Orbison, Springsteen, Sinatra e Jobim

por Marcelo Costa

“The Last Concert”, Roy Orbison (ST2)
Roy Orbison surgiu de forma meteórica nos anos 60 com hits e tragédias (a perda da primeira esposa num acidente de moto e de dois filhos num incêndio), sumiu nos 70 para, nos anos 80, ressurgir com dois Grammys (por dois duetos, um com Emmylou Harris em “That Lovin’ You Fellin’ Again”, 1980, e outro com K.D. Lang em “Crying”, 1988), cravar hits em filmes e regravar seu repertório clássico. Em 1988, encontrava-se no auge gravando com os Traveling Wilburys (ao lado de George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty e Jeff Lynne) e preparando seu melhor disco solo, “Mystery Girl”, lançado postumamente devido a um ataque cardíaco fatal, em 06 de dezembro de 1988. Dois dias antes ele estava no palco, em Ohio, cantando clássicos como “Only The Lonley”, “Crying”, “Blue Bayou”, “In Dreams” (de arrepiar) e o hino roqueiro “Oh, Pretty Woman” (com a bateria martelando num arranjo que evita entregar o riff histórico logo à audiência), entre outros sucessos reunidos neste resgate feliz. Para ouvir com a mão no coração.

Preço em média: R$ 20 (lançamento nacional)
Nota: 7,5

“The Promise”, Bruce Springsteen (Columbia)
O subtítulo é “The Lost Sessions”, mas fãs já conhecem boa parte das 22 preciosidades compiladas neste CD duplo (e outras que não entraram) já faz uns 20 anos, o que de forma alguma diminui o valor do lançamento. Na época, Bruce enfrentava o fantasma do sucesso após o estouro de “Born To Run” (1975) e uma ferrenha briga judicial com o ex-empresário, que lhe custou três anos e influenciou decididamente o rumo de seu quarto álbum, “Darkness on The Edge of Town”, um disco muito mais melancólico e introspectivo. Foram três anos em que Bruce trabalhou exaustivamente em mais de 40 canções, sendo que só 10 delas entraram no álbum. “The Promise” resgata do limbo números sensacionais como a romântica “Someday (We’ll Be Together)”, a contagiante “Ain’t Good Enough For You”, o rockão de arena “Wrong Side Of The Street”, o bluesão “It’s A Shame” e a baladaça “Because The Night”, parceria certeira com Patti Smith, aqui com a letra versão Bruce, e mais 16 canções que só ganharam em beleza no fundo do baú.

Preço em média: R$ 35 (lançamento nacional)
Nota: 9,5

Leia também:
– Bruce Springsteen, três horas ao vivo em Roma, por Marcelo Costa (aqui)

“The Complete Reprise Recordings”, Frank Sinatra e Tom Jobim (Universal)
Em 1967, Frank Sinatra escalou Tom Jobim para gravar um álbum de bossa nova. Em três sessões, Sinatra, Jobim e orquestra (conduzida por Claus Ogerman) gravaram 10 canções entre hinos (nacionais vertidos para o inglês) do quilate de “The Girl from Ipanema” e “Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado)” ao lado de números de Coler Porter (“I Concentrate on You” é puro Rio de Janeiro) e Irving Berlin (“Change Partners”). Dois anos depois, Sinatra e Jobim se encontraram novamente, desta vez sob a batuta de Eumir Deodato, para gravar mais 10 canções, que acabaram sendo dispersas na discografia do homem de olhos azuis. Sete faixas apareceram em “Sinatra & Company” (1970) e as outras três nunca tiveram o destaque que mereciam – sendo que Sinatra cantando gringamente “Água de Beber” é algo de fazer a alma sorrir, e “Off Key”, raríssima versão de “Desafinado”, merece ser ouvida por dias a fio. “The Complete” cobre essa lacuna reunindo as 20 faixas num daqueles momentos mágicos da história da música.

Preço em média: R$ 30 (lançamento nacional)
Nota: 10

Leia também:
– Frank Sinatra: o maior rockstar de todos os tempos, por Eduardo Palandi (aqui)

9 thoughts on “Orbison, Springsteen, Sinatra e Jobim

  1. Mal posso esperar pra ouvir essas Complete Reprise Recordings. Descobrir os discos de bossa nova gravados nos EUA por Tom Jobim e João Gilberto é até agora uma lembrança muito forte na minha formação musical. Lembro exatamente do dia em que isso aconteceu. Até da hora. Do lugar onde estava. Das condições atmosféricas do local.

    A Bossa Nova parecia, na minha memória afetiva, apenas um estilozinho chato de burgueses cariocas. Depois de ouvir a coisa real, passei a pensar apenas na profunda anarquia e liberdade musical a que eles se permitiam.

  2. Roy Orbison é o melhor cantor de pop/rock da história.
    É fato, é simples, qualquer um com um ou dois ouvidos em bom funcionamento pode constatar isso facilmente…

    Tivesse a aparência e o repertório de Elvis… Foda-se, já perdi muito tempo pensando nisso….

  3. A droga de um crítico da revista Veja, escreveu que o the boss não era a promessa do rock, vide exemplos como: Arcade Fire, The Gaslight Anthem, The Killers, Ryan Adans etc…

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