Entre a velocidade dos fatos e o ruído do debate público, a banda Terminal Guadalupe está de volta com seu sexto álbum: “Ensaio Sobre a Urgência” (2026) ganha lançamento numa parceria do Selo Scream &Yell, que disponibiliza agora o disco para download gratuito em MP3 (download aqui) e WAV (download aqui), com o Estúdio 8-Bics, responsável pelo compartilhamento em streaming, a partir de setembro, via Tratore.
Produzidas por Allan Yokohama e Dary Jr., as 10 faixas de “Ensaio Sobre a Urgência” foram concebidas no formato de ‘instant songs’, canções feitas no calor dos acontecimentos. Influenciado pelo clima quente do ano eleitoral, o novo disco é fruto da observação atenta sobre o avanço de pautas ultraconservadoras. O trabalho mantém a postura política da banda, mas passa longe de discursos panfletários: o Terminal Guadalupe prefere ironia, afeto e reflexão social.
O método de criação seguiu uma lógica artesanal e caseira. Cada integrante recebeu as músicas concebidas por Dary e Allan e gravou suas partes em seus próprios estúdios. “Gravado de forma remota e doméstica, o álbum transforma essa limitação em parte da proposta: um disco feito com poucos filtros, tentando responder ao presente enquanto ele ainda acontece”, observou o jornalista e crítico musical Ricardo Schott.
Entre as músicas, que você ouve e conhece mais profundamente num faixa a faixa especial mais abaixo, três se destacam: o carro-chefe “O Bebê de Mussolini” une System of a Down, Gang of Four, U2 e Bad Religion em um libelo antifascista; “Mundo Sin Dueño” abraça o rock latino noventista com pegada Pixies; e “Love Me Like Gold”, que, censurada nas plataformas digitais por mencionar o nazismo, ainda que para criticá-lo, usa o glam rock e o pop dos anos 2000 para traçar um retrato ácido de um ex-deputado estadunidense de extrema-direita.
“Uma combinação rara de maturidade, indignação, identidade e capacidade de observação que poucas bandas conseguem alcançar depois de mais de 20 anos de trajetória. Talvez porque o Terminal Guadalupe tenha entendido algo que boa parte da música brasileira esqueceu: urgência não é gritar mais alto. Urgência é perceber o que está acontecendo ao redor antes que todo mundo perceba. E transformar isso em canção”, escreveu o jornalista e escritor Luiz César Pimentel.
A formação que gravou “Ensaio Sobre a Urgência” reúne Dary Jr. (voz), Allan Yokohama (guitarras, violões, teclados e vocais), e dois músicos convidados especialmente para este projeto: Gabe Salmazo (baixo, escaleta e vocais), do Not An Ideal Boy e das Bravonas; e Luciano Vassão (bateria), da lendária Jully et Joe. Matheus Bittencourt mixou e masterizou o álbum no estúdio Casa do Fundo, em Curitiba. A identidade visual coube a Maurício Peixoto. A foto que abre o texto é de Maicon Garcia.
DOWNLOAD GRATUITO: baixe “Ensaio Sobre a Urgência” – MP3 / WAV
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“Ensaio Sobre a Urgência” é o 50° lançamento do Selo Scream & Yell. Ouça na integra abaixo!
FAIXA A FAIXA ESPECIAL, POR TERMINAL GUADALUPE
01) O Bebê de Mussolini – A banda amplia a definição “bebê reborn do fascismo”, usada pelo influenciador Jones Manoel para identificar um jovem parlamentar mineiro famoso por espalhar notícias falsas. Um capítulo à parte é a dinâmica da música, uma das melhores já feitas pela banda. System of a Down, Gang of Four, U2 e Bad Religion reunidos em uma só canção.
02) Cristão, Esposo, Pai e Patriota – A letra mais simples e objetiva do álbum traz a descrição da rotina do empresário que matou um gari ao sair de casa, em Belo Horizonte. Diz muito sobre a banalização do mal. Punk com violões. Violent Femmes com Billy Bragg.
