Sete motivos para ver o Franz Ferdinand


“Em uma análise sobre a música pop que é feita no mundo hoje em dia, o Franz Ferdinand pode apenas ser apontado como a melhor das bandas que reciclam os anos 80. A diferença entre os escoceses e as melhores bandas do mundo é que as últimas reciclam o futuro. Presos no passado, a cena Nova Rock ainda precisa fazer valer o adjetivo ‘novo’. Refém de suas influências, o Franz Ferdinand é apenas o novo que soa idêntico ao velho. É bom, é divertido, é dançante e é dejà vu. Para quem não está interessado em novidades, basta”, 18/06/2004

“Mais do que lançar um álbum matador, a turma de Kapranos conseguiu se desvencilhar da tribo dos reclicladores lançando um álbum inspirado que, sobretudo, mostra que a banda tem personalidade de sobra para sobreviver no disputado (e cruel) cenário pop mundial. Com ‘You Could Have It So Much Better’, o Franz Ferdinand entra de sola, guitarras e refrões ganchudos na briga pelo título de maior banda dos novos tempos. Quer saber? Eles entram com vantagem sobre os adversários. Aposto minhas fichas neles.” 29/09/2005

Os dois parágrafos acima foram escritos pela mesma pessoa: eu. Com diferença de 15 meses, o tom de cada texto prova por a+b o quanto sou cético a respeito de álbuns de estréia e novas bandas que muita gente elege como salvadoras do rock (no primeiro parágrafo, em texto sobre o debute do FF) e também o quanto o Franz me fez voltar atrás ao lançar um segundo álbum sensacional (no segundo trecho). Em 15 meses o Franz deixou de ser – para mim – uma promessa para se transformar em uma realidade cheia de canções matadoras.

O responsável por tudo isso foi “You Could Have It So Much Better”, segundo disco dos escoceses, que provou que a banda tinha mais cartas na manga além de “Take Me Out”. Num mundo pop em que se fala muito e se mostra pouca qualidade, o FF se destaca dos demais com muita facilidade. Em algum texto perdido apostei minhas fichas de que a banda seria o principal nome dos anos 00. Alguém me escreveu perguntando: e o Coldplay? Bem, o Coldplay segue a risca o caminho que o U2 traçou nos anos 80, mas ainda é uma banda que não inspira confiança crítica (“X&Y” poderia ser resumido como um Echo & The Bunnymen em dias ruins ou um Simple Minds inspirado). Falta personalidade ao Coldplay, e sobra ao Franz Ferdinand, que soube absorver as influências e criar algo novo.

E esse algo novo volta a ser apresentado no Brasil nesta quinta (na Fundição Progresso, Rio de Janeiro) e no próximo sábado (no Motomix Art Music, em São Paulo). Abaixo, com ajuda de Juliana Zambelo, colaboradora da revista Bizz e do site Scream & Yell, a Revoluttion apresenta sete motivos para se assistir aos shows do Franz Ferdinand no Brasil. Por um fragmento de tempo, o Brasil fará parte do que de melhor a música pop anda realizando no mundo. Você vai ficar de fora?

Sete motivos para ver o Franz Ferdinand:

1) Na semana passada, Gang of Four pagou um conta de quase trinta anos que tínhamos com uma das mais festejadas formações do pós punk britânico. No entanto, apesar da excelência da apresentação, assistir ao Gang of Four é se imaginar no Marquee, em Londres, em 1980. Já o Franz Ferdinand não. A banda atualiza aquela velha frase que diz que vamos poder ver a história do rock sendo escrita. O Franz Ferdinand é produto dos anos 00, e está em seu ápice criativo. Poucas vezes na história tivemos uma sincronia com o melhor da música pop como teremos ao ver o Franz Ferdinand nestes dois shows no Rio e em São Paulo. Quando o Nirvana bateu ponto no Hollywood Rock, em 1993, Kurt Cobain já estava tão de saco cheio do show business que resolveu fazer um anti-show. Mesmo o Strokes, que se apresentou no Tim Festival ano passado, chegou aqui milésimos de segundo após o ápice criativo de “Is This It”. O Franz não. A banda de Alex Kapranos chega em seu clímax musical encerrando uma turnê que durou três anos (emendando a do primeiro com a do segundo disco) – Marcelo Costa

