.

Fechando o quarteto de novidades, eis a edição 2017 da mais antiga Barley Wine ainda brassada no Reino Unido, e que todo ano ganha um tratamento especial: na versão 2017, a Tally Ho passou por maturação feita em barrica autêntica de “Cask” de madeira porosa por 10 meses antes do envase, após isso acrescentado um processo de “bottled conditioned” para possuir maior carbonatação. E continua uma delícia! O preço em média dela é R$ 33 a garrafa de 330 ml.

setembro 17, 2018   Encha o copo

Festivais: Sete line-ups 2018

Palco Ultra Festival, Belo Horizonte
Dia 22 de setembro de 2018
Infos: https://www.facebook.com/underdiscos/
Entrevista: Barral Lima fala sobre o Palco Ultra Festival

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Porão do Rock, Brasília
Dias 29 e 30 de setembro de 2018
Infos: https://www.facebook.com/FestivalPoraoDoRock/
Experiência: Porão 2014Porão 2015Porão 2016

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Pitchfork Music Festival Paris, França
De 01 a 03 de novembro de 2018
Infos: https://pitchforkmusicfestival.fr/

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Tropicalia Music Festival, Long Beach, EUA
Dias 03 e 04 de novembro de 2018
Infos: https://tropicaliafest.com/

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Le Guess Who Festival?, Utrecht, Holanda
De 08 e 11 de novembro de 2018
Infos: https://www.leguesswho.nl/

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Riptide Music Festival, Fort Lauderdale Beach, EUA
De 30 de novembro a 02 de novembro de 2018
Infos: http://www.riptidefest.com/

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Festival Indio Catrina, Parque Piramide de Cholula, México
Deia 08 de dezembro de 2018
Infos: http://www.catrinafestival.mx/

Confira o line-up de mais festivais de música

setembro 13, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 84: Many Faces

Com mais de 40 títulos lançados (entre eles, várias coletâneas), a série de CDs triplos “Many Faces of” (clique o nome na busca do site da Music Brokers) é um deleite para fãs e um pesadelo para neófitos, pois trabalha muitas vezes com material b (alguns C) de artistas variados que fogem do hit fácil que conquistou o público comum. Desta forma, quem pegar o disco dedicado ao Pink Floyd verá dois discos de covers (com músicos do Yes, King Crimson, Deep Purple e Toto, entre outros, relendo material da banda) e um de “influências”, mas nada de Pink Floyd original. Já o disco triplo dedicado ao Smiths traz um CD com diversas participações de Johnny Marr e Andy Rourke em músicas dos outros, um (bom CD) de covers (que saiu originalmente pela American Laundromat Records) e um ao vivo, pirata (não informado), de 1983. E o do Joy Division, um dos mais bacanas da série (que ainda tem Police, Cure, Oasis, Ramones, Sex Pistols, Guns n’ Roses, AC/DC, Doors e muitos outros), mantém esse padrão: o álbum “Martin Hannett Sessions” no CD 1, o bom disco “Peter Hook & The Light playing ‘Unknown Pleasures’ in Australia” no CD 2 e um terceiro CD que compila artistas da cena de Manchester.

No caso de Dylan, dois dos três CDs funcionam quase que como uma coletânea do material pirata de Bob entre 61 e 65 enquanto um terceiro reúne influências e artistas do Greenwich Village (Pete Seeger, Hank Williams, Dave Van Rock, Joan Baez). Ainda que o CD 1 seja recheado de clássicos (“Blowin’ In The Wind”, “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, “It’s All Over Now Baby Blue”), todas as versões são ao vivo e, por isso, com ligeiras diferenças das versões de estúdio, o que pode / deve confundir o neófito. Para o fã, o desespero é a completa falta de informação de onde saiu cada versão. Em uma pesquisa de alguns dias, identifiquei a fonte da maioria das canções (confira no blog), retiradas majoritariamente de três bootlegs famosos: o sensacional programa de rádio “Folk Singers Choice 1962” (um dos destaques do box “Bob Dylan & Friends”), mas incompleto e sem o imperdível bate papo com Cynthia Gooding, alguns flagrantes das Minnesota Tapes (principalmente as gravadas na casa de Bonnie Beecher) e uma terceira sessão em Chicago, 1963 (a única que a Columbia Records detém direitos).

