Scream & Yell recomenda: Andrés Correa

entrevista por Leonardo Vinhas

Existem no mundo muitos cantores e compositores como o colombiano Andrés Correa. Adolescente tímido, Andrés cresceu para tornar-se um adulto ainda tímido, mas capaz de se expressar pelas suas canções. Lançou-se na música de forma independente, experimentou em formatos mais “plurais” antes de se decidir pelo intimismo de arranjos despojados e letras confessionais. Dito assim, o colombiano parece ser apenas mais um entre os muitos tipos que insistem no formato voz-e-violão para entregar canções que mais parecem exercício de construção e desconstrução pessoal do que para fazer boa música. Mas a verdade é que existem no mundo poucos cantores e compositores como Andrés Correa. Pouquíssimos.

A depuração melódica e poética que Andrés atingiu em seus mais de 15 anos de carreira é algo raro. Todos os seus discos estão liberados para download gratuito em https://andrescorrea.bandcamp.com, e do que se escutava em seu primeiro álbum, “Utópico de Cancer” (2003), resta muito pouca coisa. Sua busca cancioneira teria momentos mais roqueiros (o álbum de estreia e também “Socios Ociosos”, de 2007, em parceria com o músico Pala), pop (“Prueba y Error”, 2005) e psicodélicos (“Correa Ramírez Andréz y Los Auténticos Water Resist”, de 2008), até começar a tomar rumos mais verdadeiros e particulares a partir de “Un Lugar” (2010). Ainda que ele tenha várias experimentações rítmicas, sobrando espaço até para o reggae (a faixa-título) e a bossa nova (“Medias Nuevas”), esse já trazia a marca compositiva mais forte do compositor, em especial no lirismo dolorido de “Mascota”, sua canção mais popular em seu país natal.

O grande salto, porém, viria com “Aurora” (2014), álbum que concentrou suas influências de jazz, canção colombiana, MPB, Elvis Costello e rock argentino de maneira inequívoca e irrepreensível. “Aurora” é daqueles discos que merece nota 10, que fica na mente e no coração como referência permanente de um álbum ímpar, um momento (ou uma série de momentos) em que a música encontra a dosagem exata dos ingredientes – digamos assim – visíveis e invisíveis necessários para torná-la inesquecível. E feita de maneira que nenhum outro poderia fazer.

“Aurora”, porém, passou batido (“Em parte por minha causa, que não trabalhei direito na divulgação do disco”, diria seu autor em várias ocasiões). Da frustração com o disco, das muitas viagens feitas pelo continente sul-americano para tocar (muitas vezes em condições bem abaixo das ideais) e das mais variadas experiências pessoais (relacionamentos que começam e terminam, dificuldades financeiras, conquistas pessoais, essas coisas), nasceu Ocaso, seu último álbum, que é um passo adiante depois da conquista artística de “Aurora”.

Ou um passo atrás, a depender do ponto de vista, já que Correa deixou para trás a banda que o acompanhava para fazer quase tudo sozinho nesse disco, decantando os arranjos de modo a não deixar muito mais que voz e violão. Porém, se comparações são necessárias para que fique evidente que não é mais disquinho insosso e metido a folk, pense em Mark Kozelek e seu Sun Kil Moon, no qual o ex-Red House Painters se coloca confessional ao ponto da vulnerabilidade, e encontra a transcrição musical adequada para isso. É por essa linha, evidentemente à sua moda e sem nada de folk norte-americano, que o colombiano vai.

Durante o processo de feitura desse disco, tive vários encontros com Andrés Correa, pessoalmente (em festivais de música) e por conversas via Skype e Messenger, já que ele atuou como co-curador do álbum “Caleidoscópio – Um Tributo Ibero-Americano aos Paralamas do Sucesso”, lançado pelo selo Scream & Yell em novembro de 2015. Em um desses encontros, inclusive, o artista declarou que provavelmente não gravaria mais discos, “porque não quero investir dinheiro para depois ficar acumulando CDs embaixo da cama”, e que preferia usar o erário que lhe sobrasse para melhorar sua horta (!). Porém, em algum momento Andrés recuperou o ânimo e a autoconfiança, e não só “Ocaso” foi gestado como veio ainda uma nova edição de “Aurora”, com arte de capa que dialoga com a do novo álbum.

A edição física de “Ocaso” saiu apenas em CD, em cópias serigrafadas individualmente, de modo que cada disquinho é uma peça única. A explicação para essa decisão estética é impar: “Eu não posso escutar meu disco em CD porque não tenho um reprodutor dessa mídia. Mas sinto que o livro é um bom condutor de palavras, e quando apareceu a oportunidade de fazer em serigrafia, eu juntei as duas coisas. Porque se você não quiser escutar as canções, pode ler as letras, e acho importante que elas possam ser lidas.. O livro tem sentido, o CD talvez não sirva para nada, mas é bonito, um luxo contraditório. E no fim, a música está ali também. Além disso, queria algo concreto para dar a algumas pessoas muito especiais para mim. Quem compra o disco está comprando esse capricho de eu poder presentear algumas pessoas que quero muito que tenham o CD”.

Esse é Andrés Correa, uma figura única, em sua primeira entrevista longa para um veículo brasileiro.

Quando você se deu conta que o seu lance era escrever canções?
(hesita) Olha… é louco porque desde muito novinho eu fazia paródias. O que eu fiz com “Marambaia”, fazia com os comerciais de televisão. Compunha canções meio que como piada. Mas na adolescência conheci [a musica de] Fito Paez, e foi uma cisão, isso me virou a cabeça. Depois vieram Charly García, [Luis Alberto] Spinetta, e aí tomei a decisão de fazer canções, e isso foi algo super consciente.

Você já tocava violão então?
Toco violão desde os 12 anos. Não me lembro agora qual foi a primeira canção séria que fiz, mas me lembro muito de fazer as canções como brincadeira, e da surpresa que é se ver capaz de compor uma canção.

Você falou de músicos argentinos: Fito, Charly, Spinetta. Mas você tem seus heróis de outros países, como o espanhol Pedro Guerra, que está em “Ocaso”, em uma releitura de “Aurora”.
Exato. Eu escutava Fito Paez e Charly García, mas era difícil me relacionar com eles, porque os dois são pianistas. Spinetta é um grande guitarrista, que fazia acordes extremamente difíceis, harmonias muito intrincadas, que ainda me custam muito entender. Pedro tem alguma influência de Fito, mas tem também das Ilhas Canárias, da África, e gravou seu primeiro disco no Brasil. Ele tem essa influência da canção argentina, da brasileira, da espanhola, tomo todas essas linguagens, e ele me aparece como um muso que está um pouco mais ao meu alcance (risos). Eu aprendi a tocar a guitarra mesmo com um livrinho com os acordes das canções de Pedro Guerra. E ele era mais acessível do ponto de vista emocional. Fito Paez era uma estrela de rock enquanto Pedro se apresentava como uma pessoa tímida, inclusive em cima de um palco. Ele foi um passo intermediário, alguém que estava entre o meu sonho do rock argentino e algo ao meu alcance, que eu podia aprender.

Há pouco, entrevistei o argentino Edu Schmidt, que disse que a música o salvou de ser antissocial. Você acha que esse é seu caso, ou a música te deixou mais antissocial ainda? (risos)
Bem, eu realmente agradeço muito à música. Eu nunca fui totalmente antissocial, mas não era exatamente sociável. Realmente não tinha amigo algum no colégio, não era capaz de expressar muitas coisas, tampouco tinha a pretensão de montar uma banda de rock ou um grupo de teatro ou algo assim. Mas se eu for contar todos os poucos amigos que fiz na vida, eu devo isso à música. Se não fosse por ela, eu teria pouquíssimas possibilidades de ter compartilhado e vivenciado várias coisas na minha vida. Inclusive as mulheres que passaram pela minha vida vieram do ambiente da música (ri, visivelmente encabulado). É estranho, mas a música foi minha maneira de me relacionar com o mundo.

A música te permite criar uma relação mais social, e isso aparece agora em “Ocaso” com os convidados e parceiros do disco. O nome mais evidente nisso é o de Ariel Migliorelli (nota: músico argentino que toca nas bandas Fargus e Aveimán, além de ter carreira solo e acompanhar o uruguaio Diego Drexler), que é parte do som do disco. Ele conseguiu mixar e masterizar o álbum de modo que não soe lo-fi, mesmo com arranjos mínimos. Além dele, estão Pedro Guerra, sua namorada Lizeth León (autora da capa), e outros nomes que te ajudaram a viabilizar o disco. Como é possível que o processo tenha sido simultaneamente tão individual e tão coletivo?
Essa é uma boa pergunta. Esse é um disco que nasceu na casa de amigos. Geralmente, eu precisava da solidão da minha casa para compor, só que nesse caso eu fui para Mendoza para a primeira canção, e de lá para Santiago (Chile), e então Rio, Porto Alegre (para o festival de El Mapa de Todos), Córdoba, Rosário, Buenos Aires, Chaco… Nessas viagens, as canções foram “cozinhadas”, e só foi assim graças aos amigos, porque eles me estenderam a mão para que eu chegasse a esses lugares e pudesse vivenciar coisas diferentes lá, passar um tempo nesses lugares. Em Rosário, Ariel já acordava e me dizia: “Levanta, vamos remar, fazer ioga, vamos para o estúdio”… (risos) Assim como ele, várias pessoas, cada qual em sua cidade me puxou para várias coisas, e seguramente as conversas e os momentos ali vividos entraram no disco. Quando voltei a Bogotá, conheci Alejandro Gómez Garzón, que foi o produtor do disco, e que foi essencial para manter a unidade e trazer dinâmica em um álbum que é essencialmente voz e violão. Há muitas outras pessoas que colaboraram – Juan Carlos Jaramillo (cantor e guitarrista), Milthon Piñeros (guitarrista), Lucio Feullet (que toca tiple, um instrumento de cordas colombiano) – e a verdade é que esse é meu disco em que há mais participações.

Sempre que você fala de “Aurora”, diz que não investiu energia para promovê-lo, lembra que não aconteceu nada, em termos de imprensa e público… Porém, “Aurora” é um disco íntimo e muito pessoal – na verdade, o primeiro disco em que se escuta claramente o compositor Andrés Correa Ramírez sem nenhuma referência direta de outros artistas. Ainda assim, você não se sente confortável com ele – e com “Ocaso”, tão ou mais íntimo quanto, está confortável e feliz. O que diferencia, emocional e artisticamente, ambos os momentos?
“Aurora” saiu em um momento muito delicado da minha vida, de muitas e muitas mudanças, e eu não me sentia bem comigo. Eu assumi a produção dele e sinto que tive que impor muitas coisas. Eu estava muito seguro quanto às vozes e sabia que queria chegar a algum lugar, mas não sabia bem aonde. Apesar disso, há algumas canções ali das quais gosto muito, como a própria “Aurora’, que sinto como uma de minhas melhores canções, senão a melhor. Mas sentia que havia algo em minha autoestima que não estava favorável para esse disco. E logo que ele saiu, fui viajar para outro país (a Argentina, no caso), então é como se o disco nunca tivesse saído. De todo modo, Aurora não é um disco fácil de escutar. Tem harmonias que são bastante complexas, há canções longas, e sinto que eu não estava suficientemente forte para dizer: “Sim, esse sou eu e isso é o que há [para agora]”. Depois, sentia certo incômodo com a banda, com a produção, com a maneira como capturei minha voz. Por isso decidi que no disco seguinte teria que gravar primeiro o violão e a minha voz, entender esse som e entender do que eu seria capaz. Com isso eu seria capaz de acrescentar um baixo e uma bateria. Porque, claro, quando você grava a voz por último, tem que competir com os harmônicos dos outros instrumentos. É como se você tivesse que encontrar um lugar para a voz ali. Só que nesse disco não houve isso. De qualquer maneira, são dois discos que foram feitos sem dinheiro. O problema era comigo mesmo. São poucos os artistas que conseguem se colocar sem medo, como Lisandro Aristimuño, por exemplo. Em “Aurora”, eu estava muito temeroso.

Durante o Festival Brasileiro de Música de Rua de 2016, você me disse que preferia usar dinheiro para melhorar sua horta do que “gastar em discos que vão ficar embaixo da cama” (risos). E agora você está super apaixonado por essas canções! O que aconteceu para dar uma mudança tão grande de ânimo? Por que a horta não é mais prioridade? (risos)
Acho que muito disso tem a ver com Liz (Lizeth León). Acompanhei o processo de feitura do livro dela, “Fachadas Bogotanas” (com desenhos sobre fotos da arquitetura tradicional da capital colombiana). Vi o quanto ela é detalhista, o quanto ela é capaz de repetir 50 vezes uma coisa até que saia do jeito que ela considera o ideal. Um pouco do espírito dela, de como ela tratava sua obra, me contagiou. A primeira edição de “Aurora” é diferente dessa, que foi feita sem pressão. Eu tinha, na primeira edição, essa coisa de às vezes não saber dizer exatamente o que eu queria, então um músico fazia algo que não era o que eu queria e eu simplesmente dizia, “ok, vamos em frente”. Agora em “Ocaso” fui mais meticuloso também. Até porque posso me comunicar melhor comigo mesmo do que com um baixista virtuoso (risos). Se eu sei qual é a nota que quero, posso buscar essa nota até conseguir. Acontece o mesmo com a sonoridade, e eu e Alejandro estávamos muito conectados. Por tudo isso, e por eu ter mais essa confiança, as coisas fluíram mais naturalmente. E sim, também teve a questão de dinheiro, porque é disso que estamos falando, e eu consegui um tanto para a produção, para a divulgação. Porque eu realmente não quero que eles fiquem embaixo da cama. Também estou muito tranquilo porque é só eu e meu violão, não? Então é mais fácil viajar, toco em lugares menores, onde as pessoas podem me escutar.

Nesse disco, há duas canções que chamam atenção especial. A primeira é “Autorretrato”, que é um retrato muito depreciativo, que não parece estar tão de acordo com esse bom momento que você está vivendo (risos). É bastante agressiva e irônica. Como ela surgiu?
Essa é uma canção do ano passado, que não é parte da camada principal do disco. Costumo dar oficinas de canção, e um dos exercícios é escrever uma canção falando diretamente para alguém. Eu estava em uma praça de alimentação por volta das quatro da tarde e comecei com essa coisa, fazer eu mesmo esse exercício, só que escrevendo para mim. Desde o começo sabia que seria um autorretrato e que eu tinha uma ou duas coisinhas pendentes para dizer a mim mesmo (risos), e realmente cada uma das coisas que aponto ali me dói. O primeiro verso era “gênio idiota”, e eu mudei para “pobre diabo”, porque tinha lido um artigo sobre [o escritor mexicano] Juan Ruffo, a quem pediram para se descrever em três palavras, e ele disse “pobre diablo”. Foi um grande gesto, porque sobrou uma palavra ainda, e porque era Juan Ruffo, que levou uma vida muito dura! Então eu quis fazer essa concessão, mas as outras coisas que digo ali realmente eram dolorosas. Ela é uma canção que, do aspecto violonístico, está no disco, mas não faz tanta parte do universo poético. Mas acho que cabia ali, antes de “Luciana”, porque era assim que esse sujeito se sentia antes de ela aparecer (risos).

A outra canção é “La Dicha”, que começou como uma versão de “Marambaia”, para o disco “Brasil También Es Latino”, e acabou se transformando em algo diferente. O que te tocou tanto a canção original a ponto de você buscar algo seu ali, e criar algo novo?
Estava falando com um amigo músico que viveu um tempo no Brasil, e perguntei a ele sobre canções e ritmos que perduram há muitos anos no Brasil. “Marambaia” era uma delas, porque ela parece que está aí até hoje, foi cantada por Moreno Veloso e Marcelo Camelo, que são influências claras para o que faço. Quando participei do “Caleidoscópio” (o tributo aos Paralamas do Sucesso lançado pelo Scream & Yell), fiquei com uma dívida, porque embora a canção (“El Vampiro Bajo el Sol”, gravada com o músico brasileiro Otavio Bertolo, ex-Sereialarm) fosse dos Paralamas, era uma parceria com Fito Paez, que ele também já havia cantado. Não tinha esse lado tão brasileiro. Além disso, por minha timidez, eu não consegui levar a versão para adiante, não consegui levar minha voz ou a canção para mais longe. O Andrés Gualdrón (líder da banda colombiana Animales Blancos) conseguiu fazer uma versão totalmente nova e louca [de “Alagados”] e eu não. Não queria fazer algo tão louco, mas é uma canção da qual eu gosto muito e te peço desculpas novamente por não ter conseguido ir mais longe nela (nota: Correa estava tão inseguro que cogitou desistir de participar no tributo, e foram necessárias muitas conversas para convencê-lo do contrário). Enfim, eu falava com esse amigo sobre ritmos do Brasil e da Colômbia: quais seriam parecidos, quais teriam mais coisas em comum. E tive essa ideia de talvez traduzir não uma letra, mas sim um ritmo do Brasil para uma construção mais colombiana. Traduzir a sensação, a paisagem musical… E também trazer para a minha realidade, também. Então, se a personagem da canção tem uma casa na praia… eu não moro na praia, e sim na montanha, então vira a “casa na montanha”. Se fala da “minha morena”, a minha namorada não é assim, ela é branca – “cachaca”, como se diz por aqui. E ela não se senta para cantar comigo, e sim para desenhar. Também falo dos pássaros, das árvores que estão aqui perto de casa. E a experiência que tenho em fazer paródias tornou tudo isso muito fácil, muito prazeroso. Acabou que, com tudo isso, ela não ficou muito parecida com a original, e sim com uma canção minha.
(nota: a interpretação de Elis Regina, que tornou “Marambaia” nacionalmente conhecida, junta na verdade duas canções. A cantora Carmen Costa gravou, em 1942, “Só Vendo que Beleza”, que no mesmo ano seria “reimaginada” como “Casinha da Marambaia” pelos mesmos autores, Henricão e Rubens Campos.)

Já que você citou isso: sua relação com o Brasil e a música local é muito profunda, muito intensa.
Tenho essa música muito interiorizada, está no sentimento, na maneira de tocar o violão, de usar as palavras. É uma coisa muito emotiva. Como artista, estar no Brasil é um palco no qual tantas coisas lindas foram ditas… Quando viajo a lugares do Brasil, vou com a “desculpa” de mostrar meu trabalho, mas são lugares que me falam através das canções. Eu fui para São Paulo e tive que ver a Ipiranga com São João, por causa da canção do Caetano Veloso, entende? Sinto que me incluo. Queria saber falar melhor o português.

“Aurora” é assinado com seu nome, mas é um disco de banda, como foi seu disco com os Water Resist. Há ainda o “Sócios Ociosos”, assinado juntamente com o Pala. Sei que você gosta de colaborações, mas falamos aqui que “Ocaso” foi um disco de afirmação da sua identidade. Então, a pergunta é se, depois dessa experiência, te interessa seguir assim, mais intimista, ou a coletividade das bandas ainda te interessa?
Olha só, com esse disco estão acontecendo algumas coisas bem bonitas, e há uma sensação de algo definitivo em cada coisa que venho fazendo com ele. Estou muito contente com o disco, está muito bonito, mas parece que a escrita que empreguei nela está chegando a um ponto ao qual não vai me interessar mais. Assim, não tenho em meus planos fazer outro disco de voz e violão. Nunca vou fazer. Ou melhor, não digo “nunca”, mas certamente não de imediato. De fato, quero fazer o próximo disco com banda. Vai ser muito pop, com banda – já tenho as canções. Pensei até em ter uma cantora, e eu ficar mais atrás, só compondo e tocando. Pode até funcionar como um momento de relaxamento para mim, por não ter que estar tão à frente, mas não decidi isso ainda. O que é certo é que, na composição, o próximo disco não terá nada a ver com Ocaso.

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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