Cinema: Os Vingadores

por Leonardo Vinhas

Existem dois grandes públicos a quem “Os Vingadores – The Avengers” (EUA, 2012), se destina: à massa de fãs que lê quadrinhos da Marvel desde criança e ao público cativo de blockbusters que enche as salas de multiplexes em busca de pirotecnia e sequências de ação embaladas com ares de diversão inocente.

O primeiro público já leu tanto sobre o filme que a única coisa que podemos dizer que eles ainda não sabem é: vale a pena, amiguinhos. Só um fanboy com o que Freud chamaria de “problemas de desenvolvimento na fase anal” conseguiria reclamar. O segundo público não se preocupa em ler muita coisa e vai no embalo – e o embalo certamente será grande, digno de recordes de bilheteria.

Então tentemos descrever “Os Vingadores” para quem não se encaixa em nenhuma dessas duas categorias (é bastante gente, aliás): um grande filme de ação, com bem menos clichês do que seria esperado, e alguns ótimos atores fazendo seus papeis com vontade (especialmente Mark Ruffalo, que rouba todas as cenas, exceto aquelas em que o faz na companhia de Robert Downey Jr. A dinâmica entre o dois é sensacional).

“Os Vingadores – The Avengers” é também uma obra de fantasia, no sentido de usar personagens icônicos para despertar aqueles sentimentos mais tolinhos no garoto ingênuo que mora dentro de todos (mesmo que sejam garotas) e provocar alguns sorrisos tão genuínos que não há cinismo que resista. E se você se pegar comemorando um golpe dos heróis nos vilões alienígenas genéricos, não se preocupe: é perfeitamente compreensível.

O começo não é promissor: até os fatos serem apresentados e a história se colocar em andamento, você será obrigado a aguentar um diálogo melodramático entre Loki (Tom Hiddleston) e Nick Fury (Samuel L. Jackson), com frases típicas do pior tipo de HQ super-heroica. Mas isso dura pouco, e logo estamos sendo introduzidos a todos os personagens. E convenhamos: muitos desses personagens têm quase 50 anos de história. Não dá para negar que, apesar de uns muitos percalços, muita gente talentosa já os escreveu e havia material de sobra para fazer boas caracterizações.

O diretor Joss Whedon – ele também um escritor de quadrinhos da Marvel – faz muito bom uso disso, e, em alguns casos, obtém melhores resultados que aquele dos filmes dedicados exclusivamente a um personagem. O Capitão América talvez seja o melhor exemplo: ele deixa de ser o escoteirão marombado de seu filme solo e ganha carisma e presença em meio aos outros heróis. E Mark Ruffalo entrega o que outros ótimos atores (Eric Bana e Edward Norton) não conseguiram: um Bruce Banner frágil e genial ao mesmo tempo, com um carisma que cresce a cada cena, e que preserva sua identidade e capacidade interpretativa mesmo quando tratado sob a tecnologia de captura de movimentos que permite a ele se transformar no Hulk.

Com personagens muito bem caracterizados e a trama consolidada, Whedon pode dar aquilo que todo mundo espera quando vê o trailer: entrar em um mundo onde superpoderes existem, e que se manifestam em glorioso realismo fantástico (hipérbole intecional). O tipo de coisa que você nunca imaginou – ou melhor, sempre imaginou, mas nunca acreditou que pudesse ser feito.

Dá para falar ainda de toda a trívia nerd embutida no pacote, da já clássica aparição de Stan Lee ao fato de Downey Jr. passar boa parte do filme com uma camiseta do Black Sabbath – para não falar da única chance até o momento de ver Scarlett Johansson em 3D. Mas isso é tema das animadas conversas que inevitavelmente vão se suceder, no limite do fastio, após o filme. “Os Vingadores” é como um grande show de rock de arena, algo simples na aparência, mas com uma essência única e contagiante – algo como o Kiss nos anos 1970 ou os Stones pós-1990: comercial pacas, mas nem por isso oco ou menos válido.

– Leonardo Vinhas assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell e já escreveu sobre O Rock Argentino Depois De Cromañon (aqui) e entrevistou a banda Onda Vaga (aqui

14 thoughts on “Cinema: Os Vingadores

  1. Na minha opinião essa é a melhor adaptação de heróis de HQ pro cinema. Valeu a espera. Realmente o Ruffalo rouba a cena muitas vezes, o Tom Hiddleston fez um ótimo Loki, conseguiu melhorar a performance dele que já era boa em Thor. Robert Downey Jr. como Tony Stark dispensa comentários, e concordo com relação ao Chris Evans, ele conseguiu adicionar o carisma e o sentimento de líder do Capitão que apareceram de menos no filme solo dele. Realmente o Joss Whedon fez um excelente trabalho dando a cada personagem seu tempo individual no filme, e depois juntando todos no final, com um clímax espetacular. O Hulk derrubando o Leviatã na base da porrada, o Thor “fritando” os aliens e as brigas entre os heróis, só pra ficar em três exemplos, são o tipo de coisas que, como o texto diz, eu sempre imaginei, e agora tive a oportunidade de assistir, e de forma muito bem feita.

  2. E o que o texto fala sobre a empolgação foi bem verdade no meu caso, a sala onde eu assisti o filme ia à loucura a cada cena de ação rsrs

  3. não vi ainda, pretendo ver, mas terá de ter muito para superar o batman mais recente e o watchmen, como melhor adaptação para o cinema…

  4. Ótimo texto. O filme é isso mesmo.

    Adorei, e digo isso como um fã blockbuster que gosta de ver porrada na tela, efeitos especiais, ação, etceteras. Estava demorando um filme de qualidade cumprir tais requisitos com primor, algo que “Os Vingadores” se aproxima.

    Quanto ao paradigma do Ismael: não acho que supera nenhum dos dois, porque “watchmen” e o último “Batman” conseguem carregar uma temática que inspira as melhores discussões botequeiras. “Vingadores”, no caso, mereceria bons assuntos, mas apenas pelo fator ‘estupefação’ diante do filme. Ou mais ou menos isso.

    Mas é um filme que vale a pena ser visto.
    Abs!

  5. Um filme que zomba da inteligência do espectador. E o 3D que deveria salvar o enlatado, não funciona. As cenas rápidas não funcionam tão bem em 3D, fica mais desfocado do quê com alguma profundidade bacana. Fraquinho demais, esperava algo melhor.

  6. Nunca mais tinha visto um filme que empolgasse tanto a plateia. O Hulk, então, leva o público às palmas, aos urros dentro do cinema. Acho que a última vez que testemunhei um negócio parecido foi nos anos 1980, em algum filme daquela época de ouro da parceria Spielberg / Lucas, tipo um dos Indiana Jones (os dois primeiros), Guerra nas Estrelas, De Volta Para o Futuro ou Os Goonies. Sério, esse filme tem esse tipo de magia. O filme mais divertido do ano, fácil.

  7. “Um filme que zomba da inteligência do espectador. E o 3D que deveria salvar o enlatado, não funciona. As cenas rápidas não funcionam tão bem em 3D, fica mais desfocado do quê com alguma profundidade bacana. Fraquinho demais, esperava algo melhor.” e “Eu passo. Muita chinelagem filminho de capitão américa, thor e homem de ferro. Heróis de segunda divisão, pra mim.”
    HIPSTERS…

  8. Paulo Diógenes devia ser informar sobre a importância dos heróis da Marvel no mundo das HQs ao invés de falar a asneira que disse. Prefiro mil vezes estes que os imbecis heróis geração mangá/cosplay que hipsters como você com suas lentes modernas de óculas não conseguem fazer enxergar nada além de sua pose pseudo-intelectual de indies da R Augusta.

  9. O amigo Leonardo escreve claramente hipnotizado, deslumbrado pelo filme. Como assim “com bem menos clichês do que seria esperado”. O filme não consegue fugir do clichê em praticamente momento algum. Foi tudo expandido a enésima potência, desde as explosões passando pelos combates e, claro, chegando aos clichês.

    Vingadores é O filme pipoca por excelência, já que ele evoca tudo que construiu esse sentido e eleva um tom e meio.
    Funciona, claro que funciona. Comercial? Óbvio! Oco? Demais até, mas vale como diversão.

  10. Joca e Andy: calem a boca. Hipster de cu é rola. Agora quem não gosta de filminho dos vingadores é hipster???? Me informar sobre a importância dos heróis da Marvel??? Pode ter certeza que conheço muito bem, como leitor regular de quadrinhos que sempre fui, já há quase vinte anos (obviamente, há muito já abandonei o universo de superheróis marvel/Dc em favor de quadrinhos mais, digamos, substanciosos. Sabe, pega mal ter mais de trinta e ficar lendo histórias infanto-juvenis eternamente. Não tenho a menor necessidade de síndrome de peter pan, ou peter parker, se vcs preferirem). Apenas acho uma bosta desnecessária 99% das adaptações de quadrinhos, como a Alan Moore, inclusive. Ah, Andy, não leio muito mangá, não uso óculos, nem moro no estado de São Paulo, muito menos na rua augusta, trouxa.
    Desculpa se falar que filminho de superherói é chinelagem te ofende tanto assim. Na medida que vc for crescendo, passa, santa KKKKKKKKKKKKKKKK. Se eu te mandar uma roupa do Batman a gente faz as pazes???? : )

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *