Entrevista: Marcelo Callado

entrevista por Leonardo Vinhas

Lançar um vinil duplo, de tiragem limitada, e fazer dessa a principal plataforma de lançamento de um álbum pode parece ser uma estratégia de suicídio financeiro – ainda mais considerando que o disco anterior não teve muita difusão. Pois é exatamente isso que o carioca Marcelo Callado está fazendo.

“Musical Porém” (2017) já está à venda na sua caprichadíssima versão física, lançada em uma parceria do selo Embolacha (do qual Marcelo é sócio) com a Rock It!, de Dado Villa-Lobos. É o segundo álbum solo de Callado – o primeiro, “Meu Primeiro Trabalho Han Solo vol. II” saiu em CD em 2015 (e pode ser ouvido e baixado no Bandcamp). Entre ambos, veio “Callado Compacto” (2016), vinil de quatro faixas instrumentais gravadas com a ajuda de Pedro Sá, Kassin e João Erbetta. O disco atual traz 20 canções, equitativamente divididas em quatro lados de cinco faixas. Apenas em dezembro (possivelmente no dia 08) ele estará disponível nas plataformas de streaming – por ora, só o vinil mesmo (para compra-lo, chegue mais no Facebook: fb.com/callado.marcelo ou pelo e-mail callado.marcelo@gmail.com.

Entretanto, a grande questão nisso tudo não está no formato ou no tamanho do disco, e sim no fato de que “Musical Porém” é um excelente álbum: pop, convidativo, com letras cheias de uma poesia simples e sagaz. Mesmo que assumidamente apoiado em referências do passado – rock, pop, samba e MPB dos anos 60 e 70 – é pleno de frescor, tendo pouca ou nenhuma relação com o revisionismo que aparece em discos recentes da música pop brazuca aqui e acolá. Não à toa, Marcelo diz que sua música é “de certa maneira, retrô, mas de outra maneira é nova, não parece com nada que tá aí”.

Claro, há referências identificáveis – Callado fala sobre todas elas nesse bate-papo exclusivo com o Scream & Yell. Fala também sobre o clima de “recomeço” que o disco traz, e que representa um resgate concreto de uma alegria de viver e de um cuidado com a própria vida. Porque essas eram coisas que, em virtude de várias razões, já não faziam parte de sua vida.

Assim, seja com “Nascer” (o belo poema de Drummond musicado), o embalo sixtie de “Uma Corda Preto-e-Branco” (dedicada à sua filha), o sambinha “Do Tempo do Onça” (uma celebração de seu anacronismo musical), a folk “Night Paradise” ou a marchinha psicodélica “O Homem Nada”, Callado cria canções que ajudam a redefini-lo e refazer sua vida, após um período de separações, abuso e acidentes alcoólicos graves – como o que lhe custou vários dentes e é o objeto de inspiração para o rock “Fica”, primeiro single do álbum. “Fica”, aliás, sai oficialmente apenas dia 24/11, mas Callado liberou a faixa para audição exclusiva no Scream & Yell.

Ter os discos solo não tira Marcelo Callado de suas muitas atividades seja com a banda Do Amor, ou acompanhando Caetano Veloso (sete anos na banda Cê), Flu, Jonas Sá, Branco Mello e o Futurismo, Canastra, Lafayette e Os Tremendões… “Eu tô sempre metido em outras coisas, porque não consigo viver do meu trabalho autoral”, resume Marcelo, que ainda é músico de turnê, compõe trilhas para peças de teatro, curta-metragens ou vídeos institucionais, além de comandar o Estúdio do Amor, no Rio de Janeiro. Confira o bate papo.

