Entrevista: Reel Big Fish anuncia retorno aos palcos e conversa sobre ska punk, a cena de Orange County, shows no Brasil e mais

entrevista de Heberton Barreira

Dois personagens prontos para serem animados. Ou prontos para comandar um programa infantil matinal (adolescente, adulto, tanto faz). Um deles tem costeletas grandes, topete rockabilly, óculos de sol com lentes alaranjadas, bigodinho e cavanhaque sem vergonha, além da camisa havaiana. O outro veste macacão jeans tipo jardineira, camisa branca por baixo, boné e óculos de nerd intelectual. Aaron Barrett e Scott Klopfenstein! Para completar, a voz natural de Scott, quando fala, já parece dublar qualquer um desses bichinhos fofinhos das séries animadas 2D. Uma das principais bandas que ajudaram a consolidar o que chamaram de terceira onda do ska (ou simplesmente, ska punk), Reel Big Fish retorna aos palcos com as peças fundamentais da maravilhosa balbúrdia dançante dos anos 1990.

A primeira onda do ska nasceu na Jamaica no final dos anos 1950, fundindo ritmos caribenhos (mento, o avô do reggae, e calipso) com R&B e jazz americanos, marcada pelo contratempo e pela energia dançante. The Skatalites e Desmond Dekker & The Aces são alguns exemplos. A segunda onda surgiu no Reino Unido no final dos anos 1970, com a reinvenção da gravadora 2 Tone, que misturou ska com punk e new wave, trazendo letras politizadas sobre racismo e desemprego. The Specials, aqui, são unânimes, mas ainda havia The Selecter, Madness e The Beat — estes últimos com elementos latinos na pegada (inspiração clara para os Paralamas, que beberam do riff de marimba de “Hands Off… She’s Mine”, de 1980, em “Óculos”, de 1984). Já a terceira onda explodiu nos EUA nos anos 1990, combinando os ritmos animados do ska jamaicano com os riffs rápidos, crus e agressivos do punk rock. Os aspectos teatrais, a fusão com o próprio pop e a presença forte dos metais são marcantes nessa fase. Dessa onda surgiram bandas como Mighty Mighty Bosstones, Rancid, No Doubt, Sublime e, talvez, a mais divertida e mais engraçada de todas: Reel Big Fish.

Boa parte dessas bandas é californiana, de cidades como Long Beach, Berkeley, além da região de Orange County, condado onde foi berço não somente do Reel Big Fish mas também de Save Ferris, No Doubt, The O.C. Supertones, Suburban Legends e The Aquabats – todas elas solares e contagiantes. Mas é impossível falar de ska punk sem destacar a banda que avacalhava no palco e nos próprios videoclipes que a MTV passava à exaustão na segunda metade dos anos 1990, como “Sell Out” e a versão de “Take On Me” do A-ha.

Além de “Take On Me”, a banda pescava realmente peixe grande: fizeram versão para “Boys Don’t Cry”, do The Cure, e “Gigantic”, dos Pixies (em “Where Is My Mind?”, tributo lançado em 1999 que também tem Nada Surf fazendo “Where Is My Mind?” e Weezer, “Velouria”). O grupo deixou registradas versões curiosas na compilação de covers “Fame, Fortune and Fornication” que lançaram em 2009, obviamente, em versões ska. Gravaram “Won’t Back Down”, de Tom Petty, “Authority Song” do John Mellencamp, “Brown Eyed Girl” do Van Morrison e “The Long Run” do Eagles, só para citar algumas. E não deixaram de incluir “Monkey Man”, de Toots and the Maytals, naquele arranjo dos Specials.

Curiosas mesmo são as referências musicais da dupla que vão de UB40, passando pelo “hair metal” de Poison e chegando ao Right Said Fred: “Uma das minhas bandas favoritas! Eles tiveram um hit ‘I’m Too Sexy’”, com aquele tom que faz a gente nunca saber se ele está falando sério ou não. Mas Scott confirma: “O disco inteiro é maravilhoso.” Outra influência não tão óbvia é o They Might Be Giants: “Quando vimos que estavam pegando reggae, ska, rock, metal, punk, polca, misturando tudo – isso é incrível. Nós gostamos de bandas que misturam muitos estilos diferentes de música, tipo They Might Be Giants. A cena ska punk de Orange County na época realmente fazia muito isso. Valia tudo naquela época.”

A reunião do Reel Big Fish marca o retorno de Scott, que saiu da banda em 2010, basicamente para exercer a paternidade. Em 2005, durante uma turnê que passou pela Nova Zelândia, Scott foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré. Ele tratou a doença em Nova York, onde morava na época. Recuperado, agora lida com uma doença de Lyme crônica, provavelmente ligada à síndrome anterior. Já Aaron não toca há seis anos, por isso promete que esse reencontro será “algo”. Para alegria dos fãs, que consideram a melhor fase da banda aquela com a dupla, nos álbuns e no palco.

