Três EPs: Black Moon Riders, Diokane e Mad Monkees

por Paulo Pontes

“Black Moon Riders”, Black Moon Riders (Independente)
Cinco anos após sua formação, eis que a banda Black Moon Riders surge com seu primeiro EP. O trabalho autointitulado traz à tona inúmeras influências do grupo, que vão do heavy metal ao glam rock, passando pelo stoner e shock rock. As músicas são boas, o instrumental é bem executado — com destaque para o guitarrista Demi Junior, que desenvolveu riffs e solos simples e marcantes —, a produção e mixagem não estão 100%, mas não comprometem a audição e o vocalista Átila Ferrarez se sai muito bem nos timbres mais graves. Entretanto, quando parte para vocalizações mais agudas, Átila não soa tão natural e sua interpretação perde um pouco de força. Creio que seu timbre nas notas mais baixas pode ser muito bem aproveitado em lançamentos futuros, já que é um bom timbre e o músico possui uma ótima interpretação, que vai de encontro com a temática mais, digamos, teatral da banda. Vale ressaltar que no EP de estreia do Black Moon Riders a produção vocal ficou a cargo de Victor Wichmann e Iuri Sanson (ex-Hibria e um dos maiores nomes do metal nacional). Entre as cinco faixas, destaque para “Time”, que é mais cadenciada e tem um refrão excelente. A cozinha da banda é formada por Paulo Guimarães (baixo) e Victória Reali (bateria).

Nota: 7 (ouça)

“This is Hell We Shall Believe”, Diokane (Independente)
Agressivo ao extremo, sujo, urgente e muito eficiente. O EP “This is Hell We Shall Believe”, estreia em estúdio da banda porto-alegrense Diokane, reúne, em pouco mais de 11 minutos, seis faixas — incluindo uma breve introdução — que apresentam uma forte mistura de punk rock, hardcore, grindcore e metal. Um amálgama que soa com uma naturalidade invejável. Apesar das estruturas simples utilizadas em cada música, as quebras de andamento são muito bem executadas e os riffs insanos são de extremo bom gosto. O vocalista Homero Pivotto Jr. possui boa variação de timbres, especialmente os mais rasgados e guturais. O Diokane hoje ainda conta com Duduh Rutkowski (baixo), Gabriel ‘Kverna’ Mota (bateria) e Rafael Giovanoli (guitarra), mas quem gravou as seis cordas no disco foi Diego Menger Cezar. Destaque para o baterista Gabriel ‘Kverna’ Mota, responsável por viradas e mudanças de andamento de altíssimo nível, e para a produção simples, mas eficiente, realizada pela própria banda em parceria com Stenio Zanona, no TungStudio. Se você curte Napalm Death, Ratos de Porão, Sepultura, punk rock e afins, pode escutar “This is Hell We Shall Believe” sem medo de errar.

Nota: 8 (ouça)

“Guerra”, Mad Monkees (Abraxas Records)
Após o elogiado autointitulado álbum de estreia, lançado em 2017 e produzido em uma parceria entre o saudoso Carlos Eduardo Miranda e Rodrigo Sanches, o Mad Monkees retorna agora com o EP “Guerra”, pela Abraxas Records. A banda, formada por Felipe Cazaux (vocal e guitarra), Capoo Polacco (guitarra), Hamilton de Castro (baixo) e PH Barcellos (bateria), continua com seu som calcado no stoner e no hard rock com pitadas de blues (Felipe já um músico veterano do estilo) e muito peso. As três músicas presentes em “Guerra” são muito boas e possuem excelentes riffs, vide a abertura com “My God (Doesn’t Care About Your Stuff)”. Destaque para “Sete”, que havia sido lançada como single em 2018, no período das eleições. A letra da música — única do grupo em português — é uma crítica aos privilégios que nossos políticos possuem. Segundo Felipe Cazaux, o “single faz uma analogia entre os pecados capitais e as regalias dos políticos e os seus direitos adquiridos, enquanto o povo perde direitos trabalhistas e vive na lama”. Mais que necessária em nossos tempos. O encerramento com “Bomb and Fire” é forte e com refrão pra galera gritar em uníssono. A produção do EP, realizada por Klaus Sena, deixa tudo bem orgânico e na cara. A capa é de Raoni Volker.

Nota: 8 (ouça)

– Paulo Pontes é colaborador do Whiplash, assina a Kontratak Kultural e escreve de rock, hard rock e metal no Scream & Yell. É autor do livro “A Arte de Narrar Vidas: histórias além dos biografados“.

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