Três perguntas: Riviera Gaz

por Guilherme Lage

Com sete álbuns na bagagem e um currículo invejável de colaborações, o Forgotten Boys construiu uma carreira de respeito na história do rock independente brasileiro. Com influências de nomes como MC5 e New York Dolls (com quem já dividiram o palco), o quinteto (que já foi um quarteto e também um trio) é um dos nomes mais fortes do cenário underground paulista que explodiu no final da década de 1990. As composições da banda são reflexo da própria vivência musical dos músicos, passando desde a efervescência proto-punk ao hard rock, resultando numa miscelânea sonora de identidade bastante reconhecível para entusiastas.

Um dos maiores responsáveis pela solidificação desta identidade do Forgotten Boys é o guitarrista e vocalista Gustavo Riviera, que encabeça a banda desde sua gênese, no ano de 1997. O cara, que é um nome forte do cenário de rock alternativo no país, leva suas referências agora não apenas aos seus iconoclastas “Meninos Esquecidos”, mas também para a banda paralela Riviera Gaz, que está lançando “Connection” (2018), segundo registro físico do projeto, já disponível em plataformas de streaming (Bandcamp incluso), em CD, LP e K7 pelo selo Hearts Bleed Blue. A turnê de divulgação do álbum começa  em Santiago, no Chile, no próximo dia 29/06 e passará ainda por Concepcion (30/06), Valparaiso (01/07), Belo Horizonte (03/07), Maringa (05/07), Londrina (06/07), São Paulo (07/07) e Campinas (08/07).

Gustavo Riviera deu início ao processo de composição das faixas que culminariam no Riviera Gaz durante um período sabático em Paris, longe da dinâmica de trabalho de uma banda. O primeiro EP, “Pere Ubu”, foi lançado em 2016 com quatro faixas, que agora reaparecem ao lado de mais sete inéditas em “Connection”. Distante de amarras sonoras ou caminhos pré-estabelecidos, a banda – que além de Gustavo na guitarra e vocal traz ainda outro “forgotten boy”, Paulo Kishimoto, no baixo, e Steve Shelley, da lendária Sonic Youth, na bateria – mostra uma sonoridade que deve agradar tanto os fãs do Forgotten, quanto aqueles que procuram por algo novo. Abaixo, Gustavo fala um pouco sobre o Riviera Gaz.

Você começou a compor pro Riveira Gaz em Paris: chegou a se apresentar por lá? Como foi o início do projeto e como se deu a entrada do Steve?
Toquei só algumas músicas (em Paris). Fiz uma apresentação com um amigo, eu tocando violão e cantando e ele tocando guitarra. Foi a minha primeira experiência sozinho, lá eu não tinha uma banda e precisava compor algo. Fui compondo e gravando as coisas em casa. Nesse momento em que eu estava morando fora, um amigo comentou que conhecia o Steve Shelley. Quando ele veio para o Brasil pra tocar com o Lee Ranaldo, levamos a demo para ele, que topou fazer parte do projeto. Quando ele veio, a gente se entendeu muito bem e acabou virando uma banda mesmo. (O processo de composição) é mais eu, porque o projeto nasceu quando eu estava sozinho. O Steve e o Paulo também participam bastante, mas quem escreve sou eu. 

Pode falar um pouco sobre a “Bleeding”, segunda faixa de divulgação do disco? Você diria que essa é a pegada do disco?
A “Bleeding” pra mim é uma música bem simples. Tem toda essa questão que me interessa, uma atmosfera meio cinematográfica. Uma coisa meio perdida, meio sem consciência. Um momento um pouco antes da morte, então tem essa coisa meio confusa, esse ritmo meio acelerado. O disco tem muitas variações, tem bastante personagem. Tem músicas bem diferentes umas das outras. Me inspirei em alguns filmes, livros que estava lendo. É um disco feito em três momentos, três partes, mas que soa coeso.

Como você acha que o material é diferente do Forgotten Boys?
O Forgotten já tem uma história muito longa, um apelo ao qual ficamos enraizados. O Forgotten já tem uma maneira própria e o Riveira Gaz não tem uma pretensão de um estilo fixo. Também tem a questão das diferenças de trabalhar com um trio e com um quinteto. É um projeto bem livre e a gente tem de baladas a músicas bem mais energéticas.

– Guilherme Lage (www.facebook.com/breadandkat) é jornalista e mora em Vila Velha, ES. A foto que abre o texto é de Renata Molina / Divulgação HBB

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