Eles já vieram ao Brasil em 2008 (São Paulo), 2011 (São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre), e 2016 (apresentação única em São Paulo no Cine Joia, com abertura da curitibana Water Rats). Por agora, a tour está agendada somente nos EUA. Brasil, talvez ano que vem. Aaron e Scott não ouviram Paralamas ainda. Scott, porém, é fã de Gilberto Gil – que está no top 3 de seus músicos heróis de todos os tempos. Tanto que lembrou até de “Volks-Volkswagen Blues”, de 1969.

Com os trejeitos, gritos, poses e caretas no palco (e videoclipes), nota-se a mesma aura de entretenimento de Steve West e Bob Nastanovich do Pavement. Ou daquele coelhinho saltitante Chris Ballew do Presidents of United States of America. Ou dos seus quase irmãos Aquabats. Esses, mais explícitos ainda na encenação com seus uniformes de super heróis com camisas de mangas longas azuis, máscaras e toucas (de natação?) – capacetes anti-negatividade, segundo eles. Todos figuras caricatas encantadoras.

Se quiser lembrar – e rir – do Reel Big Fish e suas presepadas ao vivo, assista a esse show hilário de 2003 (Vários momentos de holofotes no trompetista Tyler Jones – que faleceu em 2020 – roubando a cena, entretendo a plateia com reggae! E muita cerveja! E Jack Daniel’s! Nem a dupla segura os risos.).

Quando assisto aos vídeos antigos do Reel Big Fish, não vejo apenas uma banda tocando música. Parece que estou vendo um desenho animado em live action, com expressões exageradas, humor físico e uma energia incessante, quase como Tex Avery, Looney Tunes ou Animaniacs. Como esse estilo passou a fazer parte da identidade da banda?
Aaron: Acho que é só a nossa personalidade.

Scott: Acho que é bem natural.

Aaron: É só quem somos. Simplesmente saiu, não foi planejado, não foi uma ideia do tipo “vamos ser desenhos animados no palco”. Cada integrante, quando subia no palco, pegava o instrumento e simplesmente começava. Aquilo saía deles naturalmente. E acho que foi o que nos uniu como amigos. Somos esse tipo de pessoa. Gostamos de comédia, gostamos de bobagem. Somos fãs dos desenhos antigos do Pernalonga, adorávamos o Steve Martin, o Robin Williams e todos aqueles grandes comediantes.

Scott: Sinto que também fazia parte da cena em que a gente estava. Cada um meio que tinha seu próprio sabor de loucura.

Aaron: E tinha bastante. Toda a nossa cena de Orange County era muito sobre se divertir, ser bobo, fazer palhaçada. Não era uma coisa tão séria sobre musicalidade séria, era mais sobre diversão. Basicamente isso.

É hilário ver vocês fazendo caretas e encenando no palco.
Scott: Acho que é o que acontece naturalmente com a gente. Quando você fica na frente de um monte de gente, ou você está tentando descobrir como se sentir confortável, ou de repente você se sente confortável. É uma mistura das duas coisas.

Aaron: Com certeza, aprendi que se eu tornar engraçado, fazer uma piada, fica mais fácil subir no palco e ficar na frente das pessoas. Senão, fico aterrorizado.

Quando o Reel Big Fish estourou na MTV, os videoclipes de vocês chamavam atenção porque vocês não tinham medo de parecer ridículos, enquanto muitas outras bandas estavam tentando parecer descoladas. Essa imagem abriu portas para a banda, ou também criou expectativas com as quais vocês tiveram que lidar depois?
Aaron: Não sei, você acha que pode ter nos prejudicado? (perguntando para Scott) Na verdade, pode ter sim. Muitas vezes as pessoas não gostam de fãs tão malucas e brincalhonas. A maioria quer parecer cool, tipo: “É isso aí, beleza?”

Scott: Acho que houve um momento específico no começo e no meio dos anos 1990 em que havia espaço para esse tipo de estranheza. Bandas como Presidents of the United States of America me vêm à cabeça. Existiu uma pequena janela para o esquisito. No fim dos anos 1980 e início dos 1990 havia muita excentricidade, mas normalmente vinha acompanhada de uma certa pretensão artística, de escola de arte, aquela coisa de “isso é dadaísmo”, “isso é vanguarda”. Nós não. Éramos apenas bobos. Comédia pura e simples. E não há nada de errado com o dadaísmo ou com a arte abstrata, nós gostamos disso também.

Aaron: Mas como você ousa ser tão dadaísta? (risos)

Scott: Ha ha ha ha.

Isso criou uma pressão para continuar fazendo sempre a mesma coisa?
Scott: Acho que isso é muito natural para nós. Seria difícil agir de outra forma.

