Entrevista: My Magical Glowing Lens

entrevista por Carime Elmor

Gabriela Terra Deptulski nasceu em Vitória, no Espírito Santo, e hoje reside em Colatina, interior do estado. É graduada e mestre em Filosofia, profissão a que dedicou 8 anos de sua vida, mas que decidiu deixar de lado para se entregar à música. À frente do My Magical Glowing Lens, Gabi estreou com o elogiado EP “Dreaming Pool” em 2013 e em 2015 lançou o single “Windy Streets”. 2017 foi o ano de “Cosmos”, um disco que marcou presença em diversas listas de Melhores Álbuns do Ano, incluindo a votação do Scream & Yell e da APCA.

Tendo como referencias Arnaldo Baptista, Rita Lee, Syd Barrett, Tame Impala e um estilo “meio freak, anos 70”, Gabriela compõe, arranja, grava, mixa e masteriza tudo sozinha. Levou as demos de “Cosmos” já pré-arranjadas para o estúdio, e desenvolve-as em conjunto com os companheiros de banda. Suas composições existenciais tem tudo a ver com sua profunda dedicação à filosofia. É ávida leitora e busca utilizar a música como cura espiritual, sendo capaz de transformar seus estados de loucura e vazio em composições.

Na conversa abaixo, Gabriela fala de seus maiores medos e da sua paixão pela música. Diz que está sentindo as mulheres cada vez mais corajosas e revela que quer montar uma banda apenas com meninas. Está apaixonada por percussão e transtornada com os desmandos do governo Temer. Suas novas composições estão mais políticas (“ainda que continuem existencialistas”), e ela avisa que o reconhecimento de “Cosmos” não vai fazê-la criar um “Cosmos 2”: “Eu vou fazer tudo diferente e foda-se se não vai dar certo. Eu vou fazer uma coisa que me toque profundamente”. Com você, Gabi Deptulski.

Lendo sobre você e ouvindo “Cosmos” (2017), até por conta da sua formação em filosofia, você fala muito sobre desprendimento, livre associação de ideias e não conceitualização do mundo como o que mantém sua mente solta para compor. Nesse sentido de criação sensorial, expansivo, plástico, quero saber se você enxerga seu momento de composição para além da música, ou é a música que pode ser muito mais do que as noções que delimitamos a ela?
Uma composição pode ser outra coisa, que não música. Por exemplo, tem algumas que surgem comigo escrevendo. Mas fico um pouco confusa, porque a criação faz parte de todos os artistas, sejam pintores, escultores, etc… Só que a música, às vezes, me parece especial no sentido de te levar mais facilmente para outro plano dimensional. Uma vez vi uma entrevista engraçada, não sei se era real, fizeram testes colocando eletrodos no cérebro das pessoas enquanto ouviam música, e também vendo outros tipos de arte, mas a música era a única que conseguia acender várias partes do cérebro – imagem, cheiro e memórias. Qualquer criação já é para além, só que a música parece que intensifica esse processo. Quando estou fazendo música elas surgem prontas para mim, já tenho muitas ideias de arranjos. Ao criar uma letra, mesmo que ela ainda não tenha melodia, já consigo vislumbrar um pouco do que ela vai ser no futuro. É uma experiência sempre misteriosa.

Li muito sobre você ter se permitido ser quem é largando a Academia para fazer música. Para você, a música é uma epifania? No sentido de ter clareado as suas ideias quanto a você mesma e o que você quer fazer no mundo.
Sim, é totalmente uma epifania. Lembro que uma vez entrei no Facebook do Tame Impala, e o Kevin Parker parece que escreve os “abouts” da banda, e ele colocou: “epiphanic pop”, e eu me identifico muito com eles. Eu fazia filosofia e amo, até hoje leio filosofia, só que eu não era muito feliz lá. Alguma coisa me fazia ser quem eu não era, fazia eu criar uma máscara para mim. Quando me decidi ser música, comecei a passar por um processo de libertação. Ficava pensando: “Não estou sendo música para ter uma profissão para ganhar dinheiro”. Eu ia fazer doutorado, tentar dar aula e ter uma vida estável. E com a música é mais difícil, se as pessoas não gostam do que você faz, você vai ter que arrumar um edital para gravar o seu disco, ou então ter que trabalhar em outro emprego para se manter. O artista tem essa fome de criação, ele não vai deixar de criar porque o outro não ouve, ele cria porque tem uma necessidade de se expressar. Quando decidi seguir com a música, foi difícil para a minha família compreender, porque eu estava estudando filosofia há oito anos, quatro anos e meio de graduação e dois anos e meio de mestrado. Fui convidada a fazer doutorado depois. Então ninguém entendeu que essa mudança era necessária para mim. A epifania que você falou que acontece, essa claridade de ideias, foi comigo ouvindo rock clássico. Eu nunca tinha tido acesso. Me lembro que um amigo, o Will (Just), guitarrista da The Muddy Brothers, me aplicou nesse meio. Me mostrou Jimi Hendrix, Beatles, Pink Floyd, e aqueles discos que ninguém mostra. E naquela época o rock psicodélico não estava tão à frente. Isso foi em 2011 por aí.

