Três perguntas: The Baggios

por Tomaz de Alvarenga

Prestes a completar 10 anos de estrada, a banda sergipana The Baggios, formada em 2004 em São Cristovão, cidade da região metropolitana de Aracajú, parece viver um dos melhores momentos de sua carreira colhendo elogios de seu segundo álbum, “Sina”, lançado em 2013 e disponível para download gratuito no site oficial da banda (http://www.thebaggios.com.br/), e de suas empolgantes performances ao vivo.

O duo formado por Julio Andrade (guitarra e voz) e Gabriel Carvalho (bateria) sobrevive às comparações preguiçosas com duplas famosas como White Stripes e Black Keys: “É o nosso karma”, comenta rindo o guitarrista Júlio Andrade, que explica a diferença de sonoridades: “Se você ouvir nossas musicas vai notar Alceu Valença, Raul Seixas, muita coisa nacional, que se distingue deles”.

Após uma elogiada e explosiva apresentação no Goiânia Noise Festival 2013, eleita pelo júri Scream & Yell como a melhor apresentação do festival ao lado dos candangos do Galinha Preta (veja aqui no fim da cobertura do festival), Júlio conversou com o Scream & Yell sobre influências, cena sergipana e os próximos projetos do duo. Confira.

Como surgiu essa proposta de guitarra e distorção? As bandas sergipanas que conheço (Rockassetes, Nantes, Bicicletas de Atalaia) flertam com outras sonoridades…
A cena musical de Sergipe é muito diversificada. Além das citadas, tem banda que mistura rock com música regional, tem o Plástico Lunar que faz rock psicodélico… Cada uma delas busca uma identidade para se diferenciar dentro da cena local. Nós não somos a primeira dupla que surgiu lá e já estamos na estrada desde 2004 e deu certo. Buscamos essa sonoridade naturalmente, pois adoramos o rock clássico e fazemos a música baseada nisso. É algo bem natural, que flui.

Como está a carreira da banda e quais são os próximos projetos?
“Sina” é o nosso disco mais recente. Saiu em setembro de 2013, com 12 faixas (e acaba de ganhar edição em vinil). Produzimos em Aracaju e as críticas estão bem positivas. Lançar um disco é um tiro no escuro. Você faz uma coisa pessoal, sem saber se as pessoas vão se identificar, mas buscamos nesse trabalho trazer o regionalismo, inclusive com muitos personagens de São Cristovão, cidade em que moro. É um disco em que buscamos ir além do rock, experimentando o mambo, o xote, o afrobeat, o rock rural. Estamos bem variados e este é o diferencial sobre os trabalhos anteriores…

E sobre a eterna questão de ser uma dupla e não ter baixista? Já cansaram de serem comparados ao White Stripes?
Inclusive no show (do Goiânia Noise) estavam pedindo pra gente tocar Whites Stripes! É o nosso karma (risos). Mas se você ouvir nossas musicas irá notar Alceu Valença, Raul Seixas, muita coisa nacional, que nos distingue deles. O legal das resenhas que venho acompanhando é que excluíram essas referencias gringas e focam bem mais nas referências nacionais. Nada contra o White Stripes, é uma banda que gosto, porém não é uma referência direta, fundamental nossa.

– Tomaz de Alvarenga (@tomazalvarenga) é jornalista e escreve sobre música e pão de queijo

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