Aaron: Não sinto nenhuma pressão nesse aspecto. Na verdade, é justamente onde sentimos menos pressão. Ser engraçado, fazer brincadeiras e sermos nós mesmos é a parte mais fácil de tudo isso. Basta se divertir sendo idiota.

Scott: Camisas havaianas e jardineiras não são um figurino que escolhemos para entrevistas. (Aaron estava usando uma camisa havaiana.) É assim que a gente vive. (risos)

A versão de palco do Reel Big Fish sempre pareceu maior do que a vida real, quase como um elenco de personagens recorrentes em vez de uma banda de rock. Quando o show termina, quanto dessas personalidades desaparece nos bastidores?
Aaron: Ha ha ha Acho que é simplesmente como somos. Acho que essas são as pessoas que somos. Mas, quando subimos no palco, tudo vai para o nível onze. Quando descemos, volta para o nível três. (risos) Não conseguimos evitar. Pisamos no palco e ganhamos vida.

Scott: Também faz parte da nossa linguagem de amor um com o outro. A gente faz esquetes, bits de comédia, porque é mais fácil do que ser realmente vulnerável.

Aaron e Scott, o que vocês fizeram na faculdade? E algum de vocês teve formação musical?
Aaron: Você teve treinamento musical? (Perguntando para Scott.)

Scott: Não.

Aaron: Você fez teatro musical.

Scott: Então, eu estudei em uma escola de artes cênicas no ensino médio, fiz um ano de música instrumental e fui expulso. Aí fui para o teatro musical, então estudei teatro, atuação e performance musical.

Isso explica bastante coisa.
Aaron: Isso explica muito (risos).

Scott: Mas na faculdade – fiz faculdade por nove meses. Seis meses. Estudei cinema como literatura e depois estudei história da arquitetura do início da história registrada até o início de A.C. Não me lembro onde parava – você entra em muitos zigurates.

Aaron: E aí fizemos ele desistir porque conseguimos um contrato de gravação e tivemos que fazer turnê. Eu nunca fiz faculdade nem nada. Tive aulas de guitarra com um professor muito bom que curtia “hair metal”, que era minha música favorita na época. Ele me ensinou a tocar shred, dos quinze e meio aos dezessete anos, um ano e meio. E eu achei que sabia tudo – “não preciso mais disso, já saquei tudo”. (risos)

Scott: Você simplesmente deixa os dedos irem para onde quiserem.

Aaron: Eu queria ter continuado as aulas por mais tempo, tipo um pouco mais, mas me virei bem.

A maioria das bandas tenta fazer letras tristes soarem tristes. O Reel Big Fish costuma fazer exatamente o oposto, envolvendo decepção e sarcasmo em músicas que soam como uma celebração. Como é que essa combinação virou a marca do jeito de compor de vocês?
Aaron: Essa é uma boa pergunta. Não sei. A música é tão alegre, feliz e divertida, e acho que isso é uma grande parte da personalidade. Mas originalmente começou só para ser engraçado. Tipo “e se…” E isso vem de ouvir Morrissey e The Smiths, eu acho. Ele fez muitas músicas, algumas eram bem depressivas, mas outras tinham uma música super divertida e a letra bem triste. Ele tem bastante… Acho que foi daí que veio um pouco. Mas não sei, veio tudo do “e se a gente fizesse isso, não seria esquisito?”

Scott: A gente sempre quis ser o Oscar Wilde do ska.

A versão de vocês para “We Hate It When Our Friends Become Successful” nunca pareceu uma escolha estranha. Morrissey e Reel Big Fish têm estilos bem diferentes, mas os dois cantam sobre insegurança e o absurdo do dia a dia com um humor ácido. Foi isso que chamou vocês para essa música?
Aaron: Sim, com certeza. E a gente gosta de escrever músicas sobre música – muitas das nossas músicas são sobre estar numa banda. Então aquela música, a gente se identificava de certa forma, e pareceu que se encaixava. Especialmente no álbum “We’re Not Happy”, que tinha muita amargura, muita raiva, então aquela música foi perfeita para ele. E ainda foi uma desculpa para regravar outra música do Morrissey.

No Reel Big Fish, a música e o humor, parece que não dá pra separar. O som já tem graça, e as piadas têm ritmo. Como é que essas duas coisas cresceram juntas?
Aaron: Faz tanto tempo que fazemos essas duas coisas ao mesmo tempo que elas acabaram crescendo juntas. Acho que, no começo, quando começamos a banda, ainda não éramos músicos tão bons assim. E, quando começamos a fazer sucesso, muitos de nós ainda estávamos descobrindo quem éramos como músicos. Eu, pelo menos, certamente estava. Naquela época, a parte cômica acabava mascarando um pouco essas limitações e compensava os momentos em que a execução musical ainda não era tão boa. Com o tempo, porém, fomos aprendendo a melhorar nosso timing no palco, e nossa musicalidade também evoluiu, porque eu trabalhei nisso. Pelo menos tentei. (olhando para Scott) Parece que você quer dizer alguma coisa.

Scott: Não… quer dizer… acho que essa é uma pergunta interessante. Na verdade, não sei se alguém já nos fez essa pergunta de verdade.

Aaron: Acho que tudo isso é resultado dos anos passados no palco. Noite após noite, show após show, fazendo pequenos ajustes, tentando melhorar, tentando montar um espetáculo cada vez melhor, buscando entreter as pessoas e oferecer o melhor que podíamos a cada apresentação. Depois de décadas fazendo isso, se você não evolui, alguma coisa está errada.

Scott: É, eu não sinto que a gente quisesse descansar sobre os louros – eu nem sei o que são louros, então não sei onde os encontraria para descansar sobre eles, o que talvez explique por que estou com tanto sono. Mas também acho que sempre existiu uma vontade muito grande de simplesmente soar como o Reel Big Fish. Claro, houve momentos em que fomos influenciados por outras pessoas e por outras bandas, mas acho que o Aaron sempre teve um som muito próprio martelando na cabeça. E, no fim das contas, o objetivo de todo mundo sempre foi o mesmo: “vamos soar como Reel Big Fish, custe o que custar.”

O que vocês começaram a ouvir quando eram crianças?
Scott: Eu não tinha permissão para ouvir música secular, que é a música do rádio. Me disseram que o diabo estava nela. Tinha muita coisa específica, tipo Peter, Paul and Mary, do meu pai, que ouvia muito folk. Minha mãe era muito fã do Neil Diamond e do Barry Manilow, o que eu não achava que dava para fazer os dois – eu sentia que você tinha que escolher um – mas ela fazia os dois. Ela é quebradora de moldes. E aí o Weird Al (nota: humorista, parodista, sanfonista e produtor de televisão americano premiado pelo Grammy). Ele foi meu portal para quase toda a música pop. E aí quando comecei a ficar angustiado, descobri Fishbone, Pixies, The Cure, coisas assim. Poison…

Aaron: Minha primeira banda favorita foi UB40, banda de reggae. “Red Red Wine”… e minha segunda banda favorita depois disso foi Poison, a banda de hair metal. Foi por isso que comecei a tocar guitarra, porque eu queria (tocar como eles), eu via aqueles videoclipes de “Talk Dirty to Me” e “Nothing but a Good Time” e então: “Eu quero fazer aquilo, quero tocar shred na guitarra, pular de calça colante e ter um cabelão loiro” (risos). E quero fazer um reggae no meio. Aí tropecei nessa música ska punk e foi “Ooooooh. É meio que o que eu estou procurando. Esse é o som que eu estava buscando.”

As músicas de vocês são engraçadas, mas também são muito melódicas. Como é que vocês combinam essas duas coisas quando compõem?
Aaron: Nós somos só uns caras estranhos, não sei. Nós amamos música. E não tem brincadeira na letra.

Scott: Eu acho que, como o Aaron disse, a gente estudou ou consumiu muita comédia. Há uma coisa que você encontra em grandes comediantes. Eles usam humor e leveza para abrir as pessoas para terem experiências humanas reais. Então você mantém o pessoal rindo, um pouco na brincadeira, e aí coloca algo realmente bonito ali para criar uma conexão humana. Não sei se a gente fez isso intencionalmente, mas conforme fui envelhecendo e estudando, descubro que essa é uma das características de qualquer grande comediante ou artista cômico. Há um nível de profunda sinceridade pela conexão humana nisso, e o humor é meio que a ponte para isso.

Aaron: O quebra-gelo.

Scott: É. Você faz as pessoas rirem e aí elas se abrem, e você chega ao coração. Talvez. Não sei. Talvez isso faça sentido. (risos)

Aaron: Na verdade, não. Mas tudo bem. (risos)

O Reel Big Fish geralmente é associado ao ska e ao punk, mas será que vocês têm influências que ninguém imagina? Há discos na coleção de vocês que os fãs nunca imaginariam que ajudaram a moldar o som da banda?
Aaron: Com certeza.

Scott: Bem… Poison!

Aaron: Muitos. Eu acho que a influência do hair metal aparece.

Scott: Também acho.

Aaron: É bem óbvia. O que não é óbvio? Uma das minhas bandas favoritas se chama Right Said Fred. Eles tiveram um hit, “I’m Too Sexy”, em 1991. (pausinha irônica e silenciosa, risos)

Scott: E o resto do disco.

Aaron: Fiquei surpreso ao descobrir que gosto muito deles.

Scott: Tem tanta coisa boa naquele disco.

Aaron: E eles fizeram muitos outros discos também. Mas é, temos gostos musicais muito diversos. Cada pessoa na banda ouve tanta música diferente e sempre ouviu. Teve um momento em que todos nós nos encontramos na cena de Orange County e ficamos tipo “oh, nós gostamos desse tipo de música”.

