Boteco: Da Holanda, Bierbrouwerij Sint Christoffel

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por Marcelo Costa

A Bierbrouwerij Sint Christoffel foi fundada em 1986 em Roermond por Leo Brand, descendente da família que criou a cervejaria mais antiga da Holanda, Brand, em 1340 (hoje sob domínio da Heineken). Em 2001, após conquistar diversos prêmios nos anos 90, Leo decidiu vender a cervejaria – na época já considerada uma das maiores micro cervejarias da Holanda – e boa parte da produção (aproximadamente 70%) passou a ser destinada a exportação para países como a Dinamarca, Canadá e Rússia. Com complicações financeiras desde 2011m a situação da se tornou crítica em janeiro de 2013, quando um tribunal holandês a declarou insolvente (estado em que o devedor tem prestações a cumprir superiores aos rendimentos que recebe), iniciando processo de falência. Os atuais gestores ainda procuram uma maneira de manter a cervejaria de pé (ela necessita de um aporte de 350 mil euros, aproximadamente R$ 1.100 milhões), e salvar a marcar Sint Christoffel, que conta com cinco rótulos: Christoffel Bier, Robertus, Bok, Nobel e Wijs. Abaixo, duas Sint Christoffel.

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Eleita por quatro anos consecutivos como a melhor pilsner da Holanda, a Christoffel Bier Blond Dubbel Gehopt é o carro-chefe da Brouwerij Sint Christoffel. Seu principal destaque é a dose generosa de lúpulos Saaz, que confere à cerveja um aroma excelente. De coloração amarelo palha e intensa turbidez advinda da não filtração, a Christoffel Bier exibe um belo creme, em formação e permanência. No aroma, a levedura, o malte e a intensa presença de lúpulo se dispersam em notas florais (jasmin), herbais (grama), trigo, mel e leve frutado cítrico. Há uma leve sensação de condimentos, o que já bastaria para defini-la mais como Belgian Blond do que Premium American Lager (categoria em que ela costuma ser encaixada). Apesar da boa adição do lúpulo, o paladar é um amargo agradável, mas não excessivo, que permite valorizar a presença do malte, em notas adocicadas que remetem a mel, trigo e pão. A sensação é de refrescancia com sabor. O final é levemente amargo e arrastado enquanto o retrogosto traz um pouco de trigo, e mais lúpulo (um amargor suave, mais presente). Belíssima Pilsner.

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A Christoffel Bok fica no meio do caminho entre uma Dunkel e uma Doppelbock. Na taça, o liquido fica entre o marrom e o marrom escuro, devido à turbidez característica da não filtração. A espuma teve média formação e baixa permanência. No aroma, o malte torrado aliado aos 7.8% de graduação alcoólica distribuem notas adocicadas que remetem a melaço, baunilha e caramelo (banana caramelada também) além de café, sem muita intensidade. Há ainda sensação de frutas escuras (ameixa, uva passa e avelã), leve sugestão de vinho (sagu) e madeira. O paladar de textura levemente sedosa apresenta uma dança entre adocicado e amargor, ambos comportados. A doçura aumenta conforme a cerveja aquece (e gruda melaço no céu da boca), e notas frutadas presentes no aroma ficam mais perceptíveis, acompanhando até o final, longo, levemente ácido e adocicado (com sensação de chocolate). O retrogosto é intenso reforçando a sensação de malte em notas de frutas escuras. Interessante.

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Christoffel Bier Blond Dubbel Gehopt
– Produto: Premium American Lager
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 3,55/5

Christoffel Bok
– Produto: Traditional Bock
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 7,8%
– Nota: 3,48/5

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