Qual música te define?

“Por que a gente gosta de cantores? Onde se esconde o poder das canções? Talvez se origine da mera estranheza de se existir canto no mundo. A nota, a escala, o acorde; melodias, harmonias, arranjos, sinfonias, ragas, óperas chinesas, jazz, blues: o fato de essas coisas existirem, de termos descoberto os intervalos mágicos e as distâncias que produzem o pobre punhado de notas, todas ao alcance da mão humana, com as quais construímos nossas catedrais sonoras, é um mistério tão alquímico quanto a matemática, ou o vinho, ou o amor. Talvez os pássaros tenham nos ensinado. Talvez não. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exaltação. Coisa que não temos muito. Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo”. Trecho do livro “O Chão Que Ela Pisa”, de Salman Rushdie
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por Marcelo Costa

Lá na pré-história, quando não existia Internet, disc-man, Big Brother Brasil e outras maravilhas do mundo moderno, era bastante comum um cara querer impressionar uma menina com uma… fitinha cassete. Bem, fita cassete, segundo a Wikipédia, é um tipo de gravação de áudio lançado oficialmente em 1963, que era basicamente o mesmo que a gravação em bobinas, só que os carretos e todo o mecanismo de movimento da fita se encontravam dentro de uma pequena caixa plástica, facilitando o manuseamento e a utilização. É isso ai que está na foto de abertura do texto. E isso tocava música.

Rob Fleming, personagem central do romance “Alta Fidelidade”, do escritor britânico Nick Hornby, conquistou Laura com uma fita cassete. Na verdade, ela já estava interessada nele após vê-lo discotecando, mas a fita cassete foi o ponto marcante para que os dois passassem a ter um… relacionamento. Ela foi elogiar a discotecagem dele, ele curtiu o jeito dela, e prometeu gravar uma fitinha especial, que ela deveria pegar na semana seguinte. Ela foi, e se você leu o livro (se não leu, deve ler), já sabe tudo o que aconteceu…

Outro personagem – quase famoso da cultura pop recente – apaixonado por fitas cassete é o senhor Melvin Udall. Ele é escritor, impaciente e grosseiro. Mas mesmo os escritores, os impacientes e os grosseiros têm coração. E Melvin acaba por se apaixonar por Carol Connelly, garçonete, mãe solteira e tudo aquilo que nosso amigo sonhou. Toda vez que ela entra no carro de Melvin, ele escolhe uma fitinha temática para confortar o ambiente; ou dar um clima. Melvin é Jack Nicholson; Carol Connelly é Helen Hunt. A história deste parágrafo acontece no filme “Melhor é Impossível”, de James L. Brooks, que levou dois Oscars na cerimônia de 1998, para os dois atores.

Gravar uma fitinha cassete para uma pessoa – ou pensando em criar climas, como Melvin Udall – não era a coisa mais simples do mundo, porque era preciso escolher as músicas certas, a sequência certa, para que seu intento fosse alcançado. E mesmo que a pessoa não gostasse de todas as músicas, o fato dela gostar dessa ou daquela canção permitia análises subjetivas e apaixonadas sobre o futuro deste relacionamento. Como disse Bill Callahan, do Smog, certa vez, sobre como preparar um clima para um encontro em casa: “Coloque Smiths pra tocar. Se ela ficar, será sua. Se ela for embora, não era para ser mesmo”.

Em tempos de CDR, a prática de gravar algo especial para outra pessoa saiu de moda, o que é especulativo, pois o CDR é de manuseio mais simples e – hipoteticamente – deveria facilitar coletâneas de músicas, mas não é isso que parece acontecer. Quando escrevo “fazer uma coletânea para alguém”, estou diferenciando este ato do simples fato de se jogar músicas num CD e entregá-los para outra pessoa de qualquer maneira. Gravar uma fitinha cassete era uma arte. Era preciso se preocupar desde a sequência de músicas até a capinha caprichada que iria embalar esse objeto especial. Especial porque a música aproxima pessoas.

Pensei em tudo isso porque, dia desses, minha namorada, no meio de uma ligação de telefone, comentou empolgadamente: “Como é bom esse disco (novo) do Wilco. Tem algumas coisas que lembram Beatles!”. Eu havia acabado de baixar o “Sky Blue Sky”, novo álbum da banda do genial Jeff Tweedy – que só chega às lojas em maio – e tinha deixado o arquivo no desktop do computador dela. Sorri com o comentário que ela fez (pois gostar de Wilco é algo que facilita demais a convivência), e tentei lembrar quando foi que ela conheceu a banda. E isso aconteceu exatamente através de um CD que gravei especialmente para ela, ainda quando estava apaixonado sem que ela imaginasse que eu pudesse estar com segundas intenções.