Scott: Eu acho que essa é a beleza da música ska para começo de conversa. É um híbrido da música pop da época com o mento, que era a música da Jamaica na época. E então ela se presta à interpretação. E há meio que uma atitude de que, contanto que você esteja honrando de onde ela vem e o espírito por trás dela, expandi-la com outras influências é meio que a ideia.

Aaron: Foi o que a gente gostou na terceira onda do ska – nos anos 1990, as pessoas estavam misturando com tudo, e foi o que nos atraiu porque a gente gostava de todos os tipos de música. Então quando vimos que estavam pegando reggae, ska, rock, metal, punk, polca, misturando tudo. Isso é incrível. Nós gostamos de bandas que misturam muitos estilos diferentes de música, tipo They Might Be Giants. A cena ska punk de Orange County na época realmente fazia muito isso. Valia tudo naquela época.

Presidents of the United States of America tinha o mesmo clima, claro que um estilo sonoro diferente, mas tinham esse conceito de música de festa.
Scott: Eu também acho. O que uniu muitos de nós e que a gente apreciava quando se reunia é que todo mundo tinha, como me lembro de dizer, gostos musicais muito diversos. Então alguns sabiam mais de jazz, alguns sabiam mais disso e daquilo. E quando nos juntamos, não estávamos totalmente formados musicalmente em nossos estados criativos ainda, de modo a poder pegar todos esses elementos e misturá-los de uma forma que, felizmente, foi muito única. E isso meio que fez a coisa.

Aaron: Mas a gente não sabia as regras ainda. A gente só ficava tipo “ah, eu posso fazer isso. Vamos fazer isso. Por que não fazer isso?”

“Take On Me” já é uma música tão icônica que parece impossível melhorar. Mas daí vocês chegam e conseguem mudar para ficar mais divertida ainda. Vocês já tinham uma noção de que ia dar certo? Ficaram deslumbrados com a versão?
Aaron: A gente simplesmente fez.

Scott: Mais uma vez… ignorância.

Aaron: É, ignorância. (risos) Eu amo aquelas músicas dos anos 80, aquelas músicas new wave, de sintetizador. E não sei, simplesmente algo na minha cabeça fez sentido e eu tive uma ideia. A inspiração veio, não foi planejado nada. Foi só “Ei, vamos fazer isso”.

Scott: Ele disse: “Vamos fazer isso.”. E a gente respondeu “ok”.

Aaron: E eles estavam tipo “A gente tenta qualquer coisa, por que não?”

Scott: O que temos a perder? Estamos aqui para fazer música.

Aaron: A gente não sabia que ficaria tão bom e que as pessoas gostariam tanto. Começamos a regravar outras músicas dos anos 80 – “Boys Don’t Cry” (The Cure), “Hungry Like the Wolf” (do Duran Duran), algumas outras. Eu cresci nos anos 80, então…

Tem um álbum cheio dessas regravações, certo?
Aaron: Mais tarde fizemos um álbum principalmente de covers dos anos 80 (“Fame, Fortune and Fornication”). Esse álbum na verdade era para ser só de covers do Poison, mas a gravadora meio que nos convenceu a desistir e disse que as pessoas talvez não gostassem daquilo.

Scott: Então decidimos, pela primeira vez, fazer o que achávamos que as pessoas iriam gostar.

Aaron: Foi sugerido que a gente misturasse um pouco.

Scott: Eu gosto de “Won’t Back Down” (do Tom Petty). Porque eu estava morando em Nova York na época e não tinha ouvido os ritmos como muitos dos ensaios. E aí quando ouvi aquilo saindo das caixas de som, eu fiquei tipo “Legal!”. Achei que foi uma ótima escolha porque é uma ótima música.

Aaron: É, essa ficou boa.

“Sell Out” brinca com a ideia de sacrificar a integridade artística pelo sucesso comercial, e há uma certa ironia no fato de que se tornou um dos maiores sucessos de vocês. Mas a indústria musical mudou drasticamente desde então. As lojas de discos quase desapareceram. Claro, ainda tem as que resistem, mas hoje o streaming permite que as pessoas ouçam o que quiserem, quando quiserem. Olhando para trás, vocês acham que a música assumiu um significado diferente ao longo dos anos? Na música, a ideia de “vender-se” ainda existe, ou simplesmente evoluiu?
Aaron: Com certeza.

Scott: Eu não sei mais o que é se vender.

Aaron: Nós testemunhamos a transformação mais incrível da indústria musical. Foi uma loucura. Era como viver num mundo onde todo mundo andava a cavalo e, de repente, inventassem os automóveis. Você olhava aquilo e pensava: “Uau!”. Foi uma mudança de vida desse tamanho.

Scott: Ver a tecnologia colocar mais poder nas mãos dos artistas e, ao mesmo tempo, tirar valor econômico do trabalho criativo foi uma experiência muito estranha. A ideia de se vender tinha que ser baseada na ideia de que o poder estava concentrado em um único lugar e, para conseguir estabilidade e longevidade, era preciso jogar o jogo da indústria. Essa era a piada da coisa toda. Hoje você pode gravar quantas músicas quiser no seu quarto e disponibilizá-las para o mundo inteiro. Mas provavelmente também vai precisar trabalhar em dois empregos ou passar a vida inteira na estrada para sobreviver. Se vender é parecido com as redes sociais. Antigamente seria “você está se transformando num comercial”, mas pelo menos você está fazendo do jeito que quer. Está tudo confuso. Ninguém mais usa essa expressão, mas as pessoas ainda cantam a música, então está tudo bem.

Aaron: Fico feliz que nossa gravadora teve senso de humor e colocou essa música nas rádios. Eles entenderam a piada, eu acho. É legal quando todo mundo entende a brincadeira e participa dela junto com você.

A turnê de vocês começa no mês que vem, depois de um longo período sem apresentações. O que vocês estão mais curiosos para redescobrir quando voltarem ao palco?
Aaron: Bom, esse cara está fora da banda há 16 anos, e eu não toco há seis anos, então vai ser algo…vai ser uma experiência e tanto.

Scott: Vai ser uma loucura.

Aaron: Acho que vai voltar porque é a única coisa na qual somos bons. A única coisa que sabemos fazer é subir no palco e tocar música. Já fizemos isso por tanto tempo, mesmo ficando um tempo longe, tudo começou a voltar. A única diferença era que os calos nas minhas mãos tinham desaparecido. Fora isso, eu lembrava de todas as músicas, de todas as letras, de todas as coreografias e de todas as piadas. Estava tudo ali. Mas vai ser interessante subir ao palco novamente depois de tanto tempo e descobrir como será essa sensação. Tenho certeza de que vai ser muito boa.

Como estão os ensaios?
Aaron: Estão indo bem.

Scott: O Aaron e eu temos ensaiado nós dois por… três meses?

Aaron: É, por aí.

Scott: Cerca de três meses, duas vezes por semana. Fizemos um ensaio com alguns dos outros integrantes e teremos outro, com mais gente, na próxima semana. Estamos tentando encaixar os ensaios na agenda de todo mundo.

Aaron: Muitos dos metais também estão em outras bandas agora, tipo Goldfinger, Ice Nine Kills, então tentar reunir todo mundo é complicado.

Vocês vieram ao Brasil algumas vezes, certo – São Paulo, Rio, Curitiba – com o Goldfinger. Quais são as lembranças mais fortes desses shows e de tocar para o público brasileiro?
Aaron: Eu me lembro da energia da plateia – tanta paixão dos fãs. Cantando junto com as linhas dos metais, com as partes da guitarra. Isso não acontece em qualquer lugar do mundo. A maioria das pessoas só balança a cabeça, talvez cante um pouco junto. Mas logo na primeira nota… Tipo, da da da da dadadaaa. Todo mundo acompanha. Era algo que também fazíamos em Orange County: cantávamos os metais, as guitarras, tudo. Por isso valorizamos muito quando o público faz isso.

Scott: Aquele primeiro show em São Paulo, aquele lugar tinha tipo 3.000 pessoas, era enorme e estava lotado. Quem é que aparece e toca num lugar pela primeira vez na frente de uma plateia que está cantando todas as palavras e simplesmente na pegada? Foi realmente avassalador.

Aaron: E ainda tinha o Goldfinger junto nessa.

Scott: Sim. Fomos recebidos de braços abertos. E o Brasil é um país lindo. Sou um grande fã da música brasileira. Gilberto Gil é um dos meus heróis. Tenho uma foto enorme dele no meu espaço de trabalho. Então mal podemos esperar para voltar.

Aaron: Esperamos que isso aconteça logo.

No fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando o Reel Big Fish aparecia na MTV, eu sempre associava aquela onda do ska punk a algumas bandas brasileiras também, como Bois de Gerião e Móveis Coloniais de Acaju, que tinham uma forte presença de metais. O Bois de Gerião infelizmente acabou, mas vocês chegaram a conhecer alguma banda brasileira de ska ou música brasileira em geral? Paralamas do Sucesso, por exemplo? Você mencionou Gilberto Gil, que inclusive escreveu uma música para eles.
Aaron: É muito legal ver que o ska punk se espalhou pelo mundo todo. Para onde a gente vai, tem bandas legais tocando. Hoje há mais bandas do que nunca. É muito interessante ver isso tudo crescer.

Scott: Eu não sei se cruzamos com alguma banda de ska brasileira. Eu não sei o que eu faria se algum dia pudesse conhecer o Gilberto Gil. Acho que eu choraria, para ser sincero. Para mim, ele está entre os três maiores músicos e compositores de todos os tempos. A primeira coisa que ouvi dele foi o disco 1969, com “Volkswagen Blues”. Eu celebro o talento do homem. Ele é extraordinário. Mas adoraríamos conhecer mais estrelas brasileiras.

Aaron: Estamos sempre procurando música boa para ouvir. Então, se tiver sugestões, pode mandar.

A turnê de vocês começa no mês que vem, por enquanto apenas com datas nos Estados Unidos. Planos para trazer a turnê para o Brasil?
Aaron: Estamos fazendo apenas alguns shows agora só para molhar os pés de novo, só para lembrar como se faz. Estamos fazendo o Warped Tour em Long Beach, Califórnia, e em Orlando, Flórida, e aí vamos fazer um show em Denver com a 311 – uma das nossas bandas favoritas de todos os tempos, além de Sublime e Slightly Stoopid, num festival de reggae. Depois veremos o que acontece. Não temos nenhuma turnê longa planejada, mas estamos abertos a qualquer coisa. Nosso agente de reservas falou em nos levar para o mundo todo no ano que vem, então podemos nos ver em breve.

Tomara! Os fãs brasileiros esperam há muito tempo por um novo show do Reel Big Fish. E para trazer essa turnê para a América do Sul, quais seriam os maiores desafios hoje?
Aaron: Ah, não sei. Temos pessoas boas. Sempre há bons promotores, e nosso agente trabalha com eles, e tudo correu bem no passado.

Scott: Eu acho que hoje em dia a parte comercial. A gente precisa estar um pouco atento a isso. Não quero ser político, mas o estado das coisas está tenso e desafiador. Não só pessoalmente, mas financeiramente também.

Aaron: Mas se há fãs aí que querem nos ver, nós vamos fazer dar certo.

Scott: Vamos fazer o possível para acontecer.

Scott, você deixou a banda em 2010, certo?
Scott: Sim, 2010.

Você é originalmente da Califórnia. Naquela época já morava em Nova York?
Scott: Sim, eu estava morando em Nova York na época. Mudei para Nova York em 2005, e aí voltei para a Califórnia em 2020.

E você também foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré. Como você tem passado desde então?
Scott: Felizmente tive uma recuperação praticamente completa. Fiquei paralisado do pescoço para baixo durante um período. Hoje convivo com a doença de Lyme crônica, que os médicos acreditam estar relacionada à síndrome de Guillain-Barré. É um desafio constante. Mas você toma seus suplementos, descansa, tenta viver da forma mais saudável possível… e, até agora, isso ainda não conseguiu me matar.

Aaron: Continua firme e forte.

Vocês têm filhos?
Scott: Tenho dois.

Aaron?
Aaron: Eu não. Tenho um cachorro.

O que a paternidade te ensinou, Scott? O que significa ser pai para você?
Scott: Ah, significa tudo. Nossa, essa pergunta é tão grande. Meus filhos são algumas das minhas pessoas favoritas. São incríveis, interessantes e muito mais inteligentes do que eu jamais fui na idade deles. Na verdade, acho que já são mais inteligentes do que eu sou hoje. Ser pai muda a maneira como você enxerga as novas gerações. Quando você convive com elas de forma tão íntima, isso traz muita esperança. Também me mantém jovem. Conheço gente que diz que a paternidade faz a pessoa se sentir mais velha. Comigo aconteceu o contrário. Eu me sinto bastante jovem. Posso jogar videogame com meus filhos, assistir filmes de terror, fazer trilhas, acampar… simplesmente passar tempo com eles. Meus filhos gostam de brincar, fazer bagunça e aproveitar a vida. Mas também aprendo muito com eles. Escuto o que têm a dizer, o que pensam, quais são seus medos, e percebo que todos nós enfrentamos os mesmos problemas, apenas em intensidades diferentes. E ainda tem a parte de alimentá-los… isso também é importante. (risos)

Aaron: Ele poderia ficar falando sobre isso por horas.

Scott: Eu gosto de ser pai, é divertido. Sou um pai bem presente.

Vocês estão no documentário “Pick It Up!: Ska in the ’90s”. Tem uma parte engraçada em que o Scott entrevista pessoas na rua e elas não o reconhecem. Aaron, no documentário, você comenta que as bandas da Costa Leste eram mais sérias quanto à musicalidade e um pouco “desconfiadas” das bandas da Costa Oeste. Havia um certo tipo de tensão entre essas duas cenas?
Aaron: Ah, eu não acho que havia muita tensão. Todo mundo era bastante acolhedor e só feliz por ver outra banda de ska tocando. Havia alguns que ficavam meio “Quem são esses caras?” Mas ninguém nunca chegou na nossa cara: “O que vocês estão fazendo na nossa cena, cara?”. Pelo menos na nossa experiência, todo mundo sempre foi muito legal.

