Entrevista: Lenny Kaye fala sobre seu disco solo, Allen Ginsberg, black metal, grunge e a parceria com Patti Smith

entrevista de Luiz Mazetto

Parece até difícil de acreditar, mas foram necessários cerca de 50 anos de carreira até que Lenny Kaye decidisse que finalmente tinha chegado a hora de colocar no mundo o seu primeiro disco solo. Lançado em julho pela Yep Roc Records, “Goin’ Local” (2026) marca a primeira vez que o guitarrista, mais conhecido por seu trabalho ao lado de Patti Smith, solta um álbum trazendo apenas o seu nome na capa.

Apesar da faixa de abertura trazer uma pegada que lembra um pouco da cena Nova York da segunda metade dos anos 1970, o restante do disco mostra um outro lado de Lenny, muitas vezes mais introspectivo, em que o guitarrista e vocalista flerta com o folk e o country em alguns momentos, como nas inspiradas “This Love”, “The Things You Leave Behind” e o lindo encerramento com “Yes I Will” – além de compor, tocar guitarra e cantar, vale notar que Lenny também divide a produção do álbum ao lado do parceiro Tony Shananan, que toca baixo ao seu lado na banda de Patti Smith.

Na entrevista abaixo, feita no final de agosto por videochamada, Lenny fala, obviamente, sobre a sua tão aguardada estreia solo, diz que ainda tem pelo menos mais um disco para soltar, relembra a coletânea Nuggets (“Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era”, de 1972, da qual foi curador) e sua parceria de décadas com Patti Smith, conta como foi conhecer e trabalhar com Allen Ginsberg, revela suas bandas favoritas de black metal norueguês e do grunge de Seattle, comenta sobre seu trabalho como produtor e como é a vida na Filadélfia após tanto tempo vivendo em Nova York. Confira!

Ao fazer a pesquisa para a entrevista, encontrei um vídeo de cerca de cinco anos atrás, onde você toca “The Things You Leave Behind” (que está no disco) em uma versão acústica, em que ela soa realmente como uma música folk dos anos 1960, como Dylan antes da fase elétrica. Então eu queria saber se essa é a sua principal forma de compor músicas até hoje: pegar violão e ficar tocando?
Lenny: Acho que é basicamente isso. Eu não tenho exatamente uma banda ativa. Ou melhor, eu tenho, mas é uma banda muito diferente, que é chamada Adrift. E eu os chamo de minha banda de jam gótica psicodélica, porque sou eu, um baterista que gosta de Rush e um baixista de seis cordas com pedais que gosta de música industrial. Tenho trabalhado no álbum deles, já temos 8 músicas gravadas. Então estamos bem perto de conseguir isso. É como o meu alter ego. Mas muitas das músicas do meu disco solo meio que começaram quando eu estava sentado no sofá apenas tocando sem nenhuma direção real em mente, mas pensando em algo que gostaria de colocar em uma música, seja um relacionamento, uma ideia ou algo divertido. Foi assim que aconteceu. Eu simplesmente tinha essas músicas. Senti que elas eram honestas, não soavam como o que as pessoas pensam que eu sou. Não é garage rock, não é punk. Quem sabe quem eu sou? Mas o fato é que eu tinha as músicas e pensei que gostaria de um encerramento artístico para elas. Achei que elas valiam a pena e há um estúdio a cerca de 8 minutos de carro da minha casa que um amigo meu administra. Então foi fácil reservar algumas horas, ir até lá, fazer o trabalho, sem nenhum sentimento de expectativa. E fazer essas músicas funcionou muito bem. Elas acabam soando como quem eu sou neste momento no tempo.

É, eu gostei muito quando você disse que isso pode surpreender as pessoas porque elas talvez estivessem esperando algo relacionado ao projeto Nuggets, ao seu trabalho com a Patti Smith ou à cena de Nova York de forma geral, mas elas vão encontrar algo talvez um pouco diferente. Por exemplo, há trechos dessas outras partes da sua vida presentes no disco, mas não é como se fosse a coisa principal aqui.
Não, eu fiz as músicas porque achei que elas eram quem eu sou além dos gêneros, além de tentar assumir uma persona, de tentar ser algo que não sou. É um disco muito honesto e sinto que essa é a minha personalidade artística. Gosto de tantos tipos diferentes de música. Sou conhecido pela coletânea Nuggets (lançada no início dos anos 1970 e que trazia muitas bandas até então pouco conhecidas de garage rock e rock psicodélico), mas, claro, essa é a música que eu ouvia quando era adolescente. Estou perto de ser um adolescente agora, mas não exatamente (risos). Já passei por tantas formas musicais diferentes. Fiz meus estudos em jazz, em world music. Amo especialmente música africana e jamaicana. Amo todos os tipos de música, amo música country, sou um tocador de steel guitar razoável. Mas simplesmente deixei as músicas me dizerem quem elas queriam ser. Não tentei forçá-las a nada, apenas escutei e permiti que me me guiassem em como queriam soar. Simplesmente sentei tocando e elas me diziam se algo não estivesse certo. As músicas nunca mentem.