O CD se chamava “Rocket”, nome de um b-side maravilhoso do Jesus & Mary Chain (incluso na seleção), uma canção que fala de foguetes disparados na chuva e de sentimentos inexplicáveis, que era exatamente o que eu estava sentindo naquele momento. Porém, se eu dissesse que fiz uma seleção pensada para ela, com cada música trazendo um significado, estaria mentindo. O que fiz, na verdade, foi selecionar algumas das músicas que mais gosto, encaixar cada uma delas numa ordem que desse algum sentido para a coisa toda, colocar uma capinha tosca (minha impressora não ajudou), e presenteá-la com algo que me traduzisse/definisse de uma forma diferente daquela que estávamos travando em bate papo de MSN ou sessões de cinema, pensando: “Se ela gostar, ela pode ser minha. Se ela não gostar, não era para ser mesmo”. Ela gostou.

Gravei 20 músicas em uma seleção de canções que – segundo soube depois, quando já estávamos namorando – foi entendida como uma seleção “pé na bunda”, ou algo assim. Tinham coisas novas que haviam acabado de sair naquele momento (“Yeah Yeah Yeah Song”, do Flaming Lips) como coisas mais velhas, tipo “Milez is Ded”, do Afghan Whigs (a canção mais antiga do CD, de uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos). Ela gostou de “All Because Of You Days”, uma rock song belíssima da fase recente do Echo and The Bunnymen, de “Walk Away”. do Franz Ferdinand (tive que dar esse CD deles pra ela depois), de “Devil’s Waitin”, do Black Rebel Motorcycle Club, e de… “A Shot in The Arm”, do Wilco. Ela gostou de quase tudo, mais de algumas coisas, menos de outras (como de Devendra Banhart, que ela acabou conhecendo pessoalmente/rapidamente no Tim Festival). Ela gostou, e vive me cobrando quando vou gravar outro CD igual a esse (logo, prometo).

Desde as famigeradas fitinhas cassete até nossos práticos CDRs, presentear alguém com uma seleção de músicas é algo muito especial. Porque selecionar músicas para outra pessoa requer atenção e carinho. Você precisa estar pensando na pessoa na hora da gravação, no que ela gosta, em que tipo de música agradaria a ela, que tipo de mensagem você quer passar, coisas assim. Porque existem coisas que estão muito além das palavras. Porque a música pode tornar a vida mais interessante. Porque existem pessoas que não concebem viver sem música, pois a música, como escreveu Ana Maria Bahiana certa vez, é “a vida em código”. Qual música te define, caro leitor?

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Ps 1. Texto dedicado a Lili, “a adorável menina que quer viver na montanha”
Ps 2. A música que me defíne é “Rust”, do Echo and The Bunnymen

66 thoughts on “Qual música te define?

  1. cara, perguntando assim na cara, eu diria que é “changes are no good” dos stills.

    mas talvez hoje fosse “that’s not me” dos beach boys, ou “good morning” dos bestles. ou “deixe-se acreditar” do mombojó. ou alguma do new order ou dos smiths.

    não tem pergunta mais fácil, não?

  2. Esses dias tava fuçando no som aqui de casa e achei uma fita cassete dentro do deck… Devia estar lá havia uns 5 anos, no mínimo =P
    Uma música que me defina é difícil, talvez I’m a Loser, dos Beatles, ou All Apologies, do Nirvana.

  3. Muito bonito texto! Nao tenho a minima ideia de quantas fitas gravei na minha vida mas eu gostava muito de gravar. Bateu saudade. Parabens!

