Carreira vitoriosa do músico Paulinho da Costa é celebrada em documentário da Netflix

texto de Elsa Villon

Paulinho da Costa ganhou as manchetes no Brasil recentemente por ser o primeiro brasileiro a conquistar uma estrela na badalada Calçada da Fama de Hollywood. Músico percussionista, talvez você não conheça o artista do Jardim Irajá, zona sul do Rio de Janeiro. Mas, a bem da verdade, todos nós o conhecemos. Talvez você só não saiba disso. Até o presente momento.

No documentário “The Groove Under de Groove: Os sons de Paulinho da Costa” (2026), disponível na Netflix desde março, o diretor Oscar Rodrigues Alves, cofundador da MTV Brasil, surge disposto a fazer uma  reparação histórica, ainda que o filme não tenha tido a repercussão que esse gigante merece.

Da bateria da Portela, no carnaval carioca, à Hollywood, Paulinho levou o molho brasileiro para os Estados Unidos e é citado por Quincy Jones neste documentário que conta com entrevistados célebres, como George Benson, Verdine White e Ralph Johnson (Earth, Wind and Fire), além de grandes figurões da produção musical estadunidense.

Em sua carreira, Paulinho da Costa já gravou 6.714 faixas de 972 artistas. 161 dessas contribuições concorreram ao Grammy, sendo que 59 delas foram premiadas. Paulinho ainda participou de 12 canções e trilhas sonoras originais vencedoras do Oscar (entre elas, “Dirty Dancing”, de 1986, “Purple Rain”, de 1994, e “Jurassic Park”, de 1993) e coleciona 186 discos de ouro e platina, entre álbuns e singles.

Esse currículo invejável conta com trabalhos com o Red Hot Chilli Peppers (as percussões presentes no álbum ‘Stadium Arcadium”, de 2006, como o pandeiro em “Hump de Bump”), Madonna (sabe a percussão de abertura do single “La Isla Bonita”, de 1986? É de Paulinho da Costa) e Michael Jackson. Trabalhando ao lado de Quincy Jones, Paulinho da Costa gravou mais de 46 composições lançadas pelo Rei do Pop, entre elas, “Billie Jean”.

Tem mais, tem mais. De Alice Cooper a Talking Heads, de Bob Dylan a Slash, de Miles Davis a Whitney Houston passando por 10,000 Maniacs, Terence Blanchard, Ricky Martin, Eric Clapton, Joni Mitchell até Offspring, entre muitos e muitos outros, todos eles trazem a marca de Paulinho da Costa em algumas de suas canções.

Com uma carreira tão premiada ao lado de alguns dos nomes mais famosos do showbusiness mundial, como Paulinho da Costa não é tão reconhecido? Bem, ele imigrou para os EUA ainda jovem, recém-casado, após se destacar na adolescência em uma turnê na Europa e contou muito com a parceria de Sérgio Mendes, que inclusive abriu mão do contrato para que ele pudesse deslanchar ao lado do Earth, Wind and Fire ainda em meados dos anos 1970.

“The Groove Under de Groove: Os sons de Paulinho da Costa” conta essa história e muitas outras em seus 127 minutos de duração. Mergulhe na história do jovem negro que teve na Igreja da Penha o seu estalo para fazer parte da música do mundo no século XX e XXI. Foram 10 anos de produção, com um encerramento no Carnaval de 2016, pela Portela, escola do coração. E um ponto lindo sobre os registros: ele está sempre sorrindo e esse é um comentário constante ao longo do documentário.

Reserve duas horas na sua agenda, e sorria também.

– Elsa Villon é jornalista de dados, especialista em Mídia, Informação e Cultura e colecionadora de vinis que está sempre no garimpo nas horas vagas.

One thought on “Carreira vitoriosa do músico Paulinho da Costa é celebrada em documentário da Netflix

  1. Quando adolescente, começando a consumir discos de vinil, tinha o hábito de ler todas as fichas técnicas. E sempre me chamava a atenção o nome Paulinho da Costa em vários desses lps. Foi muito bom ver esse documentário e de certa forma fazer um passeio por minhas próprias memórias.

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