The Radio Dept. no Teatro Odisséia

texto por Otávio Augusto
fotos por Stéphanie Jesus

Uma noite fria e chuvosa de domingo e pouco mais de 340 pessoas saíram de suas casas para ir ao Teatro Odisséia no Rio de Janeiro assistir ao show da banda sueca The Radio Dept., nome ainda desconhecido do grande público, mesmo depois de ter duas de suas músicas na trilha sonora do filme “Marie Antoinette” (2006), de Sofia Copolla, e já ter lançado um best of (“Passive Aggressive: Singles 2002-2010”).

Após se apresentar no Beco 203, em São Paulo, numa noite repleta de problemas, o show dos suecos no Rio de Janeiro estava cercado de algumas incertezas que, para o bem de todos os fãs, não se concretizaram. A fila estava grande do lado de fora do Teatro, porém todos entraram tranquilamente e puderam se acomodar para o show que começou por volta das 23h.

Depois de desejar um boa noite tímido à plateia, que assistiu estática e hipnotizada a primeira parte do show, os três rapazes conduziram a audiência por uma noite praticamente perfeita do início ao fim. “The New Improved Hypocrisy”, que destaca uma das letras mais maduras do trio, abriu o show e rapidamente levou o público à introspecção.

No palco, batidas eletrônicas, belas melodias de guitarra e uma voz perfeita, quase sussurrante, do vocalista Johan Duncansson, destacavam o repertório do álbum de estreia da banda, “Lesser Matters”, lançado em 2003, representado por quatro números. De “Peter Grief”, o aclamado álbum de 2006, o trio trouxe “The Worst Taste in Music”, que foi recebida com reverência religiosa pelos presentes.

O silêncio da plateia contrastava com a chuva que insistia em cair no Rio de Janeiro criando um cenário delicado e intimista para músicas como “Bus”, outra do álbum de estreia do The Radio Dept. Na sequencia final, o trio optou por focar no repertório de seu último álbum, “Clinging to a Scheme” (2011), e “David” fez o público quebrar o protocolo acompanhando a melodia contagiante seguida de uma textura eletrônica quase hip-hop.

“Heaven’s on Fire”, talvez a faixa mais conhecida do último disco da banda, animou a plateia (mesmo com Johan Duncansson errando a entrada e a banda precisando recomeçar a música), e os suecos fecharam a noite com “Lost And Found”, que também é a última canção do primeiro álbum das caras. O clima foi recuando e a sensação de realidade voltando ao normal, momento perfeito para encerrar uma noite memorável.

Após o fim do show, Duncansson acabou a noite conversando de forma descontraída com os fãs, declarando amor ao disco “Evol”, do Sonic Youth, contando da insegurança do trio ao gravar o primeiro álbum, e lamentando que a exposição após o filme de Sofia Coppola não tenha trazido reconhecimento ao trio. Com 15 anos de carreira e três ótimos álbuns no currículo (mais a coletânea, que traz um segundo CD repleto de raridades), o Radio Dept. ainda soa como um segredo guardado para poucos, embora merecesse muito mais dos que os 340 fãs que enfrentaram a chuva num domingo e foram recompensados com um belo show.

– Otávio Augusto (siga @otavioacunha) é historiador e fã de cultura pop

Leia também:
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– A noite problemática do The Radio Dept. em São Paulo, por Fernando Augusto Lopes (aqui)

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