The Killers, Morrissey e R.E.M.

por Marcelo Costa

“Live From The Royal Albert Hall”, The Killers (Universal)
“Ali por 2000, 2001, nós éramos quatro almas perdidas vagando em Las Vegas. Dave colocou um anunciou em uma revista procurando músicos e eu respondi. Ele tinha cinco idéias para uma canção. A primeira foi essa”, anuncia Brandon Flowers, e segundos depois entra o riff de “Mr. Brightside”, primeiro grande sucesso do Killers. O mítico Royal Albert Hall, em Londres, está tomado por fãs de mais de dez nacionalidades que festejam um dos grandes momentos do primeiro DVD oficial do quarteto norte-americano. O trabalho dos câmeras é deslumbrante e a beleza do local é valorizada nos mínimos detalhes. O show é quase o mesmo que aconteceu debaixo de chuva em São Paulo, em novembro passado, com a diferença de que agora você poderá assistir a apresentação no conforto do seu lar, sem precisar de pé de pato, snorkel e canoa. Está tudo aqui! Dos sucessos que empolgam (“Human”, “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It”) aos momentos de embaraço (“The World We Live In”, “A Dustland Fairytale”). Destaques: a chuva de papel na excelente versão de “All These Things That I´ve Done“ e o final grandioso com “When You Were Young”. Nos extras, um documentário de 25 minutos que apresenta o staff da banda (o técnico de palco do grupo, Zack Eastland, tem 19 anos. “Comecei bem cedo”, ele explica) mais cinco músicas em registros em grandes festivais europeus. Acompanha um CD com o áudio do show. Pra guardar junto com a meia suja de barro.

Preço em média: R$ 55 (nacional – DVD/CD)
Nota: 9

Leia também:
– Killers, o Bon Jovi dos anos 00, ao vivo em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)

“HMV/Parlophone Singles ’88-’95”, Morrissey (EMI)
“Swords”, Morrissey (Polydor)
O ex-lider dos Smiths retorna em dose dupla às lojas. Na verdade, em dose quíntupla já que um CD triplo (vendido pelo preço de um) e outro duplo raspam o tacho da carreira solo de Morrissey. “HMV/Parlophone Singles ’88-’95” traz tudo que o cantor lançou em singles nos sete anos em que foi representado pela EMI britânica. Apesar de Morrissey ser contra o lançamento (já que não recebe nenhum royaltie do selo), “HMV” é exemplar ao reunir, entre as 62 músicas, sucessos da primeira fase (“Suedehead”, “Everyday Is Like Sunday” e muitos outros) e raridades como “That’s Entertainment” (cover do Jam), duas versões de “Moonriver” (famosa com Audrey Hepburn no filme “Bonequinha de Luxo”), um registro ao vivo de “Cosmic Dancer”, do T-Rex, e três versões de “Interlude”, belo dueto com Siouxsie. A segunda coletânea, “Swords”, trata de material raro mais novo, pós-retorno com “You Are The Quarry” (2004), e destaca grandes canções como “Because Of My Poor Education” e “Don’t Make Fun Of Daddy’s Voice” além de uma versão ao vivo de “Drive-In Saturday”, de David Bowie, e “My Life Is A Succession Of People Saying Goodbye”, cujo título (puro Morrissey) merece citação. Uma edição especial de “Swords” ainda traz o EP “Live In Warsaw”, com oito registros ao vivo de julho de 2009 – incluindo uma dos Smiths, “You Just Haven’t Earned It Yet, Baby”. Numa esquina do Père-Lachaise, Oscar Wilde sorri.

Preço em média: R$ 60 “Swords”  (importado, duplo)
Nota: 9

Preço em média: R$ 55 “HMV/Parlophone Singles ’88-’95” (importado, triplo)
Nota: 9,5

Leia também:
– “Years of Refusal”, Morrissey, por Marcelo Costa (aqui)

“Live at The Olympia, Dublin”, R.E.M. (Warner)
Após o fiasco de “Around Sun” (2004), que o guitarrista Peter Buck assumiu não ser um disco tão bom, o R.E.M. experimentava pela primeira vez o gosto amargo do descaso da crítica. Corte para julho de 2007. A banda aluga um teatro em Glasgow para ensaiar – em cinco noites sold out – na frente dos fãs as canções que iriam compor o que viria a ser seu disco de redenção, “Accelerate”. O repertório evita os hits de massa (“Drive” é a única concessão) e concentra-se na primeira década do R.E.M., quando o grupo era o quindim das college rádios norte-americanas. Michael Stipe avisa logo nos primeiros segundos: “Este não é um show. Se você entrou aqui sem saber o que era, o que duvido, estamos ensaiando novas canções e estou muito tenso”. O resultado desta pequena epopéia pop de coragem é um pacote com dois CDs (e um DVD, mas este só na gringa) que juntam 39 canções (no encarte, Peter Buck comenta uma a uma) retiradas de todos os álbuns da banda. O DVD traz o filme “This is Not a Show”, dirigido por Vincent Moon, que registra o pânico de Stipe (“Terminei de compor essa letra não faz nem 15 minutos e vou cantá-la ao vivo. Peter e Mike ainda não a conhecem”, desabafa o cantor), interessantes cenas de bastidores e vibrantes números ao vivo que flagram o R.E.M. acelerando de volta ao topo. Não um show, nem um ensaio, mas uma aula.

Preço em média: R$ 45 (nacional – 2 CDs) R$ 90 (importado – 2 CDs 1 DVD)
Nota: 9,5

Leia também:
– “Reckoning – Deluxe Edition”, R.E.M., por Marcelo Costa (aqui)

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