Entrevista: Zignal

por Marcos Paulino

O acaso sempre foi generoso com a banda Zignal. A começar pelo encontro do vocalista mineiro Tom com o baixista Gringo, em Brasília. Depois veio o convite para gravar precocemente o primeiro disco. Então a proposta de uma gravadora de São Paulo para fazer o segundo. A desistência de dois integrantes, que não quiseram ir para a metrópole. A entrada de um baterista paulista, o Gudino, e, em seguida, de um guitarrista argentino, o Pablo.

Aí, quando as coisas estavam meio esquisitas na gravadora, foram surpreendidos por emplacarem a música “Reggae do Horto”, do novo disco, “Virado”, na trilha da novela “Em Família”, da TV Globo. Enfim, surfando nessa onda positiva, o álbum chega ao mercado para dar mais detalhes do rock um tanto pesado, temperado com pitadas de reggae e ska, no caldeirão de influências do Zignal.

“Esse álbum poderia ter 40 músicas”, conta Tom, que define o som da Zignal como rock, mas avisa: “Não escutamos só rock. Acima de tudo, somos músicos, e admiramos qualquer música que seja boa de verdade”. Tom conversou com o caderno PLUG, parceiro do Scream & Yell, sobre o novo disco, a atual fase do Zignal, a importância de ter uma música em novela e futuro: “Sonhamos alto, queremos tocar pelo mundo afora”. Com vocês, Zignal.

Cada um vindo de um canto, como os caminhos de vocês se cruzaram?
Em 2007 saí de Minas para morar sozinho em Brasília, onde conheci o Gringo, com quem viria a formar o Zignal. Fomos tocando em colégios e, em 2010, tivemos a proposta de fazermos o primeiro disco. Acredito que a gente nem tinha maturidade pra isso, mas foi importante pra nossa entrada na música. Rodamos bastante, até sermos convidados pela Midas Music pra gravarmos o segundo disco. Só eu e o Gringo nos animamos a ir pra São Paulo, então chegamos sem guitarrista nem baterista. Um cara da gravadora falou de um baterista muito bom que faria o último show com a banda dele. Fomos ver e conhecemos o Gudino. A entrada do Pablo foi pelo Roman Laurito, baixista do Tihuana, que nos mandou uns vídeos dele tocando. Até hoje moramos todos juntos.

Como foi forjado o som da banda, que mistura referências de tantas e tão distintas regiões?
Foi muito louco, porque fomos nos conhecendo e trabalhando ao mesmo tempo. Cada um sendo de um lugar, é uma mistura de influências e de sabedorias. Fomos trocando muito e aprendendo muito juntos. A mistura disso tudo veio a ser o som em comum de todos, que está neste disco, no qual acredito que atingimos uma maturidade. É um trabalho que agradou muito a todos nós, é o que realmente tínhamos a dizer. Por isso, temos uma vontade muito maior de fazer as coisas acontecerem.

A base do Zignal é o rock, mas há um forte namoro com o reggae e o ska. Esse caldeirão surgiu naturalmente ou foi algo premeditado?
Esse álbum poderia ter 40 músicas, fizemos muita coisa. E as músicas que estão lá sofreram muitas mudanças. Foi um disco bem pensado, não queríamos errar. O CD é como se fosse uma rádio tocando na nossa Kombi. Fomos escolhendo as músicas que se encaixavam por ordem dos acontecimentos, do que elas diziam. Mas nós nos consideramos uma banda de rock, essa é a tecla em que a gente bate. Porém, não escutamos só rock. Acima de tudo, somos músicos, e admiramos qualquer música que seja boa de verdade.

Vocês tiveram a sorte de conseguir emplacar uma música na trilha da novela, o que normalmente dá um bom empurrão. Como isso aconteceu?
A gente veio pra São Paulo achando que iria ganhar na vida, e de repente estávamos querendo sair da gravadora, com aquela dúvida toda. No meio disso, nosso produtor recebeu uma ligação de que a música iria pra novela, e ficamos felizes demais. É muito difícil ter uma oportunidade dessas pra mostrar seu trabalho. Foi uma realização profissional, que nos abriu muitas portas.

Ter a música na novela despertou a curiosidade do público em relação à banda?
Com certeza. No Brasil, há bandas fazendo excelentes músicas, o problema é como elas irão chegar às pessoas. Estar na novela significa que milhares de pessoas já escutaram nossa música e ouviram falar da gente. Não que tenha mudado nossa vida, mas foi um primeiro passo muito bem dado.

Como está esta fase de transição, de deixar de ser uma banda underground pra atingir um grande público, agora contando com muito mais estrutura?
Sonhamos alto, queremos tocar pelo mundo afora. Como em outros trabalhos, numa banda precisamos que cada um faça sua parte pra dar certo. É como se fosse uma empresa, é necessário um profissionalismo extremo pra chegar aonde queremos. Todos nós trabalhamos demais.

Vocês costumam plantar uma árvore por cidade em que se apresentam. Quantas árvores pretendem plantar neste ano?
Umas 365. (Risos)

– Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira.

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