Selo Scream & Yell: “REWIND”, o disco de covers do Borealis

O álbum de covers: clichê, homenagem sincera, falta de imaginação ou tudo isso junto? O Borealis, projeto de música eletrônica ruidosa baseado no Rio de Janeiro, desafia as definições simplistas com “REWIND”, seu quinto LP. O novo trabalho, um lançamento do Selo Scream & Yell (que também lançou os dois discos anteriores do Borealis), está disponível para download gratuito (via Mediafire) aqui no site, e também pode ser encontrado no Bandcamp (para streaming ou download gratuitos), no Spotify e em todas as plataformas de streaming.

Integralmente produzido por Marco Antonio Barbosa, o homem por trás do Borealis, “REWIND” traz covers de temas instrumentais de nove artistas que, em diferentes medidas, influenciaram o som do projeto: Pink Floyd, Joy Division, Spacemen 3, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, The Bad Plus, Kraftwerk, Durutti Column e o compositor John Barry. A seguir, o próprio Marco fala sobre o Borealis e o repertório de “REWIND”, num faixa-a-faixa:

“Desde 2015, faço música sob o nome artístico Borealis. Na falta de uma definição mais precisa para o som que persigo, gosto de afirmar que se trata de um projeto de música eletrônica instrumental ruidosa. Trabalhando em casa, sozinho, fazendo tudo em um laptop, busco reinterpretar as principais referências que me inspiram: o shoegaze, a electronica e o krautrock (mas sem me limitar a elas). Devagar & sempre, já lancei quatro álbuns e seis singles, que podem ser ouvidos no Bandcamp e nos principais serviços de streaming. Na verdade, risca esse ‘quatro’ da última frase, por favor. ‘REWIND’ é o quinto LP do Borealis”, apresenta Marco.

“O novo álbum é uma coleção de covers, uma homenagem aos artistas que influenciaram minha música e que me acompanham há décadas. Fiel ao formato no qual venho trabalhando há anos, selecionei temas 100% instrumentais dos grupos Pink Floyd, Joy Division, Spacemen 3, Godspeed You! Black Emperor, Mogwai, The Bad Plus, Kraftwerk, Durutti Column e do compositor John Barry. ‘REWIND’ é 33,33% brincadeira, 33,33% desafio pessoal e 33,33% ‘obra conceitual’. Foi divertido escolher o repertório e quebrar a cabeça para criar novos arranjos. (Ainda sobrou ao menos uma meia-dúzia de outtakes, engavetados por diversos motivos e em variados estágios de finalização) Também é uma brincadeira com a ‘instituição’ do disco de covers, que já rendeu obras banais e homenagens inspiradas e sinceras“, avisa o músico.

DOWNLOAD GRATUITO VIA MEDIAFIRE / OUÇA E BAIXE NO BANDCAMP

Abaixo você conhece o novo disco do Borealis, faixa a faixa:

01) “Storm (Lift Yr. Skinny Fingers, Like Antennas to Heaven…)”, Godspeed You! Black Emperor
Esta tinha que ser a faixa de abertura, como também era no disco que traz a versão original. Essa música tem uma estrutura harmônica simples, mas se baseia em um arranjo “orquestral” repleto de contrapontos, crescendos e detalhes que transformam a simples progressão de acordes em algo monumental. Nem tentei chegar perto do gigantismo da versão original: busquei um arranjo mais “camerístico” e lo-fi.

02) “Messidor”, The Durutti Column
É a mais bela faixa do belíssimo “LC“, segundo disco da banda de Manchester. O Durutti Column é uma das minhas paixões de adolescência, tem uma discografia incrível que merecia mais atenção. Transcrevi a composição original (feita para guitarra) para os teclados. Eu consigo tocar a música na guitarra, mas o máximo que eu conseguiria fazer seria uma pobre imitação do inalcançável estilo de Vini Reilly.

03) “Incubation”, Joy Division
Uma das minhas favoritas do Joy Division, banda que dispensa comentários. É uma das músicas que mais influenciaram meu estilo pessoal de composição e arranjos: minimal, repetitiva, cinética. Ficou parecida com a original, mas não igual IGUAL.

04) “Suicide”, Spacemen 3
Outra das prediletas da casa que resumem a abordagem que uso na hora de compor. Procurei reproduzir o obsessivo caos sonoro da gravação de 1989, usando até (pela primeira vez) um plugin VST que simula um pedal de wah-wah. Muito divertido.

05) “Kometenmelodie 2”, Kraftwerk
Uma das mais memoráveis da fase inicial do grupo alemão. Outro tema simples e repetitivo, mas belíssimo. A versão do Borealis é mezzo eletrônica, mezzo roqueira.

