Três HQs: “Ragemoor”, “Bipolar – Volume 1” – “Os Flintstones – Volumes 1 e 2”

Resenhas por Adriano Mello Costa

“Ragemoor”, de Jan Strnad e Richard Corben (Editora Mino)
Um castelo antigo, enfiado no meio do nada, repleto de estranhezas e que esconde muito mais do que se pode imaginar. Uma construção que se contorce, se contrai e se expande ao próprio gosto e necessidade tanto para afastar visitantes indesejados e se proteger quanto para confinar uma família entre as paredes por várias gerações. Herbert é o mais novo integrante dessa família quando recebe a visita de um tio e uma prima cheios de segundas intenções. Morando apenas com o mordomo e o pai completamente ensandecido, além de uns serviçais bem peculiares, o anfitrião vê as coisas literalmente desmoronarem na noite que se segue a essa visita. Essa é a história básica de “Ragemoor”, publicação desse ano da editora Mino com capa dura, 122 páginas, formato 16,8×25,9cm em preto e branco e contendo vários extras. Com roteiro de Jan Strnad e arte do mestre Richard Corben (de “Espíritos dos Mortos”, lançado aqui em 2017) a obra traz um horror à moda antiga, com monstros, castelos e entidades misteriosas envolvidas em um pano de fundo de provação, superação, loucura e romance. Um tipo de terror que foge um pouco dos lançamentos mais comuns do estilo atualmente e por conta disso agrada bem.

Nota: 7

“Bipolar – Volume 1”, de Renan Rivero, Diogo Torres e Ramon Saroldi (Independente)
Estamos no futuro. Uns 40 anos antes o mundo se partiu após um conflito mundial de enormes proporções onde pouco mais de 20% da população sobreviveu. As antigas nações acabaram e se fundiram em apenas dois lados: a União Ocidental e o Governo Popular Oriental. Ocidente contra Oriente. Esse é o cenário de “Bipolar – Volume 1”, primeira metade da história concebida por Renan Rivero com arte de Diogo Torres e capa de Ramon Saroldi. Com 84 páginas, em preto e branco, e produção independente alcançada através de financiamento coletivo, é ficção científica das boas, bem articulada e construída, em um leve nível acima da média da produção nacional. Nesse panorama todo está Charlie, uma jovem criptóloga que serve as forças ocidentais, mas além dos propósitos implícitos da sua atividade, busca saber mais sobre o pai que morreu misteriosamente quando ela era criança. Quando aparece um estranho e misterioso objeto com propriedades e fabricação oculta, ela tem a possibilidade de atingir os dois objetivos. Usando de maneira habilidosa diversas influências do universo da ficção científica futurista (o clássico “Neuromancer”, de William Gibson, é bem presente, por exemplo), “Bipolar” é uma hq que merece muito sair em uma edição que atinja um alcance maior.

Nota: 8

“Os Flintstones – Volumes 1 e 2”, de Mark Russell, Steve Pugh e Chris Chuckry (Panini)
A série animada “Os Flintstones”, criada nos anos 60 nos EUA, teve mais de 160 episódios e se tornou sucesso em vários outros países. Obra da lendária dupla William Hanna e Joseph Barbera, também cativou milhares de crianças e jovens no Brasil. A DC Comics, que possui os direitos sobre os personagens, os reimaginou em quadrinhos em 12 edições que saíram originalmente entre setembro de 2016 e agosto de 2017 e que a Panini Books lançou aqui em dois volumes publicados em 2017/2018, com capa cartonada e alguns extras. Vivendo na idade da pedra na cidade de Bedrock, mas com tecnologias que remetem diretamente a nossa época que são construídas ou por animais ou por estranhas geringonças, Fred Flintstone, sua esposa Wilma e a filha Pedrita vivem em harmonia com os vizinhos e demais habitantes da cidade. Em cima desse cotidiano é que o roteiro de Mark Russell se expande e atravessa de modo satírico e mordaz temas como trabalho, religião, costumes, guerras, política e relações pessoais. A arte de Steve Pugh com as cores de Chris Chuckry são mais que eficientes para amplificar essa pegada inserido um humor visual no meio dos absurdos e críticas afiadas da história.

Nota: 9

– Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop: http://coisapop.blogspot.com.br

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