Entrevista: American Football. Um papo sobre o “LP 4”, o “LP 1”, nostalgia, sorte e segregação racial

entrevista de Guilherme Lage

O que você estava fazendo em 1999? Aquele ano, sempre que lembrado, traz consigo uma certa carga de nostalgia que difere de outros. Talvez fosse a música, a explosão dos blockbusters e do cinema pop, que à mera lembrança, servem para encher de saudade alguns corações mais sensíveis quando os números “99” surgem no cantinho de baixo de uma foto em que todo mundo aparece de olhos vermelhos, resultado dos flashes da época.

Fosse a cultura ou apenas um milênio que se findava, qualquer pessoa com idade o suficiente para amarrar os próprios sapatos naquele tempo, leva da época uma sensação diferente de que, ali, algo estava acabando, ficando para trás para nunca mais voltar.

Naquele já longínquo final dos anos 1990, uma banda de Urbana, Illinois, formada dois anos antes, lançou um disco que definiria para sempre o que ficou conhecido como “midwest emo” e que por 15 anos se tornaria o único registro do quarteto, que se chamou naquele tempo, antes de renascer, de American Football, dissolvendo-se um ano depois.

O American Football, assim como a época em que se sacramentou, é daquelas bandas inesquecíveis, que embala sentimentos sem nome. Você, com certeza, conhece alguém que já passou noites a fio ouvindo “Honestly?” e namorando a capa da casa de madeirinha branca, talvez suspirando alto, como se o mundo fosse acabar.

“Pra te falar a verdade, eu não queria que a banda acabasse. Mas eu era um pouquinho mais velho, os outros caras queriam sair de casa, viver, se casar”, confessa o baterista Steve Lamos, em conversa com o Scream & Yell. O papo rola pouco depois do lançamento do quarto disco da banda. Consegue adivinhar como se chama? “American Football”, assim como os três irmãos mais velhos. Então, pra facilitar sua vida, pode chamá-lo de “LP4“.

No disco, além da formação clássica, composta pelo batera mais o xará Steve Holmes (guitarra) e os primos Mike Kinsella (guitarra e vocal) e Nate Kinsella (baixo), aparecem participações de peso, como Brendan Yates, vocalista do Turnstile e as musicistas Cahtlin De Marrais (Rainer Maria) e Natalie R. Lu, conhecida profissionalmente como Wisp, que emprestam suas vozes nas dolorosas “No Feeling”, “Blood on My Blood” e “Wake Her Up”, segundo single do LP.

O álbum é acompanhado de uma turnê extensa pelos Estados Unidos, uma das maiores que o grupo encara desde que ressurgiu à cena, em 2014, e um show já anunciado no Chile, dentro do festival Fauna Primavera, o que levanta a hipótese de que o quarteto pode (deve!) aparecer por aqui em novembro ou dezembro. De 2014 pra cá, a banda se firmou como um dos maiores expoentes do rock alternativo de duas novas décadas, para além dos anos 90.

Na conversa, Lamos fala sobre os rumos que a vida levou para além dos palcos. Professor universitário, o baterista falou sobre como o fenômeno emo também é algo a ser estudado e como bater de frente com o racismo no dia a dia! Sobra tempo para falar de jazz e sobre como o mundo mudou desde aquele 1999.

Já vou começar dizendo que adorei o disco novo, e estava pensando: músicas como “Bad Moons” e “Wake Her Up” são faixas muito fortes, foi por isso que vocês as escolheram para ser os primeiros singles do disco?
Acho que ambas são meio que quase um alívio em relação a todas as outras coisas que estão acontecendo no disco. Por exemplo, “Bad Moons” é uma música de duas partes, mas eu não sei se somos uma banda de singles, não sei se há músicas que são singles óbvios no álbum, talvez “Wake Her Up” seja a que mais se aproxime de um single mesmo.

Mas o que eu amo no disco é que acho que nós sempre fazemos álbuns, mas essas músicas em particular quase que exigiam que estivessem nessa ordem. E eu acho que essas duas músicas se encaixam exatamente onde deveriam se encaixar no disco.