Os três livros escritos por Lenny Kaye

Você produziu o disco com o Tony (Shanahan, que toca baixo ao lado de Lenny no Patti Smith Group), certo?
Nós fizemos cerca de metade das músicas há alguns anos, mas nunca as terminamos. E eu assumi a responsabilidade de concluir o disco. Há umas seis faixas que vêm de algum tempo atrás. E depois há aquelas com o Tony no baixo e o Mark Sacco na bateria. Então eu só tinha essas outras músicas que pareciam precisar de finalização. E então eu mesmo as fiz e não terminei. Tenho algumas músicas que sobraram de coisas em que trabalhei. E desde que terminei o álbum, tenho mais três músicas, que são muito valiosas e pelas quais estou muito animado. Não acho que vá fazer muitos discos, não é como se eu fosse de repente acumular discos solo. Tenho o luxo de não ter tantos discos. Isso é meio novo, mas não quero estressar demais a minha criatividade. Sei que tenho outro álbum solo dentro de mim e tenho o álbum do Adrift. E acho que, uma vez que os conclua, terei um sentimento de satisfação da mesma forma que não sinto necessidade de escrever outro livro – Tenho três: a autobiografia do Waylon (“Waylon: An Autobiography”, publicado em 1996, sobre a lenda do country nos EUA, Waylon Jennings), um gênero literário muito estranho onde, quanto melhor você é nele, menos as pessoas acham que você fez qualquer coisa além de ligar um gravador. Mas você precisa captar a voz da pessoa. E isso inclui todos os 20 conhecidos dele. E então você vê o mundo através dos olhos dele. Fiz meu livro de arte, “You Call It Madness” (2004), sobre os crooners dos anos 1930. Esse é um tópico muito estranho, mas eu realmente gostei de fazer esse livro, entender como essa música se relaciona com o rock – era a música que eu não tinha vivido. E, claro, há o “Lightning Striking” (2021), que é meio que minha história do rock através de suas cenas lendárias. E se eu fiz parte disso, me coloco como um personagem secundário. Mas não sinto necessidade de acumular livros. Já há muita música e muita literatura no mundo. E acho que se você faz algo, precisa garantir que seja significativo, que não seja algo só para ocupar espaço. Você precisa ter certeza de que é real. E é isso que estou fazendo agora, garantindo que, se eu trabalhar, seja algo que precise estar no mundo. Eu simplesmente não estou preenchendo espaço.

Vi uma conversa recente (acima) muito boa que você teve com o Michael Imperioli (ator e músico conhecido por seus trabalhos em “Sopranos”, “Bons Companheiros” e “White Lotus”) em Nova York. Em um momento, você disse que estava planejando fazer alguns shows solo, apenas com você no palco. Na verdade, você tem feito isso há algum tempo, mas agora a ideia seria focar especificamente neste disco ou você vai continuar a tocar covers e também ler algumas partes dos seus livros durante isso?
Eu meio que gosto da coisa solo. É muito portátil, muito acessível. Não quero de repente cair na estrada e ter que… Gosto do fato de haver uma intimidade. Posso tocar as músicas do disco, posso ler trechos dos livros, posso fazer alguns covers que me atraiam. E é algo muito controlável. Quando você toca solo, você pode realmente interpretar as músicas, pode desacelerar as coisas, pode acelerá-las, pode parar e, sabe, falar com o público, e eu tenho gostado disso. Adoraria ter uma seção rítimica porque às vezes você quer aumentar o volume e estou apenas vendo como isso pode funcionar no mundo. Vou ver que tipo de ofertas aparecem, se consigo encontrar uma maneira de fazer uma turnê com uma banda, isso seria ótimo. Mas não é algo imperativo. Eu fiz cerca de 20 desses shows solo desde que o disco saiu. Abri para Dave Alvin e Jimmy Dale Gilmore e depois me juntei a eles no final do set por cerca de seis músicas. Vou sair com Kevin Kinney do Drivin’ N’ Cryin’ para alguns shows, Alejandro Escovedo. Gosto de sair na estrada com meus amigos, basicamente. Eu posso fazer isso. Robyn Hitchcock é outro. E vou ver o que acontece se houver demanda para ter uma banda, talvez ir ao Brasil e tocar em festivais. Quem sabe? Mas agora só estou aproveitando o processo criativo. Não sinto nenhuma pressão, não sinto nenhuma sensação do tipo “Oh, tenho que sair e divulgar esse disco e ficar em uma van por seis semanas”. Quero fazer isso, quero gostar de tocar. Quero investigar quem eu sou neste momento da minha vida. Já paguei minhas contas na estrada e gosto disso, mas não vou lá para me esgotar. Agora gosto de sair por um período curto de duas semanas. Gosto de fazer alguns shows, me divertir, conversar com as pessoas, e depois voltar para casa e sentar na minha varanda e pensar sobre…

