Três discos: Iguana Garcia, Paus e Dead Combo

por Pedro Salgado, de Lisboa

“Cabaret Aleatório”, Iguana Garcia (Edição Autor)
Álbum de estreia de Iguana Garcia (o alter ego artístico de João Garcia no formato one-man-band), “Cabaret Aleatório” concretiza uma fusão sonora que engloba o pop dos anos 80, a música eletrônica e o rock psicodélico, apostando no intimismo e numa reflexão existencial. Para reforçar a sua mensagem, Garcia recorre às repetições frásicas e exibe um caráter urgente nas letras das canções. Acima de tudo, “Cabaret Aleatório” é o disco ideal para as pistas de dança, suportado por boas linhas rítmicas e melódicas. Dentro da diversidade e criatividade que definem o trabalho, destacam-se a colorida “60KF” (influenciada pelo New Order – assista ao clipe no final do post), a agradável faixa-título e a contagiante “Não Sendo Nómada”. Para além de confirmar as expectativas que João Garcia gerou no público português com as suas atuações ao vivo, o seu álbum de estreia revela um conjunto de soluções musicais que poderão ser aprimoradas futuramente.

Nota: 8

“Madeira”, Paus (Sony Music Portugal)
Os Paus nasceram em 2009 e atualmente são formados por Fábio Jevelim (teclados / guitarra e voz), Hélio Morais (bateria siamesa e voz), Joaquim Albergaria (bateria siamesa e voz) e Makoto Yagyu (baixo / teclados e voz). Ao longo de nove anos de atividade, o grupo definiu a sua identidade apostando numa forma diferente de abordar o rock e mantendo um grau de urgência característico. “Madeira”, o quarto álbum do quarteto, inspirado na ilha da Madeira, aborda temas como o isolamento ou a tropicalidade sustentados por boas combinações rítmicas e harmonias vocais. Outro aspeto marcante do trabalho deriva da eficácia instrumental e da melhor adequação das letras ao sentimento da banda. Dentro da diversidade que caracteriza o disco, destacam-se a alusão à música popular portuguesa de “L123”, o teor político da animada “Faca Cega” e a melancolia da derradeira faixa “Olhar de Rojo”. Com a edição de “Madeira”, os Paus assinam o seu álbum mais dinâmico e original.

Nota: 9

“Odeon Hotel”, Dead Combo (Sony Music Portugal)
Com  produção de Alain Johannes (PJ Harvey e QOTSA), o novo álbum do Dead Combo retrata as várias mudanças sociais e culturais que Lisboa vive atualmente, como resultado do crescimento turístico e dos imigrantes recebidos pela cidade. “Odeon Hotel” é um disco ambicioso e inclui diversos convidados como Alexandre Frazão (bateria), Bruno Silva (Viola D’Arco), Mick Trovoada (Percussão) e João Cabrita (Sopros). Outro aspecto importante do álbum resulta do igual nível de qualidade nas faixas animadas ou melancólicas e da forma eficiente como o grupo mistura várias sonoridades, mantendo o predomínio do rock. Num trabalho com diversos momentos cativantes, destacam-se o single “Deus Me Dê Grana”, a roqueira “I Know I Alone” (baseada num poema escrito em inglês por Fernando Pessoa e interpretada pelo cantor norte-americano Mark Lanegan), a exuberante “The Egyptian Magician”, o tom sedutor de “Dear Carmen Miranda” e a comovente “Faduncho”. Globalmente, “Odeon Hotel” reflete a melhor fase criativa do duo lisboeta.

Nota: 9

– Pedro Salgado (siga @woorman) é jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream & Yell contando novidades da música de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado aqui.

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