Entrevista: Little Nation

por Marcos Paulino

Compositor e multi-instrumentista, Rique Azevedo é autor de hits como “Dig Dig Joy” e “Desperdiçou”, gravados pela dupla Sandy & Júnior. Também já foi coordenador da Universal Music Brasil e guitarrista da banda de rock Código B. Samille Joker também é profissional experiente da música e tem no currículo o projeto indie eletropop Ain’t No Joke, em parceria com o DJ e produtor Fernando Deeplick.

Um amigo em comum achou que Rique e Samille dariam uma boa dupla. Eles gostaram da ideia e formaram o duo de folk pop Little Nation, que recentemente lançou o álbum “Hum”, com a faixa “Unknown”, parte da trilha sonora da novela “Sol Nascente”, da TV Globo. Eles também são os autores de “Sonha Comigo”, de “Rock Story”, outro folhetim global.

“O nosso CD chegou à mão de pessoas legais dentro da Globo, do pessoal de trilha”, conta Rique, explicando a “parceria” com a emissora. Duas curiosidades sobre a dupla: suas composições são parte em inglês, parte em português (“As músicas foram nascendo assim, naturalmente”, explica Samille); na versão em inglês do site, Rique assume a persona de Henri Jack. Saiba o porquê na entrevista a seguir.

Antes de formarem o duo, ambos tinham experiência com outros gêneros musicais. Como a história dos dois desembocou no folk pop?
Rique: Tive uma banda de pop rock e a Samille tinha um trabalho dentro da música eletrônica. Os primeiros trabalhos que fizemos era compondo músicas e, numa dessas sessões de composição, a gente criou a música “Just Stay”, que faz parte do nosso primeiro EP. Através dessa música, surgiu a ideia de criar o Little Nation e trazer à tona nosso trabalho artístico, e não só de compositores.

Samille: A gente nunca pensou em um segmento de música, num estilo musical. Ela simplesmente nasceu desse jeito, assim como as outras músicas. A gente se sentiu tão à vontade com aquilo, que simplesmente seguimos. Foi um caminho natural pra gente.

Rique: Isso. Foi muito espontâneo.

“Hum” veio como sequência do EP “Just Stay”, de 2015. Vocês estão juntos no duo desde 2010. Essa produção, digamos, um tanto sem pressa, é proposital?
Rique: Na verdade, a gente se conhece desde 2010, mas o Little Nation nasceu no final de 2013, quando a gente compôs “Just Stay”. A gente produziu em 2014 e lançamos em 2015. Então, parece que é lento, mas é um processo gradual.

Samille: Desde 2010, a gente vem amadurecendo a nossa parceria como compositores.

Rique: A gente acredita que as coisas foram acontecendo de uma forma natural, com algumas conquistas até mesmo antes do esperado, mas não foi nada pensado, estamos seguindo nosso coração e trabalhando.

Por que vocês têm optado por gravar parte das músicas em inglês e parte em português?
Samille: As músicas foram nascendo assim, naturalmente. Eu lembro que, quando a gente fez “Just Stay”, já vinha compondo em português para outros artistas. Mas quando a gente resolveu sentar para compor sem um destino certo, sem pensar em quem poderia cantar, “Just Stay” simplesmente veio. E ela nasceu assim, em inglês, a gente gostou da maneira como ela soava e sentimos que a mensagem tinha sido passada. Eu já tinha o costume de escrever em inglês, o Rique já tinha costume de cantar em inglês. O trabalho inteiro é assim. Nasceu naturalmente, sem a gente pensar no idioma de cada música. A gente não compunha pensando nisso, na língua, na questão de mercado. Como sou professora de inglês, tenho a língua há muito tempo na minha vida, pra mim é muito natural pensar em inglês. É tão fácil como o português.

No site do Little Nation, em inglês, vocês se apresentam como Jack and Joker. Por quê?
Rique: Tenho uma história dentro da música como Rique Azevedo, guitarrista de uma banda de pop rock, como compositor e como produtor. O nome da Samille, de carreira, eu sempre achei muito forte, Samille Joker. Quando a gente criou o Little Nation, eu quis criar, junto com o Samille Joker, um personagem que fosse compatível e dentro da pesquisa que fizemos, surgiu o Jack. Eu me chamo Henrique, já uso o Rique como produtor, e ficou o lance do Henri. Daí ficou Henri Jack, que é o valete.

Samille: Eu sou o coringa e ele é o valete, a gente quis brincar com isso.

Rique: A gente quer brincar mais com isso ainda, com o Henri Jack e Samille Joker.

“Unknown” faz parte da trilha sonora da novela “Sol nascente” e “Sonha Comigo” está em “Rock Story”. Isso trouxe dividendos ao trabalho de vocês?
Rique: Dividendos seria o quê? Grana? [Risos]. Sempre que você tem uma música lançada, quanto maior a exposição, maior é o rendimento de direitos autorais. Então, sim, com certeza, isso trouxe pra gente um retorno financeiro, de execução.

Samille: Isso é imprescindível pro nosso trabalho continuar, pra que a gente possa investir no nosso trabalho também.

Como têm surgido essas oportunidades, tão raras, de entrar nas trilhas de novelas da Rede Globo?
Rique: São raras, são difíceis e o caminho nem sempre é o mesmo. Eu desenvolvi alguns contatos com pessoas interessantes e o nosso CD chegou à mão de pessoas legais dentro da Globo, do pessoal de trilha, e a partir daí fui estreitando esse relacionamento e entramos em uma concorrência pra compor a música “Sonha Comigo”, que faz parte da história da novela “Rock Story”.

Samille: Essa oportunidade que tivemos e o fato da nossa música ter sido a escolhida nos ajudaram muito a também conseguir espaço para as músicas do Little Nation nas trilhas.

Como compositores e produtores, vocês assinam músicas que fizeram sucesso com outros intérpretes. É difícil essa batalha para encontrar espaço com um novo projeto após experiências como essas?
Rique: Acho que não. Acho que só ajuda porque o nosso nome fica conhecido como compositores e isso dá credibilidade pra lançar um trabalho nosso.

Samille: Acredito até que aguça a curiosidade das pessoas em ouvir o nosso trabalho autoral. Como compositores, colocamos as nossas palavras para que outras pessoas interpretem. Muitas vezes, a gente faz música até por encomenda e aí a gente não está contando a nossa história real. Com o Little Nation, é tudo sobre nós, sobre a nossa história, sobre o que a gente pensa.

É verdade que o nome Little Nation foi emprestado de uma música que vocês escreveram e nunca lançaram?
Rique: Sim. Quando a gente se conheceu, em 2010, eu estava gravando um disco meu, que nunca lancei, e a ideia era cantar em inglês. A Samille me foi apresentada como uma letrista que escreve em inglês. Uma das músicas chamava “My Own Little Nation”. Quando começamos a pensar no nome do duo, a Samille sugeriu Little Nation e eu achei a sonoridade muito bonita, fácil de falar aqui no Brasil também.

Samille: A gente sempre se refere às pessoas que nos acompanham, nossos admiradores, as pessoas que embarcaram com a gente nesse trabalho, como a nossa nação. Então é uma pequena nação que tá crescendo.

Sendo que o Rique toca vários instrumentos, nas apresentações ao vivo, como fica a formação da banda?
Rique: A gente tem dois tipos de apresentação: um show que a gente faz totalmente acústico, que sou eu tocando violão e cantando e a Samille cantando, às vezes com a participação especial de um músico que a gente convida; e temos nosso show completo, no qual a gente conta com a participação de quatro músicos. Continuo com meu violão e temos um baterista, baixo, piano e guitarra.

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (www.mundoplug.com), da Gazeta de Limeira.

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