E você tem uma varanda de verdade na sua casa?
Tenho uma varanda de verdade, em uma casa de verdade aqui no nordeste da Pensilvânia (risos). Está chovendo hoje. Se isso (meu computador) fosse portátil, eu te levaria lá fora e poderíamos sentar na varanda, gosto de sentar lá. Estou apenas tentando aproveitar este momento da minha vida. Sinto que me provei de maneiras que serão parte da minha trajetória, mas isso é meio que um bônus. Eu posso me divertir tocando minha música e ver onde isso dá, porque não tenho nenhuma sensação de destino. Não estou tentando ter um single de sucesso ou vencer no mercado da música. Tenho um bom nível de respeito por aí. Com certeza não sou uma estrela do rock. Minha única extravagância é o meu carro Thunderbird 1961, que funciona na maior parte do tempo. E não desejo muito, na verdade. Tenho todas as guitarras que algum dia vou tocar. Tenho discos e livros e chamo esta casa, como você pode ver, de o museu de mim mesmo. Trouxe tudo isso, um livro e um disco de cada vez, e eles me fazem feliz. Mas, como digo em “Things You Leave Behind”, mais cedo ou mais tarde todos chegamos ao fim da linha. Então, eu penso nisso também. Mas agora me sinto bastante feliz. É um estilo de vida muito modesto que eu tenho. Não preciso me preocupar em ficar tentando ser algo mais do que eu sou. E essa é uma grande bênção no momento atual da minha vida.

Você estava mencionando sobre como criou/encontrou as músicas. Uma vez que você tem esse relacionamento de mais de 50 anos como parceiro musical da Patti Smith, o quanto foi diferente para você escrever sozinho nesse disco? Imagino que vocês dois troquem ideias quando estão escrevendo as músicas, as letras e tudo mais. E, pelo que entendi, você trabalhou em tudo, por conta própria: melodias, estrutura, letras. Foi um tipo diferente de experiência para você ou você também estava buscando objetivos a partir das pistas do que fez antes com ela e outros parceiros?
Sou muito flexível como colaborador. Tento ver o mundo através dos olhos do artista com quem trabalho. Especialmente como produtor musical. Devo ter produzido uns 20 discos ao longo dos anos, muitos dos quais nunca foram ouvidos fora do estúdio, mas são todos discos de muita qualidade e ocasionalmente eu os pego na mão e vejo esses grandes artistas com quem tive o privilégio de trabalhar. Eu não era como um produtor de gênero, tipo “o cara do metal” ou do “rock mais pesado”. Os artistas com quem trabalhei eram muito expressivos e muito individuais, seja o Soul Asylum, a Suzanne Vega, o Allen Ginsberg, Kristin Hersh, The Weather Prophets, James. Ver o mundo através dos olhos de outro artista é uma gratidão enorme – e é uma honra poder ser o melhor amigo deles no estúdio. Mas, tendo feito isso, também sou meu próprio melhor amigo no estúdio. Aprendi a olhar para uma peça musical e quase me divorciar dela. Algo como “Ah sim, ali está o meu vocal e é a minha música”. Mas posso me sentar e dizer: “Do que a música precisa? Como ela precisa se expandir para comunicar sua emoção?”. E tendo feito isso, posso fazer isso e não preciso perguntar a ninguém como “Está tudo bem para você?”. Se eu apenas pergunto a mim mesmo: “Está tudo bem para mim?”. E sim, quero dizer, “Solstice” (parceria de Kaye com Patti Smith) no álbum se tornou uma música que poderia ter sido uma música da Patti para um de nossos discos e nós trabalhamos nela. A Patti não gosta de ter muitas partes nas músicas dela. Ela gosta das coisas de forma bastante direta. E há um monte de partes nessa música e então ela nunca realmente entrou na seleção. Quando peguei a música para ver como soava, pensei: “Eu posso cantar isso”. Eu achei que talvez pudéssemos fazer um dueto ou algo assim. Mas ela disse: “Não, você deveria encarnar essa música. Ela soa como você e quero que você se aproprie dela”. E foi o que eu fiz. Tento não ser muito autoconsciente sobre o processo. Apenas me divirto com o fato de ter trabalhado nessas músicas e as ter colocado em um lugar onde elas expressam a emoção, o tempo e o lugar. Muitas delas são sobre relacionamentos, como capturar um momento em um relacionamento onde você está celebrando esse relacionamento, mas também saber que ele pode ter pode ter uma linha do tempo. Pode não ser nada mais do que aquela linda noite ou aquele lindo mês. E você guarda essa pessoa para sempre no seu coração. Então algumas destas músicas são como celebrações de momentos no tempo em que você conhece alguém por quem tem um sentimento profundo, mas por quaisquer razões, não vai durar para sempre. E isso precisa ser comemorado às vezes. “This Love”, “A Friend Like You”. Estas são músicas em que estou tentando entender o que o relacionamento traz para mim e para a outra pessoa e como ele se resolve. “Poppy” é um exemplo real disso. De apenas capturar um momento, como “Oh, Poppy, o que vamos fazer?”. Bem, acontece que não fizemos nada, exceto compartilhar uma linda noite na Irlanda, onde nós apenas caminhamos pela linda floresta. E pensei que aquilo foi uma captura verdadeira de um momento de possibilidade. E há um tipo de beleza, independentemente do que aconteça. Essas músicas vieram do fundo do meu coração, essencialmente. Não as escrevi para serem sucessos. Não as escrevi para nada, exceto para explicar uma emoção para mim mesmo. E ao fazer isso, senti que é quase como se você capturasse um momento em uma bola de cristal e ele estivesse lá. E, com sorte, elas não são tão pessoais a ponto de alguém que as escute não conseguir encontrar seu próprio sentido sobre para onde um relacionamento pode ou não ir. Mas estou muito satisfeito com o disco e com o fato de a Yep Roc ter sido tão boa para mim. A gravadora tem sido tão incentivadora e realmente não poderia ter sido melhor em termos de me ajudar a realizar este disco. Eu nunca tive um disco solo. Fiz um disco com meu grupo nos anos 1980, em 1984, Lenny Kaye Connection, mas na verdade nunca tive uma gravadora me apoiando. E isso me ajudou não apenas a concluir o disco, mas a entender minha vida criativa neste ponto.

