Três perguntas: João Bosco fala da Mostra Cantautores

por Eduardo Lemos

Um dos importantes festivais brasileiros dedicados à canção, a Mostra Cantautores chegou à sua 7ª edição em 2018 com recorde de inscrições e line-up que incluiu artistas do Brasil, de Cabo Verde e de Angola numa curadoria que trazia Luiz Gabriel Lopes e Jennifer Souza – idealizadores da Mostra e curadores fixos – e Tiganá Santana e Susana Travassos, curadores convidados desta edição.

A existência da Mostra Cantautores, ainda bem, não se limita apenas aos palcos. O festival – que acontece em Belo Horizonte durante 7 dias – registra em áudio e vídeo todas as apresentações desde sua estreia, em 2012. Até aqui, já foram lançadas cinco coletâneas (em formato CD) e mais de 150 vídeos exclusivos, disponíveis no canal do Youtube do festival.

No ano passado, coube a João Bosco fazer o concerto de encerramento da Mostra – e a ele cabe, agora, protagonizar o episódio que fecha com chave de ouro a série de vídeos da edição 2018. Em sua versão de “Sinhá” (parceria dele com Chico Buarque), João canta, toca e até assobia. Conversamos com ele sobre a arte de ser um cantautor, suas influências e a importância de um festival que celebra o cancionista que entoa sua próprias obras.

Cantar, tocar um instrumento e compor: o cantautor é essa figura que reúne em si os três elementos essenciais da música popular. Quando você se descobriu um cantautor?
“Nem menino eu era garotinho/ vivia adulto sozinho…” [citando a letra de “Sonho Caramujo”, de 2009]. Entrava dentro da casca do meu violão e sumia. Sempre foi assim e não saberia dizer como e quando tudo isso teve início…

De que maneira essa experiência de se apresentar solitariamente no palco te modifica como artista? Há coisas que só se vê quando sozinho?
A linguagem “solo” é a minha unidade. Isso é o que eu sou. O que existe além podemos chamar de “orquestração”.

Em 2018, você se apresentou na Mostra Cantautores. É importante que exista um festival dedicado à figura do cantautor? E qual cantautor mais te influenciou?
Acho importante uma mostra onde indivíduos se sucedem em um mesmo palco e , ao final, termos um mosaico desse coletivo brasileiro. Estou muito contente em fazer parte esse ano do Festival. Sobre a influência, Dorival Caymmi foi e será sempre uma inspiração. O violão é a minha alma e por isso ela será salva.

– Eduardo Lemos é jornalista e pesquisador. Estuda a obra de Nick Drake há quase uma década. As fotos que ilustram o texto são de Pablo Bernardo / Divulgação

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