Faixa a faixa: O trio paranaense Cigarro Mata apresenta seu disco de estreia

introdução de Diego Albuquerque
faixa a faixa por Cigarro Mata

Formada em 2018 em Campo Mourão-PR, a Cigarro Mata já tinha no currículo quatro EPs e um single, sendo o trabalho mais conhecido até então o EP “CRÁMU” (2025), que traz sonoridades sombrias e uma estética inspirada no Halloween.

Agora, o trio formado por João Marcelo (guitarra e voz), Luiz Fernando (contrabaixo) e João Victhor (bateria e voz), chega enfim ao seu primeiro disco, “Cigarro Mata” (2026), gravado no estúdio Costella, em São Paulo, com produção de Alexandre Capilé e masterização de Gabriel Zander.

Em um registro que vai do indie à psicodelia, alternando baladas e momentos de mais barulho e energia, com letras que retratam o cotidiano e experiências interpessoais, o trio paranaense exibe uma sonoridade crua e orgânica, explorando elementos como gritos rasgados do hardcore, grooves quebrados e graves distorcidos.

Abaixo, eles falam de Paramore, da série “Euphoria” e comentam seu álbum de estreia – disponível em todos os portais de streaming – faixa a faixa.

01) “Cedo Demais” – É a música que abre o disco por ser, de certa forma, um “resumo” do que vem pela frente, tanto na temática das letras como na parte instrumental. A letra fala sobre a angústia de relacionamentos que se desfazem e sobre o caminho de se reencontrar depois do fim de um.

02) “Imagina Só” – Inspirada nos temas de guitarra que vem e voltam no disco “This is Why” da banda Paramore, essa canção tenta musicalizar a ansiedade os exageros que nascem do pensar demais sobre alguma coisa.

03) “Lindamente” – O amor é lindo quando ele é cego. “Lindamente” é uma história de amor em que o amor vai embora, mas não a vontade de insistir num erro.

04) “Tava Bom” – A quarta música foi inspirada em um péssimo casal da série “Euphoria” (pois é). Relata um relacionamento tóxico e apaixonantemente doentio e até onde ele pode te levar.

05) “Espero Que Alguém Te Diga” – Uma “balada” sobre não se sentir responsável por informar outra pessoa de seus erros, que por sua vez te afetam. A vida ensina, eu não :).

06) “Tanto Faz” – O nosso flerte com o hardcore. “Tanto Faz” é um desabafo sobre a vida, amores, medos e a angústia de se sentir sozinho mesmo não estando.

07) “Se For Pra Ser” – Escrita no ano de 2020 durante a pandemia, a música é uma reflexão sobre o que realmente importa na vida no fim das contas.

08) “Lua/Luar” – Essa música fala de uma pessoa que era viciada na lua a ponto de querer sair de casa andando por aí atrás do melhor lugar para vê-la. Tem três pontos de vista: da pessoa fissurada na lua, de quem se preocupava com o quão longe ela podia ir e o ponto de vista da própria lua, como se ela também pudesse corresponder essa paixão chegando mais perto da Terra só pra se aproximar da pessoa amada.

09) “S.A.C Para Relações Mal-Resolvidas” – A penúltima música foi uma das últimas músicas a serem trabalhadas para o disco. Ela encerra a narrativa dos relacionamentos de forma direta, reta e levemente raivosa.

10) “Sorte” – O final melancólico e “semi positivo” do álbum. “Sorte” é a catarse em que a gente berra, se lava e se livra das angústias e insatisfações descritas nas outras canções. Ela representa o fim da raiva, o fim da tempestade. O fim do disco.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *