texto de Wagner Xavier
A banda Jericho Jones, originária de Israel, apesar de uma pequena discografia, teve três nomes durante sua existência. Eles iniciaram suas atividades ainda em Israel em meados de 1968 com o nome de The Churchills. Com o objetivo de se projetar no cenário roqueiro, a banda tomou duas atitudes: primeiro, mudou-se para a Inglaterra; segundo, trocou o nome para Jericho Jones. Formada por Alain Romano (Guitarra), Mike Gabrielle (Baixo), Robb Huxley (guitarra), Danny Shoshan (Vocal) e Ami Criebich (bateria), o quinteto Jericho Jones iniciou sua carreira discográfica com o excelente álbum “Junkies, Monkeys & Donkeys” de 1971.

O debute do Jericho Jones é uma mistura de hard rock com alguns momentos que lembram o psicodelismo do final dos anos 60. A primeira faixa é “More Tranquilitatas” (2’21), cujo trabalho instrumental é o grande destaque. A faixa começa numa levada pop da época, dando a impressão que o álbum irá seguir esta linha. Em seguida, “Main in the Crowd” (3’16”) mostra para que o Jericho veio. Faixa pesada, com grande trabalho de guitarra, um puro hard rock da melhor safra.
A música seguinte, “There is Always a Train” (6’35) mostra que o disco realmente é muito bom com um belo dueto vocal, violões e guitarras bem dosadas. A faixa seguinte, “Yellow and Blue” (5’01) é uma balada que neste momento cai muito bem (para garantir um fôlego para o restante do álbum).

O início da próxima faixa, “Freedom” (3’50) lembra bastante a levada de “Cocaine” (J.J. Cale), gravada também por Eric Clapton, com algumas pitadas de guitarra a lá Rolling Stones. Segue-se a curta instrumental “Triangnium” (0’48) e a ótima No School To-Day (5’51). A faixa título, “Junkies, Monkeys & Donkeys” (7’36), surge enigmática, progressiva, lembrando (inevitavelmente) Led Zeppelin em alguns momentos. É outra que também se destaca pelo excelente instrumental, ótimo vocal e solo de guitarra dos melhores. O disco, com 10 canções, chega ao final com a melhor faixa de todas: “What Have We Got to Lose” (4’26) é uma música perfeita, combinação de peso, melodia e um grande instrumental. Fantástica!
Este álbum, diferentemente do segundo, se caracteriza por uma maior diversidade, mais próximo de influências da época, como Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Cream, entre outros. Lançado originalmente em 1971 pela A&M Records, “Junkies, Monkeys & Donkeys” ganhou edição em CD em 1990 e um primeiro relançamento, pela própria A&M, em 1995. Em 2002, o selo independente italiano Akarma envelopou o álbum numa edição luxuosa dupla em vinil (simples em CD) que trazia, inclusive, cinco canções inéditas (de primeira linha) da banda.

O segundo registro do grupo já traz apenas Jericho e é puro hard rock. Lançado em 1972, o disco homônimo já possui um estilo mais definido. Contra o fato de não ser tão variado, temos a qualidade de ouvir um disco mais pesado, denso e ainda com a excepcional qualidade da banda. “Jericho” abre com “Ethiopia” (4’20), um show instrumental.
Ouvindo este som tem-se a impressão de estarmos nos anos 80 ouvindo aquele metal alucinado. O guitarrista é simplesmente sensacional. “Don’t You Let Me Down” (3’40), dá um tempo no peso e nos apresenta outra boa canção. O disco também contém “Justin and Nova” (7’15), linda de morrer, balada com um belo teclado e vocal em grande estilo. A musica conta até com orquestra (coisa meio em moda hoje em dia).
Para finalizar o curto tracking list, de cinco faixas, segue a longa e épica “Kill Me With Your Love” (9’00), que para deixar o leitor entusiasmado e curioso, também é muito boa. Um rockão …. na veia. Este segundo disco também ganhou relançamento, mas pelo selo alemão Repertoire, em 1990, tanto em vinil quanto em CD – os dois discos foram relançandos em vinil pelo selo espanhol Guerssen em 2026!
Infelizmente, após estes dois discos o Jericho encerrou suas atividades. Porém fica como legado esta pequena obra (prima) que, apesar do tempo, não soa datado, velho ou coisa parecida (existem discos que, como uma boa bebida, ficam melhores a medida que o tempo passa – e este parece ser o caso). Tanto “Junkies, Monkeys & Donkeys” quanto “Jericho” merecem ser escutados com bastante atenção, pois fazem jus a fama do hard rock setentista.
O Jericho Jones (ou Jericho) pode não ter alcançado sucesso em sua época, mas é inegável sua qualidade, estilo próprio e capacidade de criar grandes canções, uma das melhores bandas do estilo. Sua força instrumental é fantástica, além de contar com um cantor com uma grande voz. Ouça abaixo os dois álbuns na integra!
– Wagner Xavier assina a coluna Rock Raro no Scream & Yell e é autor do livro “Rock Raro, o Maravilhoso e Desconhecido Mundo do Rock”. Saiba mais aqui.