Scott: Acho que quem implicava conosco teria implicado de qualquer jeito, mesmo que estivéssemos tocando ska tradicional. Simplesmente nunca foi natural para nós seguir regras rígidas. Sempre existirá alguém dizendo: “Esses caras estão fazendo errado.” E aí fazemos do nosso jeito e a pessoa continua reclamando porque “não era assim que deveria ser”. Tem gente que simplesmente gosta de reclamar.

Aaron: Naquela época, por volta de 1995 e 1996, o ska punk estava explodindo nos Estados Unidos. Havia um entusiasmo enorme. As pessoas estavam felizes em descobrir novas bandas. O clima não era de competição nem de “esses caras estão fazendo errado”. Claro que sempre existem críticos, mas, de maneira geral, havia muito apoio. Não existia uma rivalidade Costa Leste versus Costa Oeste como aconteceu no rap com Tupac. Existia muito mais amor do que rivalidade.

Scott: Eu me lembro de pessoas dizerem que havia uma treta do Reel Big Fish com o Less Than Jake, e a gente nunca tinha se conhecido. Aí nos encontramos no Arizona, assistimos ao show deles e ficamos tipo “Esses caras são fodas pra caralho”, e aí nos conhecemos e ficamos “A gente devia se odiar?” “Não, vamos tomar uma cerveja.” E eles assistiram a gente, e somos amigos desde então. Amamos aqueles caras como família. Parte disso é só o que as pessoas gostam de inventar. Elas querem que haja algum tipo de rivalidade.

Aaron: Acho que muito disso vinha das batalhas entre Costa Leste e Costa Oeste do rap nos anos 90. As pessoas projetavam isso no ska, mas nunca existiu de verdade.

Scott: Nós gostamos da maioria das bandas, independentemente do tipo de ska que toquem.

Aaron: Naquela época havia tão poucas bandas de ska punk que era impossível não gostar de todas.

Scott: Qualquer pessoa disposta a passar horas ensaiando numa garagem abafada ou no quarto de alguém, entrar numa van que pode quebrar a qualquer momento, carregar equipamentos caindo aos pedaços e tocar para vinte pessoas num clube pequeno merece respeito. Você aprende a valorizar quem faz isso porque é justamente esse apoio mútuo que mantém todos seguindo em frente. Comunidade.

Comunidade. Isso me leva à última pergunta. No documentário “Pick It Up!”, Christian Jacobs, do The Aquabats, diz que montar uma banda deveria ser sobre se divertir, fazer as pessoas felizes e colocar as crianças para dançar. Scott também já disse: “Que se dane o dinheiro. Que se dane a fama. Faça diferença. Nada disso importa se não houver uma conexão humana.” No fundo, você acha que o ska e toda aquela cena eram, acima de tudo, uma forma de construir comunidade e um sentimento de pertencimento?
Aaron: Ah, com certeza. Absolutamente. Era definitivamente sobre encontrar um lugar onde você pudesse pertencer, se sentir você mesmo, se expressar, curtir, aproveitar a vida. Deixar os problemas do mundo de lado e estar com seus amigos se divertindo. Especialmente na cena de Orange County, era realmente assim, você não precisava ter um moicano ou uma roupa específica. Qualquer pessoa era bem-vinda. Foi por isso que comecei a usar camisas havaianas. Ninguém me batia porque eu parecia engraçado. Era um ambiente extremamente acolhedor e inclusivo. No fim das contas, tudo girava em torno da diversão e do amor pela música.

Scott: Era sobre comunidade, encontrar um lugar para pertencer. Parecia que qualquer um podia simplesmente chegar, ficar e fazer parte, e aí se você ficasse tempo suficiente, alguém diria “Ei, você toca alguma coisa?”

Aaron: Sim. Nós éramos uns garotos estranhos e desajeitados, e encontramos um lugar onde pertencíamos. Foi legal.

Scott: Esse nível de confiança que você está vendo não vem do nada (Scott apontando para Aaron e para si mesmo, Aaron rindo). Ela nasceu do cadinho da dor e de muito constrangimento. Você aprende muito quando está numa banda de ska porque há muitas personalidades diferentes. É um microcosmo de aprender a lidar com um monte de pessoas diferentes. E a comunidade era assim em grande escala: muitos contextos diferentes, personalidades. Diferentes convivendo juntas.

Aaron: Comunidade e diversão. É para isso que o show começa.

Alguma mensagem para os fãs brasileiros?
Aaron: Sentimos saudades de vocês.

Scott: Nós amamos vocês.

Aaron: Mal podemos esperar para vê-los. Já faz muito tempo.

Scott: Estamos trabalhando nisso, estamos trabalhando para chegar aí. Aaron: 2027!

– Heberton Barreira é estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do @yayatedance. A foto que abre o texto é de Jonathan Thorpe

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