Sob o CEL: Estrella Discos

Sob O CEL 18
Estrella Discos
texto por Carlos Eduardo Lima
fotos por Marcelo Costa

Sempre que eu ou minha esposa passamos em frente a uma agência lotérica, fazemos os mesmos planos para quando ganharmos uma Megasena de, pelo menos, R$ 50 milhões. Não precisar mais trabalhar é o que vem em primeiro lugar. Depois pensamos em reservar um milhão para comprar um apartamento com quatro quartos (aqui em Niterói mesmo) e mobiliá-lo. Eu tenho um desejo adolescente de ter uma Land Rover Discovery, mas me contentaria em comprar um Spacefox preto ou um Fiat Idea. Além disso, separaríamos outra quantia para uma boa viagem à Europa e Estados Unidos, sem pressa, num circuito “músico-cultural”, passando por cidades que tenham a ver com música. Memphis, Londres, Los Angeles, Bristol, Liverpool, Frankfurt, Berlim, Nova York, Chicago, Detroit, todas elas estão neste roteiro. Quando voltássemos ao Brasil, depois de tudo em seus devidos lugares, cuidaríamos da manutenção do patrimônio, investindo a grana restante de diferentes maneiras, seja em imóveis, ações, poupança, enfim, tudo para que o valor não se perdesse. Feito isso, partiríamos para o grande plano: sermos donos de uma loja de discos.

Sim, você leu certo, uma loja de discos, esse estabelecimento que está falindo em todo o mundo, vitimado de morte pela modernidade, sob a forma de downloads da internet, preços exorbitantes dos discos importados, pela crise de criatividade musical mundial, pela inexorável e inevitável passagem do tempo. Por isso precisaríamos de uma grande quantia para garantir o constante prejuízo que teríamos na empreitada, provavelmente. O fato é que, para pessoas na faixa dos 40 e poucos anos, lojas de disco são tudo, menos comércio. Seríamos desaconselhados por todos os analistas financeiros a seguir em frente, mas não daríamos atenção para eles. A crise europeia não nos deteria, o dólar paralelo não nos imporia medo, seríamos um pequeno exército de Brancaleone contra o século XXI e, mesmo que tombássemos no fim, teríamos, como os samurais e os cowboys, a certeza do bom combate travado.

A ideia seria fazer uma, com o perdão da palavra, puta loja de discos, com localização bacana no Centro do Rio ou algum outro lugar de fácil acesso e grande trânsito de pessoas. Não seria especializada em um estilo, mas não venderia nada do que faz sucesso por aí. Trilhas de novela, Seu Jorge, funk carioca, clones de Los Hermanos, pagodaxé, sertanojo universitário, nada disso estraria em nossas prateleiras. Tentaríamos fazer frente a lojas on line, bolaríamos alguma forma de fazer o cliente se sentir muito mais que um mero comprador de disco, seria nosso amigo e parceiro na empreitada, um propagador da ideia. Teríamos algo como uma estação de rádio interna, em vez das sequências de MP3 que ouvimos por aí, sem alma, sem locução, sem qualquer sentido.

O que iríamos fazer na Estrella Discos (sobrenome da minha esposa, Maria Estrella), seria arriscado. Até porque seria necessário enfrentar um senso comum que prega a não-importância da música, seu caráter acessório, de mero fundo sonoro para trabalho, conversa ou reuniãozinha social de yuppies. Certamente acharíamos pessoas que concordam com nosso ponto de vista e eles formariam um time de colaboradores. Ah, claro, os salários seriam de acordo com o nível de exigência da empreitada.

Se você quisesse integrar os quadros da Estrella Discos, teria que passar por um rígido processo de seleção, conduzido pessoalmente pelos donos, que entendem que a atividade de atender o cliente é algo muito, muito importante. As seções de rock seriam divididas em classic rock, progressivo, indie rock, new wave, punk, e demais subgêneros, todos devidamente entregues a gente que saberia responder qualquer dúvida. Pra isso teríamos consultores, não vendedores. Teria que entender e conhecer as carreiras das bandas, os discos mais importantes, pontos fortes e fracos, one-hit wonders, trabalhos injustiçados ou que precisem de reavaliação crítica. Enfim, conhecedores de música estariam empregados na loja, pagos de acordo.

Rock não seria o carro-chefe, uma vez que gordas seções de soul, funk, disco, jazz, blues e reggae seriam devidamente cobertas por gente igualmente competente. Pra isso, teríamos que importar e pagar impostos pra gente como a Dilma e seus ministros, que não têm cara de que gostam de rock ou qualquer outro gênero mencionado aqui. Não teria problema, o dinheiro no banco serviria para compensar os preços baixos que praticaríamos, tudo visando competir com um mercado virtual de Amazons e outros bichos virtuais, com a vantagem que o cliente levaria o disco na hora, em vez de esperar cerca de dois meses para receber o produto. Claro que seria complicado trabalhar na dependência da chegada de discos do exterior, não só discos, mas DVD’s, Blu Ray’s, caixas, edições especiais, todas devidamente expostas, com os fãs mais ardorosos das bandas e artistas avisados por mala direta ou por contato direto, a partir de um mega-cadastro de melhores clientes. Tudo isso seria contornado com boa vontade e disposição para investir.

Teria lugar pra fazer um lanche, pra sentar e conversar. Teria estações de escuta. Teria posters na parede, não só coisas recentes, mas os grandes gigantes, como se estivessem olhando por nós, amém. Os consultores, apesar de conhecedores, seriam terminantemente proibidos de se acharem autoridades máximas nos assuntos. Nada mais chato que lidar com gente que pensa que sabe tudo, ainda mais numa loja de disco, na qual a necessidade é orientar, dar a dica, nunca impor. Haveria espaço para artistas novos, desde que devidamente interessantes, haveria pocket shows, nacionais e gringos, haveriam prateleiras de discos de vinil, haveria camaradagem, parceria, promoções, liquidações. Preços promocionais para discos de artistas aniversariantes…O s donos, eu e minha esposa, que não entendem nada de negócios, contratariam uma pessoa de confiança para administrar a coisa toda, até porque, teria que haver tempo de sobra para o que é mais importante numa loja de discos: a conversa sobre música.

É disso que sinto mais falta e aqui o tempo verbal do texto volta para o presente do indicativo. Lojas de disco têm (ou, infelizmente, tinham) função educativa. Não é uma conversa nostálgica conservadora, até porque me lembro de permanecer anos atrás de um disco ou para saber o título de uma música e foi logo ali, nos anos 80, algo que é impensável hoje, em tempos de internet. A sensação de achar um disco raro, há muito desejado, é incomparável e toda uma geração vai ficar completamente adulta sem ter noção do que isso representa. Mais que isso: conhecer pessoas legais em lojas de disco. Ver que há mais gente como você, atrás das mesmas músicas, dando importância aos mesmos ídolos, buscando informação, juntando grana para comprar aquele disco. Além disso, me atormenta a ideia de que há um processo de desimportância forçada e consequente esquecimento de feitos, nomes de bandas, músicas, enfim, temo em achar que algo semelhante com o mundo do livro 1984 esteja se estabelecendo ao nosso redor.

Quem me lê nesse espaço não encontra meio termo. Ou concorda com minhas pequenas teorias da conspiração ou me sentencia ao asilo de idosos – que talvez seja o meu destino a partir da experiência da Estrella Discos – mas acho que não posso me omitir de manifestar o quanto faz falta a existência de lojas de disco aqui e ali. Não falo das sessões de estabelecimentos como Lojas Americanas, voltadas para evangélicos, pagodeiros e espectadores das novelas globais, mas fico pensando no ser humano comum, com potencial para gostar de música, que não tem onde ouvir, uma vez que as emissoras de rádio que não foram cooptadas por conglomerados religiosos, insistem nas mesmas programações sem criatividade, sem vontade de ousar. Quando o fazem, como a recentemente finada Oi FM, não são capazes de resistir muito tempo num dial tão pobre.

Por mais que pareça impossível e desaconselhável investir grana numa loja de discos state of the art, ainda acho possível comprar e se interessar por discos, desde que sejam mais baratos, tornados interessantes para os mais novos e, mais que tudo, acessíveis. Esse seria o compromisso da Estrella Discos: levar o gosto pela música a sério. Tenho certeza que, antes de falirmos, teríamos uma bela coleção de momentos dourados, o alicerce das coisas mais importantes da vida. Não reparem, acabei de fazer aniversário, o inferno astral ainda não passou.

CEL é Carlos Eduardo Lima (siga @celeolimite), historiador, jornalista e fã de música. Conhece Marcelo Costa por carta desde o fim dos anos 90, quando o Scream & Yell era um fanzine escrito por ele e amigos, lá em sua natal Taubaté. Já escreveu no S&Y por um bom tempo, em idas e vindas. Hoje tem certeza de que o mundo como o conhecíamos acabou lá por volta de 1994/95 mas não está conformado com isso.

