Entrevista: Watson

por Murilo Basso

Você já ouviu essa história: amigos se conhecem, surgem afinidades e daí para formar uma banda já andamos meio caminho. “Foi em um colégio muito deprê aqui de Brasília. Eu e o Adriano (baixista) nos conhecemos em algum intervalo e vimos que já tínhamos em comum o fato de não gostarmos daquele lugar”, conta Miguel Martins (voz / guitarra).

Transitando entre temas como a frustração do cotidiano e política nacional, e estilos que vão desde o pop à MPB o quarteto de Brasília chega a um trabalho essencialmente direto, que está sendo disponibilizado gratuitamente no site oficial da banda (baixe aqui), e que revela um grupo não só atento às novidades, mas também capaz de produzir canções sinceras.

O vocalista Miguel Martins topou conversar com o S&Y. Na pauta, Brasília, influências e todo o processo de concepção do mais novo trabalho do grupo. Confira:

Como a banda surgiu?
Foi em um colégio muito deprê aqui de Brasília. Um desses colégios bem conservadores, caretas. Eu e o Adriano (baixista) nos conhecemos em algum intervalo e vimos que já tínhamos em comum o fato de não gostarmos daquele lugar. Ele tocava baixo, gostava de funk metal e Red Hot, mas curtia umas coisas como Nick Drake, Magnetic Fields. E eu era bem britpop, Oasis, Pulp, Blur, Stone Roses. Nós gostávamos muito de poesia, de letra de música. Começamos a compor juntos, fizemos umas três canções malucas e chamamos um amigo dele, o Jack (baterista), para fechar a banda. Tínhamos 16 anos em 2002, ensaiávamos em garagem mesmo, ou até em quarto de dormir. Eu tocava bem mal, o Jack também, talvez o Adriano fosse, na época, o melhor. Mas daí veio essa coisa de aprendermos juntos a tocar, o que definiu também a nossa forma de fazer música. Lá por 2006 entrou o Filipe (guitarrista), um cara que já tinha tocado em bandas legais como a Superquadra e Mentes Póstumas. Mudou muito. Quando éramos um trio, nossa harmonização era bem crua, mas o lirismo era enorme. Hoje, acho que a banda está mais criativa, enquanto as letras foram ficando um pouco mais diretas.

O que rolou de bacana nesse meio tempo?
No comecinho, tocávamos só para gente mais velha. Um dos nossos primeiros shows foi no Gate’s Pub, onde lançamos o nosso primeiro EP, em 2002. E só tocamos por causa de vista grossa do dono. Depois vieram uns amigos de colégio tentando entrar, mas todo mundo foi barrado, até namoro acabou por causa disso. Primeira música, minha guitarra apaga logo no começo. E éramos um trio, não tínhamos como continuar. Recomeçamos o show naquele nervosismo, mas depois acabou sendo legal. Esse EP era bem maluco, tinha de tudo: britpop, funk, pós-punk, indie, até uns lances mais brasileiros. Foi gravado em placa soundblaster, dessas que você comprava para jogar Quake e os sons de guitarra são terríveis, bem digitais, fake total . Mas tinha “Eu Quero Envelhecer”, que foi nossa primeira música a chamar atenção. O Fernando Rosa curtiu e chegou a imaginar um disco nosso em 2004. Fomos ao estúdio do Phillipe Seabra da Plebe Rude para discutirmos isso, mas acabaram percebendo que ainda não tínhamos uma cara definida para um disco, o que era verdade. Em contrapartida, tínhamos a manha de fazer umas merdas pré-show. Hoje em dia nem tanto (risos). A mais evidente foi a história da pamonha, no Bananada, em 2007. Chegamos uma meia-hora antes e alguém teve a brilhante idéia de mandar uma pamonha antes do show. Fomos atrás da pamonharia, e sei lá, acho que chegamos a andar 1 km. Começamos a comer e alguém teve a segunda brilhante idéia: pedir um empadão goiano, que atrasou ainda mais. Pagando a conta, me liga alguém da organização perguntando: “Cadê vocês? A passagem de som já começou”. E no Bananada você passa o som e já começa a tocar, então imagine a cena: quatro moleques correndo em Goiânia desesperadamente. Chegamos com atraso, mas ainda deu pra tocar. O episódio é tão emblemático que toda vez que alguém na banda faz alguma besteira é porque “pamonhou”.

Já que tu comentou sobre a experiência no Bananada, como é circular por festivais?
Festival ajuda a abrir a cabeça de uma banda. O Bananada foi muito legal pelo bom público, pela diversidade de bandas novas com quem a gente tocou. O Grito Rock São Paulo, em 2008, foi um dos melhores, fizemos amizade com a galera dos Visitantes, do Los Porongas e o show foi muito importante para ganharmos confiança. Fizemos dois shows no Porão do Rock, que já é um festival de grande porte, com bandas gringas, mas tocamos em horários complicados. Gostamos muito do PMW esse ano, bem organizado, pessoal gente boa. Festival para uma banda nova é fundamental mesmo. Não só pela exposição, também pelo aprendizado de ver outros shows e pensar “pô, isso que ele tá fazendo é massa, eu podia fazer também”.

Você citou várias influências. Oasis, Blur e Supergrass. Mas no geral o disco de vocês me soou bem brasileiro.
É um disco brasileiro, total. É até estranho pensar nisso, que temos tendência a colocar algumas bandas gringas, como referências, a frente das coisas brasileiras. São basicamente nossas influências adolescentes. Mas não saberia dizer onde começa o Blur e o Clube da Esquina no nosso som. Não entramos no estúdio preocupados com isso. É engraçado. Lembro de outro dia me dar conta de como Oasis é uma bandinha divertida, mas bem sem graça (risos). Já o Blur é mais importante para gente, principalmente por achar que um disco pode conter diferentes tipos de humor, que criatividade é algo positivo sempre. Tentar mudar e procurar algo novo e assim criar algum sentido com uma certa confusão. Discos como o “Blur” (1997) e o “13” (1999) tem essa sacada. Mas cara, a canção brasileira começa pela língua. Como vai ser tocada, pouco importa. Você pode cantarolar em inglês para chegar a uma melodia, mas quando mudar para o português vai ser obrigado a fazer concessões. E isso me deixa até meio puto, ver que o Stephen Malkmus pode falar aquele quilo de palavras e ainda assim ficar interessante. Mas as concessões, às vezes, te levam a coisas mais densas, que tocam mais. O português é muito honesto, é difícil fingir com ele. E na confusão de muita influência estrangeira e brasileira, acho que decidimos não conversar sobre influências antes de tocar. Entramos no estúdio despreocupados. Se alguém acha que é indie, a gente dá um sorriso amarelo. Se acharem que parece Los Hermanos, também. Nossa intenção não é misturar música brasileira e gringa. É atravessar um pouco essa divisão, ou desistir dela. Ultimamente temos ouvido Otto, Lô Borges, Novos Baianos, Jards Macalé e muito Caetano. Sempre. A tendência é que isso reflita cada vez mais na música também, como tem acontecido com as músicas novas. Mas jamais com aquela visão: “temos que ficar mais brasileiros”. Já somos bastante, mesmo ouvindo Blur, Magnetic Fields, Faust ou Fela Kuti.

O lance da angústia, sofrimento e claustrofobia presente em toda essa atmosfera urbana que têm o disco de vocês, me lembrou Otto em alguns momentos.
O disco novo dele é incrível, uma porrada mesmo. Acho que tem em comum até um certo lance kafkiano, né? Brincando aqui, se a inspiração dele foi “A Metamorfose”, a nossa foi “O Processo”. O Otto consegue fazer você chorar com peso, te jogando a coisa na cara, ele alterna o visceral e o suave sem você nem perceber. O nosso é um pouco mais distante, é uma claustrofobia com mais palavras, com afirmações mais longas. É uma claustrofobia bem Brasília, porque vem muito da vida burocrática, desse dia a dia repetitivo e tedioso.

Brasília é presença constante nas músicas, certo?
Brasília é um laboratório social e nosso disco tem muito de querer entender esse laboratório. Você olha ao redor e tudo parece mecanicamente ajustado. Claro, isso no plano piloto. Sobra a rodoviária e o setor comercial como lugares mais dinâmicos, mais reais. Mas na essência, é a cidade mais ajustada para a rotina que há. Lembro que eu li o livro do Ricardo Alexandre, “Dias de Luta”, onde algum entrevistado falava da diferença entre a cena paulista e brasiliense dos anos 80, que o pessoal daqui não era muito punk na prática, porque sabia se comunicar tanto com o porteiro do prédio como com o ministro da justiça, ou algo assim. É uma cidade onde você é amigo do cara que assinou a prisão do Arruda no STJ e ele te conta isso bebendo horrores contigo numa festinha de casa. Aqui o poder cria uma rotina muito estável, onde o escapismo é a marca. O disco tem muita Brasília mesmo, mas menos preocupado em falar dela como “capital do país”. Os anos 80 assumiram essa missão e tiveram sua importância. Os anos 90 mandaram essa missão à merda e, claro, também foram importantes. O que a gente queria era lembrar que existem pessoas e sentimentos reais dentro dessa roda de hamster que é Brasília, que não é só uma cidade inventada, mas uma cidade ocupada, amada e odiada. Uma cidade como pano de fundo para as nossas vidas.

E a cena da cidade hoje? O que vale a pena ouvir por aí?
Tem muita coisa boa. Lembro de ter tido vontade de formar uma banda, aos 16 anos, quando vi um show do Prot(o), que para mim foi um marco. Eu achava que em Brasília, ou você era sensível e gostava de Legião, ou você era pé na porta e ouvia Raimundos e Little Quail. E o Prot(o) não era nem sensível, nem pé na porta, era algo no meio, era novo. Aquilo mexeu comigo. Hoje curtimos muito Pedrinho Grana & os Trocados, que é um country rock inusitado e inteligente. O Club Silêncio é outra banda maneira, mais eletrônica e sombria, com origens de Jesus and Mary Chain e My Bloddy Valentine, que torna o som deles muito autoral. Tem a Nancy, que é já mais Portishead, Post-Rock. E a Camila, vocalista, é brilhante. Tem o Pierrot Lunar, que é uma banda que quase nunca toca, mas tem um disquinho chamado “Disco Perdido” que é o Fellini com cara de Brasília e eles estão para lançar um novo. Tem o Beto Só, que é um poeta certeiro. O Tiro Williams é uma ótima banda, faz um rock de guitarra bem ensolarado e pra cima, é algo que faltava desde o fim do Bois de Gerião, que mesmo tendo origens na cena ska da virada da década, era acima de tudo uma banda de rock com um astral gigantesco. Os shows eram divertidos demais…

No que essa geração se difere da geração dos anos 80?
A diferença é absurda. É louco, é muito diferente dar uma forma para a sua banda quando o cenário não aponta uma possibilidade tão clara de viver de música como antes. Ninguém espera nada de uma banda hoje em dia, então as bandas fazem o caminho delas. Eu nunca vi tanta banda diferente como nessa cidade. E acho isso a nossa cara, a nossa confusão criativa.

Como foi ter “Eu quero Envelhecer” escolhida como uma das dez melhores canções da história do rock brasiliense?
Foi maneira essa lembrança, as pessoas escolhidas tinham que citar três músicas em ordem de importância e acabamos entrando na lista. Eu tinha 16 anos quando compus, tinha acabado de assistir “História Real” (The Straight Story) do David Lynch, aquele do velhinho que atravessa dois estados com um cortador de grama para ver o irmão com câncer. E eu estava naquelas de paixão adolescente, sofrendo horrores. A letra saiu sem muito lápis, muitos versos eu cantei antes de escrever, como “merda nenhuma salva”. Até hoje é a preferida de muita gente.

E a experiência de compor a trilha do filme “Rua dos Bobos”?
Demais. O filme “Rua dos Bobos” é da minha irmã, Julia. É sobre uma moça que procura um apartamento dos sonhos, cansada de morar num lugar sinistro e escuro. Ela encontra aquilo que sempre quis na tal “rua dos bobos”, mas descobre que para chegar lá precisa primeiro se perder pela cidade. E quanto mais ela conhece os caminhos, mais difícil vai ficando achar a rua. A Julia queria músicas de vários tipos, rockão de abertura, pianinho para uma sequência, um funk meio Isaac Hayes para outra, uma balada no final. E acabou sendo muito divertido. Escrever as letras foi bem difícil, você fica com medo de dar sentido demais ao filme. Mas deu certo.

No CD, vocês trabalharam com o Thomas e com o Gustavo Dreher…
Foi nossa melhor decisão. O Gustavo já era nosso amigo, tinha masterizado nosso EP de 2007, “Lei da Seca”. Eu e o Filipe estávamos em Sampa gravando umas músicas e ele apareceu no nosso estudiozinho (que, na verdade, era um apartamento de 20 m2), então começamos a conversar. Comentamos do vídeo do Thomas explicando as gravações do Júpiter Maçã e o Gustavo sugeriu de eles produzirem nosso disco no mesmo estúdio. O Júpiter, o Plato Divorak, o primeiro disco da Cachorro Grande são referências pra gente e tudo é produção deles. Queríamos poder fazer um disco com liberdade criativa e sons mais antigos e tinha tudo a ver com o estúdio Dreher. Ficamos em Porto Alegre uns 15 dias, dormindo na casa do pai do Fernando Rosa, num frio da porra. Mas é muito legal você juntar a banda toda pra gravar de uma vez. A convivência diária ajuda demais na hora de criar climas para gravar.

Me pareceu um disco com uma narrativa linear, mesmo assim está longe de ser algo preso a apenas um conceito. Era essa a idéia central?
No início chega a ser uma certa crônica. Começa com o fim do expediente em “Asa Belhas”, a festinha porrada em “Quitinete” e a desilusão da ressaca em “Notícia do Dia Três”. “Agora que Sem Ela” é a desilusão amorosa, a letra é arrogante, quase metida, mas a melodia e harmonia são depressivas. Já “Darwinismo” é o exato contrário: é uma letra de perdedor, de derrotado, mas com um lado mais pop na melodia e no arranjo. E ela abre caminho para “Todo Mundinho Tem Seu Fim”, que é uma espécie de retorno da esperança, o fim das desilusões, ou das ilusões de uma rotina que vem sendo narrada desde o início. Depois brincamos que começa o “Lado B”, onde cansamos da linearidade da narrativa e alternamos baladas com rockões de uma forma quase despretensiosa, para lembrar também que um disco não precisa ser tão linear, ele pode se revoltar com ele mesmo e cansar do conceito. Conceito demais é um saco . Se um dia lançarmos em vinil, acho que isso vai ficar mais claro, esse lance do Lado A / Lado B que tem no disco.

Qual é a de “Todo Mundinho Tem Seu Fim”? Rola até o trocadilho infame com “Todo Carnaval Tem Seu Fim”.
(Risos) Pois é. Alguém veio com essa outro dia, perguntando se tinha algo a ver e eu nem tinha me dado conta quando dei o nome. Depois de um show nosso em Palmas esse ano, um fotógrafo confundiu ela com uma outra música nova que ainda não tinha nome e sugeriu chamá-la de “Vitrine do Boticário”, o que fazia todo sentido. No fundo, é uma música sobre o excesso das lojas de cadeia, sobre televisão, sobre a exigência do politicamente correto. É uma constatação de que as ruas principais de várias cidades do mundo seguem certa lógica, com uma contínua repetição de marcas que escurecem aquilo que uma cidade tem de verdadeiro, de pulsante. Acho que o mundo ainda paga um preço cultural com esse culto materialista. A idéia é de que o “mundinho” é tudo aquilo que pode ser comprado e trocado, tudo aquilo que tem mais “preço” e menos “valor”. O difícil na vida maluca do século XXI não é o lado econômico das nossas relações, mas justamente como o nosso excesso de consumo não ensina a gente viver melhor. Acho que uma inspiração muito forte pra mim foi a Barra da Tijuca, principalmente a mini Estátua da Liberdade que rola na frente de um Shopping. Monumentos do dinheiro e a futilidade deles… E a esperança, mesmo sutil, que resta por trás de tudo isso.

“Bolero” é a canção que mais me pareceu fora do lugar.
Eu a escrevi com 18 anos, para minha namorada na época. A gente era muito novo, mas vivia intensamente juntos… A tia dela tinha um apartamento e uma casa mais afastada e sempre nos fins de semana ficávamos com o apartamento só para nós. Nasceu uma relação muito pura daquilo, a gente não se desgrudava, não tinha vontade. É uma música sobre duas pessoas que se amam e, por isso mesmo, se sentem satisfeitas em se desligarem do mundo lá fora. O nome “Bolero” foi dado de uma forma bem boba, estávamos fazendo um set list e alguém falou “e aí, qual vai ser o nome do bolerão?”. Depois fui descobrir uma música do Picassos Falsos que também se chamava “Bolero” e que também não tinha nada a ver com o estilo. Depois descobrimos que bolero também é um casaquinho feminino e a figura do “agasalho” fez todo o sentido para a letra, mas foi pura coincidência. Acho que até hoje, é uma das músicas mais fortes que eu fiz, porque ela não tem nenhuma finalidade, ela só quer descrever um sentimento real entre duas pessoas. Não fiz para conquistar mulher, e tampouco para reclamar de alguém que partiu. É só a descrição de uma tarde maravilhosa de sexo, cigarros e reciprocidade, um daqueles momentos que você fala: “beleza, não quero mais nada”. E eu já ouvi de dois melhores amigos que essa música é trilha da amizade deles, então vai além do sexo, é só o estado de espírito de estar do lado de quem te entende.

E “Emitivi Apresenta”? É um recado para alguém?
“Emitivi Apresenta” tem de ser vista dentro do contexto. A gente arrepia quando alguém fala da banda e da música, como se fossemos banda de protesto. Eu a compus ardendo em febre, sozinho num apartamento. E na verdade eu estava frustrado com uma garota que tinha me largado pra morar em São Paulo, para tentar trabalhar com música. São Paulo, no imaginário do rock brasileiro, às vezes funciona como uma Mecca, um lugar onde você vai para se “converter” definitivamente a esse tipo de vida. Então, a frustração era pessoal, mas eu amarrei ela com as frustrações de muitas pessoas com a indústria musical no Brasil. Eu também estava ouvindo muito rock dos anos 80 e fiquei pensando “porra, porque ninguém mais manda tudo isso à merda numa música, como a Plebe Rude fez em ‘Minha Renda’?”. E pronto, mandei tudo à merda naquele momento. Enquanto eu fui escrevendo, comecei a perceber que as minhas figuras giravam mais ao redor do Projac, da cultura global, do Faustão. Não chegavam a ter relação com a MTV. Aí vem a piada do nome, que é tratar a sigla MTV como se fosse um nome indígena (risos). É a idéia de que algumas bandas e artistas acabam deixando a música em segundo plano e passam mais tempo articulando contatos, procurando se aproximar de gente consagrada.

O que é “lutar pelo rock”? Hoje, quem luta por ele?
“Lutar pelo rock” pode ser visto como uma certa bandeira do independente. E de fato na época eu tava muito envolvido com esse tipo de idéia. Mas hoje, olhando pra trás, “lutar pelo rock” é lutar por algum tipo de honestidade artística que o rock, tanto gringo quanto brasileiro, tem nas suas origens. Foi a minha forma revoltada e infantil de dizer: “olha, se for pra ficar fazendo música para dar certo a qualquer custo, prefiro ser funcionário público”. E espero que isso nunca mude na nossa postura enquanto banda. Queremos fazer mais e melhores músicas, pelo simples fato de que somos apaixonados pela coisa. O resto, “poder, sorriso, fama”, é só o resto. É secundário.

http://www.bandawatson.com.br/

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– Murilo Basso (@murilo_basso) é colaborador do Scream & Yell, Urbanaque e Rolling Stone

8 thoughts on “Entrevista: Watson

  1. “lutar pelo rock é lutar por algum tipo de honestidade artística que o rock, tanto gringo quanto brasileiro, tem nas suas origens”. penso o mesmo, o rock no mainstream peca pela falta de ambição artistica. ambição mesmo é financeira.

  2. A banda me ganhou pelas respostas dadas. Nunca tinha escutado o som e já não vejo a hora de ver um show em Porto Alegre. Parabéns ao entrevistador, que atiçou o cara nos pontos certos, e ao Miguel, que soube aproveitar o espaço. Em uma época em que há milhões de bandas que podem ser descartadas com um clique, é fundamental saber fazer-se interessante.
    Sucesso!

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