Dead Lover’s, Brollies & Apples, Lucy…

por Marcelo Costa

“This is an Organized Orgy”, Brollies & Apples (Independente)
Na música pop é preciso cara de pau para conseguir algum sucesso. Qualidade, em boa parte das vezes, fica em segundo plano. Insistência também é recomendável. O Brollies & Apples está galgando degraus respeitando as três máximas. Fruto da união de duas mulheres bonitas (Bianca Jhordão, vocalista letrista da eterna aposta Leela, e Carol Teixeira, filósofa e autora dos livros “De Abismos e Vertigens” e “Verdades & Mentiras”) que convocaram os maridões para a sacanagem musical (Rodrigo, também do Leela, e Fredi Chernobyl Endres, guitarrista da Comunidade NinJitsu e produtor do Bonde do Rolê), o Brollies & Apples é, sonoramente, uma junção das bandas citadas: o Leela entra com o sex appeal (leia-se gemidos e vocais sensuais) enquanto a Comunidade (e o Bonde do Rolê) cedem as guitarradas e as batidas dançantes. O resultado desta “orgia organizada” é um electro sem personalidade, pronto para bombar em baladas de playboys e conquistar gente que não se preocupa com música, mas quer posar de “antenada”.

Preço: R$ 15 (Loja 7 Polegadas)
Ouça o álbum no My Space (aqui) e leia entrevista com Carol Teixeira (aqui)
Nota: 3

“Fred Astaire”, Lucy and The Popsonics (Monstro Discos)
Fernanda e Pil, sob o olhar de John Ulhoa, do Pato Fu (que produz e toca nas dez faixas), amadurecem seu eletropunk no segundo disco. A crueza dos semi-hits de “A Fábula (ou a Farsa?) de Dois Eletropandas”, de 2007 (“Garota Rock Inglês”, “Coração Empacotado” e “Eu Quero Ser Seu Tamagochi”), cedeu lugar a ambiências. Fernanda evoluiu como cantora e até lembra sua xará Takai no refrão de “Multitarefa”. De “Biff Bang Pop” e “Eu Vou Casar com Um Cosmonauta”, as melhores faixas, escorrem ironias (“A cena mais bacana é indie-folk da Albánia”, provoca a primeira). “Refuse_Resist”, o hino do Sepultura, virou um funk que sugere um namoro de Claudinho e Buchecha com CSS. “Por Que Você Não Morre” e a pesadíssima “Popdollkiller” se aproximam do debute, mas o “novo” Lucy and The Popsonics vai da new wave (de Blondie a Bidê ou Balde) à eletrônica (Kraftwerk e Stereo Total) ao rock (de Sex Pistols a The Kills) e surpreende na dançante faixa título e em “Oito-Bits”, delicada balada nerd. A arte, belíssima, merece elogios.

Preço: R$ 20 (Loja da Monstro)
Baixe o disco gratuitamente na Trama Virtual (aqui)
Nota: 7

“DLTH”, Dead Lover’s Twisted Heart (Ultra Music)
“Dead Lover”, a música que abre a estreia dos mineiros do Dead Lover’s Twisted Heart, pode enganar algumas pessoas. De pegada new wave e ótimo vocal da baterista Patrícia Rezende, a música lembra algo de B’52s, mas basta que “Backwards” e “All Things (You Gotta Do)”, as duas canções (gêmeas) seguintes, se façam presente para que o ouvinte seja levado para um território fantasioso em que o freak folk encontra a música alternativa e sai para dançar, beber e cantar melodias pegajosas do entardecer até os primeiros raios de sol da manhã. “Rock Hurts And The Heart Beats” traz um vocal que lembra algo de Beastie Boys sobre uma base que novamente namora a new wave enquanto a dançante “Shake Your Hips” pode fazer você dançar sozinho (a) no quarto. Cuidado: você pode se apaixonar por “Isabelle”. Interessantes reminiscências folks se fazem mais presentes conforme o laser corre as faixas seguintes (“Line 5102”, “Devil’s Inside a Woman”, “Where I Am”) de um disco que é igual a um sorriso após alguma notícia boa.

Preço: R$ 15 (Loja da Ultra Music)
Baixe o disco gratuitamente no site Rock in Press (aqui)
Nota: 8

7 thoughts on “Dead Lover’s, Brollies & Apples, Lucy…

  1. “pronto para bombar em baladas de playboys e conquistar gente que não se preocupa com música, mas quer posar de “antenada”
    PERFEITA DEFINIÇÃO!!!

  2. “…pronto para bombar em baladas de playboys e conquistar gente que não se preocupa com música, mas quer posar de “antenada”.”
    Também achei perfeita a definição! Vi alguns clipes para ver o que achava do Brollies and Apples, mas não aguentei; inglês mal cantado, batidas clichês e uma vibe “sou gostosa, logo você não precisa prestar atenção na música”.

  3. Não consigo engulir o som do “Dead Lover’s Twisted Heart” (ao lado do Odair José funciona bem pra caramba, mas é outra coisa). Sério. Quanto ao “Lucy and The Popsonics”, esse disco é bem melhor que o anterior, mas ainda assim é ruim.

  4. Este é o blog de música e cultura em que eu mais confio. No Scream and Yell existe preocupação com o conteúdo, os editores estão sempre dispostos a ouvir os leitores e fazer correções, quando necessárias, e as novidades são realmente relevantes.
    Quando leio as críticas daqui tenho certeza de que vou gostar ou odiar alguma coisa e isso só se comprovou agora. Pois este foi o primeiro blog/meio de comunicação que teve a coragem de colocar esses Brollies and Apples em seu devido lugar, na lata do lixo.

    Isso é que é ter bolas!

    Enfim…achei que devia parabenizá-los pelo trabalho. Boa!

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