Três perguntas: Lucas Emanuel fala sobre seu projeto solo de emo e math rock, a Amigos Imaginários

entrevista de Diego Albuquerque

Amigos Imaginários é um projeto musical solo idealizado por Lucas Emanuel, guitarrista da banda Zambrotta, que existe desde 2017 através de demos caseiras e com um single lançado em 2025. A sonoridade da banda é profundamente enraizada no emo dos anos 1990, dialogando com elementos de math rock.

O nome do projeto resgata a infância de Lucas, período em que recorria a companheiros fictícios para mitigar a dificuldade de construir amizades reais, traço que, no futuro, viria a ser compreendido no contexto de seu diagnóstico do Espectro Autista (TEA). Dessa forma, as canções trazem como força motriz a nostalgia e a busca por lugares que já não existem, perdidos no espaço-tempo da memória do autor.

O exemplo disso é sua nova faixa, “Rua São Sebastião”, cuja narrativa beira o realismo mágico ao evocar os arredores da escola onde Lucas estudou na infância. A melodia melancólica, combinada a dedilhados de guitarra limpa, constrói uma atmosfera intimista e saudosista que evoca referências como as bandas Toe e American Football. Para entender um pouco mais a proposta do projeto, o novo som e influências do artista, Lucas Emanuel responde a três perguntas especialmente para o Scream & Yell. O clipe abaixo foi idealizado por Gabriela Cordeiro e editado pelo próprio artista.

Qual a diferença de pensar solo e não com banda, me refiro ao ato de compor sozinho? São 7 anos de maturação do projeto, existe um objetivo com ele?
Acho que solo eu tenho mais liberdade de pensar e compor os outros instrumentos de acordo com minha vontade. Posso experimentar mais também, pois não tenho a pressão de fazer uma música ou propor a forma de distribuição e divulgação que seja aceita em consenso com outras pessoas. O único objetivo é eu fazer um som que me satisfaça. Não tenho muita ambição com ele. Só quero fazer minhas músicas e me expressar através delas, se alguém além de mim ouvir e gostar já saio no lucro.

No que você acredita que seu diagnóstico interfere na sua arte. E de que maneira? Qual o peso de ser nostálgico ainda na juventude?
Nunca parei pra pensar nisso, mas acho que por ser muito ansioso e ter facilidade de lembrar de acontecimentos antigos, meu som acaba sendo mais introspectivo e nostálgico. Parece que o presente é sempre dolorido e o passado vive num local hipotético e simbólico. Tentar alcançá-lo nos põe numa irrealidade livre de preocupações.

O Nordeste reverbera no seu som de alguma maneira?
Sim! Antes de conhecer o rock, em minha infância, eu gostava muito de brega e funk pernambucano, assim como o brega melody e o tecno brega. Então o que está grudado em minha mente quando tento fazer um riff de guitarra limpo, puxado para o math rock é o brega que evoca nomes como Swing do Amor, Calypso, Reginaldo Rossi e Kelvin Duran.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país. 

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