  4. Pô Marcelo
    Eta perguntinha difícil para um velho disk jockey que começou a xeretar o assunto gravando Ray Connif em gravador de rolo “Geloso”.
    Devo lembrá-lo que entre o rolo e o cassete citado, tivemos o cartucho, não tão prático, numa época em que Salman nem sonhava com seus famosos Versos Satânicos.
    Gravar seleções para bailes implicava em 2 pickups e um amplificador Delta com dois canais e um geloso pausado a mão sobre rolo. Quando a Phillips lançou o famoso Mini K-7, um palito de dente resolvia o problema da pausa.
    Quanto à música definidora, obedecendo à tendência estrangeira da galera, se for instrumental, o Concerto Para Ajanuez executado em violão por Laurindo Almeida e Modern Jazz Quartet em Madrid. Cantada, fico com Sumertime, Janis Joplin, Lp Big Brother & The Old Company ( nada a haver com isso da Globo, ainda nem nascida).
    Agora, na MPB, é um monte. Use o espaço também para ela, cuja compreensão pelo povo chega mais perto do pensamento de Salman.
    Parabéns pela página.
    Dalton.

  5. A música é a arte maior! Ela envolve todos os outros tipos de arte em todos os sentidos.
    Sem música, sou ninguém…
    A eternidade humana e subumana está na música!
    E mais: Nós, brasileiros, temos 1/4 de responsabilidade na música universal: Bossa Nova!
    E nossa verdadeira arte não é o futebol (cada vez pior), mas sim a música!!!

  6. Olá, Marcelo Costa!
    Ainda leio bastante sua coluna, mas faz tempo que não comento nada.
    Fita cassete…gravei várias, para meus pais, meus irmãos, meus amigos, namoradas, de fato era algo que tinha sabor especial entre tantas coisas pela satisfação estampada no rosto de quem recebia e mais tarde o comentário positivo daquele presente.
    Falar de uma música que possa nos definir é algo complicado, vieram tantas na memória. Mas um fato recente me fez atentar para uma música em especial alguns dias atrás, pelo aniversário de casamento dos meus pais.
    Descontração e alegria na família, algumas músicas ao vivo (pura farra mesmo hehehehe), mas uma chamou a atenção: DETALHES, de Roberto/Erasmo, por instantes passaram pela minha memória (e tenho certeza que o mesmo aconteceu com várias pessoas ali presentes) as histórias que escutei desde moleque sobre os dois, as idas e vindas até que o romance engrenou e mesmo que eles não soubessem disso plenamente, meu destino ali foi traçado, apesar de ser o último de quatro filhos. Ver brilho nos olhos deles após 40 anos de casamento, escutando essa música que significa tanto para eles pela voz de um grande amigo da família, com os altos e baixos da vida, tive certeza de que a canção deles é vida, a vida deles é canção…e isso de um modo ou de outro reflete na minha vida. De certo esta música não seria a que me define, mas no momento, devido a estes fatos, é ela que vem como resposta.

    Grande abraço!

  7. “There is a light that never goes out”, dos Smiths.

    Parabéns pelo texto, está ótimo. Não importa se é um velho K7 ou só um playlist para o mp3player dela, o que importa é ter pensado em cada música que foi incluída ali!

  8. É uma difícil pergunta, afinal são tantas. Acho que a longa canção “Highlands”, do Bob Dylan. Ou “All Apologies”, do Nirvana. Me encontro nelas.

  9. belo texto, Mac! pra começar, não cheguei a gravar fitinhas pra ninguém, mas cds sim (mas só depois que o “Se ela gostar, ela pode ser minha. Se ela não gostar, não era para ser mesmo” já havia funcionado, e por acaso com o livro Alta Fidelidade; conversas de msn, falei do livro, ela pegou, conversamos e uma semana depois estávamos juntos).

    não sei se me definiria em uma única música, mas que esse último relacionamento encaixava bem com Chasing Cars e que trechos da letra de Last Goodbye funcionaram bem numa espécie de “carta de despedida” quando tudo acabou, ah, isso sim!

    abraço

  10. Que música me define? Chega a ser angustiante procurar uma resposta, mas vamos lá. Escolher uma seria sofrido demais, por isso faço um Top Five:
    1. Strawberry Fields Forever – Beatles (1967) – A beleza da melodia, a grandiosidade do arranjo, e a referência a momentos mágicos da infância definem um pouco o que sou. Gosto de lembrar da infância e dos momentos bons do passado, aí poderia incluir também “In My Life” .
    2. Word On a Wing – David Bowie (1976) – O clamor da interpretação de Bowie descreve um pouco meus sofrimentos e clamores interiores
    3. I Just Wasn´t Made For This Times – Beach Boys (1966) – Como Brian Wilson sinto-me, as vezes, meio fora das idéias e visão do mundo atuais
    4. Amazing Grace – Elvis Presley/Aretha Franklin – o antigo gospel americano descreve a minha fé e sentimento de dependência da graça divina
    5. A Rose for Emily – Zombies (1968) – A tristeza do personagem capta sentimentos bem pessoais e íntimos, neste ponto poderia incluir também “Eleanor Rigby”. A sensação de solidão e falta de sentido aparece sempre me assombram.

  11. Você esqueceu de dizer que para se gravar uma fita era preciso somar os tempos da música para saber se alguma ia ficar quebrada…isso na minha opin~ião era o mais difícil. Já com o CD, você vai colocando música até encher e pronto.

    Agora uma música que me define…putz. Isso é fóda pq nós mudamos muito durante a vida, e derrepente a cada dia seria um anova música. Até porque, seri ameio chato ser uma música só a vida inteira. Acho que agora, eu seria “walk on the wild side” do Lou Reed

  12. Acho que temos músicas para cada fase. Algumas vão ficando e tornam-se parte da nossa cassete vitalícia, hehe. Atualmente, “Ticket to ride” e “blowing in the wind” me definem (ou tentam). Maravilhoso texto, realmente fantástico! Abraços.

  13. Provavelmente “C’mon”, do Verve.

    E acho que o Cdr substitui perfeitamente a fita cassete. Com a vantagem do acervo virtual ser maior e mais barato. 🙂

  14. Que texto legal, Mac!
    Eu já gravei algumas fitas. Inclusive algumas quando já se gravavam músicas em CDs. Como sou meio atrasado, fazia fitas. E era bem interessante mesmo, saber se ela gostava mais do lado A ou do lado B, ou aquela canção especial curtinha que ficava no final de cada lado…

    Acho que “Nowhere Man” me define um pouco.

    Parabéns para vocês dois pelo aniversário!
    Grande abraço.

  15. Gravar fitas foi toda uma era de minha vida, marcou minha adolescência de forma irremediável, era um ritual delicioso. Só odiava quando eu perdia um tempão gravando uma e o(a) destinatário(a) não gostava, aliás, existe ofensa maior do que gravar uma fita/cd pra alguém e este não ouvir ou fazê-lo desatentamente? Não, acho que não…

    Música que me define?

    “Lucky”, do Radiohead
    e
    “By This River” do Brian Eno

  16. Vamos lá… a música que define de todos os tempos talvez não seja esta mas foi aquela que veio primeiro: “Nothing last forever” do Echo and bunnymen.

    E nos dias de hoje seria Generation do Black Rebel Motorcycle Club.

    Agora uma dica de blog para vcs darem uma olhada é http://www.vinilvelho.blogspot.com

    Abraço

  17. Primeiro, O Chão Que Ela Pisa está na minha listinha de livros essenciais. Adoro! Segundo, muito lindo seu texto, Mac. E terceiro, o assunto: cheguei a gravar várias fitinhas pensando em alguém, mas nunca tive coragem de entregar. Na verdade, muitas delas eu gravava pra mim mesma, com as músicas que meu paquerinha gostava (cheguei a gravar uma fita inteira só com uma música, a única que eu sabia que ele gostava e que me fazia lembrar dele. hehehe). E acho que essa é a minha dificuldade em gravar CDs para dar de presente (tanto que já estou devendo às pencas por aí): nunca sei se coloca as músicas que eu gosto, as que eu acho que ele vai gostar ou as que tem alguma história entre nós. Nesse caso, acho que a saída é dividir em seções, né?! hehehe. Não sei dizer também, hoje, uma única música que me definiria. Vou procurar por isso. E depois gravar um CD pra alguém. 🙂 Beijos.

  18. rust é uma bela música. das melhores do echo. gosto da parte de “take me home again”, que é um texto meio recorrente nas minhas composições.

  19. Só queria deixar registrado para o autor, que entendo perfeitamente o significado de se gravar uma seleção de músicas para uma pessoa. entendo que não é simplesmente jogar as músicas lá, é um trabalho minucioso no qual a gente se dedica e também coloca um pouquinho de si mesmo. ainda bem que existem pessoas que sentem e pensam como eu.

  20. Uma música que poderia me definir não seria uma,seriam três: The Hardest Button To Button -The White Stripes, Ize of the Word – The Strokes e Blowing In The Wind – Bob Dylan.

  21. %!@$&@#texto lindo!
    music makes the people come together, certo?
    eu gravava K7s com as melhores músicas do mundo
    e faço isso com cds para presentear os amigos
    com toda a cautela possível!
    é uma das coisas que mais gosto de fazer
    que vontade de ser dj!

  22. Caraca, lendo teu texto e me lembrando de um namorado q me gravou várias fitnhas K7 e eu as tenho até hoje, como foram importantes para mim.
    Em homenagem a essa fase eu diria que a música é Keyleigh – Marillion.

  23. Que música me define? PUTZ…Acho que depende da fase que estou ultrapassando…Curto coisas novas, mas alguma bandas retrô-80 me deixam meio anestasiado (talvez porque já curti isso antes, nos anos 80 reais)…Atualmente re-encontrei “OK Computer”, ripei no computador e fiz uma play-list dele, além de deixar no carro tb…

  24. Caro Mac: Gostei muito de ler seu texto. Principalmente pq falou de muitas coisas idênticas. Há muito tempo atrás, numa fita cassete gravamos as vozes dos meus sobrinhos qdo crianças e, hoje, um deles, Josué está um rapaz que gosta muito de ouvir e gravar músicas, ler e foi através dele que eu conheci o “Alta Fidelidade”. Qto a música que me define, ah são tantas, posso citar uma “All time high” com Rita Coolidge.
    Seja feliz!
    Elenice Bernardo

  25. Parabéns pelo texto que nos leva a viajar pelas muitas músicas que nos “toca”.Definir apenas uma música é muito complicado,mas curto demais Eyes Without a Face,de Billy Idol e É Só o Fim,do Camisa de Vênus.

  26. e aí marcelo, como andas? tem tomado seu remédio?
    pra ser sincero faz tempo que não leio sua coluna e que não contribuo com page views. Li esse texto seu e senti saudade de quando eu era romântico e as coisas eram mais encantadas, quando eu fazia e escrevia coisas pensando no que os outros e outras iam pensar e nesse mundo da cultura indie-pop do qual vc tem se tornado um grande formador de opinião.
    sinto falta de pieguice, ainda mais dessa sua pieguice inteligente e encantadora. Eu to pior que isso, eu to azedo pra cacete, e ainda pior que nunca. Minha namorada me deu um pé na bunda a alguns meses eu tenho cheirado pra %!@$&@# Eu to arrumando minhas coisas pq daqui a alguns dias to pegando estrada, vou passar um ano viajando sem um puto no bolso só com minha barraquinha subindo o são francisco e certamente nao poderei mais te ler.
    não por enquanto. to escrevendo pra deixar um abração, um desculpa por qualquer coisa e e um aceite na brincadeira. A musica que me define é triste bahia do caetano.
    grande abraço!

  27. cara, eu leio o scream & yell tem uns 4 anos e sempre adorei seus textos, mas não sou muito de comentar
    mas esse texto em especial mexeu comigo.
    alto fidelidade, melhor é impossível e compilações em fitinhas k7 em um texto só é demias pra mim!
    hehehe
    seus textos são sensacionais
    e a música que me define tem que ser “muzzle”, smashing pumpkins

  28. Caraca,
    Sempre gravei cassetes prá pessoas especiais. Isso foi a minha adolescência. Hoje estou casado e tou a ALGUNS MESES escolhendo uma Playlist prá gravar num cd para ela. Na minha opinião montar esses playlists se torna mais fácil qdo se escolhe músicas que digam algo que VOCÊ gostaria de dizer para ELA. Seguindo contra a corrente vou me definir com uma música BRASILEIRA, na realidade um poema: METADE, de Oswaldo Montenegro.

  29. Acho que não existe uma música que nos identifique para sempre – talvez lá no fim da vida dê para fazer um resumão e escolher uma. Certos períodos possuem uma música específica como trilha sonora.

    Eu iria de “Somebody”, do Depeche Mode, é a que mais tempos está na minha lista de preferidas. Bonita, mas simples, quase simplória. Como a vida deveria ser.

  30. Caramba! Eu não consigo dizer que UMA música me define. Talvez porque eu esteja em constante mudança, mas ora, todos estamos. Talvez eu mude mais? Não, tem coisas que continuam as mesmas. Mas continuo sentindo a música como estado de espírito, e como este sim SEMPRE muda, daí que eu não consigo me definir com uma música só. Talvez um CDR. =)
    Ah, quando eu faço seleções pra gravar em CD é com a mesma minúncia das cassete! bjs

  31. Belo texto Mac, tbm já fiz fitas e cd-r’s pra garotas, pra amigos e até pra minha mãe e pro meu pai! É uma arte mesmo, e vc transmitiu muito bem pro texto.

    Pô, dureza uma música pra definir a gente, acho que muda de tempos em tempos, dependendo do momento. Mas vou ficar logo atrás de vc: como tô terminando a faculdade, pode ser “What Are You Going To Do With Your Life” do Echo

    abraços

  32. Recentemente gravei o primeiro CD pra minha nova namorada. Tinha o que eu mais gostava: Echo and the Bunnymen, Smashing Pumpkins, Walkmen, Arcade Fire, Pixies, Manic Street Preachers, entre outros. O resultado? Ela tentou disfarçar, mas deu pra ver que não gostou… Acho que só gostou de Ocean Spray, do Manics… Mas ainda vou conseguir tirá-la do lado negro da força, hehe.
    Agora, escolher uma música que me define é difícil demais… Vou ter de pensar.

  33. Pow.. muito bacana o texto.. hehehe

    minha música ultimamente digo que talvez seja “La Cienega Just Smile”, do Ryan Adams… mas sei lá… às vezes nem é… hehehe….

  34. Caro Marcelo, este texto é um dos mais inspirados e mais convenientes nestes tempos. Tu me fez lembrar das minhas velhas coletâneas com intento de ter alguma conexão que acabaria em alguma coisa, senão acabaria, não era pra ser. E me fez tocar que eu continuo esta ardua, mas prazerosa, ação, através dos CDRs que procuro manter a tradição, e não apenas jogar um bando de músicas aleatoriamente, sem rumo ou destino pré estabelecido.

    A uma música que me defina? Agora no momento é Hoochie Coochie Man!!!

  35. Po Mac…esse texto fez eu voltar bem no tempo…gravei um bocado de fitas no final dos 80 e inicio dos 90, a primeira vez que ouvi Velvet Undreground foi em fita cassete…Sempre dava fitas paras as propensas paixoes da adolescencia…
    Belo texto.
    P.S1: Eu gravo cds para as pessoas…
    P.S2: A musica que talvez me defina melhor seja “Dom Quixote” do Engenheiros…
    :))

  36. mac
    ótimo texto!
    qdo era mais novo fazia isso também. hje gravo cd’s com mp3.
    mas curiosamente nunca tentei como arma de sedução (na verdade sou péssico nessas coisas hehehe)
    abração!

  37. Poxa Mac, eu tava sentindo falta dos seus textos em que vc se entregava e entregava sua intimidade, obrigado por mais essa leitura obrigatória, grande abraço

  38. Uma vez gravei um CD com umas 18 músicas em formato de áudio para uma moça e ela ficou indignada pelo fato de eu não ter compilado os arquivos em mp3 – “caberia bem mais!”, ela argumentou.

  39. Bem, a minha versão das fitas cassetes são CDR com capinhas coloridas que envio aos amigos com cartões orientais de bons dias… Tenho esse hábito há tempos e confesso: isso me faz bem, e faz sorrir quem recebe.
    A última coletânea “by Tati” foi para o amigo Paulo, que vive morando em outros estados, por ser marinheiro… na seleção, tem Wilco, Fiona Apple, Tom Waits… canções que escuto quando escrevo. Recebi vários sorrisos de “obrigada”.
    Definitivamente, é muito bom ter vida com trilha sonora.

  40. no começo desse ano passei 45 dias trabalhando em outra cidade, foi a última vez que gravei alguma coisa pra alguem – meu namorado. gravei pra ele e pra mim, mas (vacilona) joguei a seleção no meu mp3player falseta e as músicas sairam de ordem. triste…

  41. Tenho o hábito de presentear as pessoas q gosto com CD´s gravado por mim e o seu texto realmentente mexeu com meus sentimentos.

    Recentemente gravei um CD para minha namorada com Smiths, New Order e The Cure ela adorou.

    A música q me define, Echo And the Bunnymen “Dancing Horses”

  42. Cansado de perder para ladrões meus rádios de mp3 do carro (dois deles se foram assim), eu pedi para um ex-cunhado comprar um toca-fitas no Paraguai pra mim e quando ele trouxe, minha namorada (na época) gravou várias coletâneas em fita-cassete. Era lindo e o som era muito ruim…bem, ela se foi, o rádio também, mas “just like honey” do JesusNMaryChain ficou. :]

  43. Marcelo, por meio daquele e-mail “melhores do ano”, que vc chamou de spam, hehe, acabei aqui no seu blig… num texto de 22/03/2007, sobre fitas k7… quer coisa mais antiga? hehe. Enfim, belo texto! Eu tenho gravador de cd há menos de 1 ano, ou seja, até então gravava tudo o que eu baixava em fita k7! E ainda tinha como escutar no carro do meu pai, ele tem um toca-fitas até hoje! E foi por causa dele que comecei a prestar a atenção em música. Com 4 anos as minhas preferidas do carro do papai eram “Só o fim” do Camisa de Vênus e “Private Idaho” dos B-52´s. 🙂 Amo fitas k7 e são parte da minha vida ainda! Já fiz várias fitas para os amigos (tipo “coisas que a julie escuta”, já que tem gente que quer uma fitinha minha por mera curiosidade porque acha que só escuto coisas estranhas, risos, geralmente essas pessoas acabam não curtindo muito as seleções) e tenho uma amiga que sempre troca comigo, ela é toda caprichosa. Inclusive ela faz um zine chamado Astronuvem, onde coloca uma lista de músicas para um tema de fita k7 a cada edição.
    Infelizmente não tenho histórias fofinhas de amor, nunca tentaram me conquistar com uma fita k7 (não, hehe, e nem com um cdr). Mas é lógico que eu já tentei. Outro dia gravei um cdr para tentar dizer algo que eu estava sentindo (coisas boas e tristes também) para alguém especial (até entreguei as letras junto!). Tinha “Hot burrito” do Belly, “Light from a dead star” do Lush, “Double life” do Rainer Maria, “Haga dudar” do Coiffeur, “You´re right I´m wrong” das Headcoatees, “One more hour” do Sleater-Kinney etc. Bom, a pessoa disse não ter ouvido ainda (mas deve conhecer a maioria das músicas) mas obtive resultados. Não ganhei a pessoa para a vida toda, risos, mas pelo menos por algumas horas.
    Ah, a música que me define? “Complicated” (Heavens to Betsy) ou “The Letter” (Kristin Hersh)

  44. Um dos melhores textos que li nos últimos tempos. Conseguiu dizer de forma clara e objetiva o que eu sempre tentei e nunca consegui expressar…

    E, pensando rapidamente na sua pergunta, a música que me define é Secret Garden do Bruce Springsteen.

  45. Caramba, que pergunta mais difícil…mas vou participar. Concordo coma Ana Alice, acho que tem músicas que marcam épocas, nossas épocas particulares. Rust e Nothing Lasts Forever, independente de minha fase, também podem muito bem me definir.

    Outras que me emocionam demais a cada vez que ouço: Pictures of you, Bare e Numb, do Cure, Being Boring, Pet Shop Boys, There’s a light…, I know is over, dos Smiths…Tonight tonight, Smashing, Fake plastic trees, Black Star, Radiohead, Changes, Heroes, Life on mars, Bowie, Home do Depeche, muitas do Joy, New Order, Arcade Fire, Bjork…são muitíssimas.

    E quanto a seu texto sobre k7’s, acertou na veia, parabéns! Também fui um “trocador” de fitinhas…Ouvi Smiths, Velvet, My Bloody pela primeira vez em fitinha…bons tempos…

  46. são muitas, mas realmente Fake Plastic Trees foi um marco na minha vida; depois dela me perdi de paixão pelo Radiohead e a partir de então, veio Smiths, Cure, Arcade Fire, Beatles, Smashing Pumpkins,Nirvana,Franz Ferdinand, David Bowie.
    mas a música que define como enxergo a vida e principalmente as pessoas é No Surprises, de novo Radiohead.
    ótimo texto e boa sacada esta sobre a trilha sonora “íntima e pessoal” em tempos tão impessoais…

  47. Voltando aqui após 4 anos… a música que me define, hoje… acho que “Hell and high water”, do Rainer Maria.

  48. É bem difícil escolher uma música que te define. Acho que nem uma seleção bastaria. Tem que ser uma seleção para cada momento da minha vida, eu diria.

  49. “O Mundo Anda Tão Complicado” Legião Urbana
    “Raízes” Renato Teixeira
    “Blackbird” Beatles
    “Eclipse” Pink Floyd
    “Little Wing” Jimi Hendrix
    “Amor de Índio” Beto Guedes
    “Tocando em Frente” Almir Sater

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