Download: Ainda Somos os Mesmos, Belchior

Um dos compositores ícones que surgiu em um dos períodos negros da história brasileira, o cantador e repentista Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes havia lançado dois compactos (“Na Hora do Almoço”, 1971; “Sorry, Baby”, 1973) e visto uma de suas canções, “Mucuripe”, uma parceria com Fagner, ser gravada por Elis Regina em 1972 (no mesmo disco que trazia “Casa no Campo”, de Zé Rodrix e Tavito, “Águas de Março”, de Tom Jobim, “Atrás da Porta”, de Chico e Francis Hilme, e “Nada Será Como Antes”, de Milton e Ronaldo Bastos), mas ainda não havia visto um disco todo seu nas prateleiras das lojas no começo dos 70.

“Belchior”, o primeiro álbum, foi lançado em 1973 trazendo “A Palo Seco” e “Todo Sujo de Batom” (regravadas posteriormente), mas o melhor ainda estava por vir, e tomou forma em “Alucinação”, o segundo álbum, produzido por Mazzola e lançado pela Polygram em 1976. Com jeitão de “Greatest Hits”, “Alucinação” traz os maiores sucessos de sua carreira, alguns deles imortalizados em versões de outros interpretes, as mais conhecidas na voz de Elis Regina, mas que naquele álbum encontravam na voz roufenha de seu compositor a honestidade de um homem que acreditava que “amar e mudar as coisas” interessava mais, muito mais.

Nos últimos anos, o nome de Belchior surgiu atrelado a histórias que dizem mais sobre a necessidade da mídia em criar notícia do que necessariamente à qualidade de suas canções, deixando um grande número de hinos do cancioneiro popular em segundo plano. “Ainda Somos os Mesmos” é um esforço coletivo que tenta colocar as coisas em seu devido lugar. Esta revisão de “Alucinação” impressiona muito mais por nos fazer perceber que o texto afiado de Belchior continua atualíssimo, 37 anos depois de seu lançamento original, apaixonado e violento como o dia a dia que surge pelas janelas insistentemente toda manhã.

“Ainda Somos os Mesmos” é aberto com a estreia de dois projetos solos: Dary Jr, ex-Terminal Guadalupe, inaugura sua versão cantautor como Dario Julio & Os Franciscanos em uma versão de “Apenas Um Rapaz Latino Americano” (acompanhado do multi-instrumentista Matheus Duarte) enquanto Manoel Magalhões, da banda carioca Harmada, interpreta “Velha Roupa Colorida”. O compositor Phillip Long toma para si “Como Nossos Pais” enquanto Nevilton canta a plenos pulmões que é “Um Sujeito de Sorte”. Lucas Vasconcellos, metade do duo Letuce, surge solo com “Como o Diabo Gosta” fechando o lado A do vinil.

Abrindo o lado B, Bruno Souto recria a faixa título, “Alucinação”, seguido por Lemoskine, projeto solo de Rodrigo Lemos (ex-A Banda Mais Bonita da Cidade), que assina a versão de “Não Leve Flores”. A responsabilidade por rearranjar “A Palo Seco” ficou a cargo dos cariocas do Fábrica (que trouxeram consigo Moacir Santos!) enquanto os mineiros da Transmissor deram vida a “Fotografia 3×4”. Marcando outra estreia solo, “Antes do Fim” ganhou versão de Marcelo Perdido, ex-Hidrocor. Em 10 versões, “Ainda Somos os Mesmos” traz o álbum “Alucinação” de 1976 para 2014, com a arte da capa assinada por Renato Lima, da Pockets Comics.

Junto as 10 faixas de “Alucinação” surge o EP “Entre o Sonho e o Som”, com arte de Bruna Predes, que flagra hinos de outros álbuns de Belchior, números como “Coração Selvagem”, “Paralelas” e “Todo Sujo de Batom”, as três de “Coração Selvagem”, de 1977 (revistas aqui por nana, João Erbetta e The Baggios, respectivamente), e “Medo de Avião” e “Comentário a Respeito de John”, de “Belchior” (1979), em versões de Ricardo Gameiro e Jomar Schrank. Com curadoria e produção de Jorge Wagner e masterização de Manoel Magalhães, “Ainda Somos os Mesmos” está a sua disposição para download gratuito no Scream & Yell. Ouça alto.

Ps: Depois do lançamento de “Ainda Somos os Mesmos” + “Entre o Sonho & o Som”, Bonifrate nos enviou uma versão, até então inédita, pra “Na Hora do Almoço”, canção do primeiro álbum de Belchior, de 1974. Ela entra como faixa bônus no pacote, e pode ser baixada isoladamente aqui. A faixa já integra o álbum no arquivo abaixo para download gratuito.