Você estava mencionando sua colaboração com o Allen Ginsberg antes. E ela é tipo uma daquelas parcerias para ficar na história, em que temos você, o Ginsberg, o Phillip Glass e o Paul McCartney, tocando juntos em “Ballad of the Skeletons”. Por isso, queria saber como isso aconteceu? Acredito que você já o conhecia porque fizeram algumas apresentações juntos antes, incluindo leituras e performances.
Sim, nós nos conhecíamos. Eu o via pelo East Village (bairro de Nova York). E, em certo momento, houve um show no Carnegie Hall, era um evento beneficente pelo Tibet Livre. Nós acabamos tocando a “Ballad of the Skeletons”, comigo no baixo. E só me lembro do Allen realmente curtindo. Quando a música virou instrumental, ele simplesmente veio até mim e começou a me incentivar a deixar aquilo cada vez mais louco. Na plateia estava Danny Goldberg, que era da Mercury Records, e ele achou que daria um ótimo single. Então o Danny me perguntou se eu poderia meio que dirigir essa música. Fui para o estúdio com o David Mansfield, que também está no meu disco, e Marc Ribot, um grande guitarrista, e fizemos uma faixa básica. Então o Philip Glass fez um overdub nela, mas não na mesma sessão. E então a fita foi enviada para o Paul McCartney na Inglaterra, e ele adicionou o órgão e a bateria. E de repente virou um disco de verdade. E eu amo o fato de eu ter tocado baixo para a bateria de Paul McCartney!

Sim, era isso que eu ia dizer (risos).
Isso foi bastante incrível.

E você estava tipo, foi um daqueles momentos em que você percebe que está fazendo algo histórico? Claro que você já tinha feito tanta coisa naquele momento da sua vida, mas isso foi tipo algo que te deixou realmente pensando tipo “Uau”?
Eu estava, quero dizer… “Ok, Paul, Philip Glass, ótimo.” Mas para mim, os escritores da Geração Beat foram essenciais quando eu estava crescendo. Eu idolatrava o Jack Kerouac! Ler “On the Road” (1957) quando tinha 14, 15 anos foi algo que realmente mudou a minha vida. Então foi uma honra tão grande conhecer Allen e também o Gregory Corso e o William Burroughs. Trabalhar com Allen depois que ele fez sua leitura de poesia. Ele estava lá na cabine e eu ficava tipo, “talvez possamos melhorar um pouco essa linha”. Foi tão divertido. Mas ele tinha realmente um coração enorme, era uma pessoa boa. E a música parece realmente capturar um momento no tempo com todos esses grandes músicos apoiando Allen. Me senti muito privilegiado por estar na sala com ele.

Você mencionou o “On the Road”, do Kerouac. Você gostou do filme (que saiu em 2012)? Foi dirigido por Walter Salles, um diretor brasileiro.
É ok, mas é difícil. O filme e todas as outras coisas contam a história, mas o que eu li e absorvi em “On the Road” foi a sensação de excitação, a sensação, a empolgação da linguagem, a sensação de movimento. E o filme conta a história, e é uma ótima história. Quando li o livro, eu devia ter uns 15 anos. Eu simplesmente podia sentir a energia borbulhando dentro de mim. E claro, em um momento particular no verão, meu amigo Larry Block e eu deixamos Nova Jersey. Eu tinha 20 anos e entramos no Ford 56 dele e dirigimos pelo país. Era o Verão do Amor e atravessamos o país de carro até São Francisco. Esse foi meio que o meu “On the Road”. E toda vez que chega o dia 16 de agosto, acho que ontem foi o dia em que partimos e passamos cerca de três, quatro semanas atravessando o país e depois indo para São Francisco quando estava no seu ápice. Pude ver Grateful Dead e Big Brother and the Holding Company no Golden Gate Park, tomar ácido, realmente vivenciar um momento no tempo em que você realmente acreditava que o amor era tudo de que precisávamos, que ele poderia salvar o mundo. Era algo um pouco idealista e não exatamente como o mundo funciona, mas isso mudou minha vida. E então deixamos São Francisco e dirigimos para Los Angeles. Eu nunca tinha estado na Califórnia antes. Depois voltamos pela Rota 66, paramos no Grand Canyon. Foi a minha grande jornada de amadurecimento e eu sempre me lembro dela nesta época porque estávamos na estrada e eu realmente aprecio ter tido esse tipo de entrada na vida adulta, foi meio como, “Ok, agora sua vida começa.”

“Nuggets”, coletânea criada e curada por Lenny Kaye

Demais, isso supera qualquer faculdade. Você mencionou antes o “Lightning Striking” (2021), seu livro mais recente, e eu realmente gosto dele porque, como disse, você colocou momentos muito importantes da história da música num mesmo contexto. E me chamou muito a atenção o capítulo sobre metal, em que você fala sobre thrash metal, o glam metal de Los Angeles e o black metal norueguês.
É, é.

Fiquei curioso porque você mencionou que, quando estava prestes a ir para a Noruega, um amigo seu lhe disse: “cuidado com o black metal”. Quando foi isso? Foi logo após a cena do black metal norueguês e todo o lance do Inner Circle?
Foi provavelmente por volta do fim dos anos 1990, talvez no ano 2000. Eu estava em turnê com a Patti.

E o que chamou sua atenção sobre essa cena específica? Você já conhecia algo sobre?
Bem, era uma cena e tanto. O mais extremo que o rock poderia chegar. Sou atraído por todas as cenas das quais que falo em “Lightning Striking”, porque elas foram o momento em que a música muda e se transforma. Tenho que dizer que esse foi o meu capítulo divertido. Todos os outros, você sabe que depois de Memphis as coisas mudam, depois dos ídolos teens da Filadélfia as coisas mudaram drasticamente. Claro, Liverpool em 1962, mudança drástica. São Francisco também. Estes foram momentos em que se podia sentir a roda do progresso girando na música que eu amo. Rock and roll, a música onde escolhi fincar minha bandeira. Mas o capítulo do metal foi simplesmente divertido de fazer, porque é tão insano: o glam metal em Los Angeles e então o black metal, que é tipo “O que?”. Você não poderia inventar algo assim. Então esse é o capítulo divertido. E então voltamos para a história real, que seria o grunge, que para mim é meio que o fim do rock como uma música inovadora. Depois torna-se mais uma música de interpretação, como vimos nos últimos 25 anos. Há muito pouco que você possa fazer com uma guitarra elétrica no reino do rock que não faça referência a coisas que já foram feitas. Mas não acho que isso seja algo ruim. As pessoas ainda ouvem Chopin, dixieland, jazz, bebop, outlaw country. Mas às vezes as músicas sobrevivem ao seu momento no tempo. E tudo bem, porque acredito que a música precisa progredir. Não quero que a trilha sonora da minha juventude seja a trilha sonora de hoje. Novos instrumentos, novas formas de apresentação, é assim que evoluímos como fãs de música, ouvintes e criadores de música. Posso não fazer música como a que ouço nas rádios de sucesso agora, mas tudo bem porque posso apreciar essa música. Talvez eu pegue um trecho e tente convertê-lo em algo em que esteja trabalhando. Mas gosto da progressão musical. Não acho realmente que a música era melhor antigamente, realmente não acho. A música existe no presente, aquele movimento de uma nota para a seguinte. Quando você está ouvindo, quando você está tocando, é uma experiência muito focada no tempo presente e eu tento celebrar isso.

Sim, isso é ótimo. É um pouco como o teatro, claro que você pode ouvir discos, mas estar em um show, assim como quando você está assistindo a uma peça, é algo diferente, você está realmente vivendo aquilo.
Isso se desenrola na sua frente.