Há algumas faixas avulsas de programas de rádio, mas a maior parte do material deriva dessas três fontes, muitas delas ripadas diretamente de velhos vinis. É um material delicioso, mas que peca pela completa falta de informação (o que prejudica o entendimento de contexto) e também pelo desleixo de não se buscar a melhor versão de determinado show (alguns cortes bruscos incomodam, principalmente se você conhece a versão do bootleg original, como no caso das canções retiradas do programa de Cynthia Gooding), algo que a série “Copyright Extension”, da Columbia Records (o tema do próximo café), oferece em melhor qualidade (ainda que extremamente limitada e voltada cuidadosamente ao comércio, afinal, a gravadora tem em mãos, por exemplo, três fitas das sessões no Gaslight Café, e lançou apenas uma). No frigir dos ovos, “The Many Faces of Bob Dylan” é uma coletânea muito legal para fãs de raridades e bootlegs, mas, com cuidado, poderia ser ainda melhor. Confira de onde (eu acho que) saiu cada canção:

CD 1
01. Blowin´ In The Wind
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

02. A Hard Rain´s A-gonna Fall
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

03. It´s All Over Now, Baby Blue
February 17, 1965
(Les Crane Show, WABC-TV Studios, New York City, New York)

04. It´s Alright, Ma (i´m Only Bleeding)
February 17, 1965
(Les Crane Show, WABC-TV Studios, New York City, New York)

05. Boots Of Spanish Leather
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

06. Fixin´to Die
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

07. Man Of Constant Sorrow
The Home Of Bonnie Beecher, Minneapolis, MN
(22nd December 1961) [Minnesota Hotel Tape]

08. See That My Grave Is Kept Clean
The Home Of Bonnie Beecher, Minneapolis, MN
(22nd December 1961) [Minnesota Hotel Tape]

09. Gospel Plow
The Home Of Bonnie Beecher, Minneapolis, MN (
22nd December 1961) [Minnesota Hotel Tape]

10. Po Lazarus
Riverside Church – New York City, New York
29 July 1961 – Saturday Of Folk Music

11. Sally Gal
Oscar Brand – Folk Song Festival, 29th October, 1961

12. Girl From The North Country
Oscar Brand Show – WNYC New York – March 1963

13. The Lonesome Death Of Hattie Carroll
February 25, 1964
NBC Studios “Steve Allen Show” Los Angeles, California

14. Baby, Let Me Follow You Down
The Home Of Bonnie Beecher, Minneapolis, MN
(22nd December 1961) [Minnesota Hotel Tape]

CD 2
01. Handsome Molly
Riverside Church – New York City, New York
29 July 1961 – Saturday Of Folk Music

02. Farewell (fare Thee Well)
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

03. (I Hear That) Lonesome Whistle
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

04. Baby, Please Don’t Go
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

05. Who Killed Davey Moore
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

06. The Girl I Left Behind
WNYC Radio Studio, NYC, 29th Oct, 1961

07. Hard Travelling
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

08. Bob Dylan’s Dream (de Freehwelin)
(Studs Terkel Wax Museum, 26 April 1963)
Bob Dylan Radio Session Chicago 1963

09. Makes A Long Time Man Feel Bad
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

10. Tell Me, Baby
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

11. The Death Of Emmett Till
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

12. Stealin’ Stealin’
March 11th 1962
Folksingers Choice – Radio Show with Cynthia Gooding

13. In The Pines
New York City, NY, Carnegie Chapter Hall (4th November 1961)

14. Backwater Blues
New York City, NY, Carnegie Chapter Hall (4th November 1961)

Especial Bob Dylan com Café

setembro 12, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 83: Friends 2

Bob Dylan com Café, dia 83: A segunda parte deste post especial, dividido em dois cafés, dedicado ao box de 8 CDs “Bob Dylan & Friends – Decades Live 61 to 94” foca nos álbuns da caixinha que cobrem o período dos anos 80 e 90 – no post anterior, o foco foi nos CDs 1 e 2 (anos 60), 3 (anos 70) e 8 (anos 60 e 70). Seguindo então com os CD número 4, 5 e 6, que registram dois shows da turnê que Bob fez escudado por Tom Petty & The Heartbreakers em 1986. O CD 4 foca em material compilado dos dois shows de Dylan com Tom Petty em Sidney (o quinto e sexto de seis shows na cidade australiana em fevereiro de 1986) na primeira perna daquela turnê (que ainda incluía Nova Zelândia e Japão).

Infelizmente, assim como o DVD “Hard To Handle” (fruto do material exibido na MTv na mesma época), o show não é completo, e das 31 faixas que podem ser encontradas no bootleg “Across The Borderline”, 14 marcam presença neste CD – que do set de Petty no show só traz a cover do Byrds “So You Wanna Be a Rock-n-Roll Star”. Já os CDs 5 e 6, que registram Dylan e Petty em Buffalo, Nova York, em 4 de julho de 1986 (num show transmitido pela MTv), são mais generosos, ainda que incompletos em comparação com o bootleg “This Land Is Your Land” (mesmo com tempo disponível no CD, limaram inexplicavelmente o trecho final do show com “I and I”, “Like a Rolling Stone”, “In the Garden”, “Blowin in the Wind” e “Uranium Rock”), mas as 25 canções presentes nos dois CDs trazem as oito canções do set de Tom Petty acompanhado por Dylan (entre elas “The Waiting”, “Refugee”, “Breakdown” e “Even The Losers”) e hinos como “Masters Of War”, “Ballad of a Thin Man” e “Rainy Day Women # 12 & 35” (no set acústico, Dylan canta “To Ramona”, “One Too Many Mornings” e “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”). Um belo show!