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30 thoughts on “Sob o CEL: Estrella Discos

  1. E são todas lojas que existem “aqui e agora”. 🙂

    Mas vou quebrar o protocolo e abrir os comentários porque esse é um assunto que me é muito caro, vide as fotos que ilustram o texto (quase na contramão do tema). Acredito que existam centenas destas lojas pessoais que você sonha em ter, CEL. Eu mesmo tenho uma rotina: todo sábado vou à Velvet Cds, no centro de São Paulo, conversar com o André, que, depois de tantos anos de amizade de balcão, virou amigo pessoal. Vou todo sábado à loja para bater papo sobre música com ele, e com todos os personagens que, como eu, sempre batem ponto na loja há sei lá quanto tempo.

    Nas minhas andaças pelo mundo, acho que até já escrevi isso, tenho uma lista mental de CDs que sempre sonhei ter, mas não encontro com facilidade (nem em tempos de internet). E vou atrás em várias dessas lojinhas das fotos, cada uma delas com um vendedor atencioso que fala de música com um prazer imenso, e que quando você pergunta de uma coisa, lhe mostra outra correlacionadas que acabam se tornando descobertas. Essas lojas existem, e bem provável vão sobreviver, ao contrário das megastores, essas sim vitimadas pelo MP3 e a internet.

    Porém, mais do que qualquer outra coisa, me veem a cabeça o personagem da penúltima foto, Robert Crumb, feliz da vida no meio de um monte de vinis de 78 rotações empoeirados numa loja da Vila Madalena, em São Paulo. Penso nele porque ele é um assiduo frequentador de lojas de vinis ao redor do mundo desde… sempre. Gilberto Sheldon me contou que, certa vez, ele ficou 11 horas em uma loja. Acho que o máximo que consegui foi sete, na Amoeba de São Francisco. Penso nele porque o objeto que ele ama, morreu. Não se fabricam discos de 78 rotações desde a década de 60, e mesmo asim ele parecia um garoto olhando aqueles velhos vinis de 50 anos de idade, no mínimo. Fico com a sensação de que a paixão é maior que… tudo.

    Ainda acho que as lojas de CDs educam. Não sei se teria uma, mas também penso que, caso ganhasse uma dessas Megasenas, iria ajudar a Velvet CDs a continuar existindo. Por tudo que aprendi ali.

    Abraço
    Mac

  2. Amém, meu caro. E obrigado. Eu intuo a presença delas mas não as vejo mais. Modern Sound, Billboard, Gramophone, Sub Som, entre tantas outras, fecharam, assim como Mesbla e Ultralar, que constumavam ter seções interessantes de disco. Algumas pouquíssimas resistem na contramão do tempo, como se fossem bichos pré-históricos. O que une gente como eu, você e o Crumb é, acho, a noção da importância que esses lugares – e tudo o que eles têm e significam – são nossos, nos pertencem. E aí, meu caro, quanto tiram coisas que nos pertencem…
    Talvez minha Estrella Discos nem fosse tão opulenta mas eu adoraria ficar num balcão iluminando os caminhos musicais das pessoas e, claro, sendo iluminado por elas.

  3. Muito bom CEL ! Parabéns, faço minha suas palavras com a diferença que já tive uma loja e sucumbi pelos motivos citados e ainda fiz mais duas atividades: Tardes de Autógrafos e Produção de Shows (as vezes as 2 coisas juntos). Os encontros entre fãs e ídolos são memoráveis e fico feliz em ter ajudado alguns fãs a realizarem seus sonhos. Não tem preço. Abração.

  4. No fundo o que a gente quer é um lugar pra pertencer.

    Não consigo deixar de pensar no Alta fidelidade – e não é nem pela loja, mas pela coisa de ter que ter um chão.

    Sei lá.

    Belo texto!

  5. Muitas lojas morreram e outras tantas, como o Mac demonstrou nas ótimas fotos, continuam na ativa.
    Tb concordo com o Mac que algumas dessas lojinhas por terem alguns dos diferenciais que o Cel, sonhando acordado, apontou não são afetadas de morte pelos downloads da vida.
    Acredito que dê pra pegar o público saudoso de mais de trinta – a expectativa de vida só aumenta – e alguns poucos, bem poucos é verdade, jovens com gosto pelo vintage.
    Mas, Cel, achei o maior barato esse seu sonho/artigo.
    Hoje em dia a maioria dos discos que compro são nas Megas Livrarias, elas têm de tudo!
    Mas, como vc apontou, falta alma.
    Me lembrei da loja do meu amigo Maurício aqui em Recife – finada em 2004/2005, por aí.
    Ele sempre me ligava pra dizer que tal disco de samba, minha fissura na época, havia chegado e até me perguntar se era bom, se eu tinha interesse e se ele devia comprar mais de tal disco para a loja.
    Lembro da rapaziada da Nação Zumbi, no ínterim da morte de Chico e a ida deles para SP, perambulando por lá. Do Trumer(vocal do Eddie) discutindo se devia ou não deixar os discos da banda dele em consignação…
    Bons tempos.