03) Mundo Sin Dueño – Um típico rock latino com uma pitadinha de Pixies faz um aceno de solidariedade aos povos vizinhos que entraram em sérias enrascadas com a eleição de políticos de extrema-direita. Utilizar o idioma espanhol tornou-se tradição na discografia do Terminal Guadalupe desde 2007, com “El Pueblo No Se Va”.
04) Love Me Like Gold – Foi inspirada em um político interessante: ex-drag queen que passou a defender pautas homofóbicas e transfóbicas no Partido Republicano, latino que fazia saudação nazi e supremacista branca, enfim, um mentiroso contumaz que deveria estar na cadeia por fraudes e desvios, mas foi solto por obra e graça do atual presidente estadunidense. Glam rock com pitadas de pop 2000.
05) Para-Choque – A inspiração veio de “Tocando em Frente”, linda letra de Renato Teixeira para a não menos bela melodia de Almir Sater. A ideia foi enfileirar frases independentes que pudessem, alinhadas, conversar. As guitarras soam poderosas. Uma das duas músicas com Allan na voz principal.
06) A Grande Família – O primeiro DnB do Terminal Guadalupe é uma longa vinheta que reproduz a mensagem do filho mais velho do ex-presidente (que não se deve dizer o nome) ao ex-banqueiro do escândalo da vez. Foi criada como resposta de Dary a uma brincadeira de Allan, que tinha enviado ao vocalista um áudio com mais de 6 minutos de guitarra ruidosa. O barulho virou trilha.
07) Dia dos Berços – A canção atualiza os versos de “Recorte Médio-Oriental” ao tratar da tragédia palestina com arranjo que remete ao rock progressivo. A bateria de Luciano Vassão dialoga com a voz de Allan em momentos-chave da música.
08) Não Falha Um – A banda arrisca uma bossa nova para contar, com bom humor, as desventuras do pastor evangélico supostamente moralista que circulava pelas ruas de Goiânia com roupas íntimas femininas e peruca loira.
09) Da Venezuela ao Irã – A letra é baseada em afirmações atribuídas ao abusador sexual Jeffrey Epstein sobre Donald Trump. Virou um mantra melancólico sobre a cortina de fumaça travestida de invasões e conflitos.
10) Acabou – Autoexplicativa, a canção celebra a condenação do presidente-genocida ( “Um brinde a quem sobreviveu”), mas alerta para o risco de novas ameaças à democracia (“Não deixe acontecer de novo”). Os vocalizes de Gabe Salmazo dão dramaticidade à música.
A CAPA: A capa de “Ensaio Sobre a Urgência” é uma criação de Maurício Peixoto. Ela parte de uma inversão em relação à identidade visual dos singles: enquanto eles trabalham com fundos claros e títulos em preto, o álbum traz fundo claro com a tipografia em branco, o que traz uma diferenciação visual entre os lançamentos.
Os elementos da composição funcionam como uma representação metafórica dos temas que atravessam o disco. A Segunda Guerra Mundial aparece no avião e no capacete nazista; a plataforma de petróleo enferrujada remete à exploração e ao esgotamento; a pílula vermelha, à polarização e às narrativas contemporâneas; e a maçã deteriorada, acompanhada por um robô, representa o uso descontrolado da tecnologia e a ascensão das inteligências artificiais.
Máscara de gás, megafone e fitas de sinalização reforçam a ideia de urgência, tensão e caos. Em primeiro plano, o punho cerrado sintetiza a resistência e concentra a força simbólica da imagem. O resultado é uma composição que reúne diferentes símbolos do mundo contemporâneo para traduzir visualmente o espírito do álbum: um tempo marcado pela urgência, pelo conflito, pela tecnologia, pelo caos e, diante de tudo isso, pela resistência.