Você tocar vários instrumentos e ter aprendido as etapas de edição, faz com que você tenha uma emancipação no seu trabalho e chegar no som que você quer do início ao fim. Isso veio muito por necessidade, acredito, mas também foi por você querer se dedicar por inteiro à música. Como foi esse processo? Você também sempre foi muito dedicada a estudar música e produção?
Começou tudo de forma muito intuitiva. A primeira coisa que fiz foi abrir um programa de vídeo chamado Sony Vegas e gravar com microfone embutido no meu notebook. Eu compunha a bateria primeiro no Fruity Loops (FL Studio), que é um programa usado para fazer música eletrônica, que nem uso mais. Compunha a bateria, jogava no Sony Vegas, ligava a guitarra e o amplificador, colocava meu notebook de frente para o amplificador e gravava um riff em cima, e foi assim com todo o resto. Nem pesquisei sobre produção musical para fazer isso, simplesmente pensei que daria certo. Me lembro que mostrei para um amigo aqui de Colatina, o Ricardo (Vieira), da banda We Are Pirates, e ele falou que estava muito foda, mas me deu algumas dicas de produção, tipo: “Joga para a esquerda e para a direita, divide os elementos nos dois alto falantes, porque temos dois ouvidos”. E foi quando tudo começou, eu entendi o que era mexer com os sentidos das pessoas através dos sons. Comecei a pesquisar e experimentar, até chegar o momento de usar plugins, reverb e tudo o mais.

Isso foi ainda no seu primeiro EP, “Dreaming Pool”, em 2013?
Isso, lancei dia 27 de dezembro de 2013, eu não entendia nada sobre lançar disco, né? Data horrível. Mas ele bombou mesmo em 2014, porque depois foi lançado pela Honey Bomb Records com fita cassete e tudo.

Foi legal que logo de início você conseguiu se conectar bem com os selos e outras bandas para conseguir viajar e distribuir sua música para outros lugares do Brasil.
Total, muita responsabilidade do Ricardo (Vieira), esse mesmo cara que me ensinou o inicial de mixagem. Ele falou: “Manda para blogs porque é importante!”. Aí eu enviei e muita gente publicou. Também foi muito por responsabilidade da galera da Honey Bomb, porque eles conseguiram uma data no Manifesta Sol, um festival em Caxias do Sul, e eu morrendo de medo me perguntava como eu ia parar lá sozinha. E eles disseram: “Não, vem sozinha sim e faz”. Acabei indo por muito incentivo de amigos que confiavam no meu trabalho.

E aí era aquele show que você fazia sozinha, com bateria programada no computador, pedal de loop, tipo a ideia da PAPISA?
Isso mesmo, bem parecido com o que a Rita Oliva faz, só que ela ainda tem uns elementos a mais, usa equipamentos que eu não tinha. Eu usava só o computador, soltava tipo um playback de bateria e baixo, tocava guitarra em cima e cantava. Em algumas apresentações, sem o computador, só guitarra e o pedal de loop.