2) Quem já viu no começo do ano, vale o repeteco pra saber o que sete meses de turnê ininterrupta fizeram com as músicas e a performance da banda. Se por um lado eles estão cansados, por outro estão muito mais à vontade com as canções e em sintonia uns com os outros, o que pode render uma apresentação ainda mais redondinha que a do Circo Voador. – Juliana Zambelo

3) Porque em uma noite que destaca três bandas badaladas da safra Novo Rock (além do Franz, tocam no Motomix Art Music as bandas Art Brut e Radio 4), vai ser possível ver como o FF é mais criativo que seus concorrentes. – Marcelo Costa

4) Pra descobrir quem eles vão chamar pro palco pra tocar bateria em “Outsiders”. Com vários gringos dando sopa por ali, é grande a chance de uma canja de Art Brut ou Radio 4 no já tradicional batuque coletivo que rola sempre que essa faixa é tocada em festivais. – Juliana Zambelo

5) Porque eles estão encerrando a turnê, e devem fazer um show “adeus 2006/2005” com sede de quem agora (após a passagem de fevereiro) sabe que tem muitos fãs aqui. Além de que, após o lançamento do terceiro disco (em 2007), a banda terá mais de 30 músicas no repertório, e vai começar a ‘faltar’ canções em shows. Ou seja, este show fecha um ciclo na carreira da banda. Pode ser que em uma próxima vez (sabe-se lá quando) você não ouça “Jacqueline”, “This Fire” ou “Michael”. – Marcelo Costa

6) Alex Kapranos. Ponto. Ele é um magricela inglês branquelo de dentes tortos, mas no palco tem a simpatia, o carisma e o charme que falta a 99% dos frontmen atuais. Tem mais de trinta anos, mas toca com a energia e a entrega de um moleque de 18. E tem sempre na cara um sorriso de quem está curtindo muito isso tudo. – Juliano Zambelo

7) Para fazer parte do coro e cantar junto “Walk Away” como aconteceu com quem foi no show que a banda fez no Circo Voador em fevereiro, e que você pode assistir abaixo (é de arrepiar até quem não é fã da banda. – Marcelo Costa

 

*“This Boy” no Circo Voador em fevereiro
*“Do You Want To” no Circo Voador em fevereiro
*“Take Me Out” no Circo Voador em fevereiro

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Ps1: Na verdade, a Juliana queria dizer no item 6 que o Alex Kapranos é gacto. Vá entender o gosto das mulheres… :o)


Ps2: O CD do Brakes, que estava sendo sorteado na semana passada, fica com a Ana Cristina, de São Paulo. Para esta semana, um exemplar da revista Rock Life, edição 8, a última sob comando do chapa Alex Antunes. Feita na correria, a revista traz um “quem é quem” sobre os nomes que aportam no Brasil nos próximos meses, uma textão assinado por mim sobre um bate papo que tive com alguns promotores de festival, o amigo Marco Antônio Bart conversando com Pete Shelley, do Buzzcocks, e André Azenha arrancando verdades de João Gordo, do Ratos de Porão. Tá bacana a revista, e foi bem legal enquanto durou. Quer uma? Escreve para mcosta@brti.com.br que ela está no sorteio desta semana.

Ps3: Lembra da coluna que escrevi falando sobre o jabá? Então, o Carlos Freitas, da Impop, encontrou no CMI (Centro de Mídia Independente) a transcrição da entrevista que Tutinha, dono da rádio Jovem Pan, concedeu para a revista Playboy. “Ele assume que pede jabá em entrevista e ninguém faz nada. Ninguém tem a coragem de denunciá-lo ou indiciá-lo. Que vergonha”. Como diz a chamada da reportagem, “leia e não fique revoltado”.