CATÁLOGO COMPLETO DO SELO SCREAM & YELL
SY00 – “Canção para OAEOZ“, OAEOZ (2007) com De Inverno Records
SY01 – “O Tempo Vai Me Perdoar”, Terminal Guadalupe (2009)
SY02 – “AoVivo@Asteroid”, Walverdes (2011)
SY03 – “Ao vivo”, André Takeda (2011)
SY04 – “Projeto Visto: Brasil + Portugal” (2013)
SY05 – “EP Record Store Day”, Giancarlo Rufatto (2013)
SY06 – “Ensaio Sobre a Lealdade”, Rosablanca (2013)
SY07 – “Ainda Somos os Mesmos”, um tributo à Belchior (2014)
SY08 – “De Lá Não Ando Só”, Transmissor (2014)
SY09 – “Espelho Retrovisor”, um tributo aos Engenheiros do Hawaii (2014)
SY10 – “Projeto Visto 2: Brasil + Portugal” (2014)
SY11 – “Somos Todos Latinos” (2015)
SY12 – “Mil Tom”, um tributo a Milton Nascimento (2015)
SY13 – “Caleidoscópio”, um tributo aos Paralamas do Sucesso (2015)
SY14 – “Temperança” (2016)
SY15 – “Ainda Há Coração”, um tributo à Alceu Valença
SY16 – “Brasil También Es Latino” (2016)
SY17 – “Faixa Seis” (2017)
SY18 – “Sem Palavras I” (2017)
SY19 – “Dois Lados”, um tributo ao Skank (2017)
SY20 – “As Lembranças São Escolhas”, canções de Dary Jr. (2017)
SY21 – “O Velho Arsenal dos Lacraus”, Os Lacraus (2018)
SY22 – “Um Grito que se Espalha”, um tributo à Walter Franco (2018)
SY23 – “A Comida”, Os Cleggs (2018)
SY24 – “Conexão Latina” (2018)
SY25 – “Omnia”, Borealis (2019)
SY26 – “Sem Palavras II” (2019)
SY27 – “¡Estamos! – Canções da Quarentena” (2020)
SY28 – “Emerge el Zombie – En Vivo”, El Zombie (2020)
SY29 – “Canções de Inverno – Um songbook de Ivan Santos & Martinuci” (2020)
SY30 – “SIEMENSDREAM”, Borealis (2020)
SY31 – “Autoramas & The Tormentos EP”, Autoramas & The Tormentos (2020)
SY32 – “O Ponto Firme”, M.Takara (2021)
SY33 – “Sob a Influencia”, tributo a Tom Bloch (2021)
SY34 – “Pra Toda Superquadra Ouvir”, Beto Só (2021)
SY35 – “Bajo Un Cielo Uruguayo” (2021) com Little Butterfly Records
SY36 – “REWIND” (2021), Borealis
SY37 – “Pomar” (2021), Vivian Benford
SY38 – “Vizinhos” (2021), Catalina Ávila
SY39 – “Conexão Latina II” (2021), Vários artistas
SY40 – “Unan Todo” (2022), Vários artistas
SY41 – “Morphé” (2023), Rodrigo Stradiotto
SY42 – “Paranoar” (2023), YPU (com Monstro Discos)
SY43 – “NO GOD UP HERE” (2023), Borealis
SY44 – “Extras de “Vou Tirar Você Desse Lugar”, Cidadão Instigado & Plástico Lunar (2024) – Com Allegro Discos
SY45 – “Smoko” (2024), Smoko
SY46 – “Trilhas Sonoras para Corações Solitários” (2024), Hotel Avenida
SY47 – “El Retorno de Senicio” (2025), Duna Riders
SY48 – “Smoko Vol. 2” (2025), Smoko
SY49 – “LOSTWAVES” (2025), Borealis
SY50 – “Ensaio Sobre a Urgência” (2026), Terminal Guadalupe – com 8-Bics
Discos liberados para download gratuito no Scream & Yell:
01 – “Natália Matos”, Natália Matos (2014)
02 – “Gito”, Antônio Novaes (2015)
03 – “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, de Leonardo Marques (2015)
04 – “Inverno”, de Marcelo Perdido (2015)
05 – “Primavera Punk”, de Gustavo Kaly e os Hóspedes do Chelsea feat. Frank Jorge (2016)
06 – “Consertos em Geral”, de Manoel Magalhães (2018)
07 – “Toda Forma de Adeus”, Jotadablio (2023)
08 – Tributo: “Raimundos – Eu Quero É Rock!” (2015/2026)
