Três perguntas: Dario Julio & Os Franciscanos

por Marcelo Costa

Em 2017, o Selo Scream & Yell lançou “As Lembranças São Escolhas”, um álbum bonito que perpassava 30 anos de carreira de Dary Jr., um corumbaense compositor de ótimas letras poéticas e políticas que ganhou amplitude com o Terminal Guadalupe, banda curitibana responsável por um dos grandes discos nacionais do rock anos 00 (“A Marcha dos Invisíveis”, de 2007, merece uma apreciação nestes anos de golpe e fascismo escancarado), mas, que depois do fim da banda, em 2011, decidiu encarar a música de uma maneira mais leve e despreocupada.

Vieram, após o fim do Terminal Guadalupe, um ótimo EP da Rosablanca, banda que não seguiu em frente, e o projeto Dario Julio & Os Franciscanos, que estreou turbinando guitarradas a lá Teenage Fanclub num cover do Belchior presente no tributo lançado pelo Scream & Yell em 2014. E é como Dario Julio & Os Franciscanos que ele anuncia um novo álbum para março de 2019, antecipando como petisco “Tchau, Amor”, em versão registrada no Sofar Brasilia (no fim do texto), e o single “De Ninguém“, primeira música de trabalho do álbum, que será relançada em versão remixada em janeiro seguida de um novo single em fevereiro.

Além do novo trabalho, Dary está divulgando “Leia Esta Canção” (2018), uma compilação de letras de canções que ele compôs (registradas principalmente com o Terminal Guadalupe) lançada num formato de fanzine. O lançamento em Curitiba marcou a reaproximação de Dary com o ex-parceiro, Allan Yokohama, guitarrista e vocalista do TG, após nove anos de silêncio (consta que material raro da banda pode vir à tona). No bate papo abaixo, Dary fala sobre o fanzine “Leia Esta Canção”, sobre a coletânea “As Lembranças São Escolhas” e também sobre “O Menino Velho da Fronteira”, o disco com que ele pretende circular em 2019. Confira!

Como surgiu a ideia do “Leia Esta Canção”?
Você já se perguntou sobre quantas letras funcionam nuas? Isolados das harmonias, nem todos os textos guardam beleza. Não que precisem. Uma canção é só uma canção, mas pode ir além. Foi daí que nasceu o desejo do registro. Devo ter gravado umas 80 músicas com diferentes bandas ao longo dos anos, 90% com letras minhas. Como não sou conhecido, seria interessante pescar alguma reação ao que escrevi, especialmente de quem nunca me ouviu.

Em 2017 lançamos o álbum “As Lembranças São Escolhas”, no Scream & Yell, com material seu de 30 anos de carreira. O que te emocionou nesse álbum, o que te surpreendeu?
Eu me emocionei com o fato de artistas e bandas a quem não sou ligado, mas admiro, terem topado participar do projeto com versões únicas, ousadas e belas. Já meus amigos reafirmaram escolhas estéticas que nos aproximam até hoje. No fundo, é isso: uma celebração das amizades construídas na estrada.

Tem disco novo surgindo aí, certo? O que podemos esperar de “O Menino Velho da Fronteira”?
É um passeio por Corumbá, mas poderia ser Taubaté ou Castanhal. O disco foi feito para a minha mãe, doente já há algum tempo. Falo dos valores que aprendemos na infância e nos orientam vida afora. O som vem embalado pela música radiofônica do início dos anos 1970: Paul Simon, Cat Stevens, Pholhas, Belchior, Roberto Carlos, Odair José, Benito Di Paula, Guilherme Arantes… Muito violão, muito piano, muita bateria e solo de guitarra em todas as músicas. Vou relançar o single “De Ninguém” remixado em janeiro e soltar outra canção em fevereiro. Aí, em março, depois do Carnaval, o disco inteiro. Espero circular novamente a partir de 2019.

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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