texto de Carlo Bruno Montalvão
A cena musical indie na Espanha vive uma das suas fases mais efervescentes, transitando com maestria entre o circuito de festivais lotados — como o Mad Cool e o Primavera Sound — e a produção autoral e independente em espanhol. Movida por letras poéticas, guitarras marcantes e refrãos cativantes, a cena é liderada tanto por nomes consolidados que continuam arrastando multidões, como Los Planetas, Love of Lesbian e Arde Bogotá, quanto por uma nova geração explosiva e cheia de atitude, representada por bandas como Viva Belgrado, Dharmacide, HINDS, Rufus T. Firefly, Carolina Durante, o que garante a renovação contínua do rock e do pop alternativo no país.
A música indie espanhola é uma das mais fortes e diversificadas da Europa. Apesar do espanhol ser bastante difundido pelo mundo, a música indie em língua hispânica ainda é pouco conhecida, mas esse post acabará com isso.
Com vocês, 20 bandas indies da Espanha:
Agosto
Originário de Madri, o trio Agosto destaca-se pela sonoridade nostálgica que transita entre o dream pop, o shoegaze e o post-punk. Com guitarras cheias de reverb, baixo marcante e vocais etéreos, a banda constrói atmosferas melancólicas e introspectivas. Suas composições retratam desencontros amorosos, dilemas da juventude urbana e reflexões cotidianas, consolidando o grupo como uma das promessas mais interessantes do circuito alternativo espanhol.
Para quem gosta de Alvvays, Slowdive, Cocteau Twins, Beach House, and Men I Trust.
AIKO El Grupo
Formado em Madri com integrantes de várias regiões da Espanha, o AIKO El Grupo é um furacão de riot grrrl, punk e indie pop. Conhecido por faixas curtas, velozes e ruidosas, o quarteto combina distorção com letras ácidas, irônicas e confessionais sobre frustrações diárias e términos. Nos palcos, a banda se destaca por apresentações explosivas, diretas e cheias de atitude sem filtros.
Para quem gosta de The Linda Lindas, Charly Bliss, Alvvays, PUP, The Beths.
Alcalá Norte
Alcalá Norte é uma das bandas mais interessantes da nova cena espanhola. Seu som mistura post-punk, indie rock, new wave, garage rock e punk, com letras irônicas, observacionais e muito ligadas ao cotidiano urbano de Madri. Há influência tanto da primeira geração do pós-punk britânico quanto do indie espanhol dos anos 2000.
Para quem gosta de Gang Of Four, Fontaines D.C., Yard Act, Wire, The Fall, Shame, Parquet Courts.
Arde Bogotá
Nascida em Cartagena em 2017, a Arde Bogotá tornou-se um dos maiores fenômenos do rock espanhol recente. Liderada pela voz grave e potente de Antonio García, a banda entrega um indie rock enérgico com guitarras vigorosas e refrões para arenas. Com o aclamado Cowboys de la A3, o grupo somou indicações ao Latin Grammy, lotou turnês e virou atração principal nos maiores festivais do país.
Para quem gosta de Kings of Leon, Foals, Editors, Sam Fender, and Nothing But Thieves.
Bala
Duo galego formado por Anxela Baltar e Violeta Mosquera, a Bala é uma força da natureza que navega entre o stoner rock, grunge e punk. Com apenas guitarra e bateria, a dupla entrega um som cru, pesado e ultraenérgico. Cantando em espanhol e inglês, elas se destacam no circuito alternativo internacional, tendo lançado discos por selos renomados como o Century Media Records. Ela conversaram com o Scream & Yell em 2021. Relembre.
Para quem gosta de Melvins, Torche, Red Fang, Royal Blood e IDLES.
Carolina Durante
Surgida em Madri, a Carolina Durante tornou-se a voz da juventude espanhola contemporânea com seu indie rock acelerado e direto. Famosos pelo sucesso viral “Cayetano”, que satiriza a elite jovem madrilena, o quarteto combina ironia, refrãos chiclete e guitarras vigorosas. Suas faixas traduzem desilusões amorosas e conflitos geracionais com muita atitude.
Para quem gosta de Fontaines D.C., The Strokes, Parquet Courts, Shame, VIagra Boys e IDLES.
Depresión Sonora
É o projeto musical solo do cantor e produtor espanhol Marcos Crespo, criado em Madri em 2020 durante a pandemia. Embora o artista se apresente ao vivo com banda, musicalmente ele mistura sons de pós-punk, lo-fi e new wave. Uma das coisas mais legais da música atual na Espanha. Nessa sessão gravada para a KEXP, também temos a presença do Dharmacide, tocando baixo na banda do Marcos Crespo.
Para quem gosta de Molchat Doma, The Cure, Joy Division, Motorama, French Police
Dharmacide
Também vinda da capital espanhola, a Dharmacide é um dos grandes expoentes do shoegaze e do post-punk recente no país. O grupo aposta em camadas densas de guitarras distorcidas, linhas de baixo pulsantes e vocais ecoados, criando paisagens sonoras sombrias e melancólicas. É a escolha perfeita para quem busca um som mais atmosférico e introspectivo.
Para quem gosta de DIIV, Nothing, Slowdive, A Place To Bury Strangers, The Brian Jonestown Massacre.
Hinds
Liderada por Carlotta Cosials e Ana Perrote, a Hinds é um dos maiores fenômenos de exportação do garage rock espanhol. Cantando predominantemente em inglês, a banda conquistou palcos globais — incluindo festivais como o Glastonbury e Coachella — com sua sonoridade lo-fi, despretensiosa, alegre e cheia de espontaneidade punk.
Para quem gosta de The Breeders, The Beths, Alvvays, Courtney Barnett e Wet Leg.
Los Planetas
Pioneiros e lendários, os granadinos de Los Planetas são considerados os verdadeiros pais do indie rock espanhol desde a década de 1990. Fundindo o ruído do noise pop e do shoegaze com a tradição lírica e melódica do flamenco, a banda influenciou gerações com suas letras melancólicas sobre desamor, psicodelia e obsessões. O grupo permanece uma instituição cultural viva e reverenciada na Espanha.
Para quem gosta de Sonic Youth, My Bloody Valentine, Galaxie 500, Spacemen 3 e Yo La Tengo.
Los Punsetes
Los Punsetes é uma banda espanhola de indie pop formada em Madrid em 2004. O nome foi inspirado em homenagem ao falecido político, comunicador científico e apresentador de televisão Eduard Punset. A banda é formada pelos amigos universitários Manuel Sánchez, Ariadna Paniagua, Chema González, Jorge García e Gonzalo Prada.
Para quem gosta de Pixies, The Fall, Parálisis Permanente, Wire, The Wedding Present
Manos de Topo
Surgida em Barcelona, a Manos de Topo ficou conhecida por seu estilo singular e inconfundível no indie pop. A marca registrada do grupo é o vocal emotivo e quase choroso de Miguel Ángel Blanca, acompanhado por instrumentações acústicas, teclados brincalhões e letras altamente irônicas sobre fracassos amorosos, desgostos e ridículos cotidianos, dividindo opiniões, mas garantindo um culto de fãs fiéis.
Para quem gosta de Beirut, The Magnetic Fields, Neutral Milk Hotel, Belle and Sebastian e Destroyer.
Marina Reche
Representando a nova safra da música alternativa espanhola, Marina Reche mistura elementos de indie pop, R&B e canção de autor contemporânea. Com uma voz doce e vocalização intimista, a artista alavancou sua carreira ao compartilhar composições confessionais sobre vulnerabilidade, amadurecimento e relacionamentos. Suas produções delicadas e estética moderna a posicionam como um dos nomes mais promissores da cena Pop/Indie atual.
Para quem gosta de Holly Humberstone, Lana Del Rey, Lizzy McAlpine, AURORA e Phoebe Bridgers.
Rufus T. Firefly
Originária de Aranjuez, a Rufus T. Firefly é uma das maiores referências do rock psicodélico e alternativo espanhol. Liderada por Víctor Cabezuelo e Julia Martín-Maestro, a banda se destaca por arranjos complexos, sintetizadores hipnóticos, baterias marcantes e paisagens sonoras poéticas e lisérgicas, sendo presença constante nos principais festivais do país.
Para quem gosta de Tame Impala, Radiohead, Pond, Melody’s Echo Chamber, Unknown Mortal Orchestra, Flaming Lips e Air.