Exatamente. Você mencionou a cena de Seattle. Houve alguma banda específica que chamou mais atenção em termos de meio que levar, como você disse, o rock aos limites do que poderia ser criado?
O Nirvana era genial! Lembro-me de quando eu era produtor musical na virada dos anos 1980 para 1990, e recebi uma fita da Arista Records. De um lado estava o Nirvana, e do outro estava o Smashing Pumpkins. Me lembro de pensar sobre o Nirvana: “O que eles precisam mais do que tudo é de um produtor que não mude nada, que os proteja de mudar”. Pois eles eram ótimos. A revelação no capítulo de Seattle para mim foi o quão incrível é o Soundgarden. Eu amo o Pearl Jam. Eu amo os Screaming Trees. Eu amo todas as bandas que saíram de lá. Mas eu nunca tinha ido realmente além dos princiais sucessos do Soundgarden, como “Black Hole Sun”. E poder mergulhar fundo na música deles foi uma revelação e tanto. E o Alice in Chains também. Uma banda sobre a qual eu realmente não tinha pensamentos e que realmente ainda me impressionam. O Jerry Cantrell é um guitarrista incrível, o cantor principal (Layne), simplesmente bebendo fundo na fonte da dor. E então isso foi divertido. Quero dizer, o melhor de tudo é que pude ir além sobre essas cenas. Quando comecei o livro, pensei algo como: “é, vai levar alguns meses nesse capítulo, eu conheço essas coisas”. Mas quando você começa a ir cada vez mais fundo nisso, os desvios, os tipos de coisas em que você se aprofunda eram fascinantes. Eu amo os personagens secundários. Foi muito empolgante poder mergulhar cada vez mais fundo em cada cena e descobrir como deve ter sido quando você estava no Trips Festival em San Francisco. Como foi quando o punk tomou a Inglaterra de assalto? E claro, para mim, como foi estar na rua do lado de fora do CBGB e de repente perceber que aquela era uma cena potencialmente tão influente quanto a cena que eu realmente amava, que era a cena de San Francisco. Você tem um monte de bandas, todas abrindo suas asas para o mundo. É um grande momento no tempo quando esses esses pequenos núcleos de energia – sempre penso nisso como nuvens de poeira solar se unindo em um planeta. De repente, elas começam a assumir uma personalidade que ninguém esperava porque estão tão fora do caminho. Elas estão tão distantes do caminho, do ponto e você tem tempo para crescer, tem tempo para cometer seus erros e de repente pode sentir o impulso da cultura empurrando você para o mundo de forma geral.

Lenny Kaye e Patti Smith nos anos 1970

Essa é uma ótima descrição. Você mencionou a cena de Nova York, por isso queria lhe fazer uma pergunta sobre essa época. Você e a Patti se conheceram por volta de 1970, acho que foi em uma loja de discos. É isso?
É, ela leu um artigo que escrevi sobre grupos acapella de doo-wop na revista Jazz and Pop, e me ligou do nada. Eu já a tinha visto por aí, mas não a conhecia. Aí ela começou a me visitar na loja de discos onde eu trabalhava e eu colocava nossos discos favoritos, “Today’s the Day” de Maureen Gray, “My Hero” de The Blue Notes, The Bristol Stomp, e fomos ficando amigos.

Você mencionou em algumas entrevistas que sente que vocês são como gêmeos astrais. O que você acha que fez vocês terem uma conexão tão forte, não apenas musicalmente, mas também, digo, em relação à poesia, literatura e na vida como um todo?
Bem, nós dois amamos livros. Nós amamos escrever. Nós amamos música. E nós dois amamos viagens astrais (risos). Somos tão próximos como um irmão e uma irmã. E ela também sabe que eu confio nela implicitamente, que a seguirei para onde quer que ela vá, porque sei que suas intenções são puras. Eu sempre digo que, de todos os anos em que estive no palco ao lado esquerdo dela, nunca a vi cantar uma nota falsa. Nunca a vi fazer um show que não fosse real. Ela, ela é a minha luz guia. Ela tem instintos artísticos realmente ótimos e ela é de verdade. Ela não faz as coisas… Nenhum de nós está nisso, por incrível que pareça, pela fama e pela fortuna. Somos quem somos, mas somos muito orientados ao trabalho. Não importa quanto trabalho eu tenha feito no passado, isso não importa para mim. O que importa é o que faço hoje e amanhã. Quando me levanto de manhã, o que vou fazer hoje para mover minha sensação de ir para a frente, minha tarefa criativa e para, mais uma vez, cavar fundo no poço de quem eu sou artisticamente.

Lenny Kaye e Patti Smith em 2024

Você estava mencionando antes os discos que produziu. E você trabalhou com alguns produtores muito famosos com a Patti, como John Cale, claro, e Todd Rundgren, Jack Douglas e Jimmy Iovine. Eu queria saber, houve algo sobre trabalhar com esses produtores, esses caras, que te inspirou ou que você aprendeu que o ajudou quando se tornou um produtor alguns anos depois?
Um produtor é como um espelho. E nós escolhemos nossos produtores porque esperávamos algo específico deles dentro do estúdio para nos ajudar a nos tornarmos quem queríamos ser em um momento no tempo. Como produtor musical, eu também me sentia assim. Se eu fizesse um disco com a banda, eles teriam todos os meus truques. E então, se você quer garantir que o próximo disco não seja apenas uma repetição do disco que fez antes, você precisa dar espaço para a próxima personalidade. E todos os nossos produtores tinham uma noção de quem nós éramos. Nós não eramos fáceis de produzir. Éramos muito apegados ao nosso próprio senso de visão, mas isso não significa que não precisássemos de ajuda para alcançar isso.

Com o John Cale, queríamos um produtor que entendesse nossa arte, que nos ajudasse a alcançar uma compreensão de quem éramos como uma banda muito jovem. Sobre o Jack Douglas, nós tínhamos estado na estrada por um ano depois de “Horses”(1975) e nos desenvolvemos em uma banda de rock potente. E queríamos alguém para abordar isso, porque o “Horses” ainda é meio que o trabalho em andamento de uma banda. Nós éramos como pôneis tentando encontrar uma maneira de galopar. O Jimmy Iovine veio depois que a Patti esteve fora da estrada depois que ela caiu do palco. E queríamos fazer uma declaração que fosse clara, que fosse: “Esses somos nós. Somos capazes de ter um single de sucesso, mas também precisamos abordar nosso lado mais experimental”. Todd Rundgren depois disso. Sabe, o “Easter” de certa forma é um disco um pouco masculino. Queríamos alguém para abordar o feminino dentro de Patti. E, claro, esse foi o disco de despedida dela.

Desde então, com o segundo ato, o que eu nunca esperei que acontecesse quando a Patti se casou com o Fred, eu achava que eles eram a dupla criativa e eu não tinha espaço nisso. Mas quando o Fred faleceu e Patti quis voltar aos palcos, sabe, era um momento diferente no tempo. Produzi o disco “Gone Again” (disco que marcou o retorno de Patti Smith em 1996) e todos nós meio que trabalhamos como uma banda colaborativa nos discos seguintes. Mas sempre vejo nosso trabalho dos anos 1970 como sendo quase como um quarteto olhando para a Patti de vários lados, desde o confronto das linhas de abertura de “Horses” – “Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus”, até a conciliação dela caminhando na praia com o Papa João Paulo I que encerra “Wave”. Essa é uma história, um conto. E acho que há uma certa perfeição nisso.

Lenny Kaye em São Paulo, 2019 / Foto de Alexandre Biciati

Você estava mencionando sobre o segundo ato. Foi quando você veio pela primeira vez ao Brasil, há cerca de 20 anos (no Tim Festival 2006). Eu pude ir e foi incrível, vocês tocaram com o Beastie Boys e o Yeah Yeah Yeahs (também em Curitiba), uma reunião de NY basicamente. E depois você voltou de novo há cerca de sete anos, em 2019, para dois shows em São Paulo com a Patti Smith (um show solo e um no Popload Festival). Quais são suas memórias dessas viagens ao Brasil especificamente? Houve algo que chamou mais a sua atenção, como as cidades, a comida, as pessoas?
Foram as pessoas. A comida também era ótima, tenho que dizer isso (risos). E foi ótimo caminhar na praia e conhecer a megacidade (aqui parece se referir, respectivamente ao Rio de Janeiro, onde tocaram em 2006, e São Paulo). Mas para mim, o coração, a honestidade e o fervor do público, especialmente para nós estando tão longe, foi bastante incrível. Estamos na América do Norte. Poder tocar na América do Sul é um privilégio tão grande. E cada país tem sua própria personalidade distinta. Não é apenas como um grande continente. O Brasil é muito diferente, não apenas na língua, mas no temperamento do que, digamos, a Argentina ou o Chile. Então estar lá e ver pessoas em outro continente cantando junto com você, que experiência linda! Não sei, só me senti muito grato por estar lá. E a música, claro, também teve Os Mutantes (risos). Eles tem alguns bons discos (e foram inclusos em “Nuggets II: Original Artyfacts from the British Empire and Beyond, 1964–1969”, coletânea produzida por Alec Palao). Mas foi realmente divertido ver como nossa música viaja, porque não há tantas bandas de rock do Brasil que conseguem vir para os EUA. Acho que há um grupo que é meio focado no garage rock chamado Banda AL9 que está começando a tocar aqui em cima. Mas é um intercâmbio cultural de uma via só praticamente. Então, para nós, poder ir até aí e receber o abraço caloroso do povo brasileiro foi algo notável.