Ps4: Essa é control C control V do blog aqui pra coluna: Este texto é de maio (valeu Danilo), mas traz uma listinha tremendamente bacana de canções conservadoras do rock, afinal, nem todo mundo é Neil Young, um cara que tem coragem de pedir o impeachment de George Bush em uma canção pop. A lista do jornalista John J. Miller, da National Review Online, destaca o conservadorismo de gente como Beatles, Stones, U2, Clash e Sex Pistols, só para ficar nos mais políticos. Sobre “Wouldn’t It Be Nice”, canção que abre o clássico “Pet Sounds”, dos Beach Boys, Miller escreve: “Pro-abstinence and pro-marriage”. A explicação da inclusão de “Gloria”, do U2, é deliciosamente hilária: “Apenas porque uma canção de rock seja sobre fé não significa que ela seja conservadora. Mas e uma canção de rock que seja sobre fé e que tenha o refrão em latim? Conservadora!”, tasca Miller. Divirta-se conferindo – concordando e discordando – a lista de 50 músicas aqui.

Ps5: Confira a integra dos dois textos que escrevi sobre o Franz Ferdinand, cujos trechos abrem a coluna desta semana. Texto 1: “Escarrando clichês, o Franz Ferdinand conseguiu o impossível”. Texto 2: “Franz Ferdinand é a primeira grande banda da geração zapping”.

Ps6: Downloads: Patti Smith liberou duas versões da música “Qana” em seu site oficial. O Poléxia, de Curitiba, está liberando seu novo single, “Eu Te Amo, Porra” também no site oficial. E o Charme Chulo, também de Curitiba, libera cinco músicas novas aqui. Tudo de graça.

Ps7: Música da semana: “My Secret is My Silence”, de Roddy Woomble, vocalista e líder do Idlewild. Até segunda!

11 thoughts on “Sete motivos para ver o Franz Ferdinand

  1. Salve…

    O segundo disco do Franz Ferdinand é muito bom mesmo e vale muito ver o show (pena que estou longe demais…mas)…não é minha banda preferida da nova geração, mas é “uma” das
    P.S1: As musicas do Charme Chulo tao do %$¨$&&$%
    P.S2: O jabá é %!@$&@#:(

    Abraços

  2. Se for nova geração de bandas que reciclam os 80, FF realmente pode ser considerada a melhor.
    Nova geração por nova geração eu fico mesmo com Wolf Parade, Arcade Fire e TV On The Radio.

    Ah, o show do FF hoje é na Fundição, no Circo foi o primeiro (e espetacular) show, em fevereiro.

  3. grande Marcelo!!! mais uma coluna bacana. Só discordo na parte q fala q ver o FF é ver a história do rock sendo feita. FF é uma boa banda com músicas bem legais, mas não acho q deva ficar marcada na história como uma das grandes ou das q mudaram algo. Segue o velho clichê… no rock, por enquanto a última revolução e geração a fazer história, foi a de seattle. Mas ainda assim vale o ingresso ver o FF, mesmo pq, comparada às outras bandinhas q surgem por aí, eles são muito bons. abços

  4. É preciso perceber o momento, meu caro. Não vai valer dizer daqui dez anos que o FF fez história, hein. Em 1997 vc sabia que o Ok Computer faria história? O que defendo é que o FF está no caminho para se tornar a maior banda dos anos 00. E eles só tem dois discos. Ok Computer era o terceiro do Radiohead… Aguarde.

  5. pode ser q eles se tornam a maior banda da década sim… mesmo pq não existem “rivais” a altura 🙂 parabéns pela coluna…

    PS: e o CD? hehehe

  6. Cara, você tá viajando. Está dando importância demais ao Franz Ferdinand, importância esta que eles não possuem. Eles são divertidos, sim. É bom escutar descompromissadamente. Mas são tão relevantes para a música quanto os Strokes, os Hives ou White Stripes. Comparar com a grandiosidade do U2 nos 80 é um dos maiores exageros que você já cometeu. Achar que eles podem lançar algo com a qualidade do Ok Computer então, é superestimá-los ao extremo. É uma análise completamente parcial. Não há fundamentos, apenas “achismos” e muita boa vontade da sua parte.

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