A formação de banda, com os meninos que te acompanham nos shows, foi mudando bastante também, mas como foi a colaboração da banda já na gravação do “Cosmos” (2017)?
Já tiveram várias formações, acho que umas sete. Mas para gravar o “Cosmos” a gente trabalhou como banda mesmo. Já estávamos a um bom tempo tocando juntos e os meninos me ajudaram a criar os arranjos. As minhas demos já eram pré arranjadas, e a levei para a Casa Verde (Vitória), o lugar onde gravamos. A gente montou um estúdio em conjunto, pegamos equipamentos que eles tinham lá, além de equipamentos emprestados com várias outras pessoas, inclusive com o (Henrique) Paoli, baterista na época, que emprestou computador e monitor. Pegamos as demos e começamos a desenvolvê-la em conjunto. Por mais que eu tenha dirigido cada coisa e feito os pré arranjos, foi um álbum de trabalho de banda. A formação era eu (guitarra e voz), o Henrique Paoli (bateria), que toca com o André Prando, o Gil Mello (baixo) que trabalha na Casa Verde e no selo Subtrópico, e o Pedro Moscardi (sintetizador) que toca na TSN.

Tenho uma pergunta que tem a ver com sua relação e inspiração no Arnaldo Baptista, porque ele fala muito sobre isso. O que é para você estar em estado de loucura? Você sente ela por perto algumas vezes? E como a música acaba funcionando como um meio de deixar isso correr solto?
Legal. Eu tive muito medo de ficar louca. Acho que esse foi um dos meus maiores medos. Sofro de alguma coisa que não sei o que é e não gosto de chamar de distúrbio mental, depressão, nem nada disso. É uma coisa que me deixa muito confusa algumas vezes na vida, a ponto de eu realmente me desapegar da realidade e ir parar em outro plano. Fui amadurecendo e aprendendo a controlar. Não sei explicar se a música intensifica ou se ela cura esse estado, ou se são as duas coisas. Você pode utilizar a música para se afundar e ir no fundo do poço. É possível isso. Mas você também pode fazer o movimento contrário. Tem figuras que me são muito caras, como o Arnaldo Baptista e o Syd Barrett, músicos que me influenciam e tenho como guias para mim, mas também tenho muito medo porque são pessoas que conseguiram se afundar, e no caso do Syd Barrett, ele não conseguiu nem voltar para a música. Então, tomo muito cuidado na hora de tratar esses assuntos comigo mesma. Acho que a música para mim é muito cura. Por exemplo, eu tenho um sentimento de vazio constante muito grande. Me lembro de um sonho em que eu estava vagando no espaço em um vazio completo, muita solidão, e sabia que eu ficaria ali por muito tempo, talvez para sempre. Acordei com uma angústia muito grande desse sonho e pensei que eu tinha que transformar essa angústia em alguma coisa boa. O que tento fazer é pegar esses sentimentos e pensar que não preciso ir para o fundo do poço de novo, eu já estive, não quero mais estar lá, eu vou ficar aqui e aceitar esse sentimento e vou embelezar ele. Acho que o Nietzsche chamava isso de “trágico”, não é nem feliz, nem triste, é simplesmente trágico, é a vida, é o que acontece com todo mundo. É aquela coisa da Grécia, aqueles teatros que pegavam esse sentimento que são bem universais e bem densos de angústia, e os transformam em alguma coisa muito bela. “Space Woods”, faixa do “Cosmos”, foi feita para esse sentimento. Me lembro que ela era uma música muito tristonha no início e joguei ela para cima, fiz um synth que deixava ela mais dançante, mais gostosa, porque queria transformar esse sentimento de angústia em algo que pudesse fluir por mim.

Percebo também que o palco te excita muito. Parece que o que acontece ali é muito verdadeiro e você se desprende diante de um monte gente, o palco te permite chegar nessa epifania que conversamos. Como é essa relação, até bastante nova para você, de estar sempre nos palcos?
Bastante novo. E até inusitado. Minha relação com o palco é boa, só que às vezes me assusta. Porque é isso que você falou mesmo, eu não sei deixar de transmitir o que eu estou sentindo. Se eu estiver triste, eu vou transmitir tristeza, se eu estiver com raiva, vou transmitir raiva e isso me assusta, desenvolve de um jeito que eu não tenho muito controle. Às vezes acabo gritando no chão ou falando coisas com muita intensidade. Principalmente agora com o governo Temer, que eu absolutamente discordo e acho um absurdo a gente não conseguir lutar contra isso, e é um governo que tem tomado medidas que são totalmente contrárias a tudo que eu imaginei a minha vida inteira. Me traz uma angústia muito grande no coração, e isso me traz uma vontade… poxa, a gente tem o lugar público, que é o lugar do artista, e quando as pessoas começam a ouvir o que você fala, acho que a gente tem uma responsabilidade também, no sentido de mostrar para as pessoas que é possível protestar contra esse tipo de aproveitamento que o governo está fazendo com a gente. Isso intensificou minha performance. Eu me lembro que o governo ia subindo as medidas e as performances iam se tornando cada vez mais transgressoras.

