Aliança FARO: Panorama ESPANHA (Destaques de Abril de 2022)

ABRIL 2022

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ESPANHA
pela editoria dos sites Mundo Sonoro e Zona de Obras

Cada momento tem suas canções e também suas palavras. Incidência ou pandemia são um exemplo recente. Nesta primavera, ainda um tanto outonal, somos marcados por outras como Donbas, Mariupol ou Jersón. Eles são ouvidos diariamente. O mesmo que inflação, gás ou energia. E um mais recente: Pegasus, o software desenvolvido pelo serviço de inteligência israelense que foi usado para espionar líderes pró-independência catalães e também o presidente do governo e seu ministro da Defesa. Como dissemos, menos mal que além das palavras há canções (e álbuns e filmes e livros…). Aqui está uma seleção para o mês de abril, para curtir ao ritmo de uma dança geopolítica global que nunca dá trégua.

ZAHARA – “LA HOSTIA DE DIOS”: O dia 30 de abril marcou o aniversário de um ano do lançamento de “PUTA”, o álbum mais importante da carreira de Zahara. A artista comemora este aniversário publicando “La hostia de Dios”, uma música cuja letra já se encontrava escondida no boxset de “PUTA”, mas que até hoje permanecia inédita. Composta enquanto Zahara terminava de gravar os vocais para o álbum, ela decidiu não incluí-la nele e reservá-la para um momento especial. Foi produzida por Marti Perarnau IV e pela própria Zahara e mixado por Jake Aron. Por outro lado, a artista brilhou em grande estilo na XIV edição dos Prêmios MIN da Música Independente, coroada como grande vencedora com seis prêmios: Prêmio The Orchard de Álbum do Ano por “PUTA”, Prêmio AGEDI de Melhor Álbum Pop, Prêmio Sympathy For The Lawyer de Melhor Videoclipe, Prêmio SAE Espanha de Melhor Produção Musical, Melhor Letra Original e Prêmio Marilians de Melhor Design.


CONFETI DE ODIO – “EL MALO FINAL”: Confeti de Odio regressa este ano com um segundo álbum com o qual continua a aprofundar seu pop confessional. “El malo final” é o primeiro single, e consolida a capacidade de Lucas Vidaur de percorrer a linha tênue que separa o pop mais casual das guitarras do rock, e que também atesta a sinceridade de suas letras, depois de emprestar sua caneta para artistas como Amaia (“Quiero Pero No”, “Bienvenidos al Show” e “Yamaguchi”). Seu primeiro álbum, “Tragédia Española”, que desembarcou em plena pandemia, enfatizou o drama pessoal: a autocrítica do jovem atormentado que busca seu lugar no mundo. Depois de três anos afinando uma fórmula já reconhecível —com sua dose de cinismo e ternura—, Lucas Vidaur parece estar pronto para lançar seu novo álbum neste verão.


QUERALT LAHOZ – “BLADE”:Blade” é o novo single da barceloneza Queralt Lahoz no qual a artista explora os fluxos infindáveis da música eletrônica, levando a sua proposta para o seu lado mais vanguardista. Com uma base que mistura grime com funk carioca, “Blade” é a aceitação do anjo e do diabo que todos carregamos dentro. Uma dicotomia entre escuridão e luz, representada pelo anti-herói mestiço de sobretudo dos anos 2000, que revela o som mais sombrio de Queralt Lahoz. Ela publicará outros singles neste 2022 sob o apoio conjunto dos selos Costa Futuro e Say It Loud. Aproveitando o lançamento da música e do videoclipe correspondente, Queralt publicou em suas redes três vídeos com entrevistas com várias artistas femininas de renome – La Pili, Adelaxd, Valeria Castro e La Yaniss – onde falam sobre ansiedade, síndrome do impostor e as partes mais sombrias de seu processo de criação. Esta é a primeira vez que esses artistas mostram sua parte mais vulnerável e tornam um assunto tabu visível nas redes. Com “Blade”, Queralt Lahoz aproveitou o alto-falante da música para falar de questões que nos afectam a todos, como a saúde mental.


GUITARRICADELAFUENTE – “QUIEN ENCENDIÓ LA LUZ”: Guitarricadelafuente lançou o videoclipe de seu single “Quien Encendió la Luz”, uma prévia do seu tão esperado álbum “La Cantera”. O vídeo foi dirigido por Pedro Artola, produzido por Sara Rentería e com fotografia de Carles F. Galí. Guitarricadelafuente – cujo nome verdadeiro é Álvaro Lafuente Calvo – dá um importante passo em frente com “La Cantera”, um dos álbuns mais esperados da temporada e que, por enquanto, será apresentado em toda a Espanha em uma longa turnê por locais e festivais como Mad Cool, Mallorca Live, Weekend Beach Festival ou Santander Music Festival, entre outros.


