Vivian Benford lança single/clipe de “Perigo” (Zizi Possi) e conta sobre a versão: “Encarei uma personagem mais atirada”

texto de Marcelo Costa

Para quem lê o Scream & Yell, Vivian Benford é um nome bastante familiar. A primeira entrevista que fizemos com ela foi em 2014 e, de lá para cá, Vivian participou de quatro álbuns lançados pelo Selo Scream & Yell. Primeiro foi apresentando uma belíssima versão de “La Edad del Cielo”, de Jorge Drexler, para o álbum “Somos Todos Latinos” (2015); depois cedendo um take de sua versão de “Abre Alas”, em que junta Ivan Lins e Portishead, para o álbum “Faixa Seis” (2017); e participando, ainda, de “Sob a Influência, um Tributo a Tom Bloch” (2021), reinterpretando “A Invenção”.

Em determinado momento, a gente gostava de tantas canções de Vivian que estavam aqui e ali que sugerimos a ela reuni-las todas em um único álbum, e assim nasceu “Pomar”, álbum virtual que o Scream & Yell lançou em 2021 que traz as três músicas citadas acima como faixas bônus e, ainda, registros de “Lamento Sertanejo”, “Eu Sou o Caso Deles”, “She Has No Time” e, claro, “Cheia de Manias”, uma espécie de “hit desconhecido” do indie brasileiro presente no excelente “Jeito Felindie”, o tributo ao Raça Negra lançado pelo saudoso site Fita Bruta.

Agora, enquanto prepara material próprio para um vindouro próximo EP, Vivian Benford apresenta sua versão de “Perigo“, clássico dos anos 1980 composto por Nico Rezende e Paulinho Lima, e famoso com Zizi Possi, versão que quem foi na primeira Festa Bretta, do Scream & Yell com Programa de Indie, pode conferir ao vivo. “O que eu destaco nesse arranjo é a levada mais dançante, as guitarras que conversam entre si, a linha de baixo que segue cantarolando e a minha interpretação mais ousada”, pontua Vivian, que respondeu três perguntas do Scream & Yell. Assista ao clipe abaixo e leio o papo na sequencia.

Vivian, seu novo single é uma versão de “Perigo”, clássico dos anos 1980 composto por Nico Rezende e Paulinho Lima, e famoso com Zizi Possi. Como surgiu a ideia de regravar essa música? O que te motivou e o que você destaca no seu arranjo?
A ideia, assim como várias outras, surgiu meio aleatoriamente. Eu tenho uma conexão nostálgica com essa música, mas foi por acaso. Eu curto muito os desafios de mudar um arranjo clássico e ver como dar a minha cara sem perder as características que fazem a música ser marcante. Foi tipo um exercício de arranjo, mesmo. Aliás, a minha lista de versões que quero fazer é infinita, rs. Eu amo! Eu propus pra banda e eles toparam e o final foi um arranjo colaborativo com a minha “supervisão”. O que eu destaco nesse arranjo é a levada mais dançante, as guitarras que conversam entre si, a linha de baixo que segue cantarolando e a minha interpretação mais ousada. Encarei uma personagem mais atirada.

Você tem uma carreira de compositora bastante ativa, mas as versões sempre foram um destaque na sua trajetória – e é um orgulho para o Scream & Yell ter reunido alguns desses covers no álbum virtual “Pomar” (2021). E eu queria te pedir um Top 3 de versões que você gravou e que você pensa “nossa, acertei demais aqui”. E o que nelas você destaca?
“Abre Alas” (original de Ivan Lins e Vitor Martins) é uma que eu tenho muito orgulho e toco em todos os shows. Além do conteúdo político dela, infelizmente super atual, eu vejo essa música como meu próprio renascimento, sabe? Minha saída de um período mais escuro e depressivo pra um momento de tomar as rédeas da minha vida. Acho que isso se refletiu no arranjo.

Depois, claro, “Cheia de Manias” (Raça Negra). Quando comecei a pensar em fazer os metais com o tremolo na guitarra, inspirada por “Bang Bang” da Nancy Sinatra, comecei a vislumbrar que algo bem diferente ia rolar com essa música e que poderia ser “amar ou odiar”. Mas o próprio Luiz Carlos achou um barato, então, missão cumprida. E claro, essa música me abriu muitas portas.

Por último, queria falar de “She Has No Time” (Keane), que ficou tão delicada que me emociona toda vez que ouço. Foi um dueto que fiz com Geraldo Côrtes, que tocava comigo na época e onde colocamos muitos sentimentos tanto na levada de violão quanto no vocal. E pra mim, estava conectada demais com o momento de vida que estava passando e eu vivi cada sílaba.

Aproveito pra dizer que essa e algumas outras faixas do “Pomar”, no momento estão exclusivamente aqui no site do Scream & Yell, então clica aqui e baixa, porque nos streamings só temos uma parte do disco.

E já que a gente falou sobre o seu lado de compositora… como estão os projetos para um novo disco de inéditas: Há algo no horizonte?
Sempre! Já estou separando repertório pro meu próximo EP e dessa vez, além de músicas dos meus compositores parceiros, como o Rodrigo EBA!, também vai ter composição minha e isso me impulsiona muito. Como é um trabalho de formiguinha, artesanal e independente, ainda não tem data. Mas tá vindo e já adianto que vai sacramentar o fim de uma fase bem cinza da minha vida e vamos dar espaço pra cores e personagens diferentes dos meus trabalhos anteriores.

 

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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