A Salma Jô (Carne Doce) é um exemplo de mulher que conduz muito bem suas performances no palco. Eu tenho pensado que estamos tendo um momento muito bom de performances na música pelo Brasil. Algo que antes estava um pouco adormecido, com o indie, talvez, por ser mais blasé. E, agora, esse novo movimento “pós-indie” está mais performático, volta uma tendência Ney Matogrosso para os palcos, de repente. Só que através das mulheres. Eu acho que você, a Salma, a Luiza Lian são só alguns exemplos.
A Salma é minha maior inspiração, ultimamente, para fazer esse tipo de coisa. Tem a Letrux (Letícia Novaes) também, eu estou doida para ir a um show da Luiza Lian e da Letrux, ainda não fui!

Sobre a experiência com a My Magical Winter Tour, como foi viajar em turnê com a Winter? Quais shows foram marcantes? Essa vivência abriu novas ideias para seu projeto?
A Samira Winter é uma menina muito doce, muito incrível. Ela é uma compositora e arranjadora absurda. Eu me lembro que a gente foi ensaiando no carro uma música da Karina Buhr, para fazer uma live session e tocarmos juntas, e eu percebi o quão dedicada e criativa ela é enquanto arranjadora. O que é a Winter, musicalmente, é a Samira existencialmente e eu já sou uma pessoa mais intensa, não tenho muita paz de espírito, eu medito muito para conseguir. A convivência com ela me influenciou muito nesse sentido. Além disso, as meninas do Summer Twins que estavam tocando com ela eram muito incríveis, e também a Victoria, irmã dela, que toca bateria há super pouco tempo, mas já está tocando para caralho. Você vê que quando uma menina quer tocar e se dedica não precisa de muita coisa. Ela já saiu para turnê e está tocando várias músicas. Foi uma experiência nova essa banda que ela formou só de meninas, pela primeira vez ela conseguiu, e esse é um sonho meu também. Pela primeira vez eu me desapeguei, porque eu tentar montar uma banda fixa para o My Magical me geraram vários problemas, principalmente por ser mulher. Estavam procurando os meninos da minha banda e não eu, e achando que eles estavam produzindo os meus álbuns e a banda, e não eu. Muito louco. Então pensei que se isso estava acontecendo, eu tinha que tomar a banda para mim. Na turnê fui pegando um instrumentista de cada canto do país. Turnê é muito intenso, essas pessoas viram sua família por um tempo. Foi tipo uma experiência mística, fomos para a cachoeira e nadamos peladas todas as mulheres. Os homens não tiveram coragem não. Mas nós sim, para nos libertarmos mesmo dessa coisa que a gente tem com o corpo e a repressão que a gente sofre diariamente. A gente não precisa disso. Lidar com as meninas na turnê foi muito libertador.

Acho que esse movimento de mulheres na música, de uma apoiando e escutando o som da outra, tem criado uma atmosfera de admiração mútua capaz de causar transformações muito notórias. Em 2017 rolou muita banda de garota mandando muito bem, prêmios, aumentou a participação em festivais. Como você enxerga esse momento? Acha que as mulheres, além dessa maior visibilidade, estão se sentindo mais encorajadas a se aprofundarem e serem melhores musicistas?
Minha carreira na música não é tão grande, mas pela primeira vez na vida eu estou vendo que as mulheres estão realmente corajosas. Estão conseguindo de fato enfrentar o machismo diário. Acho que esse momento da música que estamos vivendo é quase inacreditável. E não é só na música, no cinema e na TV também: a Natalie Portman fez aquele protesto no Globo de Ouro, toda de preto, e ela pegou e falou: “Agora vou anunciar os indicados a melhores diretores, todos homens”. Teve o depoimento recente da Oprah (Winfrey) também, falando que pela primeira vez que as mulheres estão conseguindo enxergar um novo horizonte. Acho que é bem isso. Antes a gente olhava para si mesma e pensava: “Ah, é isso mesmo, a gente está aqui nesse patamar e vamos permanecer”. E agora não! As mulheres vão influenciando outras mulheres, sempre que a gente encontra uma mina que quer tocar e que está com medo, a gente vai, incentiva, dá um tempo e já vê ela tocando. Está havendo realmente um movimento muito forte entre as mulheres e está ficando cada vez mais bonito. Acho que eu, pessoalmente, poderia fazer mais coisas. Vivo em um estado muito machista. Vitória é a cidade que mais se mata mulher no Brasil, isso me fez entender muito porque eu vivia tão oprimida lá. Me sinto melhor em Colatina, no interior. Agora que comecei a encontrar instrumentistas, antes eu só encontrava homens. Estou me engajando nisso para tentar montar uma banda de meninas, se vou conseguir, não sei, mas acho que é uma responsabilidade minha procurar meninas instrumentistas.

O que você tem buscado de som agora em suas composições mais recentes? Você tem testado novos pedais, texturas, efeitos, instrumentos? O que tem buscado em estética sonora para um possível novo disco?
Está tudo bem no início. Os efeitos de pedal de guitarra continuam os mesmos por enquanto. Crio antes na cabeça, para depois ir para o concreto. Eu voltei a compor no violão, que era uma coisa que eu não fazia há muito tempo, e gostei bastante. Tenho composto muita pela voz, vem uma ideia de melodia na cabeça, pego o celular e gravo. Isso me desprende de notas fixas, e consigo passear mais pelas harmonias quando crio somente com o meu corpo. Tenho feito música completamente eletrônica, no Live, começo a criar beats, coisas com sintetizadores, texturas. Isso é o que tenho feito. Estou querendo, também, gravar o som das coisas para acrescentar nas musicas, mas eu não queria que se tornasse uma coisa muito cabeçuda. Gosto de influências pop e que a música seja acessível e dançante. Eu queria fazer um lance que a M.I.A faz, cantora e ativista de Londres. Teve uma música que ela gravou com som de faca batendo e criou um ritmo com isso, colocou uns barulhos. Tenho estado com o termo “Psicodelia concreta” na minha cabeça. A psicodelia nem sei se existe mais, porque se tornou um termo vazio. Quando as pessoas começam a não expressar o que está por dentro e copiar o que o outro fez porque deu certo, começa a dar tudo errado. O negócio se desvirtua e não fica sincero. Acho que a gente ficar seguindo as fórmulas que a gente mesmo criou é meio que se prender. Por exemplo, como o “Cosmos” deu certo, seria como seguir o mesmo formato em um novo trabalho, mas não! É o contrário. Eu vou fazer tudo diferente e foda-se se não vai dar certo. Eu vou fazer uma coisa que me toque profundamente e que traga algo novo para dentro de quem escutar minhas músicas, porque é isso que gente está precisando. São tantas normas o tempo todo que a gente está ficando preso por dentro e criando uma casca. Esse “Eu” mais intenso nosso acaba ficando preso dentro desse “Eu casca” e a forma que estou tentando fazer essas outras músicas é para quebrar isso. Comecei a fazer música para meus amigos, para pessoas que estão tristes e não só para mim e meu próprio sentimento, quero sair disso e entender que o outro também tem as suas angústias e ele também precisa da cura que sou capaz de fazer comigo mesma. Estão saindo letras mais políticas, ainda que continuem existencialistas. Acho que vai sair uma mistura de música orgânica, com música que usa barulhos de coisas (eletroacústica), junto com guitarra e violão. Coisas com percussão também, porque estou apaixonada. O que espero do My Magical no futuro é que tenha uma percussionista para acompanhar nas gigs, um quinto elemento. Rock’n’roll misturado com Tropicália e mais um monte de coisa, não sei o que vai dar.

– Carime Elmor (fb/carime.elmor) é jornalista da Tribuna de Minas e fazedora dos zines Malditas. A foto que abre o texto é de  Aline Deptulsky (projeção) / Divulgação

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