06) “Lost of Love”, The Bad Plus
O The Bad Plus é um grupo contemporâneo que tem uma sólida discografia combinando jazz (post-bop) com rock e influências vanguardistas. Esta incrível composição foi lançada em seu melhor álbum, “Suspicious Activity?”. Gastei toda a minha parca habilidade ao teclado para reinterpretar a música. Acabou ficando singelinho.

07) “Rano Pano”, Mogwai
A última música a ser gravada. Na real, o disco estava concluído, só com oito faixas, quando eu cismei de regravar mais essa canção de 2011. Entre a decisão e o resultado final, levei menos de 48 horas para aprender a tocar/transcrever/gravar/mixar/masterizar a faixa.

08) “Interstellar Overdrive”, Pink Floyd
Minha versão para o épico psicodélico de 1967. Não estranhe a associação do Borealis com o space rock e com o classic rock; eles também cabem no balaio. Foi o primeiro cover a ser gravado para o álbum e, de longe, a gravação que mais deu trabalho. Nunca usei tantos canais de mixagem do FL Studio.

09) “Fun City”, John Barry
Provavelmente a faixa menos conhecida do disco, este tema faz parte da trilha sonora do filme “Perdidos na Noite”. Barry (1933–2011) é um dos meus compositores favoritos de trilhas, um panteão que ainda abriga Michel Legrand, Bernard Herrmann e Elmer Bernstein. Coloquei para encerrar o álbum como um “digestivo”, com um clima mais leve e menos ruidoso.

CATÁLOGO COMPLETO DO SELO SCREAM & YELL

SY00 – “Canção para OAEOZ“, OAEOZ (2007) com De Inverno Records
SY01 – “O Tempo Vai Me Perdoar”, Terminal Guadalupe (2009)
SY02 – “AoVivo@Asteroid”, Walverdes (2011)
SY03 – “Ao vivo”, André Takeda (2011)
SY04 – “Projeto Visto: Brasil + Portugal” (2013)
SY05 – “EP Record Store Day”, Giancarlo Rufatto (2013)
SY06 – “Ensaio Sobre a Lealdade”, Rosablanca (2013)
SY07 – “Ainda Somos os Mesmos”, um tributo à Belchior (2014)
SY08 – “De Lá Não Ando Só”, Transmissor (2014)
SY09 – “Espelho Retrovisor”, um tributo aos Engenheiros do Hawaii (2014)
SY10 – “Projeto Visto 2: Brasil + Portugal” (2014)
SY11 – “Somos Todos Latinos” (2015)
SY12 – “Mil Tom”, um tributo a Milton Nascimento (2015)
SY13 – “Caleidoscópio”, um tributo aos Paralamas do Sucesso (2015)
SY14 – “Temperança” (2016)
SY15 – “Ainda Há Coração”, um tributo à Alceu Valença
SY16 – “Brasil También Es Latino” (2016)
SY17 – “Faixa Seis” (2017)
SY18 – “Sem Palavras I” (2017)
SY19 – “Dois Lados”, um tributo ao Skank (2017)
SY20 – “As Lembranças São Escolhas”, canções de Dary Jr. (2017)
SY21 – “O Velho Arsenal dos Lacraus”, Os Lacraus (2018)
SY22 – “Um Grito que se Espalha”, um tributo à Walter Franco (2018)
SY23 – “A Comida”, Os Cleggs (2018)
SY24 – “Conexão Latina” (2018)
SY25 – “Omnia”, Borealis (2019)
SY26 – “Sem Palavras II” (2019)
SY27 – “¡Estamos! – Canções da Quarentena” (2020)
SY28 – “Emerge el Zombie – En Vivo”, El Zombie (2020)
SY29 – “Canções de Inverno – Um songbook de Ivan Santos & Martinuci” (2020)
SY30 – “SIEMENSDREAM”, Borealis (2020)
SY31 – “Autoramas & The Tormentos EP”, Autoramas & The Tormentos (2020)
SY32 – “O Ponto Firme”, M.Takara (2021)
SY33 – “Sob a Influencia”, tributo a Tom Bloch (2021)
SY34 – “Pra Toda Superquadra Ouvir”, Beto Só (2021)
SY35 – “Bajo Un Cielo Uruguayo” (2021) com  Little Butterfly Records
SY36 – “REWIND” (2021), Borealis
SY37 – “Pomar” (2021), Vivian Benford

Discos liberados para download gratuito no Scream & Yell:
01 – “Natália Matos”, Natália Matos (2014)
02 –  “Gito”, Antônio Novaes (2015)
03 – “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, de Leonardo Marques (2015)
04 – “Inverno”, Marcelo Perdido (2015)
05 – “Primavera Punk”, Gustavo Kaly e os Hóspedes do Chelsea feat. Frank Jorge (2016)

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