Boteco: quatro cervejas da Hasen-Bräu

por Marcelo Costa

Com mais de 500 anos de história cervejeira em Augsburg, cidade bávara a cerca de meia hora (de trem!) de Munique, a Hasen-Bräu pousa nas prateleiras brasileiras com quatro rótulos. O primeiro deles é a Hasen Hell, aparentemente uma versão para exportação da Hasen Urhell, uma Munich Helles de coloração dourada cristalina e creme branco de boa formação e média alta permanência. No nariz, notas florais e herbais suaves (mas facilmente perceptíveis) da lupulagem convivem em harmonia com a sugestão de pão fresco, doçura de caramelo e palha advinda da malteação. Na boca, textura cremosa com leve picância metálica. O primeiro toque traz doçura caramelada seguida de cereais. O amargor é bastante eficiente deixando as portas abertas para um conjunto leve e bastante refrescante, com toque de cereais. No final, doçura suave. O retrogosto reafirma a sugestão de caramelo com leve presença de cereais.

A Hasen Weiber Hase Hell é a German Hefeweizen da casa com tudo aquilo que uma cerveja de trigo bávara traz de características obrigatórias. A começar pela coloração amarelo turva, devido a não filtração, e o espesso creme branco de ótima formação e média alta retenção. No nariz, muita sugestão de banana e cravo, como manda o figurino, com leve traço de pão e, um pouco mais distante, canela. Na boca, textura cremosa e picante. No primeiro toque, frutado marcante (banana) seguido de forte condimentação, que influencia no amargor, baixo, mas eficiente. Dai pra frente, uma Weiss tradicionalíssima despejando garganta abaixo o clássico banana + cravo com um pitada de doçura de trigo. É a tradição engarrafada. O final é frutado e levemente doce. No retrogosto, adivinha: (mais) banana (do que) e cravo.

A Hasen-Bräu Extra é uma Dortmunder Export, e não é necessário ser alemão baváro para descobrir a diferença entre ela e a Hasen Urhell, que parecem ser praticamente a mesma cerveja, com rótulos diferentes. O demônio está nos detalhes, diria outro. Então vamos a eles: de coloração dourada cristalina e creme branco de boa formação e média alta permanência, a Hasen-Bräu Extra apresenta um aroma notadamente inferior a Hell, com leve presença de cereais (pão fresco), um toque herbal e doçura de caramelo. Na boca, a textura é levemente frisante enquanto o primeiro toque traz doçura caramelada seguida de cereais. O amargor é baixo, mas eficiente (diante de um conjunto pálido). Dai em diante, refrescancia é o melhor que esta cerveja pode oferecer, com traços de doçura caramelada, herbal e cereais bastante tímidos no final e no retrogosto, carameladinho. Dispensável.

Fechando o quarteto com a melhor do passeio cervejeiro, Hasen Bräu Augsburger Original, uma Kellerbier digníssima de coloração amarelo palha com turbidez exibindo a não filtragem. O creme branco espesso tem uma formação e média permanência. No nariz, muita sugestão de cereais acompanhada de suave frutado cítrico (maçã e limão), algo de feno, palha e trigo. Na boca, a textura é suave com leve picância metálica. O primeiro toque traz doçura de cereais com um suave acento frutado cítrico (limão distante), agradabilíssimo. O amargor é baixo, mas eficiente, abrindo as portas para um conjunto saboroso e refrescante, que ganha muito pontos sendo servido fresco, no local – ou seja, se aqui ele já é bom, em Hasen deve ser a maravilha das maravilhas. O final é deliciosamente frutado, mas sem a profusão de sabores belgas, e sim com uma delicadeza alemã. No retrogosto, cítrico distante, maciez e refrescancia. Delicinha.

Balanço
Começando o passeio pelas cervejas da Hasen-Bräu com a Hell, uma Munich Helles que deve ganhar muitos tempos fresca na fonte, mas que engarrafada perde um pouco do brilho. É boa para refrescar, mas a doçura parece soar excessiva (ou, por outro lado, perfeita para agradar o paladar das massas). A Hasen Weiber Hase Hell é a German Hefeweizen da casa, e é tudo aquilo que se espera do estilo: tradição. Não é difícil entender porque a revolução cervejeira norte-americana deu tão certo (e criou uma nova escola). Numa primeira baforada de aroma e no primeiro toque na boca, a Hasen-Bräu Extra lembra muito a Hasen Hell, mas a sequencia apresenta um resultado inferior, produzido para não provocar o paladar, apenas refrescar. Será que fresca na cidade de origem melhora? Sinceramente, duvido. A melhor das Hasen que aportaram no Brasil é uma Kellerbier fresquíssima e refrescante, uma delícia que deve melhorar muito bebida na fonte, mas vale o investimento na garrafa. É a única das quatro que eu compraria novamente.

Hasen Hell
– Produto: Munich Helles
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,86/5

Hasen Weiber Hell
– Produto: German Hefeweizen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 2,94/5

Hasen Extra
– Produto: Dortmunder Export
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 2,66/5

Hasen Bräu Augsburger Original
– Produto: Kellerbier
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,06/5

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