O Seminarista, Rubem Fonseca

por Adriano Mello Costa

Rubem Fonseca está a caminho de completar 85 anos em maio desse ano. Durante sua carreira lançou verdadeiras obras primas e ganhou respeito nacional e internacional. Depois de um certo tempo, ler os livros do autor se tornou tarefa mais fácil, ainda que não menos saborosa. Nos livros mais recentes, percebemos as suas manias e características bem à tona, logo na superfície. “O Seminarista”, lançado ano passado pela Editora Agir, não foge dessa regra.

Em 181 páginas, Rubem Fonseca narra a história de José, um matador profissional que fica cansado de tudo e como tem uma boa grana guardada resolve se aposentar. No meio do caminho dessa transição algumas situações acontecem para dificultar os planos de José, como uma paixão inesperada e a trama em que é adicionado ao tentar sair do seu ramo de trabalho. José, conhecido como “especialista”, precisa mais do que nunca dos seus “talentos” para escapar.

O título do livro refere-se ao fato do personagem principal ter sido seminarista antes de virar matador de aluguel e se reflete em diversas citações de latim e religião no decorrer da história. Em um thriller rápido e rasteiro, o autor preserva temas como a violência, a ironia cortante e o humor meio atravessado, situações pouco comuns e personagens que esbanjam cultura e conhecimento. Pelas ruas do Rio de Janeiro, cria um mosaico de informações ligeiras.

O grande problema de “O Seminarista” é que mesmo sendo divertido e prazeroso esbarra demais na carreira do autor. Comparando com o que já foi feito não passaria de uma pequena nota de rodapé. A própria trama - apesar de esperta e repleta de ritmo - escancara seus rumos cedo demais para o leitor. Para quem está acostumado, por exemplo, com as aventuras de Mandrake, o detetive já consagrado pelo autor, as aventuras de José perdem de goleada.

Um ponto interessante do livro é que além de ganhar um site, onde o próprio autor lê uma parte do seu trabalho, o mesmo foi lançado também em versão para o Kindle (leitor de e-books da Amazon.com), sendo precursor nesse sentido. A velha mão de Rubem Fonseca ainda convence em “O Seminarista” e rende bons momentos, mas se analisado friamente, não passa apenas de um lampejo de criatividade deste grande nome da literatura nacional.

Site do livro: http://www.oseminaristaolivro.com.br

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Leia também:
- Quem é Rubem Fonseca?, de Rubem Fonseca, por Marcelo Damaso (aqui)
- “Diário de um Fescenino”, de Rubem Fonseca, por Marcelo Damaso (aqui)
- “Mandrake - a Bíblia e a Bengala”, de Rubem Fonseca, por Jonas Lopes (aqui)

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Adriano Mello assina o blog Coisa Pop.

This entry was posted on Sábado, Fevereiro 13th, 2010 and is filed under Literatura. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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