Foo Fighters: muito barulho por tudo

por Tomaz de Alvarenga

Chutando a porta. “Wasting Light” cumpre a promessa feita pelo vocalista Dave Grohl. O sétimo álbum do Foo Fighters, lançado dia 11 de abril, responde a todas as dúvidas que sempre permeiam a respeito da vitalidade do rock and roll: o Foo Fighters pisa no acelerador e lança um dos melhores álbuns da carreira.

“Wasting Light” é urgente, feroz e pesado. “Bridges Burning” abre o disco evocando a barulheira de “This is a Call”, primeira faixa de “Foo Fighters”, o disco de estreia de 16 anos atrás que teve origem em uma fita demo em que Dave Grohl, sozinho, tocava todos os instrumentos. Sonoridade definida.

O refrão de “Rope” dizima qualquer dúvida em relação ao poder de fogo da banda em agradar o ouvinte logo na primeira audição. Dos 2’50’’ até os 3’30’’ a banda se aproxima da perfeição em termos de barulho, remetendo diretamente a petardos como “All My Life” (2004) ou “Monkey Wrench” (1997). Mas o ápice deste sentimento urgente e roqueiro é “White Limo”. Grohl berra por quase toda a música. Três guitarras pavimentando o rock gutural, que chega ao teto. Berrar o refrão faz parte deste processo.

Após o belíssimo e subestimado “Echoes, Silence, Patience and Grace” (2007), que talvez não tenha agradado parte da crítica e público exatamente por explorar a parte mais melódica, calma e bela da banda, “Wasting Light” surge mais cru e direto, talvez até mais coeso, pelo norte definitivamente barulhento que Butch Vig direcionou para cada canção. O Foo Fighters mudou sua orientação e fez um disco ainda melhor que o anterior.

Na estreia, em 1995, o Foo Fighters era pautado no grunge. Dois anos depois, “The Colour and the Shape”, referência na discografia da banda pelas faixas enérgicas e ao mesmo tempo, cantaroláveis (e os clipes históricos). Depois, o ápice comercial com “There’s Nothing Left to Lose” (1999), quando esbarraram no pop perfeito, soando pesado e comercial em cada música, inclusive nos b-sides (vide a boa “Fraternity”). Em seguida dois álbuns irregulares, mas com bons momentos: “One by One” (2002) é salvo pelos singles. Já “In Your Honor” (2005) peca pelo exagero. Das 20 canções, dez ali são relevantes, mas se perdem na imensidão do álbum duplo.

Um dos grandes méritos de “Wasting Light” são as letras que remetem a sentimentos. Nada piegas, nem brega. Mas existem inúmeros histórias na música pop, onde grandes CDs são movidos por dores de cotovelo, paixão aguda ou tristeza latente. “Dear Rosemary”, “Arlandria”, “A Matter of Time”, “I Should Have Known”, além de canções sensacionais, são quatro bons exemplos disso. Ao final, a positiva “Walk” dá esperança que bons dias virão. Previsão facilmente detectável após escutar um trabalho de tamanha qualidade.

“Wasting Light” completa, ao lado de “There is Nothing Left to Lose” e “The Colour and the Shape”, o trio de discos indispensáveis de uma das melhores bandas do mundo. Esqueça os jargões de “salvação do rock”. “Wasting Light” prova que ele está salvo e em ótimas mãos. Dúvida? “Better Off”, grande canção que só aparece na edição especial de “Wasting Light” manda o recado para a concorrência: “You know i’m better off you bastard, bastard, bastard”. Dave sabe das coisas.

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– Tomaz de Alvarenga (@tomazalvarenga) é colaborador do jornal Estado de Minas e escreve para o blog Contratempo

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Leia também:

– “In Your Honor” é um CD roqueiro, diferente, variado e divertido, por Renato Beolchi (aqui)

23 thoughts on “Foo Fighters: muito barulho por tudo

  1. “Wasting Light” simplesmente deixou REM, Decemberists, Twilight Singers e The Pains of Being Pure at Heart comendo (muita) poeira na disputa de melhor disco do ano. Bom demais da conta, sô!
    O Tomaz Alvarenga é o que escrevia no Abacaxi Atômico?

  2. Adorei o CD.
    Não decorei o nome das músicas ainda.
    Não entendo muito de rock.
    Mas deu pra ouvir o álbum todo sem ficar enjoado.
    Diferente do CD novo do Panic at the disco.

  3. Sério, NADA VAI SUPERAR ESSE ALBUM ESSE ANO. Os nomes que poderiam, fizeram lançamentos medianos (o que falar do radiohead fazendo o mais do mesmo com sono?). Wasting chutando bundas since 2011. E digo, ainda vai ser o album da década.

  4. E aí, Tomaz!

    Achei esse disco um pouco repetitivo, chego na quinta música e já cansei. Outra crítica que faço é em relação ao andamento das músicas, mas acho que isso é questão de forma, estética, gosto. Tem uns refrões que eu não consigo encaixar no resto da música, também…

    Mas o disco é diversão pura, muito bom! E é claro que a Katrina está exaltada, auhehuauehauh.

  5. Também gostei muito do disco novo, Tomaz! É bem melhor do que o que eles lançaram na última década (e eu até gosto do “Echos, Silence, Patience and Grace”). Bacana ver um texto seu no Scream & Yell também!

  6. Alguém dúvida do poder de fogo da melhor banda DE ROCK (Radiohead hoje em dia só é rock se vc for impotente sexual!) do mundo e de um dos melhores bateras da história?????
    Meu caro João, quem não gosta de Foo Fighters, bom sujeito não é!

  7. Pessoal, obrigado pelas mensagens!

    Concordo com o Amaury, que o Radiohead se apossou da relevância, largou o rock e se perdeu um pouco (bocado?).

    Igor, meu caro, Mac é “de casa”, colaboro pouco por desleixo pessoal mesmo 😉

    Gustavo, sou eu mesmo, escrevi no Abacaxi Atômico de 2001 a 2006(5?), foi um baita aprendizado, tenho orgulho daqueles tempos e me surpreendo que muitos ainda recordam 🙂

    Tentarei colaborar com mais frequência!

  8. Eu gostava muito do Abacaxi atômico nessa época, lia muito. Depois, a ideia inicial do site se perdeu completamente, e o bom humor deu lugar apenas a ranzizice.Até guerra politica tinha rss Uma pena…

  9. Eu baixei esse disco no New Album Releases,e é muito foda.Me empolguei de novo com o Foo Fighters.Tenho os primeiros discos que são foda,inclusive os estava escutando de novo,e ainda são foda.Esse disco novo tem não só um norte mas uma coesão muito grande no que diz respeito a tudo,ele não cansa,ele soa direto,mesmo naquela “balada”(These Days),e ainda confirma de fato o que sempre se falou que é muito bom.É bacana ver uma banda bacana fazendo um disco ótimo.

  10. Fernando, de fato a banda resgatou aquela sonoridade mais barulhenta de meados dos anos 90, e de fato, isso é ótimo.

    Amaury, o Abacaxi Atômico sempre foi e creio que ainda é (pois perdi contato) comandado pelo mesmo editor, que é boa gente, mas ranzinza como poucos, o que era ótimo, pois o site refletia o que ele pensava e cooptava pessoas que tinham percepção semelhante. Podiam ocorrer exageros, mas era divertido. Bons tempos, aprendi muito por lá.

  11. Sim, realmente era bem divertido, como por exemplo a idéia do Trofeu Abacaxi Atômico, bacana porque era tiração pura, e ler os fãs das bandas “vencedoras” era impagavel… O que me parece é que o site começou a se levar muito a sério, e aí as coisas desandaram…

  12. Nada surpreendente, um mais do mesmo melhorado. Para mim o melhor disco do ano, até agora, é o da PJ Harvey, bem diferente do som do inicio da carreira mas totalmente original. A minha grande aposta do ano é o novo do Queens of the Stone Age, a melhor banda de rock da atualidade. HOMME IS GOD!!!
    Abraço.

  13. Eu gostei muito desse álbum… mas achei menos pesado do que eu esperava, afinal o Dave comentou que seria um álbum bem mais “heavy” e lançou White Limo… que É pesadíssima, cheia de berros e tal… isso me levou a crer que o álbum todo seria pesado nesse nível…

    Bom… independente de ter esperado outra coisa, gostei muito do novo álbum! Ele já está no meu Top 10 de álbuns Internacionais do ano, e sinceramente, espero que ele saia… quero álbuns ainda melhores para ouvir…

    Mas, desculpa ae… a maior banda de Rock da atualidade é Arcade Fire… Wasting Light é muito bom, mas não chega aos pés do The Suburbs…

  14. Gosto do Dave Grohl, apesar de preferir suas participações como baterista, tanto no Nirvana, quanto em projetos paralelos. Tenho boa parte dos discos do Foo Fighters, mas não tenho muita vontade de ouvi-los. Esse sempre foi o problema deles para mim, lançam discos sem muitas surpresas. É como se eu entedesse tudo da primeira vez e a vontade de conversar novamente com as músicas não existisse. Sem contar que esse negócio dos lançamentos da banda sempre serem “o melhor disco deles”, mostra que gravam obras irregulares. Felizmente Wasting Light parece querer mudar isso. Ouvi o disco recentemente e adorei. Dessa vez ficou aquele gostinho de querer redescobrir o disco novamente. Quanto ao melhor disco do ano, acho que o Collapse Into Now continua surfando com folga, pelo menos por enquanto.

  15. Todo hype em torno do último disco do Foo Fighters chega a ser maior que sua real qualidade. Douraram a pílula demais. Continuo buscando o sentido da palavra “pesado” no album. É bom, nada mais.Clássico? Aí já é banalizar o termo. Entendo o senso comum dos fãs dizendo “melhor do ano” em junho, ou outras bobagens. Afinal, fazia tempo (1999?) que Dave Grohl não conseguia sair do lugar comum com a banda. E isso empolga.

    “Esse papo de melhor do ano virou uma obsessão” foi a melhor frase que li aqui.

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