“Musical Porém” soa muito como um disco de recomeço. O disco já começa falando em “nascer”, parece que você está retomando sua vida, ou mesmo começando uma vida nova. Como isso orientou sua criação?
É exatamente isso aí. Se você sentiu isso tudo, se o disco consegue passar isso, é um bom sinal, porque é a ideia que eu queria passar. É algo que de fato aconteceu na minha vida. Eu vinha de dois discos – vou deixar o “Fodido Demais” [2017], do Do Amor, um pouco fora dessa – que um era “Meu Primeiro Trabalho Han Solo vol. II” (2015), e o outro o disco com minha ex-mulher, a Nina [Becker], o “Gambito Budapeste” (2012), que era bem um disco de casal, gravado no nosso apartamento, falava do nossa dia a dia, das viagens e da saudade, das músicas que a gente gostava. A vida caminhou, nossa filha nasceu, e a gente se separou. No meio disso, eu fiz algumas músicas que falavam de resgatar o casamento, e no “Han Solo” entraram algumas dessas coisas. Mas o casamento acabou. Não é que não deu certo: deu, a gente tem uma filha, se dá bem, só mudou a configuração. E dessa nova configuração surgiram muitas canções que falavam justamente disso, de um recomeço, uma vida pós-separação, com uma filha nova… Depois de todos esses anos, ficar sozinho me deixou em um mar muito revolto de sensações e atitudes, de novas experiências, e acabei me emburacando muito em coisas que me levaram a lugares desconhecidos, sabe? Fui muito ao pé da letra para a coisa do “sexo, drogas e rock’n’roll”, bebia demais… Até chegar a um ponto que os amigos e a Nina vieram falar que isso estava meio brabo, e estava mesmo. E comecei a tentar me recuperar. O poema que está na “parte de trás” do disco se chama “Recuperação”, e você pode ter várias abordagens dele. Mas, para mim, é como se o cara tivesse chegado a um limite e vai militar para sair daquilo e chegar numa paz. Isso é representado também pelo “zap”, a paz ao contrário (nota: a palavra “paz” soletrada de trás para frente, para efeitos de clareza). Eu me referenciei muito naquele seriado do Batman dos anos 60, que tinha aquele “Zap! Soc! Pow”, e é como se o zap fosse isso, um corte, “pá!”. Cheguei ao limite e dei um corte – ou estava a procura de um limite para dar um corte conseguir essa paz. Esse disco abarcou muito esse tempo, de um renascimento mesmo. Por isso o disco começa com o poema do Drummond que eu musiquei (“Nascer”), enquanto eu estava voltando a ser feliz, a ter um controle maior da minha vida. A maioria das músicas novas que fiz tem a ver com isso, só que eu também tinha músicas boas que ficaram perdidas: ficaram fora do Gambito, do “Han Solo” e do Do Amor. Entrei numas de fazer [meu disco]: já que eu tenho um estúdio, que é o Estúdio do Amor, eu pensei: “Por que não gravar tudo e depois selecionar?” E gravei tudo: 21 músicas. A que tem o poema “Recuperação” é uma musica também, mas eu não gostei do resultado musical dela. Então ficaram 20.

É um número grande para os dias atuais. E sai em vinil antes de ser lançado em qualquer formato.
Eu quis fazer vinil! No “Han Solo” não quis investir tanto, estava inseguro ainda com ter um trabalho solo e preferi fazer CD. Mas agora eu tinha uma grana guardada, ainda dos trampos com o Caetano, e eu quis fazer do meu jeito. Eu só escuto vinil: escuto pouco CD, e menos ainda de música pela internet. E esse disco [“Musical Porém”] chegou a um resultado que me deixou muito feliz, apesar de ter temas meio pesados. Resolvi juntar o que eu tinha de novo, e as sobras de antes, e montar o vinil com capricho.

Aliás, ele é montado com cada lado tendo uma identidade clara.
Foi sim. Pensei em montar ele por lados, com climas diferentes. O primeiro é mais denso, punk, bruto, sério; o segundo é mais feliz, mais animado, menos rock e menos punk, ligado a ritmos brasileiros; o terceiro é uma coisa voltada para o rock anos 60/70, que eu gosto muito, e também mais melódico; e o último é um saco de gatos, é o que sobrou dos outros três.

Quem são os artistas que nortearam tua criação durante a feitura desse disco?
Um são os Titãs, outro é o Neil Young… (pausa) Velvet Underground, sempre! Lou Reed e o Velvet… (nova pausa) Beatles também, sempre me acompanham. E nesse saco vou botar o Júpiter Maçã. “A Sétima Efervescência” é um disco de nível altíssimo, acho muito foda. Mudou minha vida.

Hoje muitas bandas se apresentam como psicodélicas, mas o Júpiter conseguiu, com esse disco, fazer algo que quase ninguém faz hoje, que é trazer a psicodelia para dentro da canção pop, de um modo que talvez nem os Mutantes tivessem conseguido.
Exatamente! Eu acho que tem uma onda de psicodelismo rolando que eu não curto tanto. Acho que é muito maneiro fazer coisas viajandonas, mas as mais legais do psicodelismo é quando os elementos da viagem dão suporte a uma canção forte. A canção é poderosa do ponto de vista de letra e melodia, saca? Os mestres dessa parada – Syd Barrett, Júpiter Maçã, os Beatles da fase psicodélica, Arthur Brown, Brian Wilson – faziam música com todo um embasamento que não era só um climinha, não era só botar um delay e seguir ali.

O “Han Solo” teve pouquíssima repercussão na época que saiu. Muita gente que gosta do Do Amor não sabe que esse disco existe, o que dizer outras pessoas. Foi uma época em que o Benjão também estava lançando o solo dele (“Hardcore Nêgo”)…
(cortando) Pois é. É um disco que me deixou feliz, mesmo com a pouca repercussão eu consegui trabalhar, fazer uns shows. Tirando a última canção (“Carambolou Arriou”), que eu fiz depois que me separei, o “Han Solo” era eu procurando coisas positivas ainda – no meu casamento, na minha vida. E embora tenha um humor, é um disco muito sério. Ficaram essas duas tônicas. O Gustavo estava fazendo o álbum dele ao mesmo tempo, aí decidimos dar uma zoada, colocar um na capa do outro (nota: a capa de “Meu Primeiro Trabalho Han Solo vol. II” é uma foto de Gustavo Benjão, ao passo que a de “Hardcore Nêgo” estampa o rosto de Marcelo Callado).

Ao que você atribui a pouca repercussão desse primeiro trabalho?
Acho que isso se deve ao fato de eu ser muito ruim de rede social. Só agora que eu tenho Instagram. Foi uma pira que a Sarah Abdala me colocou. Ela é uma cantora que trabalhava no Banco do Brasil – é uma história bem peculiar: ela me conhecia por causa do trabalho com o Caetano e com o Do Amor, um dia a gente trocou uma ideia, e eu disse que ia produzir o disco dela. E fui coprodutor dos dois discos dela (“Futuro Imaginário”, de 2014, e “Oeste”, de 2017), mesmo. Hoje ela trabalha na Rock It!, que é o estúdio e selo do Dado Villa-Lobos, e também está montando uma assessoria de imprensa. Ela se ofereceu para fazer minhas redes sociais, porque disse que o disco era muito bom e tinha que ser divulgado. Na época do “Han Solo”, eu não tinha ninguém para fazer isso. Eu sou bem ruim nessa área, e faço um mea culpa. Mas eu não sei, cara… Vejo tudo que tem sido falado de bandas quando entro no Facebook, ou quando encontro pessoas, e tenho dificuldade de ver o som que faço ligado a essas coisas que estão em voga. Acho que é um pouco diferente, talvez seja muito rock clássico para o que está rolando hoje em dia, e talvez por isso nego não dê muito bola para o que faço.

Mas em outras ocasiões, você mesmo disse que se referencia muito na música dos anos 60 e 70, não só pelo prazer de audição, mas também para criar. Você se considera um cara anacrônico?
Talvez sim (repete muitas vezes). Eu não sei, porque você tem que trabalhar com isso nos dias de hoje, faz parte lidar com esse tipo de mídia. É muito difícil você ver alguém hoje em dia, da minha idade, que não tenha isso como ferramenta de trabalho. O fato de eu não querer trabalhar com isso nos dias de hoje pode ser mesmo um anacronismo.

O Wander Wildner tem uma canção recente chamada “Meio Bauhaus, Meio Inverno” na qual ele cita o “rock’n’roll moderno / completo e sem sal”. Você concorda com ele, que o rock está completo e sem sal?
Não vou generalizar, porque tem coisas que eu gosto e que são rock’n’roll. E o rock’n’roll não é só o estilo, tem uma atitude que permeia outras coisas que não necessariamente são rock. Mas sinto um pouco uma coisa insossa às vezes no que se faz e no que se fala. Acho que é a isso que o Wander se refere. Eu às vezes sinto pouca honestidade no que se faz. Não tô generalizando mesmo, quem sou eu para julgar essas coisas? Mas me passa um pouco isso, coisas meio… neguinho que surfa muito uma onda porque é a onda, entendeu? Tudo sem raiz, sem ter uma coisa séria para mostrar. Acho que tem coisas muito oportunistas, num certo sentido.

Isso você acha que é no mundo todo? Ou só no Brasil?
Vou te dizer que estou tão deslocado do que está acontecendo musicalmente fora do Brasil… Aqui ainda fico sabendo, tenho alguma noção por causa dos amigos. De fora, ouço muito pouca coisa, então não posso te dizer muito. Quando estava rodando com o Caetano, paramos em alguns festivais e eu gostava de algumas coisas e de outras não. Aqui ainda tem coisas que me interessam. Mas do mundial nem posso falar.

O curioso é que, em projetos nos quais você é um integrante, existe um leque maior de experimentação nos arranjos e na composição. Você fica mais solto quando trabalha com outros?
Em parceria fico mais solto sim, com certeza. Quando você tem uma banda ou está trabalhando com outro artista, é troca o tempo inteiro. No meu disco tem troca também, mas é mais eu ali. Mas eu amo trabalhar com outras pessoas, por isso que o Do Amor não acaba, e por isso que toco com outros projetos que não sejam só os do Do Amor. Se eu chego com uma música totalmente sixties, aí o Benjão já faz uma guitarra que é meio latina, aí aquilo já remete ao Ricardo fazer um contrabaixo que vai contrapor essas duas ideias e levá-las para outro lugar. Mas aí o Bubu fala: “isso é muito 60, cara, vamos botar um beat eletrônico aí”. Aí a gente chega ao som da banda, que é o som dos quatro, com alguma unanimidade. Mas no meu disco foi diferente: o Bubu veio, passou uma tarde gravando os baixos comigo. Eu mostrei as linhas para ele, ele gravou e foi embora para São Paulo, entende? Ele sacou qual era e deixou ali. Mas quando é um trabalho em parceria, a gente fica mais aberto a outras influências e outras percepções.

Nos shows você toca uma versão de “Me Deixe Mudo”, do Walter Franco, que você está gravando agora para um disco em homenagem a ele. Essa é uma canção muito plena de significados – como, aliás, quase toda a poesia do Walter – mas essa, em especial, tem uma dicotomia que fala tanto de tomar uma atitude como pedir para ser deixado em paz. Por que essa música ressoa tanto com seu momento atual?
Foi muito engraçado isso, porque ela tem um trocadilho com o meu nome: “Não diga nada / saiba de tudo / fique calada”. E Callado é meu nome. Muita gente fala que eu sou Callado, mas de calado não tenho nada… Essa música tem a ver com meu momento. Conheci essa música pela Sílvia Machete, e quando comecei a fazer o show do “Han Solo”, eu já estava separado e incorporei essa música no repertório, tinha a ver com o novo momento: “Seja o avesso / seja a metade / se for começo / fique à vontade”. E agora no meu disco tem coisas meio circulares, a própria faixa-título tem isso: fala do ato de musicar, do que é poesia e do que é música, se letra de música pode ser poesia… Eu comecei a sentir que tinha ainda mais a ver, que eu realmente tinha influência da poesia concreta, um negócio do qual sempre gostei. Gosto muito do Arnaldo Antunes e comecei a ler mais os livros dos irmãos Campos, do [Paulo] Leminski, da Alice Ruiz e os hai-cais dela… E foi tudo uma feliz coincidência.