BAIXE “AINDA SOMOS OS MESMOS” AQUI


Leia também:
– Diário do Norte do Paraná: Bandas fazem releitura contemporânea de “Alucinação” (aqui)
– Correio Braziliense: Cena independente reaviva obra emblemática de Belchior (aqui)
– Jorge Wagner na Rolling Stone: “Apaixonado e violento”. É assim que o disco soa (aqui)
– O Globo: “Alucinação 2014”, Belchior ganha tributo de novos nomes da MPB (aqui)

46 thoughts on “Download: Ainda Somos os Mesmos, Belchior

  1. Pingback: Atividade FM
  2. Nunca fui fã do Belchior, mas minha mãe sim, então eu cresci ouvindo e sabendo de cor as suas músicas. Acho as letras incríveis e sempre que toca, tenho a sensação que tinha quando pequena ouvia vendo minha mãe cantar pela casa. Então tive um pouco de receio sobre o resultado desse projeto – até porque acho a maioria destes novos tributos bem abaixo da média, em geral. Mas esse me surpreendeu, o pessoal ficou inspirado e o resultado superou minhas expectativas (apesar do azar de achar cagada a minha música preferida).
    Parabéns a todos os envolvidos.

  3. Pingback: DJ Ratinho
  4. Oi Rafael, oi Felipe

    Dificilmente conseguiremos prensar, pois isso lida não só com direitos autorais, mas também com fonograma. Mas estamos planejando um show do tributo, e gostaríamos muito que Belchior participasse. Sonhar não custa nada…

  5. Na musica fotografia 3×4 vocês deixaram citar a palavra VELOSO, que é o bacana da musica uma oposição poética ao antigo compositor baiano. LASTIMÁVEL isso pra mim foi pior que a fraca versão de A Palo Seco.

  6. Não conhecia as músicas do Belchior e gostei muito das letras e da maioria das versões, parabéns a quem teve a iniciativa e por chamar tanta gente boa pra participar..

  7. Estou impressionado. Queiram me perdoar, pois eu não consigo tragar essas incursões de novos talentos; se é que são novos, pois confesso que não os conheço. Talvez até sejam bons músicos, mas aqui nesse tributo, mais uma vez, queiram me perdoar: coitado do Belchior.
    Como não enxergam que fazem arranjos assassinos para as músicas fantásticas de Belchior? Será que não se espantam com as interpretações bizarras que fazem? Eu creio que caso se queira interpretar clássicos da MPB, ou quaisquer outras músicas, deve-se ter o mínimo de bom senso de se fazer algo cuja grandeza seja próxima da obra original, e, caso não seja realmente possível, que se faça, ao menos, algo muito próximo a isso; e, se ainda assim, não for possível, não deve ser feito.
    Em resumo, tudo que se fez aqui é puro lixo sonoro que ofende a essência da arte musical.
    Quero salientar que o autor da reportagem sobre o lançamento do álbum em questão, sequer fez um vago elogio, que fosse, a qualquer música do álbum. Ele foi diplomaticamente imparcial em sua descrição do álbum. Ele, simples e discretamente, apenas descreve. Por que será?

  8. uma pena “desarranjarem” A palo seco. fizeram um arranjo estrombótico, pretencioso, modernoso, escondendo a bela melodia…nessa música o robert batista tem razão… quanto às outras ficaram muuuitooo boas…

  9. Como já citaram acima, em músicas como “a palo seco” e “medo de avião” pecaram por descaracterizar melodias tão lindas. Gostei de “a palo seco” por Los Hermanos, por exemplo, arranjo muito bom! Mas, no geral, apresenta ótimas versões.

  10. Amei Paralelas…. Não dá pra ser unanimidade. Algumas eu também acho q não ficaram muito boas, mas talvez seja só falta de costume…. Parabéns pelo projeto

  11. Corrigindo, de acordo com a Wikipedia, Belchior passa por problemas, mas não está morto.
    As versões me surpreenderam, algumas músicas prefiro a versão do mestre.

    Realmente é uma pena este grande compositor estar enfrentando dificuldades.
    Grandes composições, letras para pensar coisa difícil hoje em dia.

  12. Caraca, mataram o Belchior nos comentários :/ :S

    To no início da audição ainda, mas não to gostando não, kkk.
    Como Nossos Pais foi ok, mas Velha Roupa Colorida tá….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *