introdução de Diego Albuquerque
faixa a faixa por NiKo
Natural de Camaragibe e hoje vivendo em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, NiKo iniciou sua carreira em 2023, quando conheceu a equipe da Câmbio Sonoro, produtora responsável por seus lançamentos. Desde então, a artista vem se apresentando com suas músicas autorais, consolidando um estilo que une brasilidade, Recife e a estética pop contemporânea.
Aos 36 anos, a professora de letras que sempre cantou em karaokês e festinhas familiares e da escola se prepara para lançar o primeiro álbum da sua nova “profissão”. O disco se chama “TAKA FOGO” e mistura eletropop com batidas latinas a sua raiz pernambucana. “A gente queria fazer um álbum que fugisse um pouco da tendência atual. Que não tivesse músicas tão curtas, com interlúdios que conectassem os momentos, mais faixas. Queríamos algo que pudesse ser ouvido em qualquer época”, comenta a artista.
A produção musical ficou a cargo de El.Trppy e Thiago Brandão, que também assinam as composições ao lado de NiKo, com Helio Abulidu, Dio Santos e Marina Mar dividindo outras faixas. A direção artística é assinada pela própria NiKo: “Para a parte estética, eu e a minha equipe de identidade visual (Vic Monteiro e Laís Brasileiro) quisemos manter esse contraste entre a figura feminina e sensual ligada a elementos mais sombrios, melancólicos e misteriosos”, explica.
“TAKA FOGO é meu primeiro álbum, coloquei toda minha essência nessas músicas, minhas loucuras, minhas dores, minha safadeza, meu amor. Um disco diverso, e estou só começando”, finaliza NiKo. Abaixo, ela comenta sobre o disco (contando até de sample do Quinteto Armorial), disponível nas principais plataformas de streaming, faixa a faixa.
01) “Intro”: Essa música foi pensada já pelo fim da produção do disco. É uma música que também usamos para abrir nosso show, que traz uma mistura de tudo em sua essência, a pureza da natureza e o barulho da cidade.
02) “Corrente Dourada”: Eu quis abrir o álbum com esse pop dançante, com beat misterioso, que convida o ouvinte a uma experiência comum, se arrumar para chegar no rolê. Acontece um ápice no fim e explode com guitarras bem quentes de Thiago Brandão.
03) “Fácil de Amar”: É um hino para mulheres se amarem e se acharem mesmo no controle de suas vidas. Frequentemente mulheres assim escutam que são difíceis de amar e que ficarão sozinhas. O refrão vira, então, uma ironia.
04) “Desopilar”: Essa canção é ideal para ouvir depois de um romance que não deu certo e você fica remoendo. Instiga superação e novos caminhos. O beat, feito por Thiago Brandão, já chegou quase todo pronto. A curiosidade é que esse beat era para outro artista da Cambio, mas ouvi a música primeiro e disse: essa música tem que entrar no disco, é a minha cara. E daí Thiago cedeu para mim =) “Desopilar” vem com uma musicalidade que passa pelo caribenho fluindo pro carimbó (os dois ritmos têm muitos traços em comum).
05) “Desgosto”: A gente queria fazer um breguinha eletrônico, na nossa vibe, e tudo começou com um arpeggiator e a batidinha, em uma noite produtiva de sexta-feira. El Trppy montava o esqueleto do beat enquanto eu escrevia a letra. Queria algo bem roedeira para passar mesmo o sentimento do brega. Ele passou pro violão para conseguirmos criar a melódica vocal com mais clareza e depois levar pro estúdio e montar as guitarras e baixo que Thiago gravou. No fim, o arpeggiator foi limado de tudo, ficando só para as apresentações ao vivo.
06) “Em Segredo”: Fala sobre um amor que não funciona mais, que é confuso, tóxico, no entanto difícil de se livrar. É o amor entre duas mulheres que se desejam e não conseguem controlar. Aquele famoso “no sigilo”. Conta com a participação de Marina Mar na composição e no feat. As batidas e melodias vocais de R&B se misturam com um refrão mais pra cima puxando pro samba rock, com harmonizações vocais em dueto, que parecem mais um lamento.
07) “Tudo que eu Queria”: Essa foi uma das primeiras músicas que produzimos e a primeira que eu escrevi. El Trppy começou com o instrumental e, depois de algumas sessões de composição em estúdio com Helio e Thiago, vimos que essa música precisava virar um feat com Helio, e assim foi feito.
08) “Sem Dublê”: É uma música que El Trppy e Thiago produziram utilizando só samples, mudança de tons e bpms, drum machine MIDI e vários edits, chegando à base inteira da música. Eu adicionei essa melodia de voz e montamos essa composição em algumas sessões em estúdio junto com Thiago e Hélio.
09) “Vog”: É o momento de transição do disco, a pausa, acabou o sol e começou a noite. Música instrumental para preparar o look.
10) “Chuva de Grau”: El Trppy começou a produção de um beat noturno e dançante, com batidas de raízes brasileiras, levou pro estúdio e, com Thiago, chegaram nesse resultado. Eu me imaginei chamando uma amiga que era minha vizinha e companheira de rolês por um período da minha vida. A letra é um convite em áudio para curtir a noite. “Chuva de Grau” é uma expressão relacionada à sua aparência na noite, fechando com tudo e chamando atenção de todos.
11) “Bad Bitch”: Veio de outra sexta-feira em casa. El Trppy fazendo o beat, eu pedindo algumas flautas típicas de Pernambuco; no estúdio com Thiago mudaram as flautas algumas vezes, vai pra cá, muda arranjo, vai pra lá, volta pro arranjo anterior. Deixamos uma flauta de Caboclinho sampleada de uma música do Quinteto Armorial. Se descobrirem qual a música, me digam, porque alteramos bastante a linha original =D. Em sequência veio a letra sensual e convidativa, mas também com um aviso: venha quente, mas com calma e sabendo onde pisa.
12) “Boy do Beat”: El Trppy e Thiago Brandão vieram com a construção do beat de batida mais marcada e guitarras fortes puxadas pro rock’n’roll. A letra e melodia vocal foram feitas por mim e Hélio Abulidu, que chegou a dizer que nunca tinha visto uma música de declaração pro DJ. A letra vem de forma debochada e cheia de confiança.
13) “Padrões”: Interlúdio melancólico que demonstra sofrimento, angústia, trazendo elementos com a bateria lo-fi e a linha de cordas de “Romântica Demais”.
14) “Romântica Demais”: O disco todo foi produzido com beats e bateria eletrônica. Essa foi a única música que gravamos uma bateria orgânica, mas não poderia ser tão simples. Depois de uma DR que tive com El Trppy, ele estava no estúdio com Thiago, que estudava bateria sozinho. El Trppy gravou em áudio de WhatsApp algumas linhas de batera, depois editou e montou toda a estrutura da música, uns compassos com bateria invertida, levou pro estúdio e, com Thiago, gravou o restante do instrumental. Quando El Trppy me mostrou a música, comecei a compor letra e melodia e virou essa declaração de amor. Eu gosto da forma que o beat melancólico contradiz um pouco a letra, trazendo parte do sentimento do interlúdio que precede essa música final. E assim fecha o disco mostrando uma NiKo multifacetada.
