Faixa a faixa: “Música Pra Te Aguçar”, de Tiago Sá

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por Tiago Sá

Quase um ano após lançar um EP de protesto político, Tiago Sá retorna com “Música Pra Te Aguçar” (2022), um trabalho repleto de remixes inéditos e canções mais pops, dançantes e com temáticas mais suaves como amor e relacionamentos. Sobre essa escolha Tiago explica: “Este álbum novo vem pra aliviar um pouco nossa realidade que anda muito pesada. Como disse Nietzsche, ‘temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade’. E o amor também é nossa militância, o amor, a alegria, o prazer e a liberdade, tudo é oposição ao falso moralismo, à hipocrisia, ao autoritarismo e à brutalidade da atual política brasileira”.

Seis das oito faixas de “Música Pra Te Aguçar” falam de amor, incluindo uma canção que o músico fez para sua filha Ágata e outra em memória de seus avós. Mas também não podia faltar uma faixa politizada: “Brother” toca em temas como fake news e manipulação política e religiosa. E, fechando o álbum, a canção autobiográfica que dá título ao trabalho fala das batalhas do músico por paz, amor, arte e sabedoria referenciando o filósofo grego Hipócrates no trecho “a arte é longa, a vida é curta”.

A sonoridade do álbum exibe a identidade musical de Tiago Sá em busca do inusitado, misturando elementos de diferentes gêneros como o rock, o rap, o dub, a música brasileira, o trap e a eletrônica, muitas vezes tudo dentro de uma mesma faixa. Lançamento do selo Hominis Canidae REC, “Música Pra Te Aguçar” traz Tiago na voz, baixo, beats, guitarra e synths, Jorge Bittar no piano, synths e samples, e Alex Raichenok no sax alto e piano. Ricardo Ponte masterizou e mixou o álbum – o segundo ao lado de Tiago. “Música Pra Te Aguçar” é, segundo o artista, um disco “pra te estimular, pra te incentivar, te animar, te instigar, despertar, provocar e apurar os sentidos”. Conheça o álbum faixa a faixa abaixo.

“Música Pra Te Aguçar” faixa a faixa por Tiago Sá

01) “Menina Linda” – A música que abre o álbum conta uma história que fala de amor, eros, poder feminino, prazer e vida sem medo de ser feliz. Na produção musical são usados elementos de diferentes gêneros como o pop, o jazz, o rap, a música brasileira e a eletrônica: uma bateria de dancehall; o ritmo da melodia da voz tem algo de samba, mas dialoga mais com o rap; a linha de baixo minimalista, além de um piano e um saxofone fortemente inspirados no jazz. A faixa foi lançada como single junto com um vídeo feito pela MTRC produtora com a modelo Jaqueline Cabral interpretando a ‘menina linda’ e ilustrando em imagens o que a letra da música diz.

02) “Cigana” – É outra canção que fala de amor, eros, poder feminino e felicidade, mas também amadurecimento. A melodia da voz é simples, mas não deixa de ser original e tem uma sensualidade que combina com a letra. Na produção musical a batida de house pediu um baixo de sintetizador bem explícito. A guitarra de hard rock dá ritmo enquanto o violão de aço e o sintetizador pad contribuem ainda mais para o clima sensual da música. Mântrica, melódica e dançante, curti muito o resultado da produção.

03) “Sétimo Raio” – É um rock leve que fala de amor, autoconhecimento e transformação pessoal. O título faz referência à correntes místicas nas quais o sétimo raio é responsável pela transmutação de energias e realiza a alquimia que sublima impurezas. Na produção musical a bateria de dance deu espaço para mais notas na linha bem marcada do baixo e com influência de rock. O tema da introdução tem uma guitarra com drive e oitavador, já na guitarra que acompanha a letra usei tremolo com delay. Por falar em delay, o da voz que sobra forte junto com o solo do hammond criou uma camada espacial diferente e fundamental na dinâmica do solo.

04) “Canção Para os Avós” – Escrevi esta composição em memória de meus avós que marcaram a minha infância. Fiquei muito feliz com o resultado da produção: a bateria eletrônica da introdução e logo entra no groove meio dance e meio reggae da música; a linha de baixo inspirada no reggae é um destaque com uma melodia que é quase um tema. O dedilhado doce do violão de aço, o órgão Hammond e o piano Rhodes suave junto com o saxofone combinaram perfeitamente com a delicadeza da letra da canção. O final instrumental guarda uma surpresa dando um gostinho de dub music.

05) “Buda do Samba” – Nessa canção faço uma relação entre o samba e o budismo. A letra fala de amor, sabedoria, tolerância a diferenças, paz e superação de dualidades. A harmonia e a melodia da música têm influência do minimalismo dissonante da bossa nova, mas a produção musical escapa dessa referência enveredando mais para a música eletrônica com sintetizadores e arpeggiators, uma batida de house com leve pitadas de dub nas viradas e o baixo totalmente inspirado no reggae.

06) “Ágata” – Fiz esta música para minha filha. Ela tem uma letra “good vibe” que fala de sonhos e realizações e quase como um conselho ou anseio paterno associa felicidade à sabedoria, equilíbrio e gratidão. Quando compus a canção pensei que ela podia ser um rock ou um house, e a pedido da Ágata fiz o house. Pela primeira vez usei dois baixos em uma produção, um só com as notas das cabeças dos acordes reforçando o pulso no contratempo e outro arpeggiator “embolando” e se misturando com o primeiro, mas tudo soa como se fosse um baixo. Com vários synths e arpeggiators, a faixa tem ainda um trap surpresa no instrumental final.

07) “Brother” – Esta é a única canção política do álbum. Ela toca em temas como fake news, uso de religião para enganar, manipulação midiática e políticos corruptos e fascistas. Com um baixo marcado e suingado levemente inspirado no reggae, mas com um andamento bem acelerado, a produção dialoga mais com o rock com as guitarras e também com o rap na letra e no ritmo e na melodia da voz. Na bateria novamente um trap entra em determinados momentos no meio e no final da música pra surpreender e mudar a dinâmica.

08) “Música Pra Te Aguçar” – É a faixa que dá título ao disco fazendo um trocadilho com o meu nome e indicando minha intenção: fazer uma música pra estimular, incentivar, animar, instigar, despertar, provocar e apurar os sentidos. A letra é autobiográfica e fala das batalhas por paz, amor, arte e também sabedoria com a menção do trecho do filósofo grego Hipócrates: “a arte é longa, a vida é curta”. Na produção são usados elementos de diferentes gêneros buscando um resultado novo: a bateria eletrônica numa releitura do groove funk dos anos 70 com um bumbo meio maracatu; o baixo meio reggae e meio rock; a referência erudita do quarteto de cordas de sintetizador no refrão; a melodia e o ritmo da voz com algo do samba, e as guitarras, synths e samples criando ritmos e camadas.

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