MISS CAFFEINA E VARRY BRAVA – DANCETERÍA: A turnê Dancetería, compromisso conjunto de Miss Caffeina e Varry Brava para criar um espaço musical sem preconceitos ou rótulos, regressa com novas ideias e energia. Depois de fazer sucesso em sua turnê anterior, eles se fundem novamente no palco em um show musical que percorrerá toda a Espanha – por enquanto. Os artistas voltam a apresentar uma encenação única com um repertório especial em que os sucessos de ambos serão intercalados com colaborações alternadas. Dancetería coincide com o grande momento de sucesso de Miss Caffeina, com um novo álbum lançado, “El año del tigre” (Warner, 2022) e Varry Brava, de Alicante, que depois de lançar seu quinto álbum “Hortera” (Hook, 2020), embarcou na aventura do Benidorm Fest Eurovision com o seu mais recente sucesso “Raffaella”. Todas essas novidades, assim como os maiores sucessos de sua carreira, são algumas das músicas que farão parte do novo setlist de Dancetería. Além disso, os participantes dos shows poderão ouvir novamente o single compartilhado “Dancetería (aquí nadie sabe tu nombre)” com o qual conseguiram aumentar o público em 2020, bem como novas músicas conjuntas que ambas as bandas estão preparando. Dancetería estará na lista de festivais espanhóis como Weekend Beach Festival (6 a 9 de julho, Torre del Mar, Málaga), Cruïlla Festival (8 de julho, Barcelona), Sonorama Ribera (10 a 14 de agosto, Aranda de Duero, Burgos) ou Festival Mediterránea (19 a 20 de agosto, Tavernes de la Valldigna, Valência).


DORIAN – “RITUAL”: Dorian quebrou qualquer norma estilística estabelecida há muito tempo para se tornar um dos experimentos transoceânicos mais interessantes da cena musical atual. Agora, a banda volta com “Ritual”, um trabalho de explosões sinápticas, de amor e dança, de romantismo que não é enjoativo. Um álbum que propõe um labirinto no qual gostamos de nos perder, pois cada canto, cada recanto, esconde uma faísca que nos arrasta para um carrossel temporário: ontem, hoje e amanhã se misturam para que os sabores que ficam debaixo da nossa língua renasçam, picantes e indisciplinado. Música para um mundo que se comunica através de cabos invisíveis, com sentimentos mais rápidos que a luz.


YAREA – “LOMBARDÍA 22”: Confirmada como uma das propostas mais consolidadas da linhagem pop espanhola, Yarea, de Bilbao, lançou seu álbum de estreia, “Lombardía 22”, disco que recolhe tudo o que foi aprendido nos últimos dois anos. Os 25 minutos que este álbum dura são mais que suficientes para capturar todos os ângulos sobre os quais Yarea constrói sua personalidade musical. Sob o rosto de feições caleidoscópicas, a talentosa jovem deixa clara sua mente aberta nas três primeiras músicas de “Lombardía 22”. Traços de pop acústico, parâmetros mínimos de neo-postpunk e toques de música urbana se intensificam nesse trio inicial de canções, em que o traço comum é a intimidade pronunciada expressa por sua dicção vocal marcadamente neutra. Ah, ela também se atreve com um tango! Maravilhosa.


SHEILA PATRICIA – “ORIXE”: Falar de Sheila Patricia é falar de uma pioneira na conversão progressiva do folclore galego em música de vanguarda. De óbvios paralelos com Rodrigo Cuevas, o seu novo LP é uma aposta total na autodescoberta e na preocupação em conquistar novos horizontes. Vinda da cena jazzística, a progressão realizada por Sheila Patricia desde que iniciou sua carreira musical tem sido uma contínua expansão do campo de batalha. Do jazz ao folclore, a sua evolução chega agora a “Orixe”, uma obra com a qual reivindica os seus genes artísticos maternos. E ela faz isso através de um esplêndido mural de sonoridades, onde a condução rítmica africana se cruza com a elegância vocal atlântica e a metodologia digital com o artesanato instrumental.


AGUSTÍN FERNÁNDEZ MALLO – “EL LIBRO DE TODOS LOS AMORES”: O amor como filosofia, além do carnal ou elétrico. Eis o Tema, portanto, com letras maiúsculas, que Agustín Fernández Mallo enfrenta em seu novo romance, “El libro de todos los amores“. A intimidade do quarto e a poesia como tecnologia de reciclagem sentimental. O autor encontra as raízes do amor nas mínimas desigualdades deixadas por elementos instáveis quando se decompõem, enquanto a trilha sonora do novo Pantheon é uma versão hermética de “Higgs Boson Blues” de Nick Cave & The Bad Seeds. A poesia flui em cada definição de amor que Agustín Fernández Mallo coloca neste romance, uma de suas melhores obras, visceral e lírica, mas sem perder um pingo da coragem com que injetou o gene mutante na literatura espanhola há duas décadas.


CINEMA: “VENECIAFRENIA”:Veneciafrenia” chegou aos cinemas espanhóis, um thriller aterrorizante no qual Álex de la Iglesia concentra sua crítica ao turismo de massa e à gentrificação das cidades. E faz isso com um filme de terror ambientado em Veneza. Na natureza existe uma ligação indissolúvel entre a beleza e a morte. O ser humano, devedor de seu ambiente, imita o que observa. Como mosquitos atraídos pelo farol mais brilhante, os turistas estão apagando as luzes da cidade mais bonita do planeta. A agonia das últimas décadas desencadeou a raiva entre os venezianos. Para impedir a invasão, alguns se organizaram, liberando seu instinto de sobrevivência. Os protagonistas, um simples grupo de turistas espanhóis, viajam para Veneza com a intenção de se divertir, alheios aos problemas que os cercam. Lá eles serão forçados a lutar para salvar suas próprias vidas.

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