Tipo, “Bad Moons” vem logo depois de uma sessão de músicas que são um pouco mais agressivas e aí é meio que aquela coisa “ufa, vamos relaxar um pouquinho” e logo depois “mas não por muito tempo, porque ela fica bem pesada aqui” (risos). E com a “Wake Her Up” é a mesma coisa, você precisa de um pouquinho de alívio, mas a letra é sombria pra caramba (risos), lembra alguma coisa tipo o The Cure ou Smiths. Mas acho que essas duas músicas são o mais próximo que chegamos de ter músicas pop nesse disco.

Há também outras músicas, como “Desdemona” e “Man Overboard”, em que fiquei pensando que deve ser bem difícil compor músicas assim, especialmente como baterista, colocar uma batera em músicas que têm tantas camadas em termos de instrumentação. É difícil pra você de alguma forma?
Acho que depende do período da banda, sabe? Eu falo isso pras pessoas o tempo todo. Quando começamos a tocar, eu nunca tinha tido tanta facilidade em compor partes de bateria pra música que os caras me mostravam naquela época, quando estávamos na faculdade. Era tipo mágica.

Eu não sabia tocar bateria direito naquela época, espero que eu tenha melhorado depois de tantos anos tocando, mas era tão fácil. Acho que levou um longo tempo pra voltar a ser fácil de novo. Os “LP2” (2016) e “LP3” (2019) foram mais difíceis, às vezes. Foi difícil fazer tudo funcionar direitinho nas músicas daqueles discos.

Já as músicas desse disco novo foram a coisa mais divertida que fiz com a banda em muito tempo. “Man Overboard” foi uma música que começou com a bateria, na verdade. É uma música meio louca e estranha, mas os caras meio que compuseram tudo em torno da bateria.

Já “Desdemona” é bem mesmo uma música do Mike, Steve e Nate fazendo as coisas estranhas deles (risos). E foi muito divertida de se fazer, porque foi mesmo juntar um quebra-cabeças. Aquela música meio que me convidou a tocar de um certo jeito diferente. E o Nate faz uns bends no baixo e nós nunca tínhamos feito nenhum tipo de bend com o baixo (risos), é meio que um som diferente e eu já pensava: aah, agora sei o que fazer com isso (risos). Acho que tudo depende da música.

Mas olha, vou te contar, acho que todo mundo deveria ter a sorte que eu tenho de conseguir criar algo com as pessoas em que a própria música te diz o que quer. Isso faz algum sentido? (risos). Porque a música me diz exatamente o que quer e isso é mágico.

Eu me sinto muito sortudo, porque há outras partes da vida, especialmente quando você já é um cara de meia idade, em que você não tem a oportunidade de ser criativo, né? Você tem que fazer as coisas, tem que escutar, estar preso em um mundo que é cruel, feio e não há nada o que se possa fazer.

Mas nesse mundo de criação… cara, eu queria que todo mundo fosse sortudo o suficiente pra ter essa sensação que tenho de “uau, isso funciona! Isso é legal demais, aaah, a bateria se encaixa aqui. Huum…que tal tentarmos algo diferente?” (risos). Acho que é uma daquelas coisas que faz a vida vale a pena.

E falando um pouquinho mais sobre bateria, porque você toca trompete na banda também, aí queria te perguntar: como o jazz entrou na sua vida? Porque eu já li algumas entrevistas de grandes bateristas falando sobre jazz e eles dizem às vezes que pra ser um grande baterista de jazz, você muitas vezes tem que desconstruir o que pensa que são as coisas que fazem um baterista ser bom, especialmente um bom baterista de rock. Você concorda com isso?
Puxa vida, tem dias que eu acordo e tudo que eu penso é em como eu queria saber tocar jazz, eu amo esse tipo de música, mas não consigo tocá-la na bateria e no trompete eu só consigo imitar as pessoas que eu admiro, como Miles Davis, Chet Baker, então não diria que eu realmente toco jazz em qualquer um dos instrumentos.

Mas eu sinto e espero que o espírito desse tipo de música é a criatividade constante, a habilidade de saber tanto sobre o que está rolando, que você pode deixar tudo fluir e simplesmente responder a esse fluxo.