    PS: Trabalharia nessa sua loja na secção de samba de bamba. Ahh, o primeiro do Seu Jorge teria que estar a venda! É samba esporte fino, cara.

  6. Parabéns pelo texto inspirado(r)!

    “Estrella Discos” é um belo nome para uma loja. Também pensei logo em Alta Fidelidade, nos diálogos expertos, nos infinitos temas de listas e na música rica e constante, que pode até se perder no espaço mas não no tempo.

    Concordo com o Mac que as lojas de disco são verdadeiras escolas, pois se tornam ponto de encontro de muita gente diferente que partilha o amor pela música. Pessoas que vivem para a música aprendem com quem vive dela, e vice-versa.

    Sinto falta da época em que era mais fácil encontrar ambientes como esses por aí. A “Estrella Discos” certamente seria um lugar onde eu me sentiria em casa e provavelmente passaria dias inteiros lá.

    É um sonho que dá gosto compartilhar.

    Abraço!

  7. Pois é, gente. A Estrella Discos é sonho recorrente aqui em casa. Não é um recurso pro texto ficar bonitinho dizer que planejamos de fato tudo isso. Se vocês acham que eu sou radical em alguns pontos de vista, Dona Maria Estrella é muito mais. E, claro, como disse o José Henrique: teríamos seções grandes de música nacional também. De MPB tradicional, passando por Bossa Nova, Rock nacional e por aí vai. E, José, lamento, mas o primeiro do Seu Jorge nunca entraria na loja.

  8. Belo texto, CEL!

    Também tenho planos parecidos. Na minha idéia, eu teria um selo acoplado a loja e uma mini-casa de shows. Mas nisso, vai muita grana… então, preciso ganha-la primeiro!

    Gostei quando você citou “A sensação de achar um disco raro, há muito desejado, é incomparável e toda uma geração vai ficar completamente adulta sem ter noção do que isso representa. Mais que isso: conhecer pessoas legais em lojas de disco.”

    Sou da geração que nasceu na internet (nasci em 1990), mas desde cedo comecei a me interessar por música e colecionar discos de vinil. Entendo e aprecio completamente isso que você falou… a minha felicidade quando eu consegui o “Grand Prix” do Teenage Fanclub em vinil é indescrítivel. Só quem ama música sabe.

    Se quiser ir em uma loja em SP que é desse jeito ai, vá na Leprechaun Discos do meu amigo Rodrigo. Ele é um dos melhores caras do mundo. Ele senta com vc, troca idéia, te mostra músicas do mundo todo… é o cara!

  9. Eu tenho um sonho parecido: seria alugar um espaço semanal numa rádio qualquer e tocar só as músicas de que gosto, jogando sementes…

  10. CEL, sabe da existência de alguma loja no Rio hoje em dia? Moro na baixada, não tenho muito acesso a capital pra achar essas coisas. Ando vivendo de sebos e internet.

    E bem, pelo menos ainda temos as livrarias.

  11. Lucas, tem a Tracks na Gávea. Pra coisas modernas e gringas, acho que é a única opção da cidade. Na Tijuca há lojas de progressivo e metal, mas poucas. A Renaissance Discos é especializada em progressivo, é de Petrópolis. Enfim, há pouca coisa pra ver, infelizmente.

  12. Belíssimo texto, Cel. Demais!

    Respondendo ao Lucas sobre lojas/sebos no Rio (vinis, sobretudo), além da Tracks, na Gávea, tem a clássica Baratos da Ribeiro (em Copa, claro), do camarada Maurício Gouveia, sangue bom ba-ga-rai. Imperdible! Jello Biafra teve lá outro dia. =)

    Além de livros raros e vinis antigos e novos (de Beatles a Lê Almeida), na Baratos ainda tinha o Clube do Vinil nas noites de quinta-feira, chamando quem quisesse dar um confere lá pra curtir (ou até “tocar”, se levasse vinil) boa música na loja. Dava tranquilamente pra ouvir um som de qualidade lá dentro e bebericar no pé-sujo do lado, bater papo na calçada, relax, conhecendo gente, falando de música e tals. Mas após algumas edições o ‘prefeitinho’ Dudu Paes (nosso Kassab da Barra) proibiu a parada, mesmo sem qualquer reclamação de moradores do entorno pela altura do som (que mal vazava da loja – sempre com porta cerrada – e ainda acabava às 23h00!).

