Boteco: Da Argentina, Juguetes Perdidos

por Marcelo Costa

Abrindo uma sequencia da argentina Juguetes Perdidos, que estreia por aqui (após figurar no texto sobre 11 lugares para se beber cerveja artesanal em Buenos Aires) com a Galaxitra Tropical, receita especial da premiada IPA Galaxitra que aqui recebe adição de coco, que não traz as notas tradicionais da fruta, mas sim algo de madeira. “Talvez por causa do amargor nos taninos, parecer envelhecido em carvalho americano, mas sem perder o aroma do lúpulo, é o que procurávamos”, contou o cervejeiro Ricardo “Semilla” Aftyka ao blog Pulso Cervecero. Na taça, a Juguetes Perdidos Galaxitra Tropical exibe coloração dourada levemente turva com creme branco de excelente formação e média alta retenção. No nariz, nada de coco, mas sim muito frutado cítrico puxado para maracujá e abacaxi e presença leve de resina. Na boca, doçura rápida no primeiro toque seguida de frutado cítrico envolvente e amargor potente e resinoso, 74 IBUs de responsa. A textura é picante e cremosa. Dai pra frente, uma American IPA pancada que o Brasil não vem fazendo mais, amarga, resinosa e cítrica. No final, secura, salivação e cítrico (talvez coco). No retrogosto, resinoso suave, amargor, cítrico.

A segunda da argentina Juguetes Perdidos é a Hop de Lis, uma American IPA fermentada com levedura belga que eu já havia bebido na minha primeira vez no Bier Life, famoso pub de cerveja artesanal em Buenos Aires, e agora experimento na versão em lata. De coloração dourada com creme branco de excelente formação e longa retenção, a Juguetes Perdidos Hop de Lis apresenta um aroma que combina deliciosas notas cítricas com doçura maltada e funky da levedura belga, sugerindo especiarias. Na boca, doçura e frutado cítrico chegam juntos no primeiro toque com o funky da levedura acrescentando leve complexidade na sequencia e amargor marcante (66 IBUs comportados). A textura é suave, quase sedosa, e levemente picante. Dai pra frente, uma Belgian IPA que respeita muito bem suas duas fontes de inspiração (EUA e Bélgica). No final, leve amargor e funky. No retrogosto, bastante doçura e cítrico.

A terceira lata da Juguetes Perdidos, fechando essa série, é a Saison Maracuya, uma Farmhouse Ale belga com adição de polpa de maracujá na receita. De coloração dourada, cristalina, com creme branco de boa formação e média alta retenção, a Juguetes Perdidos Saison Maracuya apresenta um aroma com levedura disputando a atenção com a fruta, que acrescenta leve doçura cítrica em meio ao funky tradicional do estilo. Na boca, doçura e funky suaves no primeiro toque com presença mais assertiva de maracujá na sequencia e também presença maior do funky derivado da levedura. Não há amargor e a textura é suave com leve picância e frisância. Dai pra frente surge uma Fruit Saison, com a rispidez tradicional do estilo amaciada pela fruta. No final, secura e funky bem suave. No retrogosto, maracujá, pêssego, funky e refrescancia.

Balanço
Cervejaria que me conquistou quando estive em Buenos Aires, a Juguetes Perdidos marca presença primeiro com a Galaxitra Tropical, versão com coco da Galaxitra tradicional e premiada. Como não bebi a primeira versão não há como comparar evolução do estilo, mas o coco não é distinguível no conjunto, estando mais presente para compor a experiência do que para colocar o dedo na ferida (se você, como eu, esperava isso, tire o cavalinho da chuva). O que sobra é uma boa West Coast IPA bem cítrica, algo que o Brasil deixou de fazer diante do domínio NE. Já a Juguetes Perdidos Hop de Lis é uma Belgian IPA bem interessante que honra tanto a escola USA quanto a belga. Fechando o trio, a Juguetes Saison Maracuya é uma Saison amaciada pela fruta, e boa. Gostei das três.

Juguetes Perdidos Galaxitra Tropical
– Produto: American India Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6.7%
– Nota: 3,55/5

Juguetes Perdidos Hop de Lis
– Produto: Belgian IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6.5%
– Nota: 3,58/5

Juguetes Perdidos Saison Maracuya
– Produto: Saison
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7%
– Nota: 3,41/5

Leia também
– Top 2001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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