Entrevista: AmyJo Doh & The Spangles

por Marcelo Costa

Lançado em outubro de 2017, “Calle de The Spangles” é o empolgante álbum de estreia da banda anglo-espanhola AmyJo Doh e The Spangles, que tem como frontwoman Amy-Jo, a primogênita do clã Doherty, nascida em 1978 (Pete, o irmão, nasceu em 1979, e depois veio a caçula, Emily) e com rock correndo no sangue na mesma pegada inspirada do irmão famoso, que conheceu a outra metade criativa do Libertines, Carl Barat, quando, ainda estudantes, Carl e Amy-Jo dividiram um apartamento em Richmond.

Segundo uma reportagem de 2013 da (não muito confiável) Vanity Fair, assim que o imenso sucesso de Pete Doherty e a loucura dos tabloides britânicos alcançou o auge (principalmente no período “Kate Moss” da vida do irmão), Amy-Jo fez as malas e partiu para Madri com o intuito de ficar só seis meses estudando espanhol, e continua na capital espanhola 12 anos depois. No bate papo por e-mail abaixo ela pede para não acreditarmos em tudo que a gente lê na imprensa e avisa: “Meu irmão NÃO é um pesadelo”.

Acompanhada de Martin Víal (guitarra e vocais), Santiago Alegrett (baixo e vocais) e Greg Meson (bateria), Amy-Jo pratica com os The Spangles um rock and roll sujo, desengonçado e divertido que lembra, em muitas passagens, os melhores momentos da banda do irmão. Na conversa abaixo, ela clama para que alguém a traga ao Brasil e conta que passou alguns dias em Jericoacoara. “Escrevi a canção “Coraçao” (a música que fecha o disco) logo depois que voltei!”, revela, antes de listar três lugares bacanas para se visitar em Madri. Confira.

Conte-me um pouco sobre AmyJo Doh & The Spangles. Como você conheceu Martin, Santiago e Greg?
Conheci Martin (guitarra) anos atrás. Na verdade, eu era a manager de uma banda que ele tocava, e que se chamava El Hombre Rana. Eu era uma manager terrível (risos). No início, a formação original dos Splangles era bem diferente, e conforme os integrantes foram saindo da banda, incorporamos Santi (baixo), que eu conhecia porque tocávamos juntos em outra banda, a Monteavaro, e o Greg, que participou de uma audição que fizemos para novos bateristas, e ele ficou com a vaga.

Li que você decidiu ir a Madri para fugir de um pesadelo (Pete) e realizar um sonho (aprender espanhol para ir ao México). Lá se vão 10 anos: como estão o sonho e o pesadelo hoje?
Bem, você deve saber que não pode acreditar em tudo que você lê! Em primeiro lugar, meu irmão NÃO é um pesadelo, isso é coisa da imprensa e do circo que muitas vezes envolve uma celebridade. Acontece que eu já tinha tido o suficiente de Londres e, por vários motivos, decidi me mudar. E sim (essa parte é verdadeira!): o México sempre foi meu sonho. Vim passar seis meses (em Madri) e aqui estou há quase 12 anos!!

Um álbum de estreia aos 40 anos não é tão comum na música pop. Por que esperamos tanto tempo para ouvir “Calle The Spangles”?
Ha ha ha ha… Sou uma iniciante muito tardia no mundo da música! Mas, obrigado, ainda não tenho 40! Felizmente, estou aprendendo a ter paciência, e, realmente, os únicos limites de idade para as coisas são os que nós mesmos nos colocamos. Estou apenas começando e espero ainda estar voando quando tiver 60 anos.

A grande maioria dos países da América Latina fala espanhol, mas aqui no Brasil falamos português. O que você conhece sobre o Brasil? Seria interessante ver AmyJo Doh & The Spangles ao vivo por aqui…
Você é do Brasil??!!! Ohhhh! Amazing! I LOVE Brasil! Gostaríamos muito de tocar aí! Um dos meus amigos mais queridos vive em Jericoacoara. Eu o visitei alguns anos atrás… E escrevi a canção “Coraçao” (a música que fecha o disco) logo depois que voltei! Amei o fato de que havia música ao vivo em todos os bares, e todos que conheci foram tão amigáveis! Por favor, nos ajude a tocar ai! Podemos ir há qualquer momento!

Para fechar, já fui a Madri algumas vezes, e gostaria que você os contasse seus três lugares favoritos na cidade, a Espanha pelo olhar de uma inglesa 🙂
Ohhh… Madrid é uma ótima cidade e escolher apenas três lugares é muito difícil, porque depende do horário do dia e do que você está querendo fazer! Mas ok… eu amo o ‘El Rastro‘, um mercado de rua que acontece aos domingos e feriados (no centro histórico de Madrid, no popular bairro de La Latina). Está repleto de fabulosas lojas de segunda mão e lugares antigos. E aos domingos é um ótimo lugar para curtir. La Bodega de Aguila é um bar fabuloso que tem música ao vivo de quinta a domingo, e uma ótima vibração. Eles recebem sempre uma variedade incrível de músicos e a equipe da casa trata todo mundo muito bem. Faço muitos shows acústicos lá. Vou incluir o Museo De Jamon também… porque é uma rede de bares que pode ser encontrada em todo o centro de Madri, muito barata e de boa qualidade. Os turistas adoram! Eu já não vou muito, mas quando cheguei em Madri, eu fiquei tão impressionada que escrevi uma música sobre eles, e eles curtiram tanto que nos deram um dinheiro para gravar um vídeo!

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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