Estas são as duas últimas perguntas. Eu gostaria que você me dissesse, por favor, três discos que mudaram sua vida e por que eles fizeram isso. Não é como se fossem os únicos três, mas três dos discos que fizeram isso por você.
Bem, há um milhão de discos. O que posso dizer? Eu sempre cito “Blonde on Blonde” (1966), do Bob Dylan. Esse disco mudou o jogo para mim. Acho que isso foi o mais longe que o Bob foi em um certo período no tempo. E para mim, “Sad Eyed Lady of the Lowlands” é uma das músicas mais lindas já escritas. Eu também amo um álbum de um grupo chamado Talk Talk, da Inglaterra, que é intitulado ”Spirit of Eden” (1988), que é o álbum mais incomum que já ouvi na minha vida. Ele é todo sobre o espaço entre as notas, as dinâmicas. É uma experiência de escuta incrível, de verdade. Esse disco é um verdadeiro tesouro. E o terceiro álbum, são tantos álbuns, e tão pouco tempo. Eu escolheria… estou meio que entre o primeiro álbum do Velvet Underground e o primeiro álbum do Mothers of Invention, “Freak Out” (1966). Porque esses dois álbuns meio que em paralelo me mostraram o quão estranho o rock podia ser e como você podia fazer qualquer coisa artisticamente dentro dele, contanto que permanecesse no limite. Então seriam esses álbuns… e aí há, claro, os outros 150 que também estão na minha lista (risos).

Eu estava pensando sobre a sua música “The Things You Leave Behind” e o que você disse em entrevistas e também hoje sobre meio que deixar nossa marca em um tipo de museu pessoal que todo mundo tem no mundo, mas não apenas coisas físicas. Você tem toneladas de discos que produziu, em que tocou com a Patti, tem seu disco solo lançado agora, os seus livros e o Nuggets que, embora seja como uma coleção de músicas de outras pessoas, você a selecionou e a lançou no momento certo, digamos assim, e influenciou muitas pessoas e tocou essas músicas no mundo todo. E, além disso tudo, você gravou com Ginsberg. Apenas para dizer tipo, você fez muita coisa. Por isso, queria saber do que você mais se orgulha na sua carreira?
Sabe, a minha filha sempre me pergunta isso, essas maiores coisas, qual é o seu top 10 das melhores coisas? E eu não sei! Eu gosto de tudo. Me orgulho de ser um músico por 60 anos, para minha grande surpresa. Consegui manter meu nome limpo. Fiz isso pelas razões certas. Nunca fiz algo apenas pelo dinheiro, embora eu goste de ser pago. Vivi minha vida como eu esperava viver quando comecei minha ascensão criativa. Nunca fiquei impressionado demais comigo mesmo. Sou todo voltado ao trabalho, e o fato de ter sido capaz de fazer esse trabalho ao longo de seis décadas meio que me espanta, porque você nunca sabe. Muito disso é estar no lugar certo na hora certa. Eu estava morando em Nova York no início dos anos 1970 e tive a oportunidade de fazer um disco que parece inspirar as pessoas, a coletânea “Nuggets”. Tive a oportunidade de conhecer uma mulher que é uma estrela-guia artística. Todos esses momentos no tempo se combinaram para me tornar quem eu sou hoje. E estou realmente muito orgulhoso de nunca ter jogado isso fora, de nunca ter seguido pelo caminho fácil de festas e drogas, embora eu goste de dançar ao som de “White Wedding” às 3:30 da manhã levantando um copo. Me sinto feliz sendo quem sou e esse é um grande privilégio quando você olha para a extensão da sua vida. É simples assim. É claro que tenho orgulho do trabalho que fiz com a Patti. Tenho orgulho de ter estado ao lado de Suzanne Vega quando ela meio que se desdobrou como uma flor (nota: Lenny produziu o disco de estreia de Suzanne Vega, de 1985, e “Solitude Standing”, seu segundo álbum, de 1987, que contém o hit mundial “Luka”). Eu simplesmente gosto de tudo. E como vivo no presente, quando estou fazendo o trabalho que deveria estar fazendo, é disso que eu gosto. Isso para mim é a melhor coisa que fiz. Trabalhei em uma música no estúdio no fim de semana passado. É uma música narrativa. Chama-se “Buddy Holly’s Motorcycle“ e é uma longa história e eu não vou (falar muito sobre ela)… Mas quando chego em casa vindo do estúdio e tenho meu pequeno CD gravado e o coloco no meu aparelho aqui em casa e o escuto, eu penso: “É, isso é um bom trabalho”. E é assim que me meço. Eu fiz um bom trabalho hoje? E vou descer para o estúdio para praticar porque o Adrift tem um show em um bar local aqui na Pensilvânia na sexta-feira, e gostaria de me lembrar das minhas palavras. E estarei lá trabalhando no meu lance e sentindo que estou fazendo meu trabalho nesta vida, seja lá o que for, e é um trabalho abençoado. E estou conversando com alguém do Brasil que está apreciando o trabalho que faço. E essa é uma honra muito, muito grande.

–  Luiz Mazetto é autor dos livros “Nós Somos a Tempestade – Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA” e “Nós Somos a Tempestade, Vol 2 – Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo”, ambos pela Edições Ideal. Também colabora coma a Vice Brasil, o CVLT Nation e a Loud! 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *