Balanção do Planeta Terra 2010

Uma noite púrpura
por Marcelo Costa
fotos por Liliane Callegari

Desde sua primeira edição, em 2007, o Planeta Terra vem acertando a mão na produção e lapidando o formato de line-up na busca não só de personalidade, mas também de referência pop. De cara conseguiram transformar em dois anos uma vila de galpões abandonada e afastada do centro em local agradável para shows (grande mérito), e depois adotaram o maior parque de diversões da cidade numa junção música + diversão que funcionou perfeitamente.

A escolha do line-up vem melhorando ano a ano. Tropeçou em 2007 (Kasabian não é headliner nem de festival no interior da Islândia), mas compensou com Devo e Rapture. Melhorou em 2008 (Kaiser Chiefs foi só ok, muito pouco para um headliner), mas quem valeu a noite foi Spoon e Breeders (com saudosismo, Jesus and Mary Chain, vai). Deu um belo passo em 2009 com Sonic Youth, Stooges e Primal Scream, e chegou em 2010 prometendo muito com Pavement e Pumpkins, mas quem fez valer o ingresso foi Mika.

Em uma reunião com a produção do evento semanas antes, um dos produtores reforçava o valor do formato do Planeta Terra. “O festival é do tamanho que nós pretendemos ser”, dizia, alfinetando outro festival que causou muita controvérsia em 2010: “A ideia do Planeta Terra é ser um festival urbano, em que você sai da sua casa com segurança, se diverte assistindo a bons shows, e volta pra casa com facilidade e sem transtornos após um dia de bom entretenimento”. A receita é simples, e funciona.

A maratona é pesada para quem entra no parque assim que os portões se abrem, às 13h. Dali até o silenciar da guitarra estridente de Billy Corgan, às 3h e tanto da manhã, foram 14 horas de música, e é preciso ter pique, muito pique. São dois palcos, e a caminhada curta pode castigar os joelhos após a quinta ida e vinda do palco principal para o palco indie, que sofreu este ano com lotação e aperto devido ao aumento de ingressos à venda (16 mil em 2009 contra 20 mil em 2010 – os 4 mil fizeram diferença).

O palco indie (carinhosamente chamado de “Palco Restart” e “Palco Leite em Pó” pelos integrantes do Podcast Scream & Yell – baixe aqui para ouvir) atraiu um bom público. Dizem que a apresentação do Hot Chip, uma das estrelas do line-up, ferveu, e parece que Holger e Girl Talk também fizeram bonito. Até acreditamos (ou fazemos de conta). Após uma rápida passada no começo do show do Hurtmold, não pisamos mais no local (tentamos enfrentar a fila do carrinho bate-bate, no meio do caminho, e desistimos – mas a Monga estava vazia).

No palco principal, pontualmente às 16h, o Mombojó entrou com som e fúria para fazer sua melhor apresentação e um dos melhores shows de todo o festival encavalando hit sobre hit – com destaque para a performance empolgante do vocalista Felipe S. Todas as grandes canções (“Faaca”, “Deixe-Se Acreditar”, “Realismo Convincente”, “O Mais Vendido”, “Cabidela”, “A Missa” e as novas – e boas – “Casa Caiada” e “ Papapa”da banda bateram ponto no repertório transformando o show em uma grande celebração.

Na seqüencia, o coletivo Novos Paulistas esfriou o público com uma apresentação que deixou de fora as grandes canções de cada um dos seus participantes. Tulipa Ruiz e Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico), responsáveis por dois discos que devem ter bastante destaque nas votações de melhores do ano (“Efêmera”, da primeira, e “Deus e o Diabo no Liquificador”, do segundo) mais Thiago Petit, Tiê e Dudu Tsuda fizeram um show que pode funcionar bem na casa noturna Studio SP, mas não empolgou no festival.

Então você vai comprar uma cerveja (Devassa, tão ruim quanto Paris Hilton atuando) e quando olha para o palco, ele se transformou em cenário do Xou da Xuxa. Comandado pelo performático Kevin Barnes, o Of Montreal fez a alegria de indies, desinformados (que nunca ouviram falar da banda, mas curtiram o momento Cirque du Soleil) e da galera GLBT no Planeta Terra. A música ficou em segundo plano para que, por exemplo, um açougueiro com facas nas mãos corresse atrás de um indefeso porquinho.

O momento purpurina foi elevado aos céus com a apresentação de Mika, único escalado a liberar o uso total da estrutura do palco para intervenções de imagens. A sacada inteligente unida à apresentação com pitadas de Broadway do cantor libanês ofuscou as demais atrações do festival. A empolgação do cantor contagiou o público, que pulou e cantou muito os hits “Grace Kelly”, “Relax, Take It Easy” e “We Are Golden” em um show gay no que o gay tem de melhor: festa, dança, alegria e teatralização. Showzão.

Como uma antítese, o Phoenix surgiu com luzes apagadas e seu maior hit, “Lisztomania”, entregando ao público a única coisa que poderia oferecer: boas canções. A receita funcionou com “Lasso”, “Long Distance Call” e “Fences” em seqüência, mas o miolo do repertório – com “Armistice” e principalmente “Love Like a Sunset Part I e II” – foi sonífero e comprometeu a noite dos franceses (e do público). O show voltou a esquentar no final (com “Consolation Prizes” e “1901”), mas o estrago já estava feito.

O Pavement, por sua vez, jogou pra galera. Com som impecável (muito melhor que o visto no Primavera Sound, em Barcelona, em julho – leia aqui) e aquela vontade de estar fazendo qualquer outra coisa de Stephen Malkmus, o Pavement já tinha enfileirado hinos como “Gold Soundz”, “Perfume-V” e “Stereo” com apenas dez minutos de show. Ainda vieram “Shady Lane”, “In the Mouth a Desert”, “Summer Babe”, “Cut Your Hair”, “Spit on a Stranger”, “Range Life” e “Here” para lavar a alma. Medalha de prata.

Encerrando a noite, o mala-mor Billy Corgan trouxe a nova versão do Smashing Pumpkins, que anda acertando em novas canções, mas decepcionou no festival tocando rock burro  setenstista que nunca deveria ter saído daquela década. Mike Byrne, baterista de apenas 20 anos e dublê de Karate Kid, é especialista nos piores clichês do rock. Jeff Schroeder (guitarra base) é inseguro, passa o tempo todo olhando Corgan – esquecendo-se de tocar. A baixista Nicole Fiorentino segura as pontas, mas o repertório não ajuda. Nem o líder. O medley “United States / The Star-Spangled Banner / Moby Dick” é disparado o momento mais constrangedor em palcos brasileiros em 2010. E olha que Caetano anda cantando com Maria Gadu por ai.

Mika fez o melhor espetáculo, Pavement o melhor show, mas o que o Planeta Terra 2010 crava como tendência é uma postura dançante e festeira que coloca Hot Chip como in e Smashing Pumpkins como out. O “novo novo rock” (com quase nada de guitarras e muitos teclados) do Passion Pit, Yeasayer e Empire of The Sun tomou o palco que, em edições passadas, havia consagrado Rapture, Breeders e Spoon. Num primeiro momento, a impressão deixada é de que a qualidade (musical e temática) caiu, mas é cedo demais para ficar nostálgico. Será mesmo?

Hip-hip-hipster
por Vladimir Cunha

Se você tem mais de 30 anos você aprendeu a segmentar informação. Rock é rock, pop é pop, bicha é bicha. É o que separa você, que cresceu nos anos 70 e 80, da tal Geração Y, que floresceu sob uma nuvem de consumo pleno e saturação sensorial. E é, ao mesmo tempo, a glória e a ruína de quem tem 20 e poucos anos em 2010.

Porque faz todo o sentido que o cantor Mika tenha feito um dos melhores shows do Planeta Terra 2010 e que, justo ele, represente o que a música desse começo de milênio tem de mais descartável, confusa e (porque não?) fascinante.

Ele prova que qualquer convicção ideológica ou artística pode ser minada por uma pós-modernidade turbinada, capaz de permitir que fragmentos diversos de cultura pop possam ser usados e recombinados em nome da diversão. A reação é instintiva e não cerebral, talvez porque um show como esse aborte qualquer tipo de reflexão ou porque não exista mais espaço para a reflexão nos anos 00. Mika é Glee e Elton John, é Fred Mercury e Donna Summer, um musical da Broadway itinerante, pansexual e chapado para fãs saudosistas de “O Rei Leão” e “A Pequena Sereia”.

A figura do cantor libanês é o ponto onde se encontram todos os aspectos da cultura gay que, aqui e ali, permaneciam dispersos nas horas iniciais do Planeta Terra. O homossexualismo infantilizado do Of Montreal, a platéia obcecada por moda, os signos e dress-codes que remetem às festas hipster do Glória e aos bares mais tolerantes do Baixo Augusta. Ainda assim, a informação aqui não é mais segmentada, pois todos nós aceitamos que Mika possa ser rock, disco, gay, hétero, animação da Disney e pornografia softcore.

Só que, por mais que a sua alegria sinceramente alienada seja cativante, ninguém usaria uma camiseta com a cara de Mika ou de Thomas Mars estampada, muito embora garotos ostentando com orgulho camisetas de Kurt Cobain e Axl Rose ainda possam ser encontrados aos montes por aí. Mesmo que Mika saiba como comandar uma multidão e que Mars tenha se jogado em um crowd surfing digno dos anos de glória de Eddie Vedder, quando todos nós éramos grunges, machistas e cheios de testosterona e problemas de auto-afirmação.

É quando fica claro que a música pop pode ter se tornado mais gregária e menos individualista, mais orientada para a celebração coletiva do que para o culto à figura do artista como o centro do espetáculo. Não à toa, os dois grandes fiascos musicais do ano – Los Hermanos no SWU e Smashing Pumpkins no Terra – surgiram justamente desse modelo, dessa proposta auto-indulgente de distanciamento do público e pouco caso com as regras da nova música pop.

Pois no mundo não há mais espaço para os solos de bateria do Smashing Pumpkins e nem para que Billy Corgan saia do armário e assuma que sempre foi um metaleiro enrustido. Melhor fez Stephen Malkmus, que entendeu o espírito da coisa e caiu na farra, tocando todos os hits que os fãs queriam que ele tocasse sem se importar com o fato de que há 11 anos a sua banda não lança uma música inédita.

Não se trata de pedir que o rock seja enterrado de uma vez por todas. O nó cultural ultra-pós-moderno do Planeta Terra tornou-se tão difícil de desatar que até os vovozinhos indies do Pavement se jogaram na pista ao invés de ficar em um canto da sala olhando a molecada se divertir. A diferença é que, ao contrário de Billy Corgan, eles eliminaram a tensão estática que separa a sua geração da geração que foi em massa ao festival no último sábado. Numa seqüência que começou com o som avant-garde do Hurtmold e se completou com Of Montreal, Phoenix, Mika e Pavement, “querer rock” não significava mais do que um gesto caricato, como o forrozeiro Zenilton em sua atrapalhada intervenção em Puteiro em João Pessoa. Segmentar informação pode servir como ferramenta saudosista ou processo de auto-afirmação. Por outro lado, cogitar todas as possibilidades pode ser a única maneira de sobreviver ao futuro.

Marcelo Costa é editor do Scream & Yell e assina o blog Calmantes com Champagne
Vladimir Cunha é jornalista e assina o blog Tudo Jóia
– Todas as fotos por Liliane Callegari (mais aqui), com exceção da 12 e 13 (Smashing Pumpkins e Pavement por Ricardo Matsukawa/Terra) e 14 (Phoenix por Fernando Borges/Terra)

Leia mais
– Planeta Terra 2007: CSS, Devo e Rapture fazem bons shows (aqui)
– Planeta Terra 2008: Indie bate o Mainstream no segundo festival (aqui)
– Planeta Terra 2011: quatro olhares sobre um mesmo festival (aqui)
– Planeta Terra 2012: muito melhor do que a expectativa previa (aqui)
– Planeta Terra 2013: No saldo geral, o melhor Planeta Terra dos últimos anos (aqui)

32 thoughts on “Balanção do Planeta Terra 2010

  1. Vocês são velhos pra caralho. Suas ferramentas pra decodificar e realizar uma leitura desses shows são completamente eventuais e ultrapassadas. “Novo-novo-rock”? Pelo amor de deus, finquem os pés no chão, parem de querer diagnosticar épocas em cada resenha de show. Parem com esse sociologismo jornalístico de cultura pop. Toda essa regurgitação desses textos, lendo com perspectiva, é tão vazia quanto essa suposta geração que vocês se desdobram tanto e com tanta dificuldade para criticar.

  2. Eu fiz o contrário: permaneci no “palco restart” até o momento do Smashing Pumpkins. Creio que fiz o melhor para mim. Chegar ao main e observar Billy Pumpkin tocando com “vontade” foi o suficiente para me fazer aproveitar os brinquedos.

    E Yeasayer e Empire of the Sun possuem guitarra sim, mas o diferencial é o contexto eletrônico que eles se inserem (coisa que o TV on the Radio também o faz e não deixa de ser uma banda do caralho).

    (…)

    O Texto de Vladimir ficou interessante por focar na dita “liberalização” que existe no público do Terra. É nítido pelas palavras o choque que ele sofreu devido a tal não-segmentação… HAHAHA.

    E nessas, quem se ferrou, foi o Corgan e o seu show medonho.

    Eu nunca usaria uma camiseta do Axl Rose!

    P.S.: Ah, “homossexualismo” já é um termo em desuso há um bom tempo, desde que a orientação sexual não-egodistônica foi excluída do código internacional de doenças (CID), e nisso já se vão um dez anos…

  3. O problema do Smashing Pumpkins é um só: seja lá qual é a razão, Billy Corgan perdeu a manha de fazer músicas realmente bonitas. Já existiam pessoas felizes que acham tudo super bacana em toda parte nos anos 90, como nos anos 80, e sempre. As pessoas sempre foram vaidosas e sempre fizeram papel de idiota para fazer parte de tribos hipsters. O caso é que, quando um sujeito lança um disco foda como o Siamese Dream, a coisa acontece naturalmente, porque sempre haverá outra parcela de jovens que não tem paciência e felicidade suficiente para realmente gostar de Mika, de Hot Chip, etc. Porque isso tudo é apenas música de festa. People once in a while need to hear some sounds that recognize the pain in them – a dor e todas as outras sutilezas da alma que Phoenix e Holger ignoram completamente (frase do Holger no show: “Essa é sobre sexo. Eu gosto de sexo, vcs também?” Give me a break, dude). Se o Billy Corgan lança outro disco com músicas foda como Soma ou Mayonaise (obviamente com uma reformulação sonora) em vez de canções sem alma feito essas do novo EP, ele vai ter seu público, como sempre teve. É o caso do Tom Yorke. Phoenix vão e vêm, e os dois melhores discos dos anos 2000 foram Kid A, no começo da década, e In Rainbows, no final. E todos os hipsters amam esses discos (e, no meio da década, tem o Feels, do Animal Collective). Porque sempre haverá uma necessidade nas pessoas de ouvir uma música em casa que as transportem para outro lugar, outra consciência, outra galáxia. É a diferença entre música pop de festa, que lida basicamente com sentimentos convencionais (“I wanna go out tonight and drink all the time and have sex with a stranger” e coisas do tipo) e música pop enquanto expressão da inteligência e da emoção humana.

  4. Viva a guitarra. Escreveu bem o Rafael aí de cima. Boas músicas é só o que precisamos. Musiquinhas sempre alegrinhas, tecladinhos, tã tã tã, a gente até escuta no rádio do carro, mas ouvir, curtir mesmo, não dá véio. Bandas assim, vem e vão, mas o essencial, o que vale a pena, o que bate forte no coração, fica. As vezes ouço discos gravados há 50 anos e são duca. Outros gravados há 2 meses, idem. Como diria o reverendo, “bons sons”, meus caros, “bons sons”.

  5. Acho meio perigoso afirmar que “músicas alegrinhas” são superficiais devido ao sentimento que elas denotam. E desde quando a representação de sentimentos humanos possuem essa gradação em profundidade, ou melhor, em grau de importância?

    Gosto dos Pumpkins, amo My Bloody Valentine e Portishead (só pra citar alguns exemplos), mas você deixar de reconhecer a profundidade como que coisas “mais alegres” como LCD Soundsystem e Hercules and Love Affair só porque eles trabalham com sintetizadores é coisa de gente ultrapassada mesmo, como frisou bem o Cícero.

  6. Se chamam o Billy de cafona,o que é o Of Montreal,rsrs?É do movimento “sou cafona,mas sou feliz,e fashion”.Mas eu gosto,muito mais pela loucura sonora do que pela viadagem,por assim dizer.Mika também gosto,mas só porque o cara é viado não quer dizer que tenha que ser tudo pansexual.Como se viado não chorasse,hahaha.Acho que a tendência seria chamar todo mundo,digamos.Já que a tendência é essa mesma.Seria mais legal chamar o Soundgarden do que o Smashing Pumpkins.Chamar o Superguidis,chamar os Ecos Falsos.Fazem muito melhor.Fora que achei tendencioso por esse ponto de vista,eu gostei dele,apesar de ficar ditando uma tendência,mesmo assim.

  7. Não sei se é em relação ao que escrevi, mas não tenho nada contra música alegre. Of Montreal mesmo tem muitas músicas alegres sensacionais, tipo ‘lysergic bliss’, e não tem nada de convencional nelas, pq não há nada de convencional na alegria. Fora isso, só um idiota teria algo contra o sintetizador em si. É tão sem sentido quanto ser contra guitarras. Mas de qualquer forma digo que é possível que 90% do que escrevi acima esteja errado. Talvez Mika seja mesmo tão bom quanto Beyonce.

  8. a verdade é que essa fase de bandinhas indie-dance já encheu o saco. onde é que está o rock, porra? não aguento mais tecladinhos e guitarrinhas pop dominando, que época horrível essa pra se consumir música.

  9. Quanto preconceito. Pior do que ser hipster é se limitar. Música alegre e “de festa” pode sim ser marcante e emocionar, assim como rock pode ser uma chatice também. Qualquer música, em qualquer estilo, pode ser boa e merecer sua atenção exclusiva em um quarto escuro, só você e os fones de ouvido, pra se deliciar com todos os detalhes.

    O que mais aparece, infelizmente, é um bando de gente chata que não consegue aceitar a idéia de a música não precisa ficar religiosamente separada em guetos e tribos – e cegos demais pra ver que o fim dessas barreiras intransponíveis é uma algo excelente.

    Sou fã de Radiohead e Sigur Rós, e isso não me impede de me divertir e ter grande prazer com o som leve e abilolado do of Montreal. Aliás, por que deveria impedir?

    Gente rabujenta, aprendam com o Mika a relaxar e se divertir mais, pode ser?

  10. on problema do cicero foi iniciar com o papo de ‘vcs são velhos”. cara, iggy pop e patti smith são velhos e não os troco por nenhum desses novinhos. assim como o velho paul deu uma aula de como se faz show de rock. então…esse tipo de argumento me soa meio canhestro. e no final das contas, lembrando a lista que vi aqui dos melhores discos do ano, poucos me parecem que irão sobreviver a prova do tempo. por isso sou meio desconfiado dos indies. muito empolgados com a última melhor banda de rock pop do mundo da última semana. tô fora disso.

  11. não ouvi o solo de bateria em questão, certamente deve ter sido uma merda. Uma grande merda assim como toda cena indie discutida aqui como se fosse uma arte suprema. Na verdade o que me incomoda é implicância com solos de bateria, algo tão natural no jazz e praticado com maestria por músicos de peso como Art Blackey, e por que não Ginger Baker, Butch Trucks, Jim Gordon e outros grandes bateristas de rock. O que eu não consigo é enxergar encanto numa música pobre melodica e harmonicamente feita por músicos que mal sabem tocar seus instrumentos e ainda se espera que surja desse meio alguma revolução musical. Qualquer jam session com duração de 20 minutos, extensos solos de bateria e guitarra praticada pelo Greatful Dead, Derek and The Dominos ou Allman Brothers é melhor do que todo rock and roll praticado nos ultimos 30 anos.

  12. O preconceito e falta de cultura musical do autor são um perigo. Concordo com os que escreveram que a maioria das bandas dos anos 60 e 70 são muito melhores do que os lixos atuais que cheiram a talquinho e ficam só arranhando as guitarras sem nenhuma intimidade com ela. Tudo bem acéptico e indie. Iggy Pop, Patty Smith, Led, Neil Young, Dylan, Lucifer´s Friends, Jeff Beck (que fez um show ducaralho dia 25 em SP), ZZ Top, Traffic, Cream, Gentle Giant, Stones, Pink Floyd ( até 1977) e quase todos parecem incompreensíveis para alguém que os chama de burros. Burro é quem tem mentalidade niilista e visão estreita e se diz jornalista, pode até ter diploma e tal, mas se comporta como um ingênuo e reducionista. E o pior, se mostrando autoritário e antidemocrático ao limar comentários de outros jornalistas nesse site mediano. Andam comentando isso pela blogsfera. Se liga que respeitar opiniões, ter mente aberta e ouvir musica boa de verdade faz bem. Nunca me manifestei aqui e espero não ser vetada por pensar diferente. Mas no fundo, o que esperar de um site que gosta do terrível Macaco Bong, apesar de acertarem quanto a talentosa Tulipa Ruiz.?

  13. Parabéns Marcelo por mais um texto brilhante! só vc mesmo consegue separar o “joio do trigo” e colocá-lo a prova e sinceramente, eu já sinto uma nostalgia desde que o festival se mudou da Vila dos Galpões.

  14. ESSE POST DESSE TAL DE RAFAEL DEVE SER LIDO, RELIDO E REPOSTADO!

    O problema do Smashing Pumpkins é um só: seja lá qual é a razão, Billy Corgan perdeu a manha de fazer músicas realmente bonitas. Já existiam pessoas felizes que acham tudo super bacana em toda parte nos anos 90, como nos anos 80, e sempre. As pessoas sempre foram vaidosas e sempre fizeram papel de idiota para fazer parte de tribos hipsters. O caso é que, quando um sujeito lança um disco foda como o Siamese Dream, a coisa acontece naturalmente, porque sempre haverá outra parcela de jovens que não tem paciência e felicidade suficiente para realmente gostar de Mika, de Hot Chip, etc. Porque isso tudo é apenas música de festa. People once in a while need to hear some sounds that recognize the pain in them – a dor e todas as outras sutilezas da alma que Phoenix e Holger ignoram completamente (frase do Holger no show: “Essa é sobre sexo. Eu gosto de sexo, vcs também?” Give me a break, dude). Se o Billy Corgan lança outro disco com músicas foda como Soma ou Mayonaise (obviamente com uma reformulação sonora) em vez de canções sem alma feito essas do novo EP, ele vai ter seu público, como sempre teve. É o caso do Tom Yorke. Phoenix vão e vêm, e os dois melhores discos dos anos 2000 foram Kid A, no começo da década, e In Rainbows, no final. E todos os hipsters amam esses discos (e, no meio da década, tem o Feels, do Animal Collective). Porque sempre haverá uma necessidade nas pessoas de ouvir uma música em casa que as transportem para outro lugar, outra consciência, outra galáxia. É a diferença entre música pop de festa, que lida basicamente com sentimentos convencionais (”I wanna go out tonight and drink all the time and have sex with a stranger” e coisas do tipo) e música pop enquanto expressão da inteligência e da emoção humana.

  15. houve um tempo em que música que carregava multidões era hendrix, rolling stones, who. ai hj tem gente querendo esganar quem desconfia da consistência de mika e cia. só uma conclusão: há algo de podre no reino da música pop. e ismael, tb não acredito no indie.

  16. O Planeta Terra 2010 foi muito bom! Vi vários ótimos shows no Sonora Stage, e ainda perdi performances do Indie Stage que com certeza também foram interessantes.
    Meus veredictos: of Montreal e Mika foram bem divertidos, Phoenix começou e terminou bem (mas o miolo foi mediano), Pavement não se fez de “difícil” e toca todos os clássicos (na minha opinião, foi melhor show da noite, sendo que Bob Nastanovitch, o faz-tudo, foi o destaque) e Smashing Pumpkins decepcionou (só foram tocar as melhores no 1/3 final do show, depois de frustrarem a platéia com as chatas canções novas e vários solos pretensiosos e intermináveis).
    Não acho que o rock dessa “geração 00” seja um caso perdido. Bandas boas não faltaram: Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Muse, Strokes, White Stripes etc. Toda década tem sua boa safra, e eu não consigo ser sectário a ponto de descartar um decênio inteiro. Além disso, estou bastante esperançoso quanto aos “2010s” e a provável hegemonia do rock mais eletrônico e baseado em sintetizadores. Contanto que se continue a fazer música com conteúdo, boas letras (sejam elas melancólicas ou hedonistas) e melodias viciantes, dou-me por satisfeito.

  17. ai meus olhos, eu li “homossexualismo”???!!!!!!!

    não vi o Pavement, mas pelo que li, não fez um bom show não… Como iria cedo pra fila do show do Paul no dia seguinte, fui embora e não me arrependo. Assim não teria me decepcionado em ver o Smashing Pumpkins, queria ter ficado, mas depois de ter visto videos do show, ainda bem que não fiquei!

    Vi parte do show do Passion Pit, porque antes estava descansando, e quando cheguei lá, achava que iria ver um show fraco, mas não, foi muito bom!
    Mika fez o melhor show, mas essa resenha exagerou em falar sobre gay, bicha, whatever! Ele nem mesmo afirma ser…
    Adorei Of Montreal, me diverti bastante, e isso que importa.
    Hot Chip foi bom, mas achei que Passion Pit estava melhor…
    Gostei dos Novos Paulistas.

    Ps. concordo com o que o Cícero e André disseram, não preciso dizer mais nada.

  18. Esse Vladimir não sabe do que está falando, tenho certeza absoluta disso.
    Além de querer classificar sociologicamente, diz que Hurtmold é vanguarda…
    Filho, o som deles era vanguarda a uns 70 anos atrás.

  19. Pô um pouco tarde.Mas que resenha mais descabida esta, desde quando tecladinhos modernóides substituem a onipotência das guitaras, nada contra teclados e muito menos contra a parafernália eletronica toda, isto é um adendo maior para a criatividade, agora calma lá, chamar rock setentista de burro, isto apenas embasa a afirmação que este cidadão não sabe nada de música, visto que uma coisa da base para outra, ta entendento, o alicerce foi lançado à algum tempo, sejam através das guitarras trovejantes dos anos setenta ou mesmo os sintetizadores que deram todo um colorido as canções, até finalmente chegarmos a estas junção de musicos que se classificam como bandas, que toda semana chegam aos turbilhões auto intitulando-se a maior novidade em termos de sonoridade.Posso não entender nada, mas este elemento que se diz entendedor deveria ser mais consciente na hora dos comentários ou rever seus conceitos antes de criticar ou elogiar qualquer coisa que seja.

  20. Nada a ver essa fraca resenha, extremamente equivocada e que demonstra uma visão curta da música. Chamar de burra a música feita nos anos 70 é passar atestado de limitado, reduzido, mas afinal vocês são indies……Concordo com o Pablo e a Lia você precisa urgentemente rever seus conceitos, mais do que isso, ouvir mais e pesquisar muito. Dá onde tu acha que veio os sons que gosta, as raízes? Os anos 70 produziram as melhores bandas da história, como nos 60. O que vocês desse site precisam é mais cultura musical e menos hype furado. As afirmações dessa “matéria” demonstram que o jornalista pode até entender de cervejas raras, mas para escrever de música com propriedade e conhecimento ainda falta muito. Principalmente parar de escutar bandas ruins senão seu referencial fica ruim.

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