The Vaccines ao vivo em São Paulo

Texto e fotos por Marcelo Costa

Não completou nem três anos que a versão demo de “If You Wanna” foi colocada no Youtube e, dois discos depois, o Vaccines chega ao Brasil pela segunda vez. A primeira, ainda no vácuo da repercussão do álbum de estreia mais vendido de 2011, “What Did You Expect from The Vaccines?”, foi em abril de 2012, uma apresentação vigorosa e festeira no Cine Joia. Desta vez, com um segundo álbum nas costas, “Come of Age” (2012), o quarteto londrino baixou no ótimo Grand Metrópole, outro cinema paulistano convertido em casa de shows.

A festa organizada pelo site Clube NME abriu as portas às 21h com DJ set e se seguiria com o Inky, às 22h, esquentando a noitada. The Vaccines, mesmo, só às 23h, e poucos minutos antes deste horário, uma fila de cerca de 50 pessoas ainda aguardava para adentrar o Grand Metrópole. Com capacidade para 2 mil pessoas (com pouco mais da metade nesta noite), o local é excelente para shows. Da ótima localização ao som impecável, alto e cristalino, até a disposição de palco, pista e áreas superiores, é possível ouvir com qualidade e assistir ao show de vários locais do espaço.

Cerca de 10 minutos após o horário marcado, o quarteto londrino subiu ao palco, decorado pela capa do segundo álbum em negativo, e o que se seguiu foi a confirmação de um romance: se o Vaccines gosta do Brasil, a reciproca também é verdadeira (ao menos em São Paulo). O barulho que a galera da pista fez (em alguns momentos encobrindo o vocal de Justin Young) cantando “No Hope”, “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)” e “Ghost Town”, as três primeiras canções do show, foi impressionante, e se repetiu em diversos momentos do set.

Uma das melhores coisas de estar assistindo a um show de uma banda nova, fresca, com apenas dois álbuns no currículo, é que a chance de alguma canção dos discos ficar de fora é mínima. Sendo assim, para delírio dos fãs, as 21 canções do set list exibiram “What Did You Expect from The Vaccines?” na integra e, das 11 canções de “Come of Age”, apenas três ficaram de fora (uma pena a baladinha “Lonely World” não ter entrado no set). Completaram o set list o b-side “Tiger Blood” e a inédita (e boa) “Melody Calling”.

Se em disco fica perceptível uma mudança no som (algo a ver com amadurecimento) do quarteto entre “What Did You Expect from The Vaccines?”, mais curto, grosso e direto, e “Come of Age”, mais reflexivo, lapidado e pensado, no show as canções dos dois álbuns se intercalam de forma homogênea construindo uma apresentação divertida e festeira, com muita gente de braços ao alto dançando e cantando. E nada de falação entre as canções. No máximo um “Thank you” aqui, um “obrigado” ali, e ferro na boneca.

A execução ao vivo do Vaccines é perfeita e o som que sai das caixas impressiona. É possível ouvir com nitidez o trabalho das guitarras de Justin e Freddie Cowan assim como o namoro das linhas de baixo do loiro Arni Arnason com as pancadas rápidas de Pete Robertson na bateria. Nada de truques, apenas rock and roll rápido e bem tocado fazendo a cama para refrões pegajosos que pedem o coro do público, que não decepciona, e carrega “All in White” sozinho no gogo por quase um minuto, surpreendendo os ingleses.

O bis começa devagar com “Weirdo”, mas acelera em “Teenage Icon” e na arrasa-quarteirão “Norgaard”, deixando a certeza de que o Vaccines está seguindo um bom caminho. Dois anos, dois grandes shows. A disposição em compor canções (além dos dois álbuns oficiais há, fácil, um terceiro reunindo apenas b-sides, sobras e faixas bônus) prevê um novo disco para breve, e, quem sabe, um novo show no Brasil. Ignore aqueles que vão dizer que a banda comprou um ap na cidade, e divirta-se como o público que lotou a pista do Grand Metrópole nesta noite. Não há como se arrepender.

Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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