    Assim como os shows q a Baratos promovia na loja com bandas novas (‘digrátis’, óbvio), também proibidos hoje. Coisas dos nossos desgovernantes nesta cidade desgovernada..

    A primeira coisa q busco saber de uma cidade nova q visito é onde (ou “se”) tem uma loja de discos decente.

    Lendo o Mac falar da Velvet lembro da minha adolescência enfurnado na Rock It do Lebronx, Hard n’ Heavy do Flamengo, Modern Sound, claro, e na Spider de Ipanema (além de outras menos cotadas, mas q às vezes surpreendiam com alguma pérola perdida). Essa combinação lojas + alguns programas da Fluminense FM + amigos/parentes mais velhos + a natural curiosidade pelo novo ajudaram a moldar meu gosto musical no fim dos 80, início dos 90.

    E eu compartilho desse teu “sonho da Megasena”, Cel, há muitos anos, e até bem parecido: viajar pelo mundo (no meu caso, mais América Latina) e depois “falir” um bar com música ao vivo e DJ set; cervejas do mundo todo, petiscos deliciosos, exclusivos da casa – tudo a preços bem melhores q da concorrência – e onde só tocariam bandas q eu gosto/acredito. Poderia ser na Lapa.. ou Santa Teresa… ou Vila Isabel.., Méier, uaréva.

    Certamente eu teria pelo menos uma noite de jazz (será q existe por aí alguma banda “quente” hoje, fazendo um bebop boladão, à la Dizzy Gillespie, ou à la Ella possuída, ‘popotizando’ geral no scat singing.. ou um branquelo meio Chet Baker (banguela? =P) minimalizando geral no trompete, fazendo as gatinha suspirar tudo? ok, não, né… foda-se, dá-se um jeito); e outra noite de blues. E muito rock, claro, abrindo espaço pra bandas de tudo q é canto… de São Paulo a São Luiz, Montevidéu a Monterrey… Ah, e com os músicos recebendo cachê maneiro. Todos felizes, satisfeitos. Afinal, dinheiro não seria problema.

    Coincidentemente eu conversava com meu primo ontem sobre o assunto “lojas de discos bacanas-sobreviventes”. Ele me mostrou o Transformer em vinil q havia comprado na Tracks… lindo… maldito! hehe E ficamos ouvindo John Lee Hooker…

    Merda! Quero meu bar! Nem q eu venda minha alma ao diabo pra ele me passar os malditos seis (666? \m/) números.

    Abraço!

  13. Aqui em Curitiba felizmente graças a Deus está surgindo um movimento contra as megas(não que todas sejam ruins,mas pena que não todas são uma Fnac ou Livraria Cultura da vida).E temos lojas,especializadas em vinis(Vinil Club),temos aquelas que tem de tudo (Savarin Discos,que são duas),temos a Raridade,temos a Classic Laser,temos várias outras,a maioria no centro.Volta e meia fico fuçando uns vinis novos e usados e umas caixas,mas é sonho,vide que são importadas e caras.Mas é legal que você tenha uma loja nesse sentido que o CEL falou,de pessoas se encontrarem pra falar de musica.Não sabia que poderia ser tão divertido isso.

  14. Pois é, eu esqueci da Baratos da Ribeiro, imperdoável, logo para um ex-morador nostálgico de Copacabana. Ela ainda está lá, mas, como o Marcus falou, amputada das noites do Clube do Vinil por conta do Eduardo Paes, “defeito” do Rio. Também tem a Halley Discos, no Flamengo, cujo dono, Sr. Orlando, faleceu há pouco tempo…

    Também era frequentador assíduo da Spider, em Ipanema. Ali eu conheci Ben Folds Five e todo o Britpop, visto que o dono, Volmar, trazia novidades importadas de USA e UK. Dava pra comprar todos os singles de Oasis e Blur com aquela etiquetinha “made in England” no verso.

    Há poucas opções, infelizmente. A loja de discos média, aquela que existia em grande número até o meio da década de 1990, acabou.

    Fábio, vou intensificar as apostas!

  15. “Pois é, eu esqueci da Baratos da Ribeiro, imperdoável, logo para um ex-morador nostálgico de Copacabana” hahaha!
    Bobagem CEL, so siga escrevendo.

  16. Esse é um dos meus sonhos numa mega sena acumulada.Seria a vingança suprema por anos de sofrimento perguntando por discos de Van Morrison e recebendo discos de Wan derleycardoso. Imagine ser consultado para vender discos de Zezé de Camargo e Luciano e poder responder: Desculpe. Não conheço. Ou então: Não trabalhamos com essa mercadoria. Isso sim não tem Mega sena que pague.

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