Jazz in Marciac 2026: Pat Metheny oferece duas horas e meia de melodias límpidas e harmonias complexas ao público

texto de Carlos Lopes
fotos de Laurent Sabathé

O guitarrista Pat Metheny é um dos músicos mais reconhecidos do universo jazzístico da atualidade. É dono de uma sonoridade marcante e única, desenvolvida em mais de 50 anos de carreira. Escudou lendas como Jaco Pastorius e Ornette Coleman e foi reconhecido com 30 Grammys, em 10 categorias diferentes. Essa lenda foi a atração escalada para encerrar a noite de sexta-feira (24) na 48ª edição do festival de Jazz de Marciac, na França. Até o dia 5 de agosto serão 38 shows, com destaque para Marcus Miller, Kool and The Gang, Diana Krall, Kenny Garrett, Paco de Lucia Legacy e Thomas Dutronc, entre outros.

Metheny subiu ao palco principal do JIM às 23h vestindo uma de suas inconfundíveis camisas xadrez. Abriu o concerto tocando um violão eletrificado, acompanhado apenas pelo percussionista Leonard Patton. E ali começa o despejo de melodias gourmets com as quais ele açucara os ouvidos das platéias de jazz desde 1974.

Não demora para a guitarra Gibson ES-175 entrar em cena, junto com os demais integrantes do grupo: Chris Fishman (piano), Jermaine Paul (baixo) e Joey Dyson (bateria). A primeira hora do show vai se desdobrar sem surpresas para os que conhecem o trabalho de Pat. Diferentes correntes do jazz contemporâneo deslizam pelas mãos do guitarrista de Kansas, se transformando numa torrente de melodias límpidas e de harmonias complexas. É aquele jazz que não perturba nem surpreende. Ao contrário, dá uma boa acariciada na alma. A satisfação do público é evidente.

O show é centrado em seu disco mais recente, “Side-Eye III+” (2026), que cede ao repertório canções como “In on It”, “Urban and Western”, “Dont Look Down” e “Make a New World”. A segunda hora do concerto consegue ser levemente disruptiva, do ponto de vista do Pat, é claro. Tem mais participação de Leonard no canto (lembrando muito as vocalizações de Milton Nascimento), o que acrescenta uma atmosfera etérea ao espetáculo.

Em determinado momento, Pat troca a Gibson pour um velho violão eletrificado e começa a tirar dele distorções enquanto acompanha um longo solo do baterista Joey. “Cela je peux faire chez moi…!” (“Isso eu posso fazer na minha casa…”), grita alguém na platéia. É o momento mais disruptivo desse concerto, que vai durar 2h30min no total, com muito espaço para escutarmos o mellotron e o synth, tocados por Chris; e o contrabaixo, executado por Jermaine.

Com pouco mais de duas horas de apresentação, Leonard capricha na interpretação vocal do clássico “Song for Bilbao” e é o fim, diante da unânime constatação de que trata-se do show de melhor qualidade técnica e artística mostrado até aqui no festival. Os 1.500 presentes insistem para que o grupo volte. Voltam apenas Pat e um violão. Ele toca “América The Beautiful” e chama a banda. Tocam outro standart com direito a solos de cada músico. Vão embora sob intensa aclamação.

O público pede mais, o fominha guitarrista lá no backstage escuta e ressurge em cena. Gasta muito bem mais 10 minutos do nosso tempo executando “Last Train Home” e tudo se repete. Entra novamente a banda e não conseguimos sair do Chapiteux antes de 1h30 da manhã, quando soa o último acorde de “Are Going With Me”. Grande show! Nesta madrugada, Pat sai venerado de Marciac. E o público bem contente.

Leia mais sobre o festival Jazz in Marciac no Scream & Yell

 

– Carlos Jack Dias Lopes é jornalista. As fotos dos shows são de Laurent Sabathé / Jazz in Marciac

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