Volume Two, She and Him

por Murilo Basso

Vamos partir do seguinte princípio: consenso, Zooey Deschanel sabe cantar e conhece muito bem suas limitações. O que de cara pode ser considerada uma grande vantagem para a garota (Oi Lindsay Lohan? Tudo bem contigo Scarlett?). Em “Volume Two”, M. Ward se dedicou mais a produção enquanto Deschanel assumiu a responsabilidade por vocais e pianos. Sem contar o fato de ter escrito grande parte das canções. As exceções são “Ridin’ In My Car”, do quarteto NRBQ, e “Gonna Get Along Without You Now”, da cantora country Skeeter Davis.

O resultado é um daqueles álbuns para ouvirmos quando estamos enterrando as sobras de nosso último relacionamento. É basicamente um guia sobre como passar por essa fase, dividido em 13 lições. E, após a primeira audição, você percebe que por mais complicado que o fim possa parecer, ele está longe de ser insuperável.

“Thieves” é construída ao som do violão. Sua suavidade e simplicidade fazem você se apaixonar novamente. Quase hipnótica, ao narrar uma relação recheada de intrigas, Zooey canta melancolicamente que nada a fará parar de chorar por seu amor perdido. Impossível resistir não é? Afinal, sim, dói muito! Mas, hora ou outra, vai passar.

“In The Sun”, primeiro single, conta com a participação do grupo Tilly and the Walls nos vocais e, a partir daqui, já temos a certeza que a intenção é sim falar sobre o amor. E que a solidão é, e sempre será, uma opção. Aliás, se você ainda não viu, corre assistir ao videoclipe. Imperdível. E só essa canção já valeria o álbum.

As oscilações na voz de Zooey em contraste com um ótimo backing vocal fazem de “Don’t Look Back” uma experiência extremamente agradável. “Oh, oh but you have to know / Don’t look back / All you’ll ever get is the dust from the / Steps before”.  Não se arrependa, aconteça o que acontecer.

Em “Ridin’My Car”, M. Ward, “aparece” pela primeira vez. A combinação de vozes é marcante e nos joga de volta os anos 60. Boas ou más, nossas lembranças sempre irão nos acompanhar, certo?

“Lingering Still”, com uma melodia aconchegante, fala sobre o que deixamos de descobrir (ou não fazemos questão de descobrir) em nossos relacionamentos: ou seja, a verdade. Já “Me And You” parece um lado b de Volume One. Ou uma canção perdida de Morrissey. Enfim, por via das dúvidas tenha sempre uma cópia do “The Queen Is Dead” próxima.

A versão de “Gonna Get Along Without You Now” marca mais um ponto para a dupla: ao optar por interpretar canções não tão famosas o duo conquista nossa simpatia justamente por evitar comparações (e o mesmo vale para “Ridin’My Car”). “Home” foge do que tínhamos ouvido até então ao passear por influências que vão desde o rock a bossa nova. Leves falsetes se opõem a gritinhos de “u-hu”. “Why don’t we just sit and stare and do nothing?”. Paciência, paciência…

“I’m Gonna Make It Better” talvez seja a canção mais melancólica dos últimos anos enquanto “Sing” nos faz querer sair por aí… Cantando, é claro! Por um momento, feche seus olhos e sorria. “Over It Over Again” escancara os joguinhos amorosos que marcam nossos relacionamentos. Os vocais representativos em conjunto com o piano quase frenético deixam a música com ares teatrais. E, atualmente, poucas interpretam garotas apaixonadas e / ou sem muitas esperanças como Zooey (desconsidere Fim dos Tempos, por favor).

“Brand New Shoes” traz um clima triste e pra lá de intimista. Pop perfeito nos preparando para o fim. “If You Can’t Sleep” fecha o disco e, em meio a todos os desentendimentos e problemas levantados por “Volume Two” – e por nossos relacionamentos – acaba nos mostrando uma boa alternativa: durma e, ao mesmo tempo, sonhe com dias melhores…

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– “Break Up”, Scarlett Johansson e Pete Yorn, por Marcelo Costa (aqui)

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