Fechando o box nos anos 90 com o CD 7, que traz o áudio com as 12 canções da apresentação de Dylan no Woodstock 1994, rito de passagem de Dylan para uma nova fase (o sucesso deste show abriu as portas para o MTv Unplugged e preparou terreno para “Time Out of Mind”, a obra prima de 1997). São 12 faixas, a grande maioria  clássicos sessentistas do quilate de “Just Like a Woman”, “Masters of War”, (uma versão lenta de) “It’s All Over Now (Baby Blue)”, “Rainy Day Women” e “Don’t Think Twice”, entre outras, em outro bom show. Ainda que essa segunda parte de discos presentes no box “Bob Dylan & Friends – Decades Live 61 to 94” não traga os shows completos de Bob com Tom Petty, o box como um todo ainda mantém um interessante custo beneficio (na Amazon UK, o preço hoje é de 15,50 libras, cerca de R$ 80), principalmente pelas sessões dos anos 61 e 62.

Especial Bob Dylan com Café

setembro 4, 2018   Encha o copo

Dylan com café, dia 82: Friends 1

Entre os itens imperdíveis de pirataria não oficial (ainda que acessível em qualquer boa loja gringa – Amazon inclusa – e há uns dois ou três cliques de uma busca no Google) surgidos de Bob recentemente, este box de 8 CDs que compila raridades ao vivo de quatro décadas (60, 70, 80 e 90) se destaca. Lançado em 2016 pelo selo RoxVox (que tem um catálogo extenso de bootlegs de diversos artistas – confira o acervo), “Bob Dylan & Friends – Decades Live 61 to 94” traz nenhuma novidade para fãs antigos, mas facilitou o acesso para os demais fãs a um material raro sensacional que já circulava a décadas. O conjunto compilado neste box é tão bacana que merece dois cafés.

Começando pelas décadas de 60 e 70, o grande tesouro são os dois primeiros CDs, “The Roar of Wave 1 & 2”, que compila oito apresentações de Dylan em programas de rádio entre 61 e 62 mostrando, no formato violão e gaita, 39 canções que vão de números tradicionais como “Po’ Lazarus” (que você também pode ouvir na trilha magistral do filme “E ai meu irmão, cadê você?”, dos irmãos Coen) a inéditas como “Ballad Of Donald White” (que Dylan roubou de “Peter Emberley”, do folclore canadense) e bobagens divertidas (como “Acne”, com “backing zoeira” de Ramblin’ Jack Elliott) e hits como “Blowin’ In The Wind” e “Masters of War”, a grande maioria em qualidade excelente. O apresentador do Oscar Brand Show (que foi ao ar em março de 1963) apresenta Dylan como “um dos mais excitantes criadores da nova música folk” e soletra: “D-Y-L-A-N, right?”. Melhor ainda é o programa de uma hora que Bob gravou com a experiente cantora Cynthia Gooding para o programa Folk Singers Choice da WBAI Pacifica Radio em 11 de março de 62 (e presente no CD 2).

Na entrevista (transcrita na integra aqui) que acontece entre as canções, Cynthia relembra que eles se conheceram em Minnesota, por volta de 1958, quando ele estudava lá e estava mais no rock and roll do que no folk. A conversa, deliciosa, traz várias das mentiras que Dylan pregou na imprensa em seu início de carreira, e que ajudaram a construir sua fama (áudio disponível para venda no site da rádio e no Spotify… gringo!). O terceiro CD salta para 1975 com o áudio do raivoso show “Hard Rain”, perna final da turnê The Rolling Thunder Revue que foi exibido na TV em 1976, e que trazia sete músicas que não foram inclusas no CD “Hard Rain” (entre elas, os duetos com Joan Baez), que você pode assistir na integra aqui. Fechando a primeira parte deste café “Friends”, o CD 8 compila aparições no The Johnny Cash Show (de 1969, em que ele canta “I Threw It All Away” com aquela tentativa de vozeirão impostado fase “Nashville Skyline“), uma entrevista no The Bob Fass Radio Show (1963) mais imperdíveis versões ao vivo de “Hurricane” e “Simple Twist Of Fate” no World Of John Hammond (1975). Ouro. No próximo café, os anos 80 e 90.

Especial Bob Dylan com Café

setembro 3, 2018   Encha o copo