Então espero de que alguma maneira pequenininha, eu consiga canalizar essa música que eu amo em um contexto de rock n’ roll e deixar o rock n’ roll um pouco mais autêntico para o que somos como pessoas e banda, porque não somos uma banda típica, pro bem ou pro mal (risos).

Meus filhos, que são adolescentes, não gostam da minha banda. Eles ficam dizendo “ah, pai, essas músicas são todas iguais” (risos). Meu filho estava outro dia mesmo me dando conselhos, falando “pai, essas músicas são muito longas. É assim que você faz um hit, olha: três minutos, um refrão que todo mundo vai se lembrar” (risos).

E eu falava com ele: “é, filho, você não está errado, mas nós não fazemos isso, não é assim que trabalhamos”.

E eu não estou querendo falar mal de ninguém, de novo, acho que todo mundo deveria ser sortudo o suficiente pra fazer o que quer. E isso é a coisa mais linda sobre a música, porque nós temos criamos algo do nada, nadinha mesmo.

Mas o jazz é uma grande inspiração pra mim, mais do que algo que eu realmente possa tocar. Então, pra falar de um bom baterista de jazz, eu citaria o Rudy Royston. O meu guitarrista favorito no momento é o Bill Frisell, e o baterista é o Rudy Royston, aquele cara é um deus da bateria.

Nossa, a minha vontade é só me sentar e ver ele tocar. E ah, tem um cara que eu sigo no Instagram, o nome dele é Isac Jamba, ele é brasileiro. Monstro! Meu deus, simplesmente um monstro.

Então o que gosto mesmo é ver as pessoas fazendo o som delas e eu nem quero pegar minhas baquetas depois de assistir aos vídeos (risos). Mas está tudo bem, não é sobre competir com ninguém, o que gosto mesmo é de ver as pessoas sendo incríveis.

Os quatro discos do American Football: “LP1” (verde), “LP2” (amarelo), “LP3” (azul) e “LP4” (vermelho)

Eu gostaria de perguntar sobre o “LP1”, porque claro, aquilo foi um marco enorme na carreira de vocês. Vocês foram meio que como os Sex Pistols ali, porque lançaram um disco ótimo e logo depois foi tipo “tá, chega, paramos aqui, não vamos fazer outro”. E só depois de 15 anos vocês lançaram outro disco. O que fez vocês pararem com a banda logo depois de lançarem um disco fantástico?
Eu não queria acabar com a banda, mas os outros caras estavam se formando na faculdade e se preparando pra ir embora, se mudar. No nosso estado, Illinois, a cidade grande, Chicago, fica a umas duas horas de distância da cidade onde fazíamos faculdade.

Eu era um pouquinho mais velho que os caras da banda e já morava naquela cidade há bastante tempo, tinha acabado de me formar e pegar meu primeiro diploma, e tinha muitas outras etapas na vida acadêmica que queria passar.

Já eles, pegaram os diplomas de bacharel e o que queriam mesmo era ir pra casa, queriam viver a vida deles, arrumar empregos, casar e fazer as coisas, então simplesmente não queriam mais mexer com a banda.

E eu meio que pensei que era aquilo, que tinha acabado. Por 15 anos cada um estava fazendo outras coisas. Eu dou aulas na universidade, terminei minhas especializações e estava dando aulas bem longe do lugar onde nos conhecemos.

E o que aconteceu é que a internet e os jovens juntaram essa banda de novo em 2014 (risos). Não foi nada que nós mesmos fizemos, porque quanto mais silenciosos estávamos, melhor as coisas funcionam pra gente.

Fico muito feliz que as pessoas mostraram tanto interesse naquele primeiro álbum, mas fizemos tudo errado (risos). Não existe motivo nenhum pras pessoas saberem sobre aquele primeiro álbum, porque não fizemos absolutamente nada que você deve fazer pra que sua música seja ouvida. Acho que só tivemos sorte, sabe?

E como você mencionou, você é professor, certo? Eu vi que você escreveu um trabalho acadêmico sobre emo e nostalgia, certo? Como você vê essas duas coisas se conectando socialmente?
Nossa, obrigado por perguntar sobre isso! Eu sinto nostalgia a respeito do lugar e da época em que montamos essa banda, entre o meio e o fim dos anos 90, porque foi uma época muito especial na vida, uma época muito especial nos Estados Unidos em que dava pra viver de forma barata e fazer as coisas (risos), sabe? E não ficar com tanto medo de ficar sem dinheiro e essas coisas. Era uma vida um pouco mais fácil de algumas formas.

Mas o principal motivo de eu ter escrito aquele trabalho é que muitos dos meus alunos expressam um interesse muito grande em nostalgia e pela nossa banda, por uma época antes de eles nascerem. E, sinceramente, nossa banda… naquela época a gente fez alguns shows, mas ninguém dava a mínima pra banda na época.

Quando você lê outras histórias sobre a área em que nós morávamos no meio e fim dos anos 90, nossa banda nunca é citada, porque ninguém sabia o que era, que sequer existia.

Então a nostalgia meio que se tornou uma forma de as pessoas inventarem uma história diferente desse tipo de música. E vou te falar, é fascinante estar desse lado, de ver a história ser inventada e inventiva em torno dessa pequena coisa que todos nós tivemos participação em construir.

É interessante, é lisonjeiro, mas é muito maluco também. Porque nós estávamos lá! Nós sabemos (risos), ninguém ligava.

E agora ver as pessoas tirando fotos em frente a essa casa (que ilustra a capa do “LP1”), toda essa mitologia em torno da casa, da banda e aquele período, é tão legal, mas ao mesmo tempo traz esse sentimento de “caramba, nós inventamos as coisas que precisamos”, então fico meio fascinado em pensar no que jovens com idade para ir à faculdade meio que precisavam nos anos 90 que talvez não tenham agora.

Quando pergunto aos meus alunos, eles geralmente dizem coisas como “parecia uma época mais simples”, um tempo em que a internet era menos focada em IA e algoritmos, tinha menos controle sobre nós. Que parecia um tempo em que as coisas eram mais baratas e mais fáceis. E eu acho que essas preocupações muito reais.

Dou aulas na faculdade e tenho filhos adolescentes em casa e sinto isso. Estamos vivendo uma época difícil de se formar na faculdade e tentar a sorte, encarar o mundo. Não sei como o mercado de trabalho é no Brasil, mas aqui está uma droga! Está terrível, sério.

Há muito desemprego, muita depressão e tristeza, e é estranho, porque essa geralmente é a época em que nós abraçamos o mundo e tomamos conta das nossas próprias vidas, mas não há trabalho. Então acho que nostalgia é uma coisa muito saudável se permite as pessoas buscarem energia pra fazer as coisas, mas é um problema, uma armadilha, quando se torna um jeito de escapar de algo ou de se fechar pra vida.

Por isso, aquele trabalho surgiu da minha necessidade de tentar entender essas coisas, mesmo contra mim mesmo, um velhinho de meia idade (risos), porque nostalgia é muito bom às vezes, mas é uma armadilha se deixarmos que se torne uma. Espero que isso faça sentido.

Uma outra pergunta um pouco acadêmica, porque também pesquisei bastante sobre seu livro, que se trata sobre raça e racismo durante o período pós-luta por direitos civis (“Interests and Opportunities: Race, Racism, and University Writing Instruction in the Post–Civil Rights Era”). Aqui no Brasil temos cotas raciais para estudantes negros nas universidades, que criou toda uma nova geração de estudantes e graduados negros. Não preciso nem dizer que isso não agradou nem um pouco as elites e as classes mais altas, eles não gostaram disso de forma alguma. Esse é um problema que vocês enfrentam nos Estados Unidos? Muita gente tem problemas com afro-americanos nas faculdades e conquistando bons empregos? Há um problema assim?
Que pergunta interessante! Agora estou morrendo de vontade de saber mais pra ter um ponto comparativo, sabe? Neste livro estou tentando entender como universidades nos Estados Unidos tentaram e tentam lidar com o fim da segregação racial, então nos anos 60 até o meio dos anos 70 as nossas instituições de maior prestígio eram de maioria massacrante de estudantes brancos de ascendência europeia, de classe média alta.

Então houve essa fortíssima onda de pressão social, especialmente na época do assassinato do (Martin Luther) King, em que as pessoas disseram: não, não, não! A universidade precisa refletir o que é a população. E parece que aconteceu o mesmo no Brasil. Pra ter um sistema econômico igualitário, você precisa ter um sistema de educação igualitário. Ter esse tipo se sistema significa que você precisa de formas diferentes de possibilitar que as pessoas entrem na universidade.

Então esse livro é muito sobre o que as universidades americanas faziam e diziam, no que diz respeito a receber esses alunos, de dizer “bem-vindos à universidade” e logo depois usar as aulas, por exemplo aulas que eu mesmo leciono, de escrita, pra dizer a eles “não, não, seu inglês é errado, é ruim, seu jeito de pensar é ruim, vá embora!”, sabe? Essa coisa de “te demos uma chance, mas você não pertence a esse lugar, vá embora”. Então há uma história social muito interessante.

Mas sobre cotas, aqui nos Estados Unidos, enquanto conversamos, a Suprema Corte está meio que desmantelando todo o aparato em torno do que chamaríamos de “consciência racial”, que é o interesse de levar em consideração o passado e histórico racial das pessoas. Parece que, infelizmente, vocês também veem algum tipo de aversão a esse tipo de história no Brasil também.

Quando você falou das elites, pensei nisso. Poder, dinheiro e privilégio são coisas racialmente codificadas nos Estados Unidos e sei que são no Brasil também. Sei que são codificadas de forma diferente, mas há toda uma questão forte de colorismo e racismo em torno de coisas como tom de pele, de linguagem, de histórico social.

Agora você me deu um bom dever de casa, sabia? Porque quero aprender mais sobre o contexto brasileiro, mas essa é uma parte tão grande de como o mundo funciona hoje em dia, e uma razão enorme de porque estão como estão, principalmente nos Estados Unidos, em que as coisas estão péssimas.

O racismo é tão escancarado por aqui no momento, e muito dessa administração atual tem a ver com isso. É o tipo de racismo mais explícito que já vi na minha vida. Quer dizer, o racismo sempre existiu, mas ele é tão óbvio agora.

E pra mim, sempre de alguma forma, mesmo que seja fazendo música ou tentar entender esse tipo de coisa e consciência histórica é enlouquecedor. Então muito obrigado pela sua pergunta, de verdade.

E sobre música, uma coisa que sempre me pergunto sobre bandas. Por exemplo, Mike e Nate são primos, né? Famílias e bandas podem, muitas vezes, criar relacionamentos difíceis. Ou vocês se dão muito bem ou se odeiam. Como é estar numa banda com dois caras da mesma família? É claro, eles não são irmãos, mas são parentes. Como é essa relação?
Puxa, outra pergunta legal demais! Eu não sou muito fã de tocar em bandas com parentes, viu? Pode ser muito difícil, justamente pelos motivos que você citou, e eu já toquei em muitas bandas assim, com membros da mesma família. Eram irmãos, eram marido e mulher, ou um ex-casal, é bem complicado (risos).

Já nessa banda, aqueles caras se dão super bem, então é muito bom. Eu amo o Mike e amo o Tim (Kinsella, irmão do Mike, que toca com ele no Cap’n Jazz), mas não sei se quero estar numa banda com o Mike e o Tim (risos), acho que ali há outro tipo de energia, eles são irmãos.

Mas vou te falar uma coisa também, Mike, Steve e eu nos conhecemos há tanto tempo, nós brigamos igual família também. Brincamos o tempo todo com isso, porque passamos tanto tempo juntos quanto passamos com nossas próprias famílias em diferentes partes do ano, talvez até mais, sabe?

Há uma dinâmica de família ali. Eu saí da banda por um tempo e pareceu que eu tinha mesmo brigado com meu irmão, com meu irmão biológico. Mas não, com o Mike e o Nate é muito fácil se dar bem, não há problema nenhum ali, mas acho que há dinâmicas familiares na banda, porque é parte de quem somos, já fazemos isso juntos há tanto tempo.

Eu saí da banda e aí pedi pra voltar, senti como se estivesse pedindo aos meus irmãos ou meus primos (risos). Tipo “puxa, e aí? Posso voltar? Desculpe, vamos trabalhar nisso juntos” (risos).

– Guilherme Lage (fb.com/lage.guilherme66) é jornalista e mora em Vila Velha, ES. Leia outras entrevistas dele!

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