entrevista de Diego Albuquerque
Samuel Brandão é um artista plástico, compositor e produtor nordestino que mora no Piauí e já participou das bandas Captamata e Fabulah. Com o nome artístico SAMUCAPTA, ele já lançou alguns singles solos ou em parceria com a banda Ultrópico Solar, de Parnaíba, litoral do Piauí. Agora, o artista finalmente lança seu primeiro álbum solo homônimo: o trabalho apresenta sonoridades que passeiam pelo regional com o som de viola caipira e bandas de pífano, ao rock clássico, psicodelia, música celta, folk, étnica e instrumental com influências das mais variadas partes do mundo, além da nossa tradicional MPB.
Apesar de ser um trabalho solo, não se trata de um álbum solitário. Várias faixas de “SAMUCAPTA” (2026) foram produzidas por Samuel em parceria com outros amigos compositores como Gabriel Medeiros, Esaú Barros, Joe Ferry, Vitor Lira, ambos parceiros dos tempos da banda Fabulah. Além de nomes da cena local, como Lívio Nascimento, Jean Medeiros, André Oliveira, Lucas Rolim, Eduardo Speeden, Luís Duailibe, Leo Mesquita, Levi Nunes, Savina Alves, Inácio Botelho, entre outros artistas.
“SAMUCAPTA” traz 12 faixas que vem sendo produzidas e desenvolvidas desde o pós pandemia, maturadas com toda calma. O álbum ganha os streamings e apresenta um nordeste que se conecta, não apenas geograficamente com a América do Sul e Latina, mas que viaja ao longo do tempo, bebendo da psicodelia setentista do próprio nordeste de outrora, mas também do além mar de Beatles, Floyd, Jethro Tull, Gentle Giant e outros grandes artistas, influências sonoras seculares. Tudo isso mantendo a identidade nordestina que percorre todo o trabalho.
Para entender um pouco mais sobre o trabalho, suas influências e mais, Samuel Brandão faz um faixa a faixa exclusivo para o Scream Yell. Dê o play pra ouvir o álbum no seu streaming favorito aqui e saca o texto abaixo:
01) A volta de Pã – A primeira música é um instrumental inspirado nas culturas grega e celta. Ele faz um prenúncio da volta do ser humano às suas raizes, ao convívio e equilíbrio com a natureza e o cosmos. O deus Pã é uma divindade da mitologia grega que simboliza a força da natureza em seu estado mais livre, a fertilidade, a música e a dança, é ele quem anuncia o retorno do ser humano à natureza com o som encantador de sua flauta.
02) Dança da Chuva – É uma parceria minha com Gabriel Medeiros, amigo e compositor da banda Fabulah, e também retrata a força da natureza. Tem viola caipira e flautas, e fala sobre o planeta Terra como uma Grande Mãe que se autorregula, se autoprotege e retroalimenta a vida, através do ciclo da água e da dança da chuva, como se a própria terra se acariciasse com raios e chuva para a manutenção da vida.
03) Better Shine – É um rock pop clássico, meio progressivo e com alguns efeitos psicodélicos. A letra fala sobre o que impede o ser humano para a expansão da consciência e o encontro com sua visão cósmica: a cruz, o relógio, a tv, um milhão e o que pode fazer ele brilhar melhor e viajar na imensidão.
04) Tell Me Now – A quarta música fiz em homenagem a Paul McCartney, mas coloquei elementos como teclados inspirados em Roberto Carlos, backing vocals à la Beach Boys e solos de guitarra invertidos, influenciado por Beatles e Pink Floyd. Quem toca é a Banda Ultrópico Solar, de Parnaíba.
05) Tá pra chegar – É uma música meio rock progressivo brasileiro dos anos 1970, com arranjos meus e de Gabriel Medeiros. A letra de Joe Ferry, grande poeta teresinense, é inspirada em “A Dança das Borboletas”, música de Zé Ramalho e Alceu Valença, e fala sobre um amor que irá contagiar a humanidade em um novo tempo de expansão da consciência e integração com a natureza e o cosmos. Irá se espalhar!
06) A Tarde do Rei – É uma música instrumental composta por mim e Esaú Barros para a banda Fabulah. Fiz uma versão nova, com mais elementos, como trompetes e violões, e coloquei um áudio do grande e saudoso presidente revolucionário uruguaio, Pepe Mujica. A música tem uma parte meio celta e meio espanhola com trompetes jazzísticos.
07) Filho da Terra – A sétima música é inspirada na cultura celta. É uma composição minha que fala sobre o amor à grande mãe terra e ao universo.
08) Semente do Templo Dourado – É outra composição instrumental. Inspirada em musicas chinesas, simboliza a chegada de novos tempos, mais comunitários, mais respeitosos e com uma consciência coletiva, íntegros com os ciclos da Natureza e da Terra. É um hino para um novo comunismo que virá!
09) Lunático (o luar do besouro rosa mutante) – Foi minha primeira composição! Fiz em homenagem a Raul, Beatles, Pink Floyd e Mutantes. Tentei misturar elementos de uma atmosfera meio “Ave Lúcifer” (Mutantes) com menções a “Arnold Layne” e “Shine On You Crazy Diamond” (ambas do Pink Floyd), “Cercas embandeiradas que separam quintais” (Raul), e um final apocalíptico meio Zé Ramalho e “I Want You” (Beatles).
10) Sopro – Fiz a letra em parceria com Gabriel Medeiros. Guitarras de Jean Medeiros e Lívio Nascimento, um baixo meio Walter Franco, metais ardentes e a letra que fala sobre o olhar da consciência do universo abrindo suas várias pálpebras diante da eternidade, através da delicadeza efêmera da vida.
11) Barra da Lagoa – É um bônus track. É uma música de viola caipira, inspirada em Almir Sater, composta por mim e tocada por Lívio Nascimento. Fala sobre a simplicidade do tempo presente de quem vive na beira da lagoa da vida.
12) Gorjeio – Também é uma faixa bônus. Música instrumental inspirada em bandas de pífano do Nordeste, que teve a generosa e brilhante participação de Leozim do Pife da Banda Caju Pinga Fogo, Fagão nas percussões e Inácio Botelho na luxuosa sanfona à la Dominguinhos.

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país. A foto que abre o texto é de Flavio Charchar.