CD: Brandon Flowers, Weezer e Manics

por Marcelo Costa

“Flamingo”, Brandon Flowers (Mercury)
Killers de férias. Os outros músicos nem chegaram à casa de praia e seu vocalista já mostra sua faceta solo. Se o Killers deixou de ser levado à sério após “Sam’s Town” (2006) e virou piada com “Day and Age” (2008), o que esperar deste “Flamingo”? Nada. Quem criar expectativa talvez tropece na chatice de “Welcome to Fabulous Las Vegas” e se esborrache na sofrível “Only the Young”, desistindo de seguir em frente e de encontrar o bom dueto com Jenny Lewis (“Hard Enoguh”) e a grande faixa do álbum, a grudenta “Was It Something I Said?”, mas tudo bem: “Flamingo” é esquecível. Brandon se cercou de gente de peso para dar corpo ao álbum (Daniel “U2” Lanois assina 70% da produção do disco junto com Stuart Price enquanto Brendan “Pearl Jam” O’Brien toca diversos instrumentos e ainda produz três faixas), mas falta alma ao repertório. Ele continua cantando muito e escrevendo bons refrões, e parece querer ser o próximo Frank Sinatra, mas com boa vontade será o novo Rod Stewart. De bom tamanho, não?

Preço em média: R$ 25 (nacional)
A edição especial, importada, traz quatro faixas a mais
Nota: 6

Leia também:
– O excelente DVD “Live From The Royal Albert Hall”, do Killers, por Marcelo Costa (aqui)

“Hurley”, Weezer (Epitaph)
Ano vem, ano vai, e todo mundo aguarda o Weezer voltar a ser aquela banda bacana dos dois primeiros álbuns. Desde então eles se divertem lançando algumas canções geniais perdidas em álbuns ridículos, mas os fãs continuam acreditando que Rivers Cuomo irá acordar do pesadelo e desenhar um álbum clássico novamente. Você é um deles? Desencane: ainda não foi desta vez. Logo na primeira faixa, a power pop “Memories”, Rivers relembra o trauma da época em que o Weezer foi elevado a salvação do rock: “Nós brincávamos com os jornalistas e dizíamos mentiras estúpidas / Eles tinham a sensação de que algo estava acontecendo devido ao brilho em nossos olhos / mas na verdade não sabíamos o que estávamos fazendo a metade do tempo”. Letras adolescentes (“Ruling Me”, “Run Away”, “Hang On”) preenchem um disco rápido que não tem nada no nível de “Pork and Beans”, “Island in the Sun” ou “Beverly Hills” (a melhorzinha se chama “Unspoken”), mas vai continuar mantendo a chama da esperança acesa. Quem sabe no próximo…

Preço em média: R$ 50 (importado)
A edição especial traz quatro faixas a mais (incluindo uma cover de “Viva la Vida”)
Nota: 6,5

Leia também:
– “Radidute”,  um dos discos mais variados do Weezer, por Marcelo Costa (aqui)

“Postcards from a Young Man”, Manic Street Preachers (Columbia)
Em uma entrevista para a Spinner em junho, o baixista Nick Wire deu o tom do décimo disco do Manics: “Vamos soar como o Aerosmith. ‘Send Away The Tigers’ foi nosso ‘Permanent Vacation’, o novo disco será nosso ‘Pump’”, disse citando os dois discos que fizeram a banda de Steve Tyler renascer. A exclusão do álbum anterior, o denso “Journal For Plague Lovers”, não foi à toa. O Manics choca Van Halen com Supremes (eles mesmo dizem) em seu álbum mais pop e grudento. O primeiro single, “(It’s Not War) Just The End Of Love”, tem orquestração comovente e vocal rasgado de James Dean Bradfield. A faixa titulo vem na sequência e mantém a qualidade, mas a apaixonante “Some Kind Of Nothingness”, com participação de Ian McCulloch ao lado de um coral gospel, é o golpe de misericórdia. O ex-baixista do Guns (influência e paixão confessa do Manics) Duff McKagan assume as quatro cordas em “A Billion Balconies Facing The Sun” e até John Cale marca presença num disco que soa tão bom quanto o melhor chocolate amargo.

Preço em média: R$ 50 (importado)
A edição especial é um CD duplo com todas as versões demo das faixas
Nota: 8,5

Leia também:
– “Journal For Plague Lovers” mostra o Manics dolorido e bonito, por Marcelo Costa (aqui)

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Ouça uma música de cada um dos discos acima no Podcast Scream & Yell #9. Baixe aqui.

32 thoughts on “CD: Brandon Flowers, Weezer e Manics

  1. Do Brandon Flowers eu tenho até medo. O do Weezer, eu irei ouvir hoje. Isto, se este grandioso “Postcards from a young man” deixar. Afinal, eu não me canso de ouvir este disco. É o Manics voltando a ser épico, em seu melhor disco desde Know Your Enemy.

  2. gosto cada um tem o seu e a gente tem que respeitar, particularmente adorei todas as faixas de FLAMINGO, e como sempre a afinação de Brandon esta empecavel, alias se na opinião de vocês o cd é tão ruim, alguem poderia me explicar como ele conseguiu estar em primeiro lugar no UK?

  3. Realmente, Samuel. Some kind of nothingness é de arrepiar. E os Manics bem que poderiam pintar por aqui sim. E por falar no McCulloch, os Bunnymen voltam ao Brasil este ano. E dia 12 eu vou, aqui em BH! 🙂

  4. Ma Gutierrez, sabe o McDonalds? Faz um sucesso enorme no mundo todo, a gente come de vez em quando, mas isso não quer dizer que a comida seja boa.

  5. Ah, Weezer… Seria difícil acreditar que a banda acabou se os dois primeiros discos não fossem tão geniais. E eles realmente lançaram umas músicas legais nos anos 2000 (“Island in the Sun” é ótima). Mas esse “Hurley” tá dureza…

    Ah! E eu sou mais um do time que vai ver os Bunnymen em BH! Bora que o show vai ser foda!!

  6. O ingresso pro Echo já comprado. Já vi eles umas 4 vezes e sinceramente? Eles não empolgam ao vivo. Sou grande fã da banda, mas ao vivo eles realmente deixam a desejar…esse negócio de músicos contratados, banda de apoio não é legal…

    Vou para levar meu filhote pra ver pela promeira vez. Ele tem 13 anos e toca tudo do Echo no violão. E também pelo Ocean Rain. Tomara que eles nos surpreendam.

    Agora os Manics eu queria muito ver. Arcade Fire também, claro.

  7. Fred, o Lifeblood é belíssimo sim. Mas pra mim ainda fica abaixo de This is my truth… e Know your enemy.E Samuel, The love of Richard Nixon é a música esquisita mais legal que eu conheço. A melodia gruda na cabeça por dias seguidos.

  8. Os Preachers aqui eu não perderia por nada, Know Your Enemy e Send Away the Tigers são 2 dos discos que mais ouvi. Gosto muito do Lifeblood também, e gosto muito da “Love of Richard Nixon”, não sei porque implicam com essa música…

  9. Já vi dois shows do Echo e acho eles ótimos ao vivo. E o baixista do Guns também foi minha inspiração pra tocar baixo, sempre. Vou até procurar este Manics ae porque de vez em quando lançam algo legal.

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