texto de Gisele Barão
Falar sobre o significado do nome “Nigredo” (2026), novo disco da banda mineira Lava Divers, talvez seja a melhor forma de explicar o que você vai ouvir neste álbum. Em termos simples, nigredo é um estágio da alquimia em que a matéria se desfaz – e também uma metáfora para representar uma fase de destruição que abre caminho para a transformação. Essa ideia aparece não só nas letras, com temas como perda, ruptura, desesperança e busca por sentido, mas na sonoridade densa, influenciada pelo rock alternativo dos anos 1980/90.
Este segundo álbum marca o retorno do Lava Divers nove anos após o lançamento de “Plush” (2017), e é mais diversificado e barulhento comparado ao trabalho de estreia. “Nigredo” chegou às plataformas no final de agosto, com 10 faixas, pelo selo Midsummer Madness, e Gustavo Vazquez assumiu novamente a produção.
Desde 2024, a banda tem nova formação: Amanda Bredariol (bateria e voz) e Ian Alves (guitarra) se juntaram a Joe Porto (guitarra e voz) e Glauco Ribeiro no baixo. Meses antes de lançar “Nigredo”, a Lava Divers apresentou ao público dois singles: “Time”, que ganhou videoclipe em maio, com imagens e edição da própria Amanda; e a ótima “Nine of Swords”, com participação de Jair Naves, da Ludovic, nos vocais e na letra.
Algumas músicas deixam particularmente evidente a inspiração nos estilos dos anos 1980/90. As guitarras, a mistura de vocais e o tom sombrio remetem a um tanto de Sonic Youth, The Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine. Se sobressaem faixas como “Gehenna”, mais pesada que as demais, “No One” – um breve rompimento com o tom melancólico geral, apesar da letra-, “Maria” (um pouco mais melódica), e “I am (Holy Birds)”, uma das lentas, marcada por uma atmosfera suave e introspectiva por conta do vocal.
A transformação refletida em “Nigredo” veio para consolidar a identidade do quarteto e ampliar o reconhecimento da banda. Mesmo antes de “Plush”, a Lava Divers já tinha lançado um EP homônimo e percorrido alguns festivais de rock alternativo do Brasil. A nova turnê iniciou em setembro em algumas cidades de São Paulo com participação da Wry, referência do indie que também está preparando um disco.
Ouça o álbum na integra abaixo
* Gisele Barão é jornalista e vive em Curitiba (PR).