Slow Connection
Nome emergente da cena underground, o Slow Connection aposta no resgate do emo, post-hardcore e indie rock com estética anos 90 e 2000. Com guitarras melódicas, ritmos dinâmicos e vocais carregados de emoção, o projeto explora temas de ansiedade, introspecção e desencontros urbanos com uma sonoridade crua e nostálgica.
Para quem gosta de Mazzy Star, DIIV, Slowdive, Temples e Beach Fossils.
Ginebras
A banda espanhola Ginebras destaca-se no cenário independente espanhol com um pop-rock vibrante, dançante e marcado por humor e autoironia. Suas influências passeiam pelo indie moderno, pela Movida Madrileña clássica. O quarteto formado por Magüi, Sandra, Raquel e Juls desafia a predominância masculina no indie espanhol ao ocupar palcos principais nos maiores festivais do país. Suas composições são diretas e abordam o cotidiano de jovens, a saúde mental e a diversidade LGBTQIA+.
Para quem gosta de Wet Leg, Last Dinner Party, Haim, The Vaccines, Les Regrettes.
Terry Vs Tori
Vindo de Sevilha, o quarteto Terry Vs Tori entrega um dream pop e jangle pop luminoso, elegante e nostálgico. Cantando predominantemente em inglês, a banda combina guitarras cintilantes cheias de chorus, linhas de baixo envolventes e vocais suaves, criando uma atmosfera ensolarada que conquistou ouvintes tanto na Espanha quanto no circuito internacional.
Para quem gosta de Men I Trust, Beach House, Alvvays, Hatchie e Crumb.
Triángulo de Amor Bizarro
Vinda da Galícia, a Triángulo de Amor Bizarro é uma das bandas mais influentes e aclamadas do rock alternativo ibérico e uma das minhas preferidas. Misturando noise rock, shoegaze e post-punk, o grupo é famoso por sua parede de som ruidosa, ritmos frenéticos e letras ácidas. Vencedores de múltiplos prêmios da música independente, eles mantêm uma identidade forte e intransigente.
Para quem gosta de Sonic Youth, A Place to Bury Strangers, The Jesus and Mary Chain, Protomartyr e Deerhunter.
Uniforms
Formado em Jaén, o trio feminino andaluz Uniforms transita com maestria entre o shoegaze, dream pop e indie eletrônico. Utilizando camadas densas de guitarras distorcidas, sintetizadores envolventes e vocais etéreos, a banda cria atmosferas hipnóticas e dançantes, estabelecendo-se como uma das propostas mais modernas e interessantes da cena alternativa espanhola.
Para quem gosta de Slowdive, Ride, My Bloody Valentine, Lush, Nothing, DIIV, Whirr e Chapterhouse.
Vetusta Morla
Vetusta Morla é uma banda de pop rock originária de Tres Cantos, Madri, que canta em castelhano. Depois de nove anos de estrada, publicaram em fevereiro de 2008 seu primeiro álbum, “Un Día en el Mundo”, que recebeu uma grande aceitação tanto por parte do público como pela crítica especializada, transformando a banda num dos principais nomes da cena indie da Espanha. Hoje lotam estádios com show repletos de temas emotivos.
Para quem gosta de Arcade Fire, Foals, The National, Editors e Manchester Orchestra.
Viva Belgrado
Nascida em Córdoba, a Viva Belgrado é uma referência incontestável do screamo, post-rock e post-hardcore na Espanha. Suas faixas contundentes alinham guitarras intensas e passagens melancólicas a vocais rasgados e poéticos em espanhol. Com uma ética DIY (faça você mesmo) e turnês globais, o grupo transmite uma carga emocional crua e visceral. Tive a sorte de realizar um show deles e da banda argentina Fin del Mundo, em 2023, na cidade de Málaga. Foi inesquecível. A energia da banda ao vivo é superior!!
Para quem gosta de Touché Amoré, La Dispute, Pianos Become the Teeth, Envy e Birds in Row
A viagem está mais do que garantida com essa lista poderosa. É um começo de uma longa jornada. Não tenha medo. Viaje pelos links e conheça novos artistas espanhóis incríveis. Quem sabe algum deles pode acabar virando sua nova banda preferida?
Texto publicado originalmente no Substack de Carlo Bruno Montalvão