Você mencionou o Arnaldo Antunes, e a influência já era bem notável no seu primeiro disco, nos climas e nos arranjos. Agora, no “Musical Porém”, essa influência parece mais presente, especialmente no lado A.
Sou fã mesmo, principalmente do trabalho dele da época do Titãs. Gosto muito dos quatro discos que considero essenciais: “Cabeça Dinossauro”, “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”, “Õ Blesq Blom” e “Tudo ao Mesmo Tempo Agora”. São essências na discografia dos Titãs e na história da música brasileira. Gosto das músicas que não são do Arnaldo também, gosto da potência da banda, é uma coisa muito forte e impactante na minha vida. Eu era criança nos anos 80, mas tinha primos mais velhos e eu frequentava as festas deles e ouvia muito aquilo. Cheguei a ver show com o Arnaldo ainda na banda – meu pai me levou, de tanto que eu gostava (nota: Callado nasceu em 1979). Tive prazer de tocar na carreira-solo do Branco, de tocar com o Arnaldo e gravar bateria em um disco dele (na faixa “Mamma”, do álbum “Disco”). Escutei muito os três primeiros discos solo do Arnaldo – “Nome”, “Ninguém” e “O Silêncio” – li os livros dele e sou fã da poesia que ele faz. Tem uma atitude rock, punk mesmo, e tem a poética em si, que traz um outro lado. O rock tem um lado meio fanfarrão – que eu gosto também – mas gosto dessa poética do Arnaldo, que não é pomposa, soa natural e inteligente, e isso é algo que o rock às vezes não tem.

Retomando sobre seus álbuns: você está lançando um disco longo, cuja plataforma principal é o vinil – e um vinil duplo! Você já explicou suas razões, mas você acredita que dar toda essa atenção ao vinil é um meio de garantir que ele será ouvido por quem o tiver em mãos? Ou é um suicídio financeiro?
Eu acho as duas coisas (risos). Mesmo. Acho que não vou recuperar a grana que investi, até porque vou dar muitas cópias – para quem participou, para amigos que são importantes na minha vida musical. E não é todo mundo que ouve discos: eu tenho 300 cópias, e para recuperar eu tenho que vender 200. Acho difícil escoar esse montante. Mas acredito também que quem tiver esse disco nas mãos, vai se dar o tempo de ouvir com atenção pelo menos uma vez. É um objeto, que você abre, tem um gatefold, um release batido à máquina. Acho que a pessoa fica encantada e vai dar uma chance de ouvir o álbum inteiro do jeito que eu o planejei: ouvir o primeiro lado, dar uma respirada, botar o segundo lado, ouvir, dar outra respirada, pôr o outro lado, dar outro break, e aí terminar. Esse é meu sonho. Para quem não quiser fazer isso, pode ouvir o lado que curtiu mais. E quem quiser ouvir só uma faixa, ou ouvir aleatoriamente, vai ter as mídias sociais.

E como que esse disco vai para os palcos?
Eu já tenho uma banda, e isso é uma história curiosa também. Aqui no Rio, tenho visto umas bandas que tem me agradado muito, de um pessoal aqui da Zona Sul, e estou fazendo produção executiva de um vinil que é uma coletânea desse povo. São cinco: Exército de Bebês, Nitú, Crusader de Deus, Ana Frango Elétrico (cujo disco estou produzindo junto com o Tiago Nassif e o Gustavo Benjão) e Os Dentes. Essa rapaziada é muito legal, o som é bacana, me identifico sonoramente com eles. Quando acabei de fazer os shows do “Han Solo” e trabalhar com mais afinco no “Musical Porém”, achei que estava na hora de mudar minha banda. De uma certa maneira, meu som é retrô, mas de outra maneira é novo: não parece com nada que está aí, porque é meu jeito de falar as coisas, é uma novidade. Decidi então chamar as pessoas que estavam perto de mim, que são essas que eu falei, e que são 15 anos mais novas que eu. E peguei o lance da pessoal da No Wave, que era pegar gente que não sabe tocar para ser instrumentista: o cara era cineasta, arranhava uma guitarra, e montava uma banda para tocar guitarra, e chamava um artista plástico para a bateria… Resolvi pegar essa galera nova e trocar os instrumentos, já que eu também estou com o instrumento trocado – eu sou baterista, mas no meu trabalho solo toco guitarra ao vivo. Chamei então o Guilherme Lírio (do Exército de Bebês), excelente guitarrista e baixista, para tocar bateria, a Ana Frango Elétrico – que é guitarrista – para tocar baixo, a Raquel Dimantas (Nitú) – baixista – para tocar teclado, e o Caio, que é guitarrista e ficou na guitarra mesmo. Essa é a banda que montei para sair tocando esse disco, porque eu quero que tenha um frescor. Mesmo que não prime pelo virtuosismo, prime então pela peculiaridade de cada um tocando um instrumento que não é o seu, e que eles possam tirar daqueles instrumentos o que eles têm de melhor. Que o clima seja maior que a